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09/04/2012 - 11:50

JOGOS FEROZES NA NOVELA DAS NOVE

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O filme não tem a grandeza do livro, mas é um filme oportuno, belo e que traduz em imagem, personagens magníficos.

Na história, que revela os Estados Unidos, reconstruído depois de alguma catástrofe atmosférica, sobram: a tirania de um distrito imperial que explora os demais; a fome, constante em cada instante e cada personagem e a luta pela sobrevivência, cuja metáfora é uma arena manipulada, ainda mais feroz do que as arenas romanas.

Sem os detalhes do livro, o filme resvala plasticamente por todas essas desgraças criadas pelo próprio homem, isto é, os homens no poder, e os homens na luta desesperada, matando-se até o fim.

É um grande BBB do Império Romano, modernizado, símbolo de todos os impérios, inclusive o americano e o Inglês, mais contemporâneos.

Mas os jogos ferozes, situados na periferia carioca, com sua nova classe média, estão mesmo na novela das nove: Avenida Brasil, retrato de um Brasil inteiro, para a Globo.

O jornalista da Folha, Melquiades Filho tem razão, mataram no primeiro capítulo, de forma cruel, Toni Ramos, símbolo do bom homem, ingênuo e humano, de todas as novelas.

Para substituí-lo, pariram personagens maliciosos, cheio de ódio e com espírito de destruição ou de vingança, pariram personagens bons, mas medíocres, personagens, jovens, atraentes, mas destituídos de qualquer vigor moral.

De uma forma ou de outra, todo mundo é menor. As opções dos telespectadores só podem recair nas baixas emoções e nos baixos desejos. As portas estão abertas, em pouquíssimos capítulos, no pão eletrônico de cada noite.

Não há dúvidas que João Emanuel Carneiro é um grande novelista. Está relatando o que desejava relatar.

Poderíamos dizer que no Século XIX, Dostoievski produziu enredos destrutivos e avassaladores, mas atrás de cada miserável se percebia a grandeza do ser humano.

Na Avenida Brasil sobram pedestres, de ínfima grandeza.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/04/2012 - 11:37

A NOVA SEMANA SANTA

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Na esquina da rua Urano com Castro Alves tinha um empório do Seu Porfírio. Estabelecimento pequenino, mas abastecido do necessário. Porfírio era um homem taciturno, tal que um personagem de Machado de Assis, mas não tanto que o impedisse de comerciar bem. Minha mãe tinha conta mensal, e tudo que comprava, Porfírio anotava no caderno da Saturno 44. No fim do mês minha mãe pagava e sempre ganhava um brinde: ora uma lata de biscoito, outra um litro do bom azeite português.

Quando voltávamos do Tênis Clube, no bairro da Aclimação, eu e meu irmão, com alguns meninos do bairro, estacionávamos as pernas no empório do Porfírio. E pedíamos o néctar dos néctares: um sanduíche de mortadela no pão fresquinho, e um guaraná champanhe, da Antarctica.

Era o supremo dos prazeres da vida, por alguns tostões que o Porfírio marcava no implacável caderno.

Lembrei-me disso, diante de um hambúrguer de cinco andares, com ketchup, maionese, queijo chedar, tomates, pepino, 20 reais, acompanhado de batatinhas fritas, no América.

Percebi que não há mais espaço para a simplicidade. Ser feliz está muito difícil. A nova classe média tem compromissos com o status. E status não é ser feliz, é comprar. Vi anúncios de ovos de páscoa, em dez prestações , sem juros, claro, que pelo dobro do preço do ano passado.

Não há mais a procissão do encontro, nesta sexta feira santa, quando Nossa Senhora, que saia da igreja matriz da Aclimação, encontrava o filho esquartejado, que saia da Igreja de Santo Agostinho, nos altos da rua Apeninos. Transformaram esse encontro sublime, no dia do bacalhau, que, pelo preço, também será vendido em dez prestações.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/04/2012 - 20:47

O roubo e as estatísticas

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Claro que ladrão refere roubar de quem tem dinheiro para ser roubado. Assim, não é de se estranhar que os índices de roubos e assaltos sejam mais freqüentes em São Paulo do que no Rio ou em qualquer outro Estado. A metrópole é maior e mais endinheirada.

Da mesma forma, as instituições. Quando se houve falar em desvios na FIFA é mais natural do que se falar em desvios num clube de várzea.

É mais habitual vermos senadores envolvidos em falcatruas do que professores de matemática.

Empreiteiros milionários freqüentam as operações da Polícia Federal em maior número do que engraxates do aeroporto.

Mas se é verdade que os cães costumam farejar cofres recheados, o malfeitor está em toda parte. Proliferam. Hoje mesmo, vi um trombadinha na Avenida Paulista, assaltando um desavisado e enfiando seu celular no bolso. Mas o PM também viu e imobilizou o garoto, que colocou as mãos na cabeça. Nos outros bolsos, o policial encontrou mais dois celulares. Diria, uma boa féria para uma só tarde.

O Secretário é linha dura e o novo Comandante da PM também o será.

Nenhuma eficiência será maior do que a estatística de uma cidade com 12 milhões de pessoas, três das quais alçadas à nova classe média.

Então, não há nenhuma esperança. Creio que sim, mas depende de alguns fatores:

Mais educação, mais aplicação da justiça, e, paradoxalmente, mais distribuição de rendas..

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/04/2012 - 19:45

A CORRUPÇÃO JÁ FOI LONGE DEMAIS

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Não é coincidência. No mesmo domingo, no jornal O Estado de São Paulo e nas páginas amarelas, da Veja, dois antigos companheiros do MDB, Fernando Henrique Cardoso e Pedro Simão, tratam do mesmo assunto: a corrupção.

FHC, hoje no PSDB, alerta para o perigo iminente da corrupção se tornar uma condição inexorável da governabilidade, no Brasil. O Senador Pedro Simão, hoje ainda no PMDB, afirma que as instituições não estão corrigindo a si mesmas, mas que a opinião pública o fará.

Simão acredita que a média do Ministério tem um nível ainda menor do que a média do Congresso. Simão lamenta que desapareceram os políticos qualificados de um passado próximo: Arraes, Ulisses e Covas, aos quais eu acrescentaria Montoro. FHC acha que é mais que preocupante a banalidade com que a corrupção vai ganhando espaço.

Para um observador, cético, poderíamos dizer que os dois políticos estão chovendo no molhado. Todo mundo está careca de contemplar o espetáculo redundante, que anuncia o crime, descobre o criminoso e não consegue condená-lo. Mas o fato da corrupção tornar-se assunto prioritário na mídia e na preocupação de políticos importantes, o fato da corrupção fomentar atitudes de cidadania por parte da sociedade (veja-se a lei da ficha Limpa), são fatores fundamentais, para se extirpar o mal, convertido em hábito.

Por enquanto não há poder imune, nem titulares de cargos públicos suficientemente condenados, tal o consentimento dos comandos, quanto a negligência da justiça. Mas parece que a temperatura quebrou o próprio termômetro.

A sociedade percebeu que o pagador das promessas e das contas são os cidadãos comuns, que trabalham, pagam impostos e não roubam.

Isso percebido, a solução torna-se um processo irreversível.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/03/2012 - 10:40

LA TRAVIATA DE TERNO E GRAVATA

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Nunca vi a Dama das Camélias num vestidinho moderno, talvez morrendo de câncer. Mas Violeta é a mesma, na encenação de Daniele Abado, no Teatro Municipal de São Paulo; uma menina desregrada que se apaixona por um jovem rico de outra camada social que a sua. Alfredo é filho de um pai rigoroso e conservador que deseja preservar a honra da família e não atrapalhar o casamento da filha , noiva de um Mauricinho. Toda história de amor se enquadra, em qualquer tempo, pois os preconceitos são os mesmos, assim como os interesses. Mas a Traviata de Verdi, um dos melodramas mais queridos, no mundo da ópera, é sempre apresentado em salões parisienses do fim do éculo XIX.

A recente montagem da ópera, em São Paulo, revoluciona, sem perder a ternura.

De cara, já no primeiro ato, espanta, com uma festa em preto, prenunciando o funéreo. A mesa do banquete não difere de uma urna funerária. Alegria profética da destruição.

Os intérpretes revelam-se magníficos desde o começo, refiro-me à estréia com Irina Dobrovskaia, no papel de Violeta, Roberto de Biasio, no papel de Alfredo e Paulo coni, como Giorgio Germont. Irina, além do mais belíssima, apaixona e Biassio deixa-se apaixonar, discreto e seguro, como um jovem de boa família. No segundo ato o canto percorre o roteiro sedutor da moral burguesa, a mesma, em qualquer tempo e qualquer geografia. O pai consegue convencer Violeta de que amor é sacrifício, tese fácil de se enquadrar no coração de um melodrama. Paolo coni faz isso com majestade.

A tragédia se consome no abandono, na incompreensão e na doença, emoldurada em cenários competentes, de luz e sombras. As juras de amor sucumbem ao perjúrio. O amor se destrói no corpo e nos comportamentos.

O libreto do Século XIX cai como uma luva na arquitetura do Século XXI, da mesma forma que as mesinhas que os irmãos Campana colocaram no bar do teatro.

A Traviata tem uma peculiaridade: todas as árias são lindas e só há árias. Até os diálogos dramáticos parecem árias. Abel Rocha encorpora tudo isso; rege no tempo adequado do espaço moderno.

O público percebe e aplaude, com força, mas sem o delírio das platéias do Bexiga

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/03/2012 - 15:36

THOR E O PÊNDULO DA JUSTIÇA

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Muito se fala de Thor, porque Thor não é um cidadão comum. Thor é filho de Eike, que é um dos personagens da famosa lista dos mais ricos do mundo. Hoje, a riqueza atrai interesses, admiração e ódio, como a aristocracia nos tempos passados. Scott Fitzgerald já afirmava que os “muito ricos” têm uma natureza diferente do comum dos mortais.

Thor atropelou um ciclista pobre que se encontrava, ao que os testemunhos indicam, numa situação de risco, no meio da via pública.

Thor parou, atendeu o atropelado, fez que o conduzissem ao hospital, tudo conforme a ética da situação recomenda.

Mas Thor é um menino rico e o atropelado é um menino pobre. Da mesma forma que o rico , no Brasil, tem vantagens jurisdicionais, o pobre, nessa situação, tem vantagens midiáticas. A opinião pública sempre está com o time do mais pobre.

A grande questão moral que essa situação representa, será a decência do processo, quando a balança da justiça não deve pender nem para os preconceitos, nem para os sentimentos primários. Quando se diz, emblematicamente, que a justiça é cega, é porque ela não deve olhar para os interesses, nem para as emoções, mas deve agir segundo a convicção produzida pelo processo. O caso Thor não será o do julgamento de uma pessoa, mas do julgamento da Justiça.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/03/2012 - 10:14

É UMA VERGONHA – O CONGRESSO

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Quando a presidenta Dilma anunciou a necessidade de mudança de hábitos e costumes para os pressupostos da governabilidade, deveríamos comemorar.

Sobretudo, deveria comemorar, a maioria dos deputados e senadores, que, membros do baixo clero, nunca têm voz no clube dos donos do Congresso.

Ao contrario, todos revestiram-se de um luto ofendido, arrogante e vingador. Melhorar os hábitos do parlamento parece um insulto, dentro e fora do clube.

Líder da corrente majoritária, só pode ser uma pessoa de confiança pessoal da presidenta. Nada mais natural. No congresso não. Liderança, lá, é uma cadeira cativa de interesses atendidos.

A Câmara Federal declarou guerra às iniciativas do poder executivo. E Sarney já avisou que não está morto nem dormindo, e que o Dono do Mar também é Dono do Senado.

Mas o congresso é necessário. Mas o Congresso é perigoso.

Necessário, porque não há democracia sem legislativo.

Perigoso, porque nem sempre é democrático.

O segundo poder já derrubou muitos governantes. O próprio Collor advertiu a presidente que não se pode mexer com os interesses do Congresso.

Quando se trata de manter interesses e privilégios, deputados viram uma fera. Afinal, foram eleitos para quê?

Nesta semana os deputados se desnudaram inteiramente, sem qualquer pudor. Não perceberam que se aviltaram.

É uma vergonha. Um Tsunami, esse sim. Até que a cidadania acorde os inconscientes.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/03/2012 - 08:50

VOCÊ ESTÁ MUITO BEM.

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Quando alguém afirma que você está muito bem, há um pressuposto de que você não deveria estar tão bem. Há mesmo uma frustração de perspectiva no interlocutor, pois você não poderia estar muito bem.

Pois, sinto-me muito bem e às vezes me pergunto; Como um velho pode estar tão bem?

Você está muito bem:

Quando tem capacidade de se apaixonar, ainda que isso possa parecer ridículo.

Quando você gosta dessa coisa que parece muito inadequada, que é trabalhar, enquanto deveria gozar as delícias da aposentadoria.

Quando você pode almoçar todos os dias com as netas, e percebe que elas sentem-se a vontade, como num recreio.

Quando se torna mais prazeroso gastar, do que economizar.

Quando as horas de sonho são maiores do que as horas de insônia.

Quando você tem mais amigos do que súditos ou patrões.

Quando ser triste não se confunde com ser infeliz.

Quando entramos sozinhos num restaurante e nos sentimos acompanhados, de nós mesmos.

Quando achamos que a morte, quando vier, chegará na hora certa.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/03/2012 - 16:30

NOVOS CANDIDATOS NOVOS E SERRA – O QUE ISSO SIGNIFICA?

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É indiscutível que o PT deseja abocanhar todas as instâncias do poder, apesar dos acordos de governabilidade. Sobretudo, os quadros tradicionais do PT desejam, como nos outros partidos, indicar os candidatos a cargos majoritários.

Lula quebrou essa cadeia eleitoral quando indicou Dilma candidata a sua sucessão. Dilma provinha do PDT, não fazia parte de nenhuma das correntes majoritários do PT, carregava um perfil de administradora e um passado de lutas políticas, que incluía prisões e torturas.

Agora, Lula quer repetir a dose. Quer um candidato fora dos quadros etários e tradicionais do PT, com a indicação de Fernando Haddad, seu ex-ministro da educação.

No PMDB, Temer segue o mesmo caminho, indicando um cristão novo, com bom potencial eleitoral, ideologicamente desvinculado das correntes fisiológicas do partido, Gabriel Chalita.

O PPS, partido de forte tradição ideológica, aposta na popularidade da vereadora Soninha, ativista de causas urbanas e ecológicas, mas desligada das velhas tradições do partido.

O PRB, partido dos evangélicos, não apresentou nenhum pastor, mas um jovem líder de causas do consumidor, radialista defensor do cidadão comum em suas relações com o mercado usurpador.

O mais ortodoxo e precocemente fisiológico dos partidos ideológicos, o PCdoB, vai de Netinho, jovem artista de visíveis tendências populistas.

Todas essas candidaturas contrariam a regra habitual dos partidos, de candidatar seus caciques ou os grandes nomes, a exceção da escolha de Lula, que se considera acima do partido e com melhor intuição do que a de seus pares.

O PSDB também estava propenso a buscar seu candidato entre os quadros novos, ou semi-novos, numa prévia que indicaria tendências e preferências dentro do perturbado sistema partidário. As boas perspectivas eleitorais, a experiência administrativa e política, e a disposição de confronto pesado com o PT, levaram o PSDB a solicitar a Serra, a candidatura de Serra, que acabou por aceitar o encargo.

Só a eleição nos dirá o que isso tudo significa, e quem tinha razão, diante da história e das urnas.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/03/2012 - 19:48

HELL

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A peça de Babenco, estrelada por Barbara Paz, já percorreu muitos palcos, quase dois anos em cartaz. Fui assisti-la no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura.

Lolita Pille era uma menina muito louca, da elite parisiense. Gostava de roupas novas, grifes e sapatos saídos do imponderável. Afirma que uma noite entrou em uma boate e nunca mais saiu de lá. Fez tudo o que o corpo pode agüentar: vinho, vodca, cocaína, sexo, amor, desamor, paixão, encontros de esperança e encontros de desesperança. Muito amor, abandono e morte. Enfim, o percurso de uma geração que se afogou em si mesma, por excesso de tudo o que se torna inútil.

Babenco fez a primeira transposição do romance para teatro. Apoiou-se numa equipe brilhante e na sua experiência de cinema, de ótimo cinema. Colheu a concepção das imagens de Giovanni Bianco. Paulo Azevedo faz o contraponto do impossível amor.

Barbara Paz fala com o corpo, do olhar aos pés bem calçados. Nos ensina que muito mais sensual do que o “strip-tease” é vestir-se. Vestir-se de vagar, em si mesma. A marionete perdida nas cordas da química, freme. Em alguns momentos seu corpo nos dilacera na ingenuidade das poltronas do teatro burguês.

O painel de uma vida nos percorre tais quais barquinhos brancos de cocaína a percorrer os túneis do sangue.

Um belo espetáculo, a embaçar as vitrines do desejo. Mas consumir é preciso, até que o Porsche se transforme em luto.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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