iG

Publicidade

Publicidade

02/05/2012 - 10:30

PRIMEIRO DE MAIO

Compartilhe: Twitter

Primeiro de maio é pleno emprego e justiça social. Pleno emprego só se consegue num processo de desenvolvimento, o que é paradoxal. Nem sempre o desenvolvimento interessa a todos os setores produtivos.Vejamos. A doença holandesa é exatamente isso: se privilegia de tal forma uma comoditie, isto é, um produto agrícola de exportação com ótimos preços no mercado internacional, que se abandona o processo produtivo industrial.Imterrompe-se um processo de produção mais amplo. Por isso mesmo, desenvolvimento é decisão política, é decisão de nação, não apenas do mercado. Por outro lado, primeiro de maio é justiça social, a começar pela  justiça do trabalho: condições decentes de trabalho e de salário, garantias de previdência social, igualdade de condições de trabalho e ganho para homens e mulheres e mais, habitação próximo do local de trabalho, para que o infortunado não perca mais de uma hora por dia em cada deslocamento, um de ida e outro de volta para o trabalho. Além da justiça do trabalho há uma justiça geral, que se caracteriza pela melhor distribuição de rendas. No Brasil, como nos Estados Unidos essa questão é vergonhosa. O “Ocupe Wall Street” mostrou que 99% entram com as costas e 1% entram com o bolso. Há outras distribuições e, aproveito o primeiro de maio para voltar à questão da moradia. Uma industria recebe dinheiro do BNDES, para montar uma fábrica, na Rodovia Castelo Branco. A prefeitura oferece isenção de impostos, por ser zona a ser dinamizada. Nunca se inclui o compromisso de oferecer moradia aos milhares de operários. Conseqüência: surgimento de uma favela na beira da estrada. Porque o BNDES não exige com o empréstimo a solução paralela da questão da moradia? Esse é um pequeno exemplo de distribuição de rendas para o próximo primeiro de maio.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/04/2012 - 22:55

ABAIXO AS FLORESTAS

Compartilhe: Twitter

Se depender da bancada ruralista no congresso, o Brasil vai ficar carequinha em menos de cem anos, como a Europa.

O corte começa pelas matas ciliares, à margem dos rios. Não mais os cem metros de proteção, mas 15 metros duvidosos.

Perdoam-se multas passadas e, assim, estimula-se o desmatamento, para criação de gado e plantação de cereais na Amazônia.

Esquecem esses predadores, que a Embrapa tornou o Cerrado uma área fértil, de imensa extensão para o plantio.

Não precisamos derrubar florestas para sermos os maiores produtores de cereais do mundo.

Precisamos colocar num memorial o nome desses deputados, para excluí-los de nossas votações futuras.

Dilma perdeu essa no parlamento, mas pode ganhar muito com o veto.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2012 - 12:25

VIVA O NOVO SECRETARIO DA CULTURA

Compartilhe: Twitter

No dia de São Jorge, sob aclamação dos presentes, quase todos representantes dos setores culturais, Marcelo Araujo foi aclamado secretario da Cultura do Estado de São Paulo. O governador Geraldo Alckmin teve uma boa inspiração ao nomeá-lo.

Marcelo é completamente do ramo. Advogado e museólogo, Marcelo sabe dirimir contendas e colocar os quadros no lugar certo, pessoas também.

É dos raros gestores culturais que carrega , juntas, as duas virtudes: é um bom administrador e um homem de cultura.

Demonstrou isso na Pinacoteca. Substituiu um crack e conseguiu melhorar ainda mais o desempenho da Pinacoteca, hoje, um dos museus mais visitados do Brasil e do Mundo.

Suas exposições são antológicas, seja pela escolha dos expostos, seja pelo cuidado das curadorias. Creio que Giacometti nunca foi tão bem mostrado como na recente expô da Pinacoteca. A seqüência das mostras anteriores é um feito quase épico, considerando nossas condições financeiras, a distância e os problemas de seguro.

O Brasil anda sem norte cultural. São Paulo, que se transformou de maior centro industrial da América Latina em pólo cultural de inigualável dimensão, pode fixar esse norte. Uma boa política cultural é condição de eficiência de um bom resultado educacional. Não há educação fora de uma perspectiva cultural.

Música é educação, assim como o teatro, a pintura, a literatura, o desenho, a dança e todas as outras manifestações da criação humana.

Marcelo pode contar com todos nós. Como ex-secretario, do tempo do Montoro, quero manifestar meu total apoio a sua gestão. Creio que todos os outros secretários, que estiveram na sua posse, também desejam apoiá-lo.

A cultura está de parabéns. Que São Jorge o proteja dos dragões da vaidade.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/04/2012 - 09:24

PALAVRA DE MULHER

Compartilhe: Twitter

O compromisso de Dilma e Hillary, ao convocar um combate institucional à corrupção, é uma das melhores novidades políticas do nosso tempo.

A corrupção é feita em nome das instituições, praticada para garantir a chamada governabilidade, justificada para patrocinar eleições, tolerada como caixa dois, que não se confundiria com enfiar dinheiro na cueca.   Tornou-se pura água, ladeira abaixo.

É tanta que não há Policia Federal que produza denúncias inquebráveis.

É tanta que não há juízes que consiga consumar instâncias.

Virou um fator de produção em linha e, também, enriquecimento de advogados.

Dilma e Hillary acreditam em compromisso e formato. Compromisso político de banir a corrupção e formato eficiente de combatê-la. Propõe isso a todos os estados nacionais dispostos a adotar a receita.

As Américas poderiam liderar esse movimento, isso sim, numa verdadeira aliança para o progresso.

Não há progresso com desperdício de dinheiro público. E corrupção é desperdício institucionalizado.

Montoro calculava em 30% do orçamento o rombo do roubo sistemático. Não é pouca coisa. Daria para resolver de vez o problema da educação de uma nação com arrecadação média.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/04/2012 - 19:24

A VELHICE DO TEMPO

Compartilhe: Twitter

A velhice do tempo

É mais lenta

Que a do corpo.

Darwin tinha gosto

Pelo lento

E olhava atento

O decorrer

Do inseto.

Já a velhice humana

Tem gosto

Pelo que encobre.

Recolhe, ainda mais

Do que lhe agrada

E dessa tralha

Torna-se herdeira.

Mas guarda

Diamantes

No celeiro.

O velho é sempre

Antigo

No decurso

Do prazo,

Mas o rosto

Na carteira

De identidade

É sempre jovem.

Documentos

Não mentem

Nem escondem.

Já tivemos a fronte

Juvenil

De quem, hoje

Nos desdém.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/04/2012 - 11:23

LADRÃO TEM FARO

Compartilhe: Twitter

Claro que ladrão prefere roubar de quem tem dinheiro para ser roubado. Assim, não é de se estranhar que os índices de roubos e assaltos sejam mais freqüentes em São Paulo do que no Rio ou em qualquer outro Estado. A metrópole é maior e mais endinheirada.

Da mesma forma, as instituições. Quando se houve falar em desvios na FIFA é mais natural do que se falar em desvios num clube de várzea.

É mais habitual vermos senadores envolvidos em falcatruas do que professores de matemática.

Empreiteiros milionários freqüentam as operações da Polícia Federal em maior número do que engraxates do aeroporto.

Mas se é verdade que os cães costumam farejar cofres recheados, o malfeitor está em toda parte. Proliferam. Hoje mesmo, vi um trombadinha na Avenida Paulista, assaltando um desavisado e enfiando seu celular no bolso. Mas o PM também viu e imobilizou o garoto, que colocou as mãos na cabeça. Nos outros bolsos, o policial encontrou mais dois celulares. Diria, uma boa féria para uma só tarde.

O Secretário é linha dura e o novo Comandante da PM também o será.

Nenhuma eficiência será maior do que a estatística de uma cidade com 12 milhões de pessoas, 30% das quais, alçadas à nova classe média.

Então, não há nenhuma esperança?  Creio que sim, mas depende de alguns fatores:

Mais educação, mais aplicação da justiça, e, paradoxalmente, mais distribuição de rendas..

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/04/2012 - 23:03

LAURO AZEVEDO- UM PREITO À RETIDÃO

Compartilhe: Twitter

O Everest, em minha família, era cursar a Politécnica. Felizmente, e sem qualquer desapreço, o trinômio do segundo grau mudou meu rumo. Fui fazer Direito no Largo de São Francisco. A ilusão era maior do que os fatos, apesar das pompas e circunstâncias vitorianas da velha academia. Duas coisas não me decepcionaram na confusão política, moral e intelectual da faculdade: as aulas do Professor Gofredo da Silva Telles e conhecer o Lauro Bueno de Azevedo. Nossa turma não tinha nenhum Ruy Barbosa, o que nos ajudou a sobressair, “sin perder la ternura.”

Eu era Católico e queria ser santo, apesar da elegância dos desejos. O Lauro, apesar do ancestral ilustre, o conde Vicente de Azevedo, que era mais católico do que o cardeal, não era muito pródigo em catecismos.

Assim, passamos as aulas a discutir, num confronto da ética jurídica e da ética religiosa. Tornamo-nos amigos, dessa amizade que produz laços com a família. Fiquei amigo de seus irmãos e irmãs. Isso me proporcionou alguns dos melhores momentos de felicidade e o dia mais triste da vida, quando retirei o Clovis, morto, das águas. Clovis era um gênio político. Com quinze anos fez um comício no quintal de sua casa com a presença do Prefeito Prestes Maia, como se estivesse organizando uma festa de São João. Fui amigo do outro, o Cândido, mais boêmio do que o nosso justiceiro, ficamos tão amigos que as pessoas nos confundiam quando entrávamos na mesma festa, até que outro convidado me disse: quantas vezes você vai me cumprimentar?

Lauro me ensinou que a retidão de um homem se confere quando ele está em pé, medindo as circunstâncias. Para estender a mão, para dar um tiro ou para convidar uma mulher bonita para jantar e pedir-lhe seja sua companheira até o fim da vida.

Hoje, la vão oitenta anos, e eu me sinto orgulhoso de estar vivo, ao lado de tais amigos. Pelas estatísticas e pelas oportunidades deveríamos estar enrolados em alguma CPI. Ao contrario estamos livres e alegres, ao lado, uns dos outros.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/04/2012 - 15:39

FERNANDO BOTELHO

Compartilhe: Twitter

Não é raro morrer do que se vive. Aliás, só há morte onde há vida. E não digo isso para consolar ninguém, mas para explicar um pouco o sentido da morte.

Estive com o Fernando Botelho duas vezes, em sua casa, em frente ao mar. Fernando nunca me falou de sua riqueza, de suas empresas, de seus ancestrais ilustres, nem de seu avô, fundador de São Carlos.

Em sua linda casa de Paraty, não me mostrou os móveis coloniais nem as obras de arte. Mostrou sua família. Mostrou, com paixão, o aquário marítimo, no qual recriava espécies marítimas para devolver ao mar o que as lanchas e as redes impiedosas retiram. Milhões de peixes de volta à vida.

Mas o que Fernando gostava, mesmo, era de voar. Gostava dessa coisa misteriosa que é estar acima do nível da terra. Gostava do utensílio desse sonho: o avião. Colecionava, restaurava, produzia e pilotava aviões. Além do mais, o avião é um grande clube de apaixonados, que ele sabia reunir e hospedar nas pistas que construiu, no Broa.

Irônico, que esse filho pródigo, o avião, o tenha matado. Mas isso faz parte da própria natureza da tragédia. Ser morto pelo que se ama, pelo que dá sentido à vida. Não haveria a tragédia, inventada pelos gregos, se não fosse assim. Nem, tão mais recentemente, Luther King teria recebido uma bala em vez do aplauso, num terraço branco, se não fosse seu amor à causa do negro. Saint Exupéry, o grande piloto dos nossos sonhos, com milhares de horas de vôo sobre a cordilheira traiçoeira do Andes, desapareceu num voo que o levou diretamente para as alturas.

Com o Fernando não foi diferente. O Homem tem sempre três lares: o que o abrigou enquanto se produzia; o que ele cria para uma família e o lar do que ele faz.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/04/2012 - 12:45

SÃO PAULO? SÓ PARA PESSOAS JURÍDICAS

Compartilhe: Twitter

Ninguém mais duvida que São Paulo é uma das cidades mais caras do mundo. São Paulo é para pessoa jurídica, não é para pessoa física. A nota de um restaurante da pessoa jurídica, vai para o ralo das relações públicas, para a pessoa física dói no bolso. Repito, São Paulo foi feita para pessoas jurídicas, não para pessoas humanas.

Paradoxalmente a concorrência só faz aumentar os preços. Temos dezenas de milhares de pizzarias, antiga refeição opcional das famílias domingueiras. Hoje, cada pizza é mais cara do que a outra.

Comer num restaurante japonês, na minha família, é o melhor presente que posso oferecer aos meus netos, que gostam mais de sushi do que do Play Center; e haja cartão de crédito.

Em cada esquina da cidade existe uma concessionária de automóveis, com os preços mais caros do mundo, inclusive mais caros do que os carros nacionais vendidos em outros países.

Em cada quarteirão da Paulista estão instalados quatro bancos, com os juros mais altos do mundo, que enviaram vinte condições ao governo, para baixá-los. Referiram-se ao grande risco de inadimplência, apesar das quais, têm os maiores lucros do mercado mundial.

Num único espaço, nas marginais do Rio Pinheiros, estão todas as grifes da Quinta Avenida, entre as quais um relógio é oferecido a 60 mil reais e uma lancha, sem preço visível.

Dificilmente há outras cidades com tantos super mercados. O preço dos produtos aumenta mais do que a inflação, além de estimulá-la. Só há duas coisas baratas em São Paulo: andar de Metrô quando você tem mais de sessenta anos e comprar uma esfiha.

As explicações macroeconômicas são incontáveis. Contudo, a Espanha que já foi um dos maiores destinos turísticos do mundo, tornou-se um dos menores, por causa dos preços elevadíssimos. São Paulo não afasta apenas os turistas, apavora os próprios moradores.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/04/2012 - 22:41

TITANIC – CEM ANOS DEPOIS

Compartilhe: Twitter

O naufrágio do Titanic foi a tragédia mais espetacular do Século XX, quase tanto quanto o filme de Cameron, um pouco menor do que o mito do luxo absoluto, que se instalou no Ocidente industrial.

Seus mortos e seus sobreviventes incorporaram-se à legenda do percurso naufrago. Pobres Ulisses de uma viagem sem retorno.

Mas o mito consegue superar a própria lenda.

Um bando de desocupados internacionais resolveu reproduzir a viagem, em trajes de gala, por cerca de dez mil dólares. Barato para quem deseja se congelar na superfície da vaidade.

Já saíram numa tempestade, perto de Baltimore, para criar uma emoção inicial. Vão passar a língua nas mesmas geleiras que selaram o destino da nave invulnerável. Não aprenderam que ninguém está imune ao naufrágio inesperado.

Quanta inocência, cinco minutos antes da tragédia.

Desta feita, a tragédia se resume em sua inutilidade. Ninguém terá nada o que contar em seu retorno.

Tudo o que aqueles mares engoliram virou peixe e literatura jornalística.

Não há nada a acrescentar à grandeza do Titanic. Hoje, os muito ricos não querem mais a promiscuidade das valsas vienenses. Preferem o recato dos jatinhos executivos, forrados de chinchila.

Os transatlânticos de luxo despejam 4 mil infortunados por dia, na Praça São Marcos, em Veneza, com tempo limitado para que possam voltar ao navio na hora do almoço. Considerando que são três ou quatro navios ancorados, não há mais lugar para os pombos na praça dos Dodges. Bons tempos em que os japoneses tiravam fotos em frente à Catedral de Notre Dame.

Não há retorno. Não há mais a Belle Époque. “Tudo são nuvens que desaparecem e vão apodrecer lá longe, bem longe…onde não resta mais nada”.

Não há forma mais ridícula de rememorar o Titanic, do que embarcar nesse naufrágio do espírito.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo