PRIMEIRO DE MAIO
Primeiro de maio é pleno emprego e justiça social. Pleno emprego só se consegue num processo de desenvolvimento, o que é paradoxal. Nem sempre o desenvolvimento interessa a todos os setores produtivos.Vejamos. A doença holandesa é exatamente isso: se privilegia de tal forma uma comoditie, isto é, um produto agrícola de exportação com ótimos preços no mercado internacional, que se abandona o processo produtivo industrial.Imterrompe-se um processo de produção mais amplo. Por isso mesmo, desenvolvimento é decisão política, é decisão de nação, não apenas do mercado. Por outro lado, primeiro de maio é justiça social, a começar pela justiça do trabalho: condições decentes de trabalho e de salário, garantias de previdência social, igualdade de condições de trabalho e ganho para homens e mulheres e mais, habitação próximo do local de trabalho, para que o infortunado não perca mais de uma hora por dia em cada deslocamento, um de ida e outro de volta para o trabalho. Além da justiça do trabalho há uma justiça geral, que se caracteriza pela melhor distribuição de rendas. No Brasil, como nos Estados Unidos essa questão é vergonhosa. O “Ocupe Wall Street” mostrou que 99% entram com as costas e 1% entram com o bolso. Há outras distribuições e, aproveito o primeiro de maio para voltar à questão da moradia. Uma industria recebe dinheiro do BNDES, para montar uma fábrica, na Rodovia Castelo Branco. A prefeitura oferece isenção de impostos, por ser zona a ser dinamizada. Nunca se inclui o compromisso de oferecer moradia aos milhares de operários. Conseqüência: surgimento de uma favela na beira da estrada. Porque o BNDES não exige com o empréstimo a solução paralela da questão da moradia? Esse é um pequeno exemplo de distribuição de rendas para o próximo primeiro de maio.
