04/08/2009 - 11:50
PROIBIDO NOTICIAR OS FEITOS DA POLÍCIA FEDERAL
Para quem está recém-chegado de Montevidéu e constatou, na dor dos documentaristas uruguaios, os estragos causados pelo regime militar naquele país, é intolerável ler na primeira página dos jornais que um juiz do Distrito Federal, proibiu o Estadão de publicar notícias sobre o inquérito que envolve o Senador Sarney. Achei que estava delirando: pensei que em uma semana armaram um golpinho em Brasília. De fato armaram. Até se derrubar na própria justiça essa decisão judicial, vão correr inúmeros dias. E se a moda pegar, vamos ver juízes, em todos os lados, proibindo os jornais de publicar. Uma espécie de gripe igual às liminares.
Será que esses juízes não percebem que há uma SÚMULA mental e a maior delas, que é a Constituição, capaz de dirimir esse furor judiciário, subjetivo e fascista, que denota horror à liberdade de imprensa?
Gente. O mal que as ditaduras fizeram a esta infortunada América Latina é incomensurável. O mal que lhe acrescentou o FMI é impagável, pelos estragos causados. Sempre, a primeira coisa, foi proibir que os jornais noticiassem com liberdade. Será que o Estadão vai precisar publicar poesias de Camões, com os olhos vendados, como fazia no tempo do Médici?
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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02/08/2009 - 18:04
MAIS UMA SURGIDA DE BRASÍLIA
Em Nova York virou moda o Ciclo Taxi, uma espécie de “Riquixá”, puxado por um ciclista de boa saúde, que anda como um mercúrio pelas ruas de Manhattan, carregando dois adultos pesados ou leves. Não é barato, mas vence o trânsito com desenvoltura maior que dos “Yellowcab”. Na Índia o Triciclo cruza os mercados como uma serpente, o que se pode assistir cada noite na novela da Globo. Parece um milagre que alguém, além da vaca sagrada, possa cruzar aquelas ruas, sem matar uns quantos. Em Paris adotou-se a Bicicleta ponto a ponto, que um cidadão pega em qualquer esquina e devolve na outra, com o uso de um cartão eletrônico de simples identificação. Na Holanda, como em Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e demais cidades do litoral paulista, usa-se simplesmente a bicicleta individual para aliviar o trânsito e facilitar a vida.
Agora, Brasília, acreditando que todas as cidades do país são iguais, propõe uma lei criando o Moto Taxi. Se não fosse verdade poderia parecer uma piada bem intencionada, esse tipo de transporte que já se usa sem qualquer regulamentação em milhares de cidades do interior brasileiro.
Absurdo é pensar que essa autorização possa ser um benefício para o trânsito das grandes metrópoles e bom uso do cidadão.
A moto é o veículo que mais polui na cidade de São Paulo. É o meio de condução e de trabalho que produz mais acidentes com morte. É um veículo habitualmente desrespeitado pelos demais veículos. Não existe regulamentação racional que o faça andar em fila indiana atrás dos outros carros, pois perderia sua razão de ser, a presteza.
Com o Moto Taxi haveria um serpentear sinistro, poluindo o ar, quebrando retrovisores, anarquizando o trânsito e matando gente.
O Prefeito de São Paulo já se manifestou contra, mas alguns vereadores estão entusiasmados com a idéia e com o contingente eleitoral dos motoqueiros, categoria esforçada e unida na arte de sobreviver com perigo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/07/2009 - 11:33
NÃO HÁ NADA MAIS ESTÁVEL DO QUE OS JUROS
Não há nada mais antigo do que os juros e seu filho bastardo, a usura e seu manipulador lendário, o agiota. A Bíblia, que em verdade é uma grande ordenação legislativa, na forma e no conteúdo, já condena a usura, ao mesmo tempo em que abençoa, como filhos diletos de Deus, todos os bem sucedidos na vida, no amor, na guerra e nas finanças.
Tão antigo quanto é o comercio, que sempre se realizou com o financiamento das trocas, essência mesma do negócio.
Não apenas os comerciantes, mas os empreendedores que precisavam investir na produção, os burgueses que precisavam investir no comercio e em sua instalação nas cidades, já no fim do Século XIV, os reis, que precisavam financiar as guerras, os cruzados que precisavam financiar o arrebatamento da fé, os agricultores que precisavam adaptar-se à mecanização da lavoura e assim por diante, até hoje, em que um simples cidadão precisa entrar na garagem com dignidade e adotar a linha branca com habitualidade, em 90 prestações que absorvem a metade da vida e mais da metade do salário.
Agora, nestes tempos civilizados, a inflação, a guerra, a energia, o consumismo e a especulação, constituem a base do sistema bancário internacional, generalizadamente chamado sistema financeiro.
Quebrar esse elo é considerado uma heresia moderna, pois acarretaria o próprio esfacelamento dos “estados-nações”, conceito moderno de pátria. Quando o asteróide da especulação se chocou com o Lehman-Brothers, desencadeando a primeira grande crise do Século XXI, num tempo diminuto surgiram trilhões para salvar a instituição sagrada dos juros.
Note-se que nunca houve tal esforço para diminuir a miséria, a desigualdade, o aquecimento da terra, a preservação da natureza, a educação das pessoas. E isso quer dizer, com realismo, que quando a crise acabar, vai surgir um novo ciclo financeiro, igualzinho ao anterior, com regulamentações aparentes e inócuas, porque desde os tempos bíblicos a única covardia sem remédio, é a do homem diante do dinheiro.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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21/07/2009 - 17:27
NÓS, E A POÇÃO DA INDIFERENÇA
Harry Potter cresceu, está quase na maturidade. Agora, pode dividir a magia com as aventuras do amor, cujas ciladas são ainda maiores do que as imaginadas pela senhora Rowling. Mas o encantamento da escola de Hogwarts continua o mesmo. Os estereótipos da condição humana, confinados naquele castelo de terror e sedução, casam de tal forma com seus atores, que a ficção fantasiosa parece verdade. Os olhos abertos e as lentes de seus óculos dão a Harry a transparêrncia de ator e personagem. O rival, loirinho e esguio, seria um bom projeto de vampiro, não estivesse sobre o controle vigilante de Dumbledore. Mas Dumbledore morreu.
Pode-se dizer que a ingenuidade dos primeiros capítulos se esvaiu, mas por acaso isso também não aconteceu com nossas vidas, quando a infância acabou? A poção do amor descontraído é hilária. Produz efeitos mais surpreendentes do que o Viagra. Alegrix é um bom nome para substituir o crack, pois há entre a poção e a droga um abismo de classe que nem Marx percebeu. Aragog, a aranha gigante de Hagrid, nos lembra a escultura de Louise Bourgeois, exposta no MAM.
O filme continua belíssimo e a história fascinante, mas a moral da fábula não convence. Quisera os males pessoais que enfrentamos em nossa trajetória humana, e os males políticos que assistimos nos sucessivos mandatos de nossos representantes políticos, fossem artimanha de um único demônio, o Senhor das Trevas. Nossas penas derivam das falhas de estrutura, do esgotamento mecânico e moral, da banalização do espetáculo do mal, da ejaculação precoce das riquezas imaginárias.
Harry Potter encontrará nos próximos capítulos todos os objetos do infortúnio e os destruirá. Dificilmente destruiria o vírus de resignação que nos paralisa diante do possível e nos acovarda diante do impossível.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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10/06/2009 - 19:38
E O DIREITO À PUBLICAÇÃO DA RESPOSTA
Quando um órgão de imprensa faz uma pergunta, o direito autoral dessa pergunta é dele, da mesma forma que o direito autoral de quem responde também é de quem responde. Mas há um acordo tácito entre entrevistador e entrevistado, ás vezes até um acordo escrito, como no caso de programas de televisão em que o entrevistado assina uma transferência de sua autoria para o órgão de divulgação. Assim, quando um jornal entrevista o presidente de uma empresa, Petrobrás ou não, é evidente que está estabelecido um acordo de que aquela entrevista será divulgada , em primeira mão, pelo órgão entrevistador. Desde que a imprensa existe foi assim e é assim.
As novas tecnologias, que antecipam fatos acontecidos e até boatos forjados, mudaram a velocidade dos acontecimentos. Há acordos, como no atual caso do programa “Roda Viva” em que a entrevista é divulgada em tempo real pelo site da Cultura e logo após pela sua emissora de televisão.
O que a Petrobrás pretende inovar está fora dos usos e costumes da imprensa tida como civilizada. Conceder uma entrevista a um jornal e divulgar a resposta em seu “new-blog” antes que o jornal seja rodado, não é muito ético nem correto. O blog da Petrobrás pode e deve dar todas as informações do mundo, a hora que desejar, mas não pode apropriar-se da pergunta, que não lhe pertence, e divulgar a resposta antes de sua publicação, o que é da natureza mesma de uma entrevista. Esse formato jornalístico tem uma tradição, um sentido e uma ética, repito.
Não se pode mudar essa lei original da imprensa, embora não exista mais lei de imprensa, pela circunstância política de uma CPI, oportuna ou inoportuna, mas que foi instaurada nos cânones atuais do Congresso.
A Petrobras é um patrimônio desta nação. Além do petróleo, que explora, tem uma história que pertence ao povo brasileiro. A Petrobrás não pertence às diretorias temporariamente eleitas pelos sócios majoritários.
É importante, sim, que a Petrobrás seja controlada pela sociedade e devidamente auditada. É importante que ela preste conta à imprensa e à representação política da sociedade que é o Congresso.
Isso não lesa a majestade histórica da instituição, pelo contrario, a fortalece.
Esse debate exige honestidade intelectual e não demagogia populista.
Espero que os competentes tiradores de petróleo das águas profundas não comecem a tirar coelhos da cartola, num momento tão crítico da vida nacional.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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14/03/2009 - 23:29
TRIO MARAVILHA
Não me causou espanto, mas um profundo desânimo ler a notícia do almoço de Sarney, Collor e Renan.
Renan, depois do inferno produzido pelas próprias maracutaias, precisa de ombros amigos e correligionários poderosos para retomar o patamar de mando a que se acostumou no senado brasileiro. Collor, depois de ter sido o mais ungido e o mais desungido presidente deste país, também precisa de muito carpete vermelho para se sentir em casa de novo.
Sarney não precisa de nada disso. Foi presidente por um misto de acaso e destino. Comportou-se com humildade ao substituir Tancredo. No Congresso dos escritores causou-me até emoção, no exercício de uma presidência inesperada e trágica. Tentou um plano econômico com economistas idealistas como Funaro. Grangeou popularidade. Aos poucos perdeu isso no formigueiro da inflação, das moratórias e do compadrismo, mas saiu-se relativamente bem.
Então, eu que não gostava nem um pouco de sua poesia, confesso que gostei muito do seu romance O Dono do Mar. Revelava um chão que era seu, uma memória autêntica de suas lembranças, uma literatura regional daquela São Luiz que sempre se considerou a Atenas brasileira.
Assim, Sarney tinha duas missões pela frente. Grandes missões. Honrar a literatura e sua imortalidade. Fazer pelo pobre Maranhão tudo aquilo que seu prestigio poderia ter feito. Ensino, miséria, cultura, corrupção, infraestrutura, cidadania. Enfim, tudo que um estado precisa para ser digno de sua memória.
Não sei por que miserável razão Sarney preferiu continuar a carreira política, comandar o nepotismo familiar e partidário, perpetuar-se num senado sem domicílio, presidir a sombra de um dos poderes.
Talvez porque seja um pai carinhoso. Só posso ver essa razão. Mas porque insistir em encaminhar a filha por essa infelicidade sem retorno que é a política? Porque jogar tantas pedras no caminho dos filhos homens?
Pena. Das penas que não voam.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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14/01/2009 - 10:07
SÓ A AMAZONIA PRESERVADA GARANTE O CERRADO
As fronteiras agrícolas brasileiras estão bem delimitadas e exploradas, principalmente pelos bandeirantes do século XX que são os gaúchos. De mato Grosso ao Piauí há terras e cerrados suficientes para que seu uso agrícola possa alimentar o mundo. Tudo depende de uma boa tecnologia, de financiamentos e todos esses inu8mos que conhecemos. Nos Estados Unidos, o desenvolvimento tecnológico e genético está aumentando a produção em áreas restritas, na base de 30%.
No Brasil, portanto não há a menor necessidade de se estender as fronteiras agrícolas além dos limites da floresta amazônica em nenhum estado do Brasil. Digo isso porque a área agricultável que dispomos é suficiente. Há um “porém, todos os pastos, plantações de soja, milho, feijão dependem do regime das chuvas. E o regime das chuvas depende da floresta amazônica. O idiota do pecuarista que pensa que está fazendo um bom negócio destruindo as matas para alargar os pastos está liquidando seus negócios em terras já preparadas e com as condições de escoamento da produção muito melhores do que as da Amazônia. Isso sem contar os danos ecológicos cujos efeitos prejudicarão a própria sobrevivência da vida em nosso planeta.
Quando a burrice torna-se um dano social de grandes proporções, o estado tem o direito e a obrigação de intervir. A tolerância com a exploração da Amazônia não deve ir além da exploração auto-sustentável de suas próprias riquezas, que só a cultura local conhece em profundidade.
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09/01/2009 - 15:53
FEBRABAN VS BANCO CENTRAL
Um duelo de feras se travou no encontro promovido por Guido Mantega, reunindo o presidente do Banco Central e o presidente do Bradesco, entre outros contendores de alto coturno dos meios financeiros.
É inegável que a ortodoxia de Henrique Meirelles ajudou e muito o desempenho econômico e financeiro do governo Lula nestes períodos de bonança, que bafejaram a estabilidade e o crescimento econômico no mundo e no Brasil. Da mesma forma que se torna incompreensível, para os simples mortais que não entendem de economia e para os industriais, principais vítimas, a insistência em manter-se a taxa mais elevada de juros do mundo, quando é geral a compreensão de com tais taxas não se conseguirá aliviar a crise e o risco de uma depressão significativa.
Na histórica reunião que se transformou num duelo. Cypriano, presidente do Bradesco, cobrou publicamente a baixa dos juros, cuja taxa Selig continua muito alta. Meirelles respondeu na lata que altos estão os spread cobrados pelos bancos, mesmo depois damanutenção da taxa. Por delicadeza, os dois encerraram o debate nesse clima.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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07/01/2009 - 15:18
Oi Fabio
Não assinei Fabio nenhum. Nem sei quem é ele ou vc., um que me elogiou e vc que me esculhamba o tempo todo sem qualquer censura.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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