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17/01/2012 - 14:00

FARISAÍSMO NA CRACOLÂNDIA

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Eutanásia pode ser considerada um suicídio racional, praticado pela vontade pessoal de um moribundo em condições insuperáveis de dor e de certeza da morte.

O crack é uma eutanásia social, coletiva, praticada por populações muito pobres, que leva clinicamente ao desespero, à loucura e à morte. Não é um ato de vontade pessoal e racional, é uma cilada urbana, que atinge cada dia mais adeptos.

A droga é um vício social, em todas as suas escalas. O crack é a mais social das drogas, pois se processa no espaço público da convivência humana.

Transportar essa desgraça para a plataforma eleitoral, é imoral, quase degradante.

Toda violação sistemática da saúde é uma questão médica. Toda degradação da ordem jurídica e social torna-se uma questão policial.

A Cracolândia abriga as duas questões, por mais hipócritas ou farisaicos que venhamos a ser em nossas avaliações.

Assim a assistência médica, dever do estado e da sociedade, não dispensa a assistência judicial, que se inicia com o processo policial.

Uma ação pública sempre será espetacular, quando se trata do saneamento de uma área inteiramente degradada, como a Cracolândia, no próprio centro de São Paulo. Não existe ação policial angélica nem intervenção médica anódina.

Essas intervenções mexem com a nossa sensibilidade e atiçam nossas convicções ideológicas.

Isso não deve despertar nosso oportunismo político, como está acontecendo em São Paulo. Os candidatos perderam a compostura no trato da questão. Acusam-se uns aos outros, pouco se importando com o destino as vítimas efetivas da questão, que são os viciados.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/01/2012 - 11:08

DO TITANIC AO CONCORDIA

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O “Titanic” foi o símbolo do consumo conspícuo da aristocracia do início do Século XX, oriunda da revolução industrial, e do conseqüente avanço do sistema financeiro. O “Concórdia” é símbolo, no começo do Século XXI, do consumo desenfreado de uma nova classe media, produzida pela social democracia e que lota dezenas de “titanics” nas costas ensolaradas do verão.

Ninguém jantava de smoking nos salões do Concórdia, como no Titanic, nem as mulheres usavam jóias verdadeiras, para demonstrar o grau de riqueza, como no Titanic. Hoje o símbolo de riqueza são as bolsas da Vuiton e as grifes que vão das sandálias ao silicone que ergue os seios flácidos. O capitão do Titanic ficou para a história como um comandante incompetente, mas que guardou toda a dignidade britânica, congelando-se nos destroços da embarcação inafundável. O comandante do Concórdia, pós-moderno, parece que escafedeu-se num dos botes, envolto num manto azul marinho.

O maior navio da marinha mercante para turistas, para quatro mil passageiros, também não deveria afundar com tanta facilidade. Qualquer automóvel de mais de 20 mil dólares possui indicadores de obstáculos traseiros, laterais e frontais, para que o motorista “barbeiro” não destrua os para choques de plástico, em suas manobras. Incrível que um navio desse porte não possua indicadores confiáveis para advertir um comandante desatento. Radares nem sempre detectam obstáculos profundos, mas ali, estávamos quase na costa, roçando os banhistas desavisados.

No day-after, tudo o que acontece, é considerado uma tragédia. Uma vida perdida é tão “trágico” quanto milhares de vidas perdidas, pelo menos para quem a perdeu e para os próximos. Claro, que um número expressivo de vitimas, transforma os acontecimentos em filme de cinema; os acontecimentos menos expressivos, transformam o ocorrido em processos judiciais, movidos pelos prejudicados. Assim será com o Concórdia, um comandante julgado e com risco de passar uns aninhos da na cadeia e a empresa de navegação enfrentando por anos, centenas de processos de passageiros e seguradoras.

Um adolescente brasileiro, que saiu assustado, mas vivo do acidente, foi incisivo: -Essa história de cruzeiro não me pega mais. Me senti muito perto da morte.

Riobaldo dizia: – Viver é muito perigoso.

Poderíamos parafraseá-lo: – Consumir é muito perigoso.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/01/2012 - 18:00

PRIMEIRA CLASSE

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Visitar a Áustria, sem comer nas boas mesas um ragú de veado com “speatly”, espécie de enhoque enroladinho; chucrute com salsicha grelhada e escalopinho de vitela a milanesa (wienschnitzer) com batatas, é coisa muito difícil. . Batata é o arroz com feijão dos austríacos, dos alemães e dos suíços.  

A cerveja é melhor do que o vinho, tanto na Alemanha quanto na Áustria. A austera Alemanha conseguiu desmoralizar o popular vinho “Liebfraumilch”, depois que um ardido repórter descobriu que o famoso vinho do Reno, era produzido quimicamente em cavernas industriais.

O vinho químico e falso era melhor do que o original, o que tornou muito difícil a tarefa do repórter, de provar a mamata de seus produtores. O juiz convocava peritos para opinar sobre os vinhos, sem saber suas origens, e sempre ganhava o vinho falso. Mas o escândalo acabou por desmoralizar o vinho do Reno, que até hoje não se recuperou, segundo relato de um amigo austríaco.

Uma cidade existe na exata medida em que você consegue criar amigos, nesses outros mundos. A elite austríaca é muito acolhedora e bem informada. As condições de dinheiro e posição social não tiram a simplicidade de ninguém.

São assim, os mais aristocráticos dos seres simples que conheço, Almerie, Katharina e Otto. Num chalé, com capela, piscina de água quente, 10 quartos de hóspede e outros mil metros quadrados de antiguidades e modernidades de todo o mundo, não vi um empregado, nos dias em que estive lá. Sempre havia um breakfast maravilhoso e um jantar magnífico, preparado pelas anfitriãs. Otto servia vinho e relatos precisos sobre as crises financeiras do capitalismo. Tudo bem diferente do exibicionismo da alta burguesia brasileira.

Perguntei por que o Euro tinha ido para o brejo. Ele disse que havia um pacto de não ultrapassar os orçamentos nacionais dos países membros da comunidade européia em mais de três por cento e nunca produzir uma dívida maior do que 70% do PIB, o que já era mais do que o Brasil mantém. Quando a Alemanha ultrapassou de muito o limite de três por cento do seu orçamento, a Grécia e outros países menos ortodoxos, resolveram rodar a baiana, ultrapassando o limite dos orçamentos e muitíssimo acima de setenta, o limite da dívida externa, estimulados que foram pelos empréstimos ilimitados.

Com simplicidade, Otto, banqueiro de carreirae católico praticante, relatou como edificou uma capela em sua casa, para agradecer a boa solução de uma pendência.

E possível que todos os banqueiros do mundo estejam devendo a construção de uma capela, a recomendar-lhes a alma, no juízo final, brinquei com ele. No Brasil, contudo, os ricos preferem comprar iates, sobretudo considerando que apenas em Salvador, já temos 365 igrejas, para a encomenda das almas.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/01/2012 - 11:26

ENGANOS E MITOS EM TORNO DE MOZART

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Não há Salzburg sem Mozart, como não há a Áustria sem Mozart, Schubert, Mahler, Alma, Freud, Klint e Witgenstein.

Cada lugar é sua evocação, como cada monumento, em Paris, é a evocação de Napoleão. Mozart dançou aqui. Mozart tocou nesta sala. Mozart morou neste prédio. Tocou seu primeiro violino,um instrumento pequenino, dentro de uma vitrine em seu apartamento, antes de ter aprendido violino, num recital na casa do pai, com outros músicos. Dizem que os músicos pararam de tocar, enquanto o menino tocava sozinho, e o pai derrubou todas as lágrimas diante do gênio. Mozart tocou para a Imperatriz e ganhou uma roupa nova, que era a roupa velha de seu filho. Seu pai mandou pintar um quadro do jovem Wolfgang, com a roupa da imperatriz.

Há muita mitologia e alguns equívocos em torno de Mozart. um, era a de que nunca se realcionou bem com a mulher. Mozart amou Constanza até o fim da vida, como atestam cartas delicadas, que lhe enviou bem antes de morrer. Eu vi a letra de Mozart nessas partituras amorosas. Outro equívoco, circulado no filme hollywoodeano , Amadeus, foi o de sua relaçao com Saliere. Mozart sempre foi amigo de Saliero, músico oficial da corte,(só italianos eram os músicos chefes na corte austríaca), até o fim de sua vida. Saliero considerava Mozart o maior dos compositores, um gênio, e depois que Mozart morreu, deu aulas ao seu filho Franz Xavier, que era um excelente músico, mas com um probleminha, era filho de Mozart.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/01/2012 - 12:00

CLASSE EXECUTIVA

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O IMPÉRIO DE MOZART

A gente não viaja apenas para falar mal das companhias aéreas. Entre tantos prazeres, viajar é o melhor dos vícios. E brasileiro adora viajar. Os encontramos em toda parte, vaidosos da pátria, embandeirados, barulhentos, compradores, desrespeitosos com os costumes alheios, mas, geralmente, simpáticos. Hoje os brasileiros são bem recebidos em toda parte. O Brasil está com prestígio. Nosso futebol é mítico. Nosso presidente é carismático (todo mundo acha que o Lula ainda é presidente). E turista brasileiro gasta, quanto mais nesse mês de liquidações de inverno. Na Europa, liquidação é para acabar com o estoque. Há descontos reais de 70% e algumas lojas oferecem ainda o desconto de mais 20% sobre os 70. Assim, um produto Armani acaba com o preço da José Paulino. Irresistível.

Mas a Europa é sempre muito mais do que as liquidações, apesar da economia não estar alentadora. Cada milímetro de olhar depara sempre com um universo de cultura, de história e respeito pelas pessoas. Neva em Salzburg. E neve, para quem vive nos trópicos, é presente de natal. Entro na Catedral, cuja abóboda foi bombardeada pelos americanos no fim da guerra, e logo reconstruída nos mínimos detalhes. Nos quatro pilares criaram quatro terraços para abrigar quatro órgãos. Num deles Mozart tocava suas composições para as missas de domingo, ou para missas mais solenes de festas litúrgicas. Mozart achava o órgão o mais completo dos instrumentos.

Fui à missa das onze, comexecução da Missa Solene de Schubert, composta para essa mesma igreja. O organista estava acompanhado de uma cantora e de uma clarinetista. O coro era cantado pelo público que conhecia a letra e a música. 90% dos fiéis comungaram, mas havia poucos jovens na Igreja. Na saída, sob um dos 14 arcos que circundam a cidade, um sanfoneiro e um violinista tocavam a Garota de Ipanema, para espantar o inverno.

Estamos numa cidade nação que sempre, outrora, foi governada por um arcebispo, eleito pelos cônegos e poderoso como um imperador. A segunda hierarquia da cidade são os cavalos, de cabeça pequena e ancas largas. Há sempre o palácio do arcebispo e o palácio dos cavalos. Perguntei: Porque tanta honra aos cavalos?

Eles eram tudo o que importava: a guerra, o transporte e a caça.

Hoje, o único império de Salzburg é Mozart, canonizado pelo Papa que lhe deu insígnias, pelo povo que o amava e pelo Festival que o imortaliza, no inverno, na primavera, no verão e no outono. Fui a uma cervejaria, onde Mozart bebia e jogava bilhar. Fui a um barzinho, onde Mozart dançava, ele adorava dançar. Fui a um dos seus apartamentos, burguês para os padrões da época. Vi sua cozinha.Como ele pode ter sido, também, humano?

Não sei responder. Seu gênio supera muito a condição humana.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/01/2012 - 17:26

CLASSE ECONÔMICA

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Onze horas de viajem não é muita coisa, diante do prazer ou da necessidade de se viajar de avião. Contudo, um minuto que seja de desrespeito à dignidade humana, é muita coisa, quanto mais onze horas.

Mais de 80% dos passageiros de viagens aéreas internacionais, voam na classe econômica, tendo em vista os preços astronômicos da categoria business.

Apesar de todas as advertências médicas, as condições de conforto da classe econômica pioraram ainda mais. A distância entre os assentos é tão reduzida que uma pessoa com mais de 1,70 não consegue amarrar o sapato. Se o passageiro da frente inclinar a poltrona você fica literalmente preso. O desenho da poltrona foi miseravelmente calculado. Distância mínima e largura mínima, para que possa caber a poltrona, a mesinha de refeição, tão estreita quanto um prato de sobremesa, uma telinha de cinema, tão próxima que você se prejudica visualmente se assistir um filme durante o vôo, um salva-vidas que você só vê no anúncio e um assento presumivelmente estofado. Depois de três horas de vôo você começa a sentir a falta do estofamento em baixo da bunda e os ossos da bacia começam a doer. A completa falta de ergonomia propicia tromboses e outras doenças de circulação. Ninguém sabe onde colocar o cobertor e o travesseiro oferecidos. Há uma tentativa de capricho nas refeições sumárias, mas o espaço impede qualquer procedimento gastronômico civilizado. O único privilégio do passageiro, em prejuízo de todos, é poder entrar no avião com meia dúzia de pacotes e valises que não cabem nos porta-malas. O problema dos banheiros é crônico e insolúvel, quando um quebra, é o inferno. A aglomeração excessiva e o ar seco prejudicam a saúde. Há um profundo desrespeito pelo cidadão passageiro, pela sua saúde, pela sua dignidade e pelo direito de viajar confortavelmente quando paga a passagem oferecida pelo mercado.

A única coisa boa, em quase todos os vôos, é o profissionalismo e a simpatia das comissárias de bordo. Fazem o possível para agradar a todos e cada um. No fim da viagem, apesar de serem humanas, estão impecáveis, como um robô.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/01/2012 - 14:33

Freud e Jung a zero graus

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A amizade de Freud por Jung não durou tanto quanto a de Montaigne por De La Boessie. Os filósofos, em questão, tinham além das afinidades afetivas e intelectuais, uma visão semelhante do mundo. Se Jung foi um fiel discipulo de Freud e se ambos trilharam, de início um percurso bastante próximo, a que se deve o rompimento? O filme de Conenber, Dangerous Method, tenta nos explicar.Freud não tolerou o mergulho de Jung no misticismo.
Não tenho autoridade para validar essa afirmação, além de que o filme revela outras diferenças capitais, entre os dois.Para Freud tudo era sexo.Jung praticava o sexo, dentro e fora do lar.
Mas creio, pessoalmente, que a maior dificuldade de uma pessoa, é tolerar o misticismo, em outra pessoa.
As fraquesas morais, sejam da carne, sejam da política ou dos negócios, sào geralmente perdoadas e mesmo compreendidas. O misticismo é repudiado como uma doença estranha que nos afasta dos outros.Uma espécie de Aids mental, adquirida na convivência promíscua com o espírito, que apavora a vizinhança.
Não sei explicar melhor. Fazia zero graus fora do cinema.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/01/2012 - 13:44

Paul klee e a casa do trigo

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Piano, o grande arquiteto italiano, produziu ondas de concreto, em Berna, para abrigar as obras do pintor suiço, Paul klee. Suas ondas tém dois espaços, um embaixo da terra, para abrigar as obras e as reflexōes de Klee; outro, acima da terra, para conviver com as paisagens de Berna, dramáticas em cada estação, sobretudo no inverno. Klee construiu o infinito dentro dos variados espaços e elementos dos seus quadros. Afinal, paradoxalmente, foi ele que afirmou que não há infinito onde há começo. Klee lecionou na Bauhaus e se refugiou na Suiça, para fugir dos nazistas que consideravam suas obras heresiasestéticas. De fato suas obras sempre revelaram percepçao e reflexão crítica, e não há pior heresia do que essa para um pensamento totalitário.
Berna fica ao lado do museu. Tem uma antiguidade neutra capaz de abrigar as diversidades: socialistas, modernistas, futuristas, além de um Lenine, que dali partiu, em trem, para consumar a revolução bolchevique. A kornhauss, antigo galpão, quase medieval, onde se negociava o trigo e se guardava o vinho, transformou-se nem bar e num restaurante monumental, onde os clientes preferem batata e cervejas, em vez de trigo e vinho.
Cada cidade tem o seu paladar, só os artistas, como Klee, conseguem viver com um paladar próprio.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/01/2012 - 13:43

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O arquiteto italiano Piano, fez um museu beliíssimo para abrigar as obras de Paul Klee, o grande pintor suiço que fez um trajeto modernista, paralelo aos modernos, conectado com os modernos, mas independente deles. Projetaa suas obras para o infinito, mas sabe que não existe o infinito para tudo o que tem comêço. Seus quadros demonstram isso, vão de baixo para cima, de um lado para o outro, mas dentro do espaço finito de uma pincelada com comêço e com fim.não há um só quadro no museu de Berna, sem uma reflexão que o antecipe. Klee ensinou na bauhaus, foi expulso pelos alemães, por suas heresias estéticas, mas em cada obra deixou claro oque estava vivendo e o que estava pensando. Piano criou ondas de concreto que sobem acima e abaixo da terra, criando dois espaços complementares, um fechado, subterrâneo, cujas unicas janelas sao as obras de Klee. O outro, acima da terra, aberto às estações do ano, que em Berna, såo dramáticas, conseguiu um efeito e uma funçāo arquitetônica, impactantes. Obra de respeito, a ser vista, se possível. Berna fica ao llado, com sua antiguidade preservada. Não há nada de mais suiço na suiça. A cidade neutra que abrigou, socialistas, psicanalistas, futuristas, modernistas e de onde Lenine saiu, de trem, para consumar a revolução bolchevique. A Kornhauss, Casa do Trigo, uma imensa tulha medieval, transformou-se num belo bar e num imponente restaurante, no qual a batata e a cerveja substituiram o vinho e o trigo.
Cada lugar tem o seu paladar, ainda mais forte do que a ideologia. Só os artistas, como Klee, são a imagem e semelhança do contrario.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/12/2011 - 12:54

FELIZ MUNDO NOVO

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As previsões andinas para 2012 são assustadoras, como todos os calendários apocalípticos, mas as medidas proféticas do tempo, são de difícil confirmação. Toda a chamada civilização humana não tem mais de 14 mil anos. Nossa galáxia, que é de menor importância no elenco galático do universo, tem 14 bilhões de anos. Toda a vida civilizada, é como se tivesse decorrido em um segundo. Poderíamos dizer, em termos astronômicos e desrespeitoso, que a terra é um planeta de merda. Mas é uma merda inteligente, uma merda amorosa. Temos consciência de nossa precariedade e um relativo conhecimento de nossa dimensão. No plano do amor, também. Borges dizia que a medida do tempo é a ausência da tua voz. Cada um de nós sabe qual é o tempo da ausência da voz do ser amado.Também não sabemos se em outro planeta mais qualificado, existiram um Caim e um Abel, medidas insubstituíveis do amor e do ódio.
Desejo a todos um Feliz Ano Novo, neste mundo extraordinário, embora de dimensões tão reduzidas.Na cabeça.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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