SÁO PAULO NAUFRAGOU
E SÃO PEDRO NEM VIU
Há alguns culpados pelos exageros da natureza. Um é São Pedro, que só conheço do Novo Testamento e nunca soube que era meteorologista. Outro é o aquecimento da Terra que está produzindo delírios na esfera e na estratosfera. Por fim, é a falta de educação de gente que joga lixo na rua e joga Volkswagen no rio Tietê. Há ainda o desrespeito crônico à natureza, com a impermeabilização excessiva do espaço urbano, o que drena águas e sujeiras para os rios. Há, por fim, a roubalheira do lixo, pela qual quem recebe para recolher não recolhe e quem paga para que se recolha não cobra pelo serviço pago.
Assim, não há cidade que agüente. É verdade que os trabalhos de desassoreamento do Tietê melhoraram muito a questão das enchentes nas marginais. Não sei por que a solução radical proposta por Figueiredo Ferraz até hoje não foi adotada: abrir definitivamente as barragens nas alturas de Osasco, e permitir assim a vazão mais rápida do rio.
Num só dia o prejuízo foi enorme. Primeiro o prejuízo moral dos que perderam tudo. Depois o prejuízo dos trabalhadores que não conseguiram chegar ao trabalho e dos produtores que não conseguiram produzir, vender e transportar. E ainda mais, o prejuízo público, que viu importantes obras públicas naufragarem nos escombros.
Creio que a soma dos prejuízos acarretados pela chuva justificaria uma política de investimento e planejamento capaz de avaliar os riscos e de dar soluções mais duradouras ao problema. Isso tudo é óbvio, mas quando sair o primeiro sol, a obviedade vai rolar como os rios.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags: enchente
