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22/02/2012 - 19:15

tres bençãos para uma quarta feira de cinzas

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Bancos

O
Brasil sempre manteve um equilíbrio entre bancos privados e bancos
públicos.Hoje, a maioria dos bancos são privados, tem capital aberto e estão
bastante concentrados. Isso produziu uma eficiência operacional muito
desenvolvida e, opera sob leis reguladoras, muito seguras, mais do que a
maioria dos bancos de países desenvolvidos.

Contudo,
os juros cobrados pelos bancos brasileiros estão acima de qualquer padrão
internacional, o que lhes possibilita aferirem lucros semestrais espantosos,
sejam as instituições financeiras nacionais, internacionais, públicas ou
privadas.

Não
há uma taxação compatível com a desses lucros, sobretudo se comparada com a
taxação de pessoas físicas e de outros setores da produção capitalista.

Esse
é um problema não resolvido e de difícil solução política, com governos que tem
medo histórico pela realização de reformas fiscais.

Celulares

O
Brasil abriu um dos melhores mercados do mundo para as empresas de
telecomunicações. O brasileiro, que tinha dificuldade em obter linhas telefônicas,
quando eu era jovem, hoje, é o maior comprador de telefones celulares do mundo.
Esse generoso mercado não é correspondido pelo serviço prestado pelas
operadoras: TIM, Oi, Vivo, Claro de, por quantas ainda venham se instalar. Não
há a mínima fiscalização da qualidade dos serviços. Não há o menor atendimento,
geralmente pelo sistema 08000, aos clientes. Se alguém quiser fazer pedido de
suspensão do contrato, um pedido de informação técnica, ou qualquer outra
informação, tem grande chance de enlouquecer. Os custos, apesar da propaganda
das ofertas miraculosas, são absurdos. Numa viagem à Europa não consegui fazer
uma única ligação com meu telefone, sistema TIM. A conta foi de 1.200 reais.

É um
problema não resolvido apesar de haver legislação.

Companhias
de Aviação

Depois
que a ditadura militar cortou as asas da Pannair, a Varig, menina dos olhos do
governo militar e do público consumidor, pois era uma empresa internacional,
com boa reputação e serviço de primeira, em todas as classes. Com o tempo, o
monopólio e a marte de seus líderes, a fundação não honrou a  tradição da empresa. A Varig decaiu no plano
internacional e nacional e abriu caminho a aventuras aéreas que, desde a
Aerovias Brasil até a Vasp, foram para o brejo.

O
comandante Rolim criou uma empresa com vocação de crescimento e, enquanto viveu
conheceu uma empresa de reconhecidos méritos. A TAM acabou por ocupar o espaço
aéreo e terrestre das empresas falidas. Tem um marketing agressivo, mas os
serviços estão cada dia piores. As tarifas são absurdas. Uma viagem para o Rio
de Janeiro custa mil reais, enquanto uma viagem de Nova York para Washington
custa duzentos dólares. O fenômeno do “over book” é um hábito. O plano de
Milhagem é uma piada, para sermos generosos. O espaço entre as poltronas em
vôos nacionais e internacionais, na classe econômica, é um insulto ao direito
do usuário, que pagou, de ser transportado e respeitado.

Empresas
tipo pé de boi, que começaram para transportar barato, com serviços mínimos,
hoje cobra tarifas caras com os mesmos serviços mínimos. Um segundo gole de
coca cola custa 12 reais, como um sanduíche de plástico.

A
Embraer contempla, impávida, a completa desmoralização do transporte aéreo no
Brasil.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/02/2012 - 19:47

TRES BENÇÃOS PARA A QUARTA FEIRA DE CINZAS

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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/02/2012 - 12:20

AINDA SOMOS MUITO PEQUENOS

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As
agências de previsão meteorológica andam mais atrapalhadas que as agências de
risco dos bancos europeus.

No
hemisfério sul La Niña pinta e borda como se fosse um deus grego, um Júpiter, a
controlar a ira dos céus, dos ventos, das chuvas e dos mares. No Norte, a
nevasca já matou centenas, diminuindo a esperança de vida para quem não possa
recolher-se em abrigo adequado.

Costuma-se
dizer que a natureza enlouqueceu e que o tempo mudou. Não é mais como
antigamente, com quatro estações tão doces quanto as de Vivaldi.

Não
é bem assim. O Universo tem bilhões de anos. Não haveria de ser o mau
comportamento dos homens em uns míseros 2 mil anos que haveria de mudar o rumo
das estrelas. Os números são propositadamente astronômicos, mas com nosso
orgulho, imaginamos que podemos destruir a Terra e provocar os humores de La
Niña e seus primos do Norte.

Podemos
destruir os sentimentos e o patrimônio alheio, e isso já não é pouco.
Certamente não podemos provocar tsunamis nem nevadas.

Por
certo somos animais poluidores, mas não o suficiente para mudarmos o rumo dos
acontecimentos planetários.

Não
é alienação, mas o desejo de ser menos prepotente. Se medíssemos as coisas com
as nossas polegadas, veríamos como somos pequeninos em nossa grandeza.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2012 - 12:00

TCM – a tortura dos intervalos

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Tenho
aproveitado as ofertas dos canais a cabo para realizar um vôo permanente na
produção cinematográfica do passado, principalmente. A TCM, canal 91 na NET,
propõe uma variedade de filmes de natureza temática, em seu horário das 22hs.
Sejam filmes de terror, de violência, de caubóis clássicos, das peripécias dos
nazistas, de atores precoces que viraram grandes artistas, enfim, a mais
completa variedade. Podemos dizer que a programação da TCM pode ser considerada
uma programação de cinemateca, que ajuda a apurar nosso gosto por bons filmes e
a paixão pelo cinema.

Contudo
os intervalos transformaram-se numa tortura. O filme é interrompido mais vezes
do que o tolerável. A publicidade que gira em torno da programação do próprio
canal repete 24 indicações dos mesmos filmes, durante a transmissão de um único
filme.

Por
melhor que seja a programação somos tentados e aceitamos da tentação de mudar
de canal. É uma pena. Essa reclamação devia ser levada em consideração pelos
dirigentes do canal.  

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/02/2012 - 10:20

AINDA O VOTO DO SUPREMO

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O
Brasil acordou melhor com a sentença do supremo Tribunal Federal, que mantém as
atribuições do CNJ, instituição destinada a fiscalizar os procedimentos do
judiciário.

Numa
época de perplexidade moral, em todos os níveis do poder, com sete ministros
demitidos, pelo chamado pente fino da presidente, é louvável que uma
instituição como o CNJ, mantenha suas prerrogativas. Devemos um pouco disso à
coragem da conselheira Eliana Calmon que teve a coragem de defender a
instituição e convencer a opinião pública de seu papel saneador no âmbito da
justiça.

A
decisão teve um placar apertado 6
a 5. Cada ministro agiu com sua independência e segundo
o próprio ponto de vista jurídico. Felizmente a maioria foi a dos que
compreenderam o papel da instituição e a perspectiva da sociedade.

É
claro que pressão midiática não deve influenciar decisões judiciais, mas a
percepção da opinião pública é um instrumento da democracia. Os gregos criaram
a praça pública, como instrumento político, exatamente para aferir o peso da
opinião pública. O ministro Peluso deve entender que a pressão pública também
pode ser um utensílio da democracia. Assim não fosse, não teríamos tido a
campanha das diretas, a luta pela redemocratização, nem a lei da anistia. A
primavera árabe ainda estaria encoberta pelo inverno permanente.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/02/2012 - 12:11

A HIPOCRISIA EUROPÉIA

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A
HIPOCRISIA EUROPÉIA

 

 

Crises
econômicas costumam ser tratadas, com desesperança, arrocho ou criatividade.

Nos
países do terceiro mundo, até pouco tempo, secularmente em crise, pois países
colonizados, a marca da desesperança é profunda. Só muito recentemente temos
sido mais pró ativos diante da diversidade econômica.

Na
grande crise de 29, depois do susto, os Estados unidos mostraram bastante
criatividade e coragem, com Roosevelt, no poder e o economista Keynes, com suas
idéias criativas que mudaram a economia do mundo e dos Estados Unidos.

A
crise de 2008 deixou o mundo rico meio aparvalhado. Foi uma crise criada pelo
capital em estado de desvario e, proliferada pelo mercado, que é um instrumento
passivo das realidades. Mercado não tem moral, tem fluxo. Acontece, como uma
gravidez.

Então,
a ortodoxia, que é feita sempre para as vitimas, não para os algozes, decretou
que se sai da crise com o arrocho. Nada mais burro. Pedir à Grécia, vitima de
empréstimos irresponsáveis dos algozes, e de gastos exagerados, das vítimas, é
condená-la à falência definitiva.

Imaginem
se o mesmo fosse exigido da Alemanha falida, depois da guerra, da França recauchutada,
depois da guerra e dos demais países da Europa. O que salvou a Europa foi o
Plano Marshal, dos Estados Unidos, que propôs e ofereceu recursos para
investimentos novos e salvadores, para a recomposição do mercado sofrido e
apavorado.

A
Europa recuperou-se, não só economicamente, mas mentalmente. Seus líderes
conseguiram o que todas as tiranias do passado não conseguiram, uma Europa
Unida, em cultura e moeda, uma Europa sem fronteiras.

É
uma grande hipocrisia, oferecer soluções de arrocho, quem já conheceu com
sucesso, a solução dos recursos, a fundo perdido.

A
Senhora Merkel finge desconhecer a história recente da Europa.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/02/2012 - 17:38

TOM JOBIM NO CINEMA

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TOM
JOBIM NO CINEMA

 

Meu
filho disse que, pela primeira vez, sentia orgulho de ser brasileiro. Minha
neta, que navega em outras baladas, me perguntou , com admiração: -O que é
isso, vô?

 

 

Tínhamos
acabado de assistir o filme sobre Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos, uma seqüência
de deslumbramentos nas asas da Pannair.

As
músicas de Jobim, os versos de Vinicius e a interpretação dos melhores cantores
daqui e de além mar, revelaram ao mundo a Bossa Nova, o curto Renascimento da
cultura tupiniquim.

Bossa
Nova, Juscelino, Brasília, Cinema Novo, Arquitetura Moderna, Bienal, CPC, puro
renascimento, com deus, violão e alegria.

 Bossa Nova, uma flecha encantada no coração da
minha geração. Para mim, flecha em São Sebastião. Vi Elizeth Cardoso na
primeira fila do Municipal, Entrevistei Vinicius na Bandeirantes, com uma
garrafa de uísque embaixo dos pés, Alaíde costa cantou aquela músicia no meu
noivado com a Beth, Silvinha Telles cantou Dindi, num domingo, lá em casa, dez déias
antes de morrer num desastre.

A
mesa principal do João Sebastião Bar era do Sodré, mas todas as outras eram
livres para os artistas e amigos: Alaíde, Agostinho, Johnny Alf, Caetano,
Chico, Gil, Zé Celso, Azeitona, Gulda, Pimentinha, Miúcha, Valeria, Claudete
soares, Maysa e Ana Lucia. Todos cantavam, bebiam e viviam a bossa nova.

Depois
do AI5 Cotrim colocou uma placa na porta do Brás: Fechado por absoluta falta de
inteligência.

Sobrou
o piano Gaveau, que arrematei na falência, e pertenceu a Anna Stella Schick. Tom
Jobim tocou nele.

 

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/02/2012 - 17:33

TOM JOBIM NUM FILME DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS

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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/02/2012 - 16:56

PEGA O LADRÀO

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Durante duas semanas pensei que tinham roubado meu posto, mas eis que ele reaparece.

Existem
pessoas que consideram a corrupção um ato imoral cometido pelos adversários.
Geralmente são membros de carteirinhas de partidos políticos. Tudo que se faz
em nome do seu partido é válido, e, dessa forma, dinheiros espúrios recolhidos
sob o pretexto de campanhas políticas, são tão abençoados quanto o dinheiro
ganho com o suor do rosto, por um trabalhador honesto.

Na
verdade todo dinheiro amealhado em ato ilícito, nunca tem destino certo, muito
menos o alegado pelos infratores. No mais das vezes vão direto para o bolso,
para as meias, para a cueca do indiciado ou para alguma conta no exterior. 

Até
ai, estamos falando de uma falta de legislação política que discipline e
esclareça os gastos de uma campanha, para que o mesmo não se transforme em
álibi para a liberação do delinqüente.

Mas
o pior não é isso. É a tranqüilidade com que a corrupção se tornou um hábito
enciclopédico. Rouba-se em todos os poderes, em todas as instâncias e em todas
as oportunidades. Não há ação administrativa, nem judiciária capaz de conter a
onda. O que era extraordinário virou corriqueiro. O que era exceção virou
hábito.

Se a
economia for bem, ninguém dará menor pelota para a roubalheira. Se a economia
for mal, muda-se os protagonistas numa eleição próxima, mas o assunto continua
sendo de menor importância. Primeiro porque a ficha limpa não é para valer,
segundo, porque o sistema confunde corrupção com governabilidade. Os
ministérios são distribuídos por um critério de governabilidade. O apoio
legislativo é conseguido pelo mesmo critério de governabilidade. É dando que se
recebe, se transformou num dístico insubstituível do comportamento político.
Ninguém é canalha, como afirmou o Jabor em artigo irado, apenas as pessoas
foram educadas para roubar.  

 

 

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/02/2012 - 15:27

PACIENCIA – FIQUEMOS COM O PÉ DE BOI

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PACIENCIA, FIQUEMOS COM O PÉ DE BOI

 

 

A
proximidade do México com os Estados unidos, obriga que a produção industrial
mexicana tenha os padrões de exigência exigidos pelo mercado norte americano.

Como
o Brasil mantém uma redução de taxas para os produtos importados do México, no
setor automobilístico, nosso mercado se beneficia com carros de bom acabamento
e preços  melhores do que os nacionais ou
os importados de outros países.

Mas
esse benefício parece que vai acabar. Nossa BA;lança de pagamentos está
complicada, neste mês tivemos os piores resultados dos últimos anos. Assim,
vamos desestimular importações, sobretudo as privilegiadas.

É
vergonhoso, mas sabido por todos, que os carros produzidos no Brasil, são mais
caros do que os similares produzidos em qualquer outro país do mundo. Sabido
também que o acabamento e acessórios indispensáveis estão sempre fora do preço
pedido. Tudo é acréscimo na compra de um carro no Brasil, a exceção do carro
chinês, que vem completo.

Embora
nossa indústria automobilística já tenha mais de cinqüenta anos, enquanto a da
Coréia não tem mais de vinte, não criamos carros próprios, montamos carros
estrangeiros, e mal.

Estamos
condenados ao pé de boi, como eram chamados os carros reduzidos a quase nada.
Pé de boi com custos de carro de luxo. Na cabeça.

 

 

                                      xxxxxxxxxxxxxxxx

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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