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15/09/2009 - 14:34

ISABELLE RUPPERT NO ANO DA FRANÇA

VILLA AMALIA

O ano da França no Brasil está lotando todas as agendas dos que dispõem de tempo e de oportunidades.Danilo é um grande curador e sabe produzir eventos relevantes.
Segunda feira, no Cine Sesc, Isabelle Ruppert estava ao vivo para inaugurar uma exposição com suas fotografias e lançar no Brasil o filme da Benoit Jacquot VILLA AMÁLIA.
O filme trata com dignidade o batido e difícil tema da solidão, talvez o tema mais redundante da condição humana.
Jacquot aposta e Isabelle demonstra que a solidão exige um enorme percurso de despojamento, seja o despojamento das coisas que perdemos, um marido que se rotiniza no beijo de uma amante, um irmão menor que morre e um pai que abandona a família. Sejam as coisas das quais nos separamos, uma mãe doente, um marido que se rotiniza, uma carreira promissora, roupas de luxo, apartamentos e pianos grifados. Ann era pianista e também uma boa compositora de música contemporânea. O filme nos mostra que a solidão não é apenas despojamento, mas também agrega coisas indispensáveis: paisagem, casa e pessoas do acaso. Sempre pensei que a mudança de geografia não resolve nada. Estava enganado.
O grande momento do filme é o encontro com o pai que havia abandonado a família e que retornara para o enterro da mãe.
Dialogam na praia deserta.
- Não é normal, pai, abandonar filhos pequenos.
- Em toda a vida, minha filha, nunca encontrei uma pessoa normal.
- Mas porque você foi embora?
- Eu era judeu, vocês eram católicos. Vocês tinham necessidade da felicidade e da alegria. Eu não suportava isso. Como você, eu sou um músico. E a música nos acompanha em qualquer lugar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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