23/10/2009 - 19:26
O que determina se um empreendimento imobiliário vai dar certo numa cidade americana é uma placa indicando que ali se está edificando um PUBLIX, uma das maiores redes de super mercado. A comida é o shopping básico do americano, apesar do amplo espectro do desejo de consumo dessa sociedade.
O salário mínimo nos EUA é determinado pelo valor da hora de serviço e não do pagamento mensal. No resultado é muito mais que o dobro do salário mínimo brasileiro.
O preço dos produtos no Publix, contudo, é muito menor do que o dos supermercados brasileiros. Refiro-me a produtos de alimentação de nível corrente e produtos sofisticados e mesmo importados.
A exceção de frutas fora da estação e da carne vermelha tudo é mais barato. Tem camarão de todo tamanho, com casca, sem casca, pré-cozido, da melhor qualidade , a cinco dólares o quilo. O pão custa a metade do preço, e quando o Publix aumenta cinco cents, o consumidor americano vai comprar noutro mercado. Minha filha avalia que o preço dos produtos indispensáveis, embora diversos dos indispensáveis brasileiros, é, no mínimo 40% mais barato. Se falarmos em produtos importados o preço é de cair o queixo. Uma cava, o champagne espanhol, custa 9 dólares. Uma Taitenger Brut Imperial, francesa custa 34 dólares, no Brasil custa 200 reais. Não quero consolar Maria Antonieta com o preço baixo das brioches, mas me indagar, como um mercado ainda pobre como o brasileiro, onde o salário mínimo é ridículo, pode pagar tão caro o produto básico e contemplar o governo com taxas tão absurdas de importação. Já rodei boa parte do mundo, como jornalista. Não tenho a menor dúvida: São Paulo é a cidade mais cara do mundo: Transporte, porque não há transporte público. Comida, apesar da inflação contida. Bebida, porque há monopólio de distribuição. Água mineral custa mais cara do que um litro de petróleo importado da Arábia Saudita. Importados, porque além da taxa se acrescenta 200% de lucro. Pão, porque não produzimos farinha. Carne, porque, paradoxalmente, somos o maior produtor do mundo. Hotéis, porque pagamos em Euros, como se fossemos todos do Mercado Comum Europeu. Restaurantes, helás, porque temos os melhores e mais caros restaurantes do mundo. Sapatos, porque sai mais barato comprar um sapato de fabricação brasileira em Nova York. A única coisa nos EUA cujo preço equivale ao brasileiro é a caipirinha.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags: SP cidade mais cara
22/10/2009 - 11:27
Os blogueiros do NYT às vezes nos reservam bons comentários. Thomas Friedman escreveu hoje sobre o que chama “Os novos intocáveis”.
Depois da grande recessão americana os escritórios de advocacia, como muitos outros, estão reduzindo seu número de funcionários. Nota-se que os advogados acomodados, que estão esperando o fim da crise, como quem espera o fim de um tornado, quase sempre são demitidos. Ao contrario, os que buscam novos clientes, que se adaptam às novas dificuldades com alguma criatividade, são mantidos.
O que se questiona é que a educação americana não forma seus estudantes para um mundo de dificuldades e pouco admitem a criatividade durante o curso. Todos são preparados, como robôs para uma sociedade estável e aparentemente imutável. Sair do modelo seria uma heresia. Além disso o governo reduziu drasticamente as verbas do ensino público, o tempo de permanência dos estudantes na escola e a quantidade de professores.Daqui a dez anos a crise ocasionada pela decadência da educação será bem maior do que a crise econômica dos “sub primes” imobiliários.
Quando os bancos estiverem completamente recuperados, toda uma geração de norte americanos jovens estará defasada das necessidades. Só os novos intocáveis sobreviverão, por virtudes pessoais.
No Brasil nós sentimos menos isso, porque empresários e trabalhadores, tem na imaginação o maior elemento de suas sobrevivências. Criatividade aqui não se aprende na escola, mas na vida. Contudo, numa economia mais sofisticada, um pouco mais racional, a formação será indispensável, até mesmo para a sobrevivência.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags: A CRISE DA EDUCAÇÃO
20/10/2009 - 13:25
O PARTIDO DE OBAMA ESTÁ COM O CAIXA BAIXO
Obama, com uma delicada colaboração, vem equilibrando a recuperação do sistema capitalista de negócios, inclusive os negócios financeiros. Como um ideólogo lúcido, compromissado com as promessas eleitorais, pede regulamentações mais severas, para evitar que o futuro repita o passado recente. Mas a gula do sistema financeiro é insaciável, tanto na perspectiva de lucros, como na distribuição de bônus aos diretores (com bom ou mau desempenho). Os grandes bancos americanos querem o passado de volta, como sempre foi, com riscos que a sociedade acaba pagando, se concretizados. Os Phantom, os Helicópteros e as Limusines dos gestores, são simples aparências de um ganho, que poderia ser razoável, no capitalismo, se fosse a paga da eficiência e não do simples status.
Talvez este detalhe singelo, esteja levando Wall Street a recusar contribuições financeiras ao Partido Democrático. Obama pode até ser considerado um bom emblema para recuperação da imagem dos Estados Unidos no mundo, mas suas idéias e do partido democrático a que pertence, definitivamente não correspondem ao ideário conservador e reacionário dos grandes financistas e do Partido Republicano que os apóia.
A Inglaterra é menos conservadora do que os Estados Unidos. Lá, eles aceitam mudanças profundas, desde que se mantenham as aparências. Nos EUA, tanto o fundo quanto as aparências, devem ser explicitamente capitalistas, neoliberais ou “mercadistas”, mesmo que algumas realidades demonstrem que o barco vai de novo pro brejo, se o comportamento continuar o mesmo.
Tudo que estiver fora desse comboio que leva a Wall Street é considerado um ideário comunista. E o comunismo, ainda que pareça incrível, ainda é o grande fantasma do pesadelo americano. A maldição do Senador Mc Carthy paira no céu azul de Washington, como a fumaça aterradora do World Trade Center. Salvar o Dólar ainda é mais importante do que preservar o Lincoln Memorial.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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19/10/2009 - 12:17
FLASH CONTEMPORÂNEO DA IMPRENSA (A)CIDENTAL
O casal Kirchner, na Argentina, fez uma lei para impedir o monopólio da imprensa, visando, principalmente o El Clarin, que absorve todos os campos da comunicação de massa e, em particular, agride o governo ou todos os governos aos quais praticam a oposição.
Berlusconi engole os jornais de oposição como se comesse um Espaguete a Alfredo. Contestado, mesmo quando comete crimes civis, afirma que um primeiro ministro não pode ser julgado, muito menos, condenado.
Obama, atacado todos os dias pelos veículos da FOX, o mais reacionário complexo de comunicação dos EUA, simplesmente afirmou que doravante vai tratar a FOX como um partido político de oposição. Respeita a liberdade, mas colocando o agressor no seu devido patamar social.
No Brasil, Lula reage à boca livre da imprensa com uma certa indiferença. Afirma que não é muito chegado à leitura diária dos jornais, que dão azia, e comenta os comentários, como se estivesse discutindo num balcão. Deixa rolar, como é de boa estratégia na democracia.
Como a maioria da mídia não tem memória e só se interessa pelo escândalo seguinte, a delinqüência pretérita se perde no tempo e na prescrição. Tais crimes só reaparecem na comemoração dos 50 anos da notícia. Assim, melhor para os governos é compor com a imprensa, como compõe com os legisladores: cuidar da notícia nossa de cada dia e, no caso do Congresso, compor as mesas das CPI.
Obama deu um exemplo de estadista. Os Kirchner, ainda que num contexto oportunista, deram uma solução institucional. No Brasil a imprensa é tratada como uma f unção do mercado, depurar-se a si mesma,segundo as regras do mercado.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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18/10/2009 - 12:37
O GENIO DE LEONARD BERNSTEIN
A primeira vez que estive em NY, no Hotel Roosevelt, um três estrelas grandão mas barato, um porteiro impecavelmente fardado, me aconselhou a ver um musical que estava fazendo o maior sucesso. Nunca tinha visto um musical. Sabia que era uma espécie de opera, com música popular, geralmente alegre.
Quando as grandes cortinas de veludo levantaram, os primeiros acordes de Leonard Bernstein e a coreografia de Jerome Robbins, reunindo as duas gangs de NY, os porto-riquenhos e os “yankies”, no conflitante WEST SIDE, entrei em um parafuso estético.
Sempre que pude, em qualquer lugar, inclusive no Brasil, fui ver musicais: My Fair Lady, South Pacific, Cats, O Fantasma da Opera, O Homem da Mancha, Chicago, Os miseráveis, The Sound of Sounds, Mama Mia, Billy Elliot e, de novo, West Side Story.
Hoje fui rever West Side Story, numa remontagem na Broadway.
O teatro não tinha nenhum jovem e estava super lotado dos mais animados representantes da terceira idade, em Manhattan.
Leonard Bernstein é perfeito, tanto nas orquestrações quanto nas canções, todas inesquecíveis. Elenco que chega à Broadway sabe dançar, sempre e bem. Cantam, com afinação, aquele timbre típico de musicais. Na presente temporada, o tenor Matt Cavenaugh, tem uma voz belíssima, adequada ao romantismo de um Romeu e Julieta urbano. Quem sobressai, contudo, é a contralto, Karen Olivo, que faz o papel de Anita, que lhe valeu uma ovação que se repete cada espetáculo.
West Side Story tem um roteiro inteligente, que conta a anedota clássica de Shakespeare, com toda a densidade dramática do bairro pobre de NY dos anos 50.
Da mesma forma que Billy Elliot, West Side Story é um entretenimento, mas entretenimento que passa pela inteligência antes de se fixar no alvo do coração.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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17/10/2009 - 19:29
BROADWAY: uma fábrica de entretenimento
A história do jovem bailarino, filho de mineradores ingleses, machistas e preconceituosos que, dotado de uma vocação irresistível para a dança, acabou triunfando no Royal English Ballet e nos palcos ingleses, já havia resultado num filme maravilhoso.
A Broadway adaptou-o para os palcos de um musical que conseguiu levantar dez “Tony Awards”, um dos principais prêmios musicais dos Estados Unidos.
O desempenho do menino bailarino, de pais cubanos, é realmente genial. O dia que optar entre Nureiev e Gene Kelly, poderá resultar num dos maiores dançarinos norte americanos.
A música de Elton John, pela notoriedade do autor, valeu todos aqueles prêmios, mas não dá conta do recado. Embora tentando reproduzir a atmosfera mineradora dos operários ingleses no infortunado período de Margareth Tatcher, Elton John não produz uma única canção que se consiga memorizar. Não produz a atmosfera poética que a história exige. Os cantores dançam muito bem e cantam muito mal.
A adaptação como musical produz entretenimento, não produz arte, como o caso do filme. Mas, como quase tudo o que se faz na Broadway, produz emoção. Vale o bilhete e a travessia noturna do Times Square, a geografia mais vibrante do mundo ocidental.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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16/10/2009 - 18:57
A ESPIRITAUALIDADE E A MÚSICA EM KANDINSKY
Apesar de Kandinsky nunca ter ido aos EUA, 30% de sua obra se encontra lá, no Museu Guggenheim. O resto está no Centre Pompidou e no Lenbachhaus. O grande pintor russo que morreu em 1944 em Paris onde viveu a maior parte de sua vida, manteve uma ampla correspondência com Solomon Guggenheim, que, além de convidá-lo a mudar-se para os EUA, comprou grande parte de sua obra, de quadros, desenhos aquarelas e guaches.
Tudo isso está exposto no Museu projetado por Frank Lloyd Wright, onde milhares de pessoas fazem fila para ver essa retrospectiva completa de Kandisnky.
Subir as rampas do museu é um prazer espiritual, estético e musical.
Advogado, economista e estatístico no fim do Século XIX, Kandinsky decidiu ser artista e mudar-se para uma escola de belas artes em Munich, depois que viu um quadro de Monet e assistiu a uma opera de Wagner.
Sabia desenhar de criança, mas foi em Munich que assumiu a palheta.
Teórico, afirmou o caráter espiritual da pintura. Teórico, estabeleceu a conexão profunda entre a música e a pintura. Nas telas consagrou o abstracionismo e, no decurso de sua difícil trajetória pelas ditaduras de
Stalin e de Hitler, desintegrou as manchas abstratas em notas musicais claras e autônomas. Ler uma partitura de Schoenberg e contemplar um quadro de Kandinsky requer a mesma acuidade intelectual e estética.
Apesar de ser indiscutível que o modernismo começou com a pintura no começo do Século XX, é difícil dizer onde começou o modernismo de um ou de outro artista. Tenho a impressão de que toda a pintura que se inicia com o silêncio do preto até as altas sonoridades do branco, inspirou-se em Kandinsky, e nisso incluo todos os grandes pintores catalães, desde Miró até o nosso contemporâneo Tapies, que felizmente está vivo.
No fim da vida as tintas de Kandinsky se encontraram com a areia, quando as cores fundamentais empalideceram. A sinfonia transformou-se em catedrais. Desde então o espiritual traduziu a alegria e não a condenação.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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16/10/2009 - 18:47
kANDINKY ENTRE A MÚSICA E A ESPIRITUALIDADE
A pesar de Kandinsky nunca ter ido aos EUA, 30% de sua obra se encontra lá, no Museu Guggenheim. O resto está no Centre Pompidou e no Lenbachhaus. O grande pintor russo que morreu em 1944 em Paris onde viveu a maior parte de sua vida, manteve uma ampla correspondência com Solomon Guggenheim, que. Além de convidá-lo a mudar-se para os EUA, comprou grande parte de sua obra, de quadros, desenhos aquarelas e guaches.
Tudo isso está exposto no Museu projetado por Frank Lloyd Wright, onde milhares de pessoas fazem fila para ver essa retrospectiva completa de Kandisnky.
Subir as rampas do museu é um prazer espiritual, estético e musical.
Advogado, economista e estatístico no fim do Século XIX, Kandinsky decidiu ser artista e mudar-se para uma escola de belas artes em Munich, depois que viu um quadro de Monet e assistiu a uma opera de Wagner.
Sabia desenhar de criança, mas foi em Munich que assumiu a palheta.
Teórico, afirmou o caráter espiritual da pintura. Teórico, estabeleceu a conexão profunda entre a música e a pintura. Nas telas consagrou o abstracionismo e, no decurso de sua difícil trajetória pelas ditaduras de
Stalin e de Hitler, desintegrou as manchas abstratas em notas musicais claras e autônomas. Ler uma partitura de Schoenberg e contemplar um quadro de Kandinsky requer a mesma acuidade intelectual e estética.
Apesar de ser indiscutível que o modernismo começou com a pintura no começo do Século XX, é difícil dizer onde começou o modernismo de um ou de outro artista. Tenho a impressão de que toda a pintura que se inicia com o silêncio do preto até as altas sonoridades do branco, inspirou-se em Kandinsky, e nisso incluo todos os grandes pintores catalães, desde Miró até o nosso contemporâneo Tapies, que felizmente está vivo.
No fim da vida as tintas de Kandinsky se encontraram com a areia, quando as cores fundamentais empalideceram. A sinfonia transformou-se em catedrais. Desde então o espiritual traduziu a alegria e não a condenação. como as catedrais.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags: KANDINSKY
15/10/2009 - 11:51
NO CORREDOR DA MORTE EM OHIO
Não li em nenhum jornal norte americano, mas numa edição do El paiz, da Espanha.
Romell Broom, condenado a pena de morte, saiu do corredor da morte, num presídio de LucasVille, Ohio, para ser submetido a uma injeção letal. Os enfermeiros não encontravam a veia e submeteram o condenado a inúmeras injeções. Na décima oitava picada ainda não haviam conseguido executar o condenado. Suspenderam a execução, não a pena, como recomenda a jurisprudência local, em tais casos, e marcaram para daqui a uma semana.A gulha atingiu o osso que produziu uma dor terrível no condenado.
O advogado de Broom, de 53 anos, fez uma apelação baseada na descrição patética e realista que o condenado fez dos eventos executórios, considerados por ele uma tortura inigualável, posto desde a segunda picada, já surgira um hematoma de boas proporções. Esse relato consta de 31 itens, que parecem um roteiro de filme de terror, no qual o estado americano, se dedica à prática de tortura, durante a aplicação da pena. No décimo sétimo item do relatório o preso descreve: “O chefe dos encarregados da execução disse-me que iam fazer uma pausa e pediu que eu relaxasse.” 18- “Então me descompus. Comecei a chorar porque me doíam muito todos os dois braços inflamados. Os enfermeiros estavam picando em regiões que já estavam inflamadas e com hematomas. Pedi que interrompessem o processo e então pedi que me chamassem o advogado”. A coisa então continuou. Uma enfermeira chefe chegou , pediu uma agulha e ela mesma aplicou a injeção letal. Enquanto a enfermeira tentava a perna, outro tentava o braço. Depois dessa inútil tentativa a chefe recolheu a seringa e agulha e se retirou. Voltaram a minha mão esquerda. Nada. Depois de 18 tentativas pediram de novo que o preso relaxasse. Interromperam a execução. Os funcionários ofereceram café e um cigarro. Ser executado já é uma expectativa terrível, mas o que mais assustava o preso era a hipótese de uma nova sessão de tortura. Broom assinou esse relato perante a notaria pública Márcia Dukes no dia 17 de setembro. Não sei o que aconteceu depois.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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14/10/2009 - 19:53
UM CAMINHO PARA OS JORNAIS BRASILEIROS
O NYT percebeu que das notícias soltas e antecipadas em milhões de twitter e outros veículos eletrônicos da comunicação, o que resta para os jornais, é editá-las criticamente para a compreensão mais profunda do cidadão leitor.
Na leitura de uma única edição consegui inteirar-me de tanta coisa do mundo, dos EUA e da cultura, que ao fim da leitura me senti por dentro da informação e do seu significado.
O problema da água na Califórnia é tratado com gravidade e muita informação. A matéria não culpa ninguém, mostra as saídas indicadas para e pelos políticos, técnicos e financistas.
O delicado assunto da canonização do líder gay Harvey Milk, rejeitada pelo governador Schwartzeneger, que agora voltou atrás, é da maior dignidade. Todas as matérias, editoriais e artigos sobre a escolha do Nobel da Paz, presidente Obama, trazem informações preciosas sobre o sistema de decisões dos governantes americanos e os desafios advindos para Obama e para a oposição.
Quando trata o plano da Apple e da Disney para dar uma nova conotação às “Landias”, correndo o risco de uma transformação radical da Dineyworld, sentimos o dinamismo do empresário americano e a capacidade de perceber que o marketing do século XXI já virou de cabeça para baixo.
Berlusconi é colocado no seu devido lugar, seja como líder populista bem sucedido, seja como o bandido notório que pede à justiça privilégios indevidos.
A questão nuclear mapeia, informa sobre quem tem e quem deseja ter armas. Define a bolsa de apostas na corrida. Coloca as posições estratégicas dos EUA e da Rússia, principais protagonistas do estoque atômico.
Sobre o infortunado Afganistão, numa única página compara as posições de todos os líderes americanos: Obama, Biden Jr., Hillary Clinton, Robert Gates, da Defesa e MC Chrystal, o infortunado Comandante das Tropas no Afganistão. É uma informação de fundo, corajosa, sobre divergências internas que podem afetar o ruma da batalha.
O NYT se afasta cada dia mais do espetáculo da notícia para promover a compreensão dos acontecimentos.
Alguns acreditam que a grande reportagem sobre as favelas do Rio de Janeiro, publicada dias antes da decisão olímpica, foi matéria politicamente estratégica. Não creio, nem na má fé nem na coincidência, mas na oportunidade de fazer a matéria, porque na verdade o conteúdo da informação é impecável, com informações que sempre são sonegadas a nós brasileiros.
Os grande jornais brasileiros não terão outro caminho. Produzir editoriais, comentários, reportagens de fundo e notícias contextualizadas. Não se exclua o jornalismo investigativo, mas a serviço da sociedade e não dos interesses dos editores, do poder político e do poder do mercado.
Não há farisaísmo no que afirmou porque tudo isso que proponho é o que também o que falta ao jornalismo da televisão, inclusive o da TV Cultura.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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