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	<title>Jorge da Cunha Lima &#187; a Favorita</title>
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	<description>Em busca da ignorância perdida</description>
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		<title>A FAVORITA   I</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jan 2009 18:28:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge da Cunha Lima</dc:creator>
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DONATELLA E A QUADRILHA DO BEM
 
Acompanhei o calvário até o ultimo segundo. Sou profissional. Gostei e detestei, o que é sempre lisonjeiro para o autor. Mas Joáo Emanoel Carneiro deveria ser processado por formação de quadrilha: a quadrilha do bem. Nunca vi o bem ser tão desmoralizado. Nunca vi as pessoas boas serem tão caricatas, tão [...]]]></description>
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<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-size: 14pt">DONATELLA E A QUADRILHA DO BEM</span></p>
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<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-size: 14pt"><span style="font-family: Times New Roman">Acompanhei o calvário até o ultimo segundo. Sou profissional. Gostei e detestei, o que é sempre lisonjeiro para o autor. Mas Joáo Emanoel Carneiro deveria ser processado por formação de quadrilha: a quadrilha do bem. Nunca vi o bem ser tão desmoralizado. Nunca vi as pessoas boas serem tão caricatas, tão idiotas. O bando do bem na novela A Favorita melhor estaria entre os Trapalhões. Só armam idiotices na perseguição a Flora e se comportam como débeis mentais. Não salva um na quadrilha do grupo principal da novela. Donatella não é generosa.<span>  </span>Não pratica um ato de solidariedade a não ser fazer um mexidinho para o Shiva. Vive chorando, cada vez nos braços de um membro da quadrilha. Como não tem o que dizer, blasfemando contra a irmã, continua chorando. Até no orgasmo final, no Guarujá, Donatella chora. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-size: 14pt"><span style="font-family: Times New Roman">Donatella não conseguiu perceber a hipótese dostoievskiana armada pelo roteirista. Desperdiçou o seu momento de compaixão freudiana. Aliás dispensa o bom senso e a piedade em todos os momentos. É só ódio. Donatella é o grande bandido da novela, mas isso não se percebe porque é meio sonsa. </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt"><span style="font-size: 14pt"><span style="font-family: Times New Roman">Irene não faz jus ao personagem. A alta burguesia paulistana produz mulheres sagazes, não uma romântica de periferia incapaz de perceber o status moral de ninguém. Ela é tão boba quanto inverossímil. Uma quatrocentona mandava bala naquele momento crucial. Zé Bob é delicado demais para aquele papel. Um 00 (nada). Parece uma foca de redação a procura de uma grande matéria. Quando se aproxima daquele mulherão que é Donatella parece um bebê mamando. E a indefectível Lara? Está linda quando lhe aplicam o baton final no casamento de Donatella. Naquela hora nem parece marca do purgante que nos foi servido durante dezenas de capítulos. Harley, candidato permanente a patricinho, faz tudo como se deve. Revela o impulso moral de todo adolescente. Quando está com a mãe falsa é magnífico. Com a mãe verdadeira é falso. Mas dessa forma, o bastardo revela que Cauã é um grande artista, não mais o prepúcio de Malhação. Silveirinha é interessante. Uma espécie de Smerdiakov (personagem dos Irmáos Karamazov). Balança entre o bem e o mal, não por dúvidas metafísicas, mas por instinto e o instinto é a melhor virtude dos animais. Cassiano fez bem. Voltou para o núcleo bom da novela e ainda mais com a recompensa da afro descendente mais linda do hemisfério sul. Aguardem o próximo capítulo.<span>                </span></span></span></p>
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