JOGOS FEROZES NA NOVELA DAS NOVE
O filme não tem a grandeza do livro, mas é um filme oportuno, belo e que traduz em imagem, personagens magníficos.
Na história, que revela os Estados Unidos, reconstruído depois de alguma catástrofe atmosférica, sobram: a tirania de um distrito imperial que explora os demais; a fome, constante em cada instante e cada personagem e a luta pela sobrevivência, cuja metáfora é uma arena manipulada, ainda mais feroz do que as arenas romanas.
Sem os detalhes do livro, o filme resvala plasticamente por todas essas desgraças criadas pelo próprio homem, isto é, os homens no poder, e os homens na luta desesperada, matando-se até o fim.
É um grande BBB do Império Romano, modernizado, símbolo de todos os impérios, inclusive o americano e o Inglês, mais contemporâneos.
Mas os jogos ferozes, situados na periferia carioca, com sua nova classe média, estão mesmo na novela das nove: Avenida Brasil, retrato de um Brasil inteiro, para a Globo.
O jornalista da Folha, Melquiades Filho tem razão, mataram no primeiro capítulo, de forma cruel, Toni Ramos, símbolo do bom homem, ingênuo e humano, de todas as novelas.
Para substituí-lo, pariram personagens maliciosos, cheio de ódio e com espírito de destruição ou de vingança, pariram personagens bons, mas medíocres, personagens, jovens, atraentes, mas destituídos de qualquer vigor moral.
De uma forma ou de outra, todo mundo é menor. As opções dos telespectadores só podem recair nas baixas emoções e nos baixos desejos. As portas estão abertas, em pouquíssimos capítulos, no pão eletrônico de cada noite.
Não há dúvidas que João Emanuel Carneiro é um grande novelista. Está relatando o que desejava relatar.
Poderíamos dizer que no Século XIX, Dostoievski produziu enredos destrutivos e avassaladores, mas atrás de cada miserável se percebia a grandeza do ser humano.
Na Avenida Brasil sobram pedestres, de ínfima grandeza.
