UMA NOITE INESQUECIVEL
Que noite. Um violão rolava sobre nossas cabeças como vingança a vaias discretas. Havia tantos gênios potenciais que era impossível distinguir um vencedor. Os apresentadores eram bisonhos, se misturavam no palco com as estrelas nascentes.As entrevistas eram hilárias. Os mais brilhantes eram Gil e um magrinho chamado Caetano. Chico já era cônscio de suas responsabilidades. Tinha a tranqüilidade de quem já carrega uma ideologia consolidada. Quantos aos outros, embora no palco, parecia que estavam num jardim do parque dominical. Talvez por isso mesmo, Gil ganhou a parada com Domingo no Parque. Ninguém reclamou. Era uma alegria esfuziante. Caetano, com um terninho de arrepiar a vitrine, já tinha compostura, alegria e texto. Só faltava a mala de couro para denunciar o imigrante erudito. Até hoje se manteve fiel à palavra. Gil transita entre Bob Marley e Lula com a mesma desenvoltura. Seu discurso é elegante, sua música está encharcada de Ron. E o Chico? Para mim ainda é um mistério. Continua tímido e preciso. Apegado às idéias como se idéias se escrevessem em rocha.
Nunca mais houve um festival como aquele.
A música popular brasileira conquistou os mercados e o mercado enquadrou a música popular brasileira.
