2010 dezembro | Jorge da Cunha Lima
iG

Publicidade

Publicidade

Arquivo de dezembro, 2010

31/12/2010 - 07:55

UMA NOITE INESQUECIVEL

Compartilhe: Twitter

 

Que noite. Um violão rolava sobre nossas cabeças como vingança a vaias discretas. Havia tantos gênios potenciais que era impossível distinguir um vencedor. Os apresentadores eram bisonhos, se misturavam no palco com as estrelas nascentes.As entrevistas eram hilárias. Os mais brilhantes eram Gil e um magrinho chamado Caetano. Chico já era cônscio de suas responsabilidades. Tinha a tranqüilidade de quem já carrega uma ideologia consolidada. Quantos aos outros, embora no palco, parecia que estavam num jardim do parque dominical. Talvez por isso mesmo, Gil ganhou a parada com Domingo no Parque. Ninguém reclamou. Era uma alegria esfuziante. Caetano, com um terninho de arrepiar a vitrine, já tinha compostura, alegria e texto. Só faltava a mala de couro para denunciar o imigrante erudito. Até hoje se manteve fiel à palavra. Gil transita entre Bob Marley e Lula com a mesma desenvoltura. Seu discurso é elegante, sua música está encharcada de Ron. E o Chico? Para mim ainda é um mistério. Continua tímido e preciso. Apegado às idéias como se idéias se escrevessem em rocha.

Nunca mais houve um festival como aquele.

A música popular brasileira conquistou os mercados e o mercado enquadrou a música popular brasileira.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/12/2010 - 08:33

O SONHO DE FABIO JR

Compartilhe: Twitter

Há alguns anos, num vôo de sábado da Ponte Aérea Rio-São Paulo, avião quase vazio, sentei-me ao lado de Fabio Junior. Conversamos bastante. Claro, ele não deve se lembrar, mas eu me lembro.

Falou-me de coisas interessantes sobre as ambições do artista. Como sou palpiteiro e tinha acabado de assistir um filme do Zelito (creio que era do Zelito Vianna), no qual Fabio Junior interpretou um papel magnífico, elogiei-o: – Você é um grande ator. Além de fazer cinema devia se dedicar ao teatro. Falei de Gerard Philipe, o grande ator francês, para mim o modelo do ator completo. O Fabio, apesar de reconhecer seu bom desempenho no filme, me confidenciou: -Não, eu não quero ser ator, eu quero ser o Roberto Carlos, cantar para as multidões.

Nunca mais o encontrei, mas ele realizou o sonho: cantar para as multidões, agora em dose dupla, com o filho e tudo.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/12/2010 - 11:08

VIVA A TECNOLOGIA

Compartilhe: Twitter

Sempre estive na outra margem do rio. Onde se pedia lógica eu sempre preferi a sensibilidade. Onde a razão, eu preferi a intuição. Onde a tecnologia, eu optei pela arte.

Quatro dias depois de sair da UTI, após uma cirurgia na coluna, fui a um jantar. Imprudência, pode ser, mas eu me sentia tão bem disposto que fui.

Quando reencontrei o médico, cumprimentei-o pelo sucesso da operação. Confesso que todo mundo estava assustado com o fato de eu fazer uma cirurgia desse porte nestas alturas da vida.

O médico foi raso e rasteiro: – Você devia cumprimentar a ressonância magnética, não a mim. Depois da ressonância o corpo humano aparece por inteiro. 

De fato, não há mais aquela história de tentativa e risco. A geográfica cirúrgica é perfeita. O bisturi ou o laser não caminham além nem aquém do necessário.

Fiquei muito reconhecido aos méritos da tecnologia, mas assim mesmo, mais admirei a arte do cirurgião, que me colocou em pé, tão rapidamente.

Dor na ciática é um inferno. Mas, ao saber que o Roberto Carlos, cantou em Copacabana com uma tremenda dor na ciática, passei a admirar ainda mais os artistas.

Mas continuo em dúvida: O que é maior na canção, a melodia ou a letra. Por acaso existe arte sem oficio?

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/12/2010 - 18:04

ROBERTO CARLOS – GENIAL

Compartilhe: Twitter

Voz mansa. Quase miúda. Lembrava João Gilberto, sentado no banquinho. Chet Backer, no Basin Street. Intimista diante de 400 mil pessoas. O carisma intacto. Roberto Carlos é o protótipo de si mesmo. Colocou na praia quatro gerações de brasileiros, cariocas, como Paul McCartney colocou no Morumbi quatro gerações de paulistas.

Nunca vi tanta gente, tão feliz, com chinelas havaianas, dançando na areia. Papai Noel generoso. Com um único presente, a emoção. Tenho cinco netas mulheres. Todas acordadas, até o fim, ouvindo Roberto Carlos.

Lembro-me quando Horacio Berlinck me falou de um carinha que ia balançar o coreto da nova guarda. O mesmo Berlinck que um dia me disse: – Jorge, presta atenção em dois jovens baianos que estão na casa do Cotrim, são geniais: um se chama Caetano, o outro, Gilberto Gil.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/12/2010 - 13:57

HEBE NA GLOBO. GENIAL!

Compartilhe: Twitter

A Venus platinada pousou na passarela do Faustão. Confesso que é a primeira vez que assisto um Faustão inteiro. Fiquei fascinado com o poder do mito Globo. O mais importante personagem da televisão brasileira, Hebe Camargo, parecia uma criança maravilhada do complexo do alemão, recebendo o seu primeiro presente de natal. Hebe, que sempre triunfou em qualquer palco, sentia-se enfim uma grande estrela, entre estrelas. Estava na telinha da Globo. Sentia-se uma estrela GLOBAL. Tremeu de emoção com a entrada do Fagundes. Deu selinho de igual para igual em estrelas mil anos luzes menores do que ela.

Mas no fundo mesmo, Hebe sabia que a estrela era ela, pois cada um daqueles “notáveis” do Passione, também estava deslumbrado com a sua presença iluminada. É possível que Silvio Abreu mude o roteiro da novela para devolver a esposa ao Edgar. Berilo agora vai precisar de três mulheres para voltar a ser um garanhão. Janequini ganhou carteira de habilitação. Só o Faustão continuou o mesmo. É o autista mais genial da televisão brasileira.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/12/2010 - 14:43

O ARTISTA E AS PRIORIDADES

Compartilhe: Twitter

 

BLOG

Não conheço nenhum grande escritor para o qual a prioridade não tenha sido a obsessão esclarecida.

Uma vez, o poeta Thiago de Mello, para o meu espanto, disse que a minha poesia seria melhor do que a dele, mas que eu nunca seria um escritor reconhecido. Afirmou que eu não me dedicava suficientemente à condição artística e que é impossível servir a dois senhores ao mesmo tempo. Referia-se ao meu apego político, ao sucesso financeiro e social. Três senhores ao mesmo tempo!

Hoje, reconheço que ele tinha razão e compreendo, até, um acontecimento que na época me revoltou.

Ei tinha escrito um romance, o primeiro até então, chamado “O Jovem K”, editado pela Siciliano. O promotor do livro levou o exemplar a um crítico de uma grande revista semanal. Ao receber o livro, o resenhista percebeu que o mesmo era de minha autoria. Irritado, vociferou ao pobre marqueteiro: – Esse cara é milionário, político e ainda quer ser escritor? E jogou o exemplar no cesto do lixo, sem complacência.

Não admiro o gesto. Afinal não sou milionário, nem político profissional, mas chego a compreender a ira

Preconceituosa do jornalista.

Sem qualquer ressentimento, acho hoje que o jovem K é um dos bons romances sobre o comportamento da burguesia intelectual de esquerda durante o regime militar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/12/2010 - 13:35

O MENINO JESUS

Compartilhe: Twitter

Antes de morrer, minha bisavó deu a minha mãe uma pequena imagem, de madeira e antiga, do Menino Jesus e pediu-lhe que, todos anos, no Natal, produzisse uma manta nova para a imagem.

Este ano quem costurou a roupa nova, branca, com um contorno dourado, foi minha neta.

Isso quer dizer que o Menino Jesus já mudou de roupa quase cem vezes. Ele constitui a árvore genealógica mais confiável de toda a minha família.

Pensei nisso a propósito do seguinte fato. No Canadá, na época de Natal, em quase todas as esquinas importantes, a população coloca presépios  de todas as confecções possíveis: de pano, de madeira, de plástico. São presépios de modelo clássico, com Jesus, São José, Nossa Senhora, pastores, vaquinhas, burrinhos e os Reis Magos. A estrela de Belém nunca é esquecida.  Na Espanha vi a mesma coisa, sobretudo na Andaluzia.

Há poucas referências ao Papai Noel e, quase nenhuma, aos presentes. O símbolo do Natal é religioso e não mercadológico.

Aqui em São Paulo, notou um arguto jornalista do Estadão, o Menino Jesus desapareceu. Só há Papai Noel junto a uma árvore de natal, cheio de pacotes de desejos embrulhados, para atiçar os sonhos.

O consumo já havia consumido a Missa do Galo, agora substituída pela ceia com Peru. Agora, consome o próprio símbolo do Natal. O novo templo do natal é o shopping Center.

Felizmente meus netos cumprem a promessa da trisavó.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/12/2010 - 07:29

O NATAL E A ESTÉTICA DO POBRE

Compartilhe: Twitter

-“Todo mundo gosta das coisas lindas”, me afirmou um motorista de taxi, quando passamos na Avenida Paulista, sob o arco do triunfo do natal.

Mas, ás vezes, nós achamos meio caipira a multidão que se aglomera na esquina da Rua Padre João Manuel para tirar fotografia ao lado do Papai Noel do Itaú.

O egoísmo burguês fica tocado pelas dificuldades do transito e outra vezes pelo barulho das músicas dos corais e das narrativas natalinas, em altos volumes sonoros.

A verdade é que a Paulista virou uma festa, com turistas municipais, nacionais e internacionais. As calçadas parecem o Viaduto do Chá, mas sociologicamente diverso.   Não são pessoas que passam ali para ir trabalhar nem para pegar ônibus do outro lado da cidade. Passam por puro prazer. Para ver as coisas e a alegria dos outros.

Muitos, os mais pobres, ficam extasiados com a estética do espaço público na transcendência do Natal. Me explico. A estética que circunda o pobre, geralmente é muito feia. A casa é feia, no cortiço ou na favela. A rua, sem calçamento nem esgoto, é muito feia. Ninguém arboriza a rua do pobre (nem mesmo o SOS Mata Atlântica).  Assim, a única coisa bonita, que sobra para o pobre, é o espaço público. A estética do espaço público. Por essa razão o povo vota em quem constrói obras públicas bonitas e vistosas. Vota em quem enfeita a cidade. Vota em quem promove festas populares na cidade.

Aproveite. Até o fim do ano, você pode tirar fotografias com as crianças, como fazem milhões de norte americanos, diante da árvore de natal do Rockfeller Center, em Nova York.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/12/2010 - 07:24

O NATAL E A ESTÉTIDA DO POBRE

Compartilhe: Twitter

-“Todo mundo gosta das coisas lindas”, me afirmou um motorista de taxi, quando passamos na Avenida Paulista, sob o arco do triunfo do natal.

Mas, ás vezes, nós achamos meio caipira a multidão que se aglomera na esquina da Rua Padre João Manuel para tirar fotografia ao lado do Papai Noel do Itaú.

O egoísmo burguês fica tocado pelas dificuldades do transito e outra vezes pelo barulho das músicas dos corais e das narrativas natalinas, em altos volumes sonoros.

A verdade é que a Paulista virou uma festa, com turistas municipais, nacionais e internacionais. As calçadas parecem o Viaduto do Chá, mas sociologicamente diverso.   Não são pessoas que passam ali para ir trabalhar nem para pegar ônibus do outro lado da cidade. Passam por puro prazer. Para ver as coisas e a alegria dos outros.

Muitos, os mais pobres, ficam extasiados com a estética do espaço público na transcendência do Natal. Me explico. A estética que circunda o pobre, geralmente é muito feia. A casa é feia, no cortiço ou na favela. A rua, sem calçamento nem esgoto, é muito feia. Ninguém arboriza a rua do pobre (nem mesmo o SOS Mata Atlântica).  Assim, a única coisa bonita, que sobra para o pobre, é o espaço público. A estética do espaço público. Por essa razão o povo vota em quem constrói obras públicas bonitas e vistosas. Vota em quem enfeita a cidade. Vota em quem promove festas populares na cidade.

Aproveite. Até o fim do ano, você pode tirar fotografias com as crianças, como fazem milhões de norte americanos, diante da árvore de natal do Rockfeller Center, em Nova York.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/12/2010 - 07:41

CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO – 450 ANOS

Compartilhe: Twitter

A Câmara Municipal de São Paulo é a mais antiga instituição legislativa do Brasil. E isso demonstra o papel relevante que São Paulo desempenhou na construção desta nação e de um estado democrático brasileiro.

Fomos, durante séculos, uma cidade pobre, relativamente a outras cidades do Brasil, como Recife, Salvador, Ouro Preto e Rio de Janeiro. Contudo, fomos uma luz institucional, desde sua fundação.   Em pleno império português, fomos precocemente república, pois nossa primeira igreja também foi uma escola, símbolo futuro de todas as repúblicas. Tínhamos, como o rio que nos percorria, a vocação do desbravamento. Fomos, enquanto devíamos, fieis à metrópole, recusando colocar sobre um de nossos filhos a coroa, ainda inoportuna. Na hora adequada colocamos a coroa na cabeça certa e proclamamos a independência.

Nossa câmara registrou e sempre pontuou os gestos políticos. Na Colônia, no Império, na República, e mesmo nos períodos despóticos, foi uma trincheira de resistência cívica. Participou física e moralmente da campanha das diretas. Participa da reconstrução democrática e da construção de uma das maiores metrópoles do mundo.  

Por todas essas razões sinto-me orgulhoso e agradecido, ao receber, em nome do Conselho da Fundação Padre Anchieta, a homenagem da Câmara Municipal de São Paulo, por ocasião da comemoração do aniversário de quatrocentos e Cinqüenta Anos, por nossa participação na construção da história desta cidade.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo