2012 fevereiro | Jorge da Cunha Lima
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Arquivo de fevereiro, 2012

29/02/2012 - 13:01

ELEIÇÃO PAULISTANA – ATÉ AGORA UMA VERGONHA

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Os problemas do século XXI estão concentrados nas cidades: violência, saúde, educação, transporte, desemprego e fome. São Paulo é uma das maiores e das mais problemáticas cidades do mundo. Governar esta cidade é administrar os grandes conflitos humanos do século.

Assim sendo, é quase obsceno, que até agora os candidatos à prefeitura resumam suas candidaturas às coligações, composições, busca de recursos e apoios. Claro que um candidato deve viabilizar sua candidatura. Mas deve, antes de tudo, dizer a que veio. O que pretende fazer se ganhar a eleição. E isso não se demonstra com um ou mais minuto na televisão, não se reduz a uma campanha publicitária genial ou medíocre. Isso depende da compreensão que o candidato tenha da questão urbana, em toda a sua dimensão técnica, social e estética. Até agora ninguém apresentou um plano para a cidade, nem apresentou a equipe com a qual pretende trabalhar.

Já vimos que isso traz problemas. Uma administração não se engrandece com uma composição artificial de ministros ou secretários. Antes de se pensar em governabilidade é necessário se pensar em governo, que governo se deseja realizar. Um político só pode se candidatar se tiver um plano para o governo e não para a montagem do governo.

Estamos a oito meses das eleições para Prefeito de São Paulo. Até agora nenhum candidato abriu o bico. Ninguém sabe o que eles pretendem fazer.  A história se repete.

Parece uma maldição. Até agora a historia só registra a memória de um grande prefeito: Prestes Maia.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/02/2012 - 10:31

DESINDUSTRIALIZAÇÃO

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Sabonete agüenta uma semana e vai pro ralo

Pasta de dente espalha espuma pra todo o lado

Papel higiênico deixa papel picado na bunda

Todo automóvel tem um quê de pé de boi

Carro carrega mais imposto que autopeças

Automóvel custa limusines

Celular, na hora do aperto, pia

Quem conseguir apontar um lápis, ganha outro

Cinema é bom, mas não passa

45 mil livros por ano, mas de autores estrangeiros

Produzimos grãos, a Alemanha exporta café

Quando uma faca cortar picanha eu rezo para Santo Expedito

Plantamos areia, colhemos vidro plano

A 25 de Março é o show room da Muralha Chinesa

Não fazem mais bugigangas como antigamente, tudo vem da China.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/02/2012 - 16:52

FICHA LIMPA NA JUSTIÇA

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A lei da ficha limpa pegou. Na opinião pública e no Supremo. É uma lei que impede pessoas condenadas de exercerem postos legislativos. Isso é bom, porque não tem sentido que uma pessoa desqualificada nos represente no congresso nacional.

Sai da Faculdade de Direito há muitos anos. Nunca advoguei no fórum, dediquei-me ao jornalismo e à política cultural.

Guardo dos bons mestres que o direito é uma questão de bom senso e que a promoção da justiça é a razão de ser do direito.

Assim, quero levantar uma questão.

Homens trabalhadores ocupam uma propriedade abandonada e ali se instalam, o que é errado, mas o fazem para garantir o direito humano à moradia. O Estado nacional nem sempre tem condições de proporcionar isso aos cidadãos.

Um cidadão condenado pela Justiça, com seus bens bloqueados, socorre-se da Justiça para garantir interesses patrimoniais e financeiros. Obtem ganho de causa. A sentença manda despejar os moradores. O governo estadual cumpre as decisões da justiça, pois decisões judiciais devem ser cumpridas.

O que pergunto é o seguinte: Pode um cidadão condenado, antes de pagar suas dívidas com o estado e com a sociedade, valer-se da justiça para garantir patrimônio e recursos financeiros?

… enquanto a mesma Justiça não concede aos cidadãos trabalhadores, nem dez minutos para retirarem suas camas do domicilio em que moram.

Para mim, jornalista e poeta, é uma questão de bom senso e de justiça. Contudo, não foi o que aconteceu.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/02/2012 - 15:15

AS FONTES SECARAM. QUE BURRICE.

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São Paulo tem algumas fontes, principalmente no centro
da cidade. São fontes antigas, geralmente de muito bom gosto. Duas delas são
belíssimas, a fonte da Ladeira da Memória e a fonte da Praça Julio de Mesquita.

Essas fontes andam secas, há algum tempo. A Prefeitura
constata que os equipamentos de cobre são roubados. Verdade. São roubados, por
absoluta falta de vigilância da Guarda Municipal, responsável pelo patrimônio
urbano da cidade.

Solução encontrada pela prefeitura. Deixar as fontes
secas, sem água, algumas delas com os reservatórios cobertos de pedras. Solução
mais comodista e idiota, impossível.

Uma fonte funcionando dá beleza e respeito ao espaço público,
ao contrario de estimular, reprime o vandalismo.

Claro que a ordem pública se impõe aos poucos, com
policiamento. Hoje, isso é facilitado pelo policiamento eletrônico. Se essas
fontes fossem protegidas por filmadoras ligadas aos diversos “pontos”da Policia
metropolitana, os atos de vandalismo seriam filmados on line e transmitidos aos
pontos policiais, que enviariam motocicletas policiadas, em poucos minutos para
o local. Duas ou três batidas dessas mostrariam aos delinqüentes que a praça e
a fonte têm donos, a população de São Paulo.

Isso é o que esperamos da prefeitura, não o comodismo de
fechar a torneira.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/02/2012 - 19:15

tres bençãos para uma quarta feira de cinzas

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Bancos

O
Brasil sempre manteve um equilíbrio entre bancos privados e bancos
públicos.Hoje, a maioria dos bancos são privados, tem capital aberto e estão
bastante concentrados. Isso produziu uma eficiência operacional muito
desenvolvida e, opera sob leis reguladoras, muito seguras, mais do que a
maioria dos bancos de países desenvolvidos.

Contudo,
os juros cobrados pelos bancos brasileiros estão acima de qualquer padrão
internacional, o que lhes possibilita aferirem lucros semestrais espantosos,
sejam as instituições financeiras nacionais, internacionais, públicas ou
privadas.

Não
há uma taxação compatível com a desses lucros, sobretudo se comparada com a
taxação de pessoas físicas e de outros setores da produção capitalista.

Esse
é um problema não resolvido e de difícil solução política, com governos que tem
medo histórico pela realização de reformas fiscais.

Celulares

O
Brasil abriu um dos melhores mercados do mundo para as empresas de
telecomunicações. O brasileiro, que tinha dificuldade em obter linhas telefônicas,
quando eu era jovem, hoje, é o maior comprador de telefones celulares do mundo.
Esse generoso mercado não é correspondido pelo serviço prestado pelas
operadoras: TIM, Oi, Vivo, Claro de, por quantas ainda venham se instalar. Não
há a mínima fiscalização da qualidade dos serviços. Não há o menor atendimento,
geralmente pelo sistema 08000, aos clientes. Se alguém quiser fazer pedido de
suspensão do contrato, um pedido de informação técnica, ou qualquer outra
informação, tem grande chance de enlouquecer. Os custos, apesar da propaganda
das ofertas miraculosas, são absurdos. Numa viagem à Europa não consegui fazer
uma única ligação com meu telefone, sistema TIM. A conta foi de 1.200 reais.

É um
problema não resolvido apesar de haver legislação.

Companhias
de Aviação

Depois
que a ditadura militar cortou as asas da Pannair, a Varig, menina dos olhos do
governo militar e do público consumidor, pois era uma empresa internacional,
com boa reputação e serviço de primeira, em todas as classes. Com o tempo, o
monopólio e a marte de seus líderes, a fundação não honrou a  tradição da empresa. A Varig decaiu no plano
internacional e nacional e abriu caminho a aventuras aéreas que, desde a
Aerovias Brasil até a Vasp, foram para o brejo.

O
comandante Rolim criou uma empresa com vocação de crescimento e, enquanto viveu
conheceu uma empresa de reconhecidos méritos. A TAM acabou por ocupar o espaço
aéreo e terrestre das empresas falidas. Tem um marketing agressivo, mas os
serviços estão cada dia piores. As tarifas são absurdas. Uma viagem para o Rio
de Janeiro custa mil reais, enquanto uma viagem de Nova York para Washington
custa duzentos dólares. O fenômeno do “over book” é um hábito. O plano de
Milhagem é uma piada, para sermos generosos. O espaço entre as poltronas em
vôos nacionais e internacionais, na classe econômica, é um insulto ao direito
do usuário, que pagou, de ser transportado e respeitado.

Empresas
tipo pé de boi, que começaram para transportar barato, com serviços mínimos,
hoje cobra tarifas caras com os mesmos serviços mínimos. Um segundo gole de
coca cola custa 12 reais, como um sanduíche de plástico.

A
Embraer contempla, impávida, a completa desmoralização do transporte aéreo no
Brasil.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/02/2012 - 19:47

TRES BENÇÃOS PARA A QUARTA FEIRA DE CINZAS

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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/02/2012 - 12:20

AINDA SOMOS MUITO PEQUENOS

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As
agências de previsão meteorológica andam mais atrapalhadas que as agências de
risco dos bancos europeus.

No
hemisfério sul La Niña pinta e borda como se fosse um deus grego, um Júpiter, a
controlar a ira dos céus, dos ventos, das chuvas e dos mares. No Norte, a
nevasca já matou centenas, diminuindo a esperança de vida para quem não possa
recolher-se em abrigo adequado.

Costuma-se
dizer que a natureza enlouqueceu e que o tempo mudou. Não é mais como
antigamente, com quatro estações tão doces quanto as de Vivaldi.

Não
é bem assim. O Universo tem bilhões de anos. Não haveria de ser o mau
comportamento dos homens em uns míseros 2 mil anos que haveria de mudar o rumo
das estrelas. Os números são propositadamente astronômicos, mas com nosso
orgulho, imaginamos que podemos destruir a Terra e provocar os humores de La
Niña e seus primos do Norte.

Podemos
destruir os sentimentos e o patrimônio alheio, e isso já não é pouco.
Certamente não podemos provocar tsunamis nem nevadas.

Por
certo somos animais poluidores, mas não o suficiente para mudarmos o rumo dos
acontecimentos planetários.

Não
é alienação, mas o desejo de ser menos prepotente. Se medíssemos as coisas com
as nossas polegadas, veríamos como somos pequeninos em nossa grandeza.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2012 - 12:00

TCM – a tortura dos intervalos

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Tenho
aproveitado as ofertas dos canais a cabo para realizar um vôo permanente na
produção cinematográfica do passado, principalmente. A TCM, canal 91 na NET,
propõe uma variedade de filmes de natureza temática, em seu horário das 22hs.
Sejam filmes de terror, de violência, de caubóis clássicos, das peripécias dos
nazistas, de atores precoces que viraram grandes artistas, enfim, a mais
completa variedade. Podemos dizer que a programação da TCM pode ser considerada
uma programação de cinemateca, que ajuda a apurar nosso gosto por bons filmes e
a paixão pelo cinema.

Contudo
os intervalos transformaram-se numa tortura. O filme é interrompido mais vezes
do que o tolerável. A publicidade que gira em torno da programação do próprio
canal repete 24 indicações dos mesmos filmes, durante a transmissão de um único
filme.

Por
melhor que seja a programação somos tentados e aceitamos da tentação de mudar
de canal. É uma pena. Essa reclamação devia ser levada em consideração pelos
dirigentes do canal.  

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/02/2012 - 10:20

AINDA O VOTO DO SUPREMO

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O
Brasil acordou melhor com a sentença do supremo Tribunal Federal, que mantém as
atribuições do CNJ, instituição destinada a fiscalizar os procedimentos do
judiciário.

Numa
época de perplexidade moral, em todos os níveis do poder, com sete ministros
demitidos, pelo chamado pente fino da presidente, é louvável que uma
instituição como o CNJ, mantenha suas prerrogativas. Devemos um pouco disso à
coragem da conselheira Eliana Calmon que teve a coragem de defender a
instituição e convencer a opinião pública de seu papel saneador no âmbito da
justiça.

A
decisão teve um placar apertado 6
a 5. Cada ministro agiu com sua independência e segundo
o próprio ponto de vista jurídico. Felizmente a maioria foi a dos que
compreenderam o papel da instituição e a perspectiva da sociedade.

É
claro que pressão midiática não deve influenciar decisões judiciais, mas a
percepção da opinião pública é um instrumento da democracia. Os gregos criaram
a praça pública, como instrumento político, exatamente para aferir o peso da
opinião pública. O ministro Peluso deve entender que a pressão pública também
pode ser um utensílio da democracia. Assim não fosse, não teríamos tido a
campanha das diretas, a luta pela redemocratização, nem a lei da anistia. A
primavera árabe ainda estaria encoberta pelo inverno permanente.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/02/2012 - 12:11

A HIPOCRISIA EUROPÉIA

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A
HIPOCRISIA EUROPÉIA

 

 

Crises
econômicas costumam ser tratadas, com desesperança, arrocho ou criatividade.

Nos
países do terceiro mundo, até pouco tempo, secularmente em crise, pois países
colonizados, a marca da desesperança é profunda. Só muito recentemente temos
sido mais pró ativos diante da diversidade econômica.

Na
grande crise de 29, depois do susto, os Estados unidos mostraram bastante
criatividade e coragem, com Roosevelt, no poder e o economista Keynes, com suas
idéias criativas que mudaram a economia do mundo e dos Estados Unidos.

A
crise de 2008 deixou o mundo rico meio aparvalhado. Foi uma crise criada pelo
capital em estado de desvario e, proliferada pelo mercado, que é um instrumento
passivo das realidades. Mercado não tem moral, tem fluxo. Acontece, como uma
gravidez.

Então,
a ortodoxia, que é feita sempre para as vitimas, não para os algozes, decretou
que se sai da crise com o arrocho. Nada mais burro. Pedir à Grécia, vitima de
empréstimos irresponsáveis dos algozes, e de gastos exagerados, das vítimas, é
condená-la à falência definitiva.

Imaginem
se o mesmo fosse exigido da Alemanha falida, depois da guerra, da França recauchutada,
depois da guerra e dos demais países da Europa. O que salvou a Europa foi o
Plano Marshal, dos Estados Unidos, que propôs e ofereceu recursos para
investimentos novos e salvadores, para a recomposição do mercado sofrido e
apavorado.

A
Europa recuperou-se, não só economicamente, mas mentalmente. Seus líderes
conseguiram o que todas as tiranias do passado não conseguiram, uma Europa
Unida, em cultura e moeda, uma Europa sem fronteiras.

É
uma grande hipocrisia, oferecer soluções de arrocho, quem já conheceu com
sucesso, a solução dos recursos, a fundo perdido.

A
Senhora Merkel finge desconhecer a história recente da Europa.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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