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07/08/2009 - 18:05

FUMAR OU NÃO FUMAR, EIS O PRAZER.

OS PARADOXOS DA SEMANA

O que é mais nobre, salvar o pulmão das insalubres baforadas ou morrer de satisfação no mundo de Malboro? Levantar armas contra um mar de atribulações ou deixar-se levar pelo câncer a dentro, como advertem as insidiosas caixinhas de Pandora?

Desde que me conheço por gente, isto é, desde que comecei a ir ao cinema sozinho, assisti ao mais constante elogio do fumo, nos lábios sensuais de Lauren Bacall, então namorada do mais fumante dos artistas de Hollywood, Humfrey Bogart, de Casablanca. Até o mitológico James Dean, em suas melhores fotografias, debruçava um cigarro no lábio inferior, a mostrar que longe de uma cigarrilha ninguém é rebelde. Herói que não fuma, também não entrava em Hollywood, nem como figurante.   

Tenho a convicção de que fumar é um prazer, senão não teria tanto idiota arriscando a vida, se não fosse mesmo um prazer saborear um cigarro depois do café, curtir uma boa notícia, se consolar de uma ruptura, dar um final feliz à sobremesa ou a uma boa noite de sexo.

Tenho a experiência de que não fumar é um prazer. Quando era criança roubei um charuto do meu pai, devorei suas brasas até o meio, para sensação da vizinhança. Vomitei durante horas seguidas e outras alternadas, quando me lembrava do feito. Depois disso, todo cigarro que não fumo parece uma virtude, um prazer.

Agora o governo proclama o prazer compulsório de não fumar em lugares fechados, abolindo o prazer incomparável de fumar em lugares fechados. Fumar ao relento, sem partilha, não dá prazer nenhum. Cigarro exige audiência, aplauso silencioso, simulação do crime perfeito, porque ninguém acusa o assassino de si mesmo. Fumar é se matar ao vivo.

O prazer agora é do bando de escoteiros bem comportados que não fumam em público, porque estão sempre alertas contra o câncer. Estão definitivamente livres da nicotina subliminar que mina os pulmões saudáveis, como afirma o grande Drauzio Varella.

Mas lei é lei e lei com multa, pega.

Mas vai ser preciso ser muito macho para dar uma cantada numa desconhecida, sem um cigarro entre os dedos.  

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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