2010 setembro | Jorge da Cunha Lima
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Arquivo de setembro, 2010

29/09/2010 - 22:05

RECORTES PAULISTANOS PARA QUEM ANDA DORMINDO DEMAIS

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Hoje li uma notícia infame. Menores bolivianos, que estudam em colégios públicos de São Paulo, estão sendo ameaçados por seus colegas brasileiros. Ou pagam sanduíches e refrigerantes ou serão molestados e humilhados.

Ontem assisti um filme maravilhoso. Os Sertões, em sua versão O Homem. A cenografia de ZÉ Celso invadiu o cinema com uma exuberância teatral, mas com linguagem de cinema. O espetáculo durou cinco horas, mas posso garantir que a cena da chegada, encontro e deglutição do Bispo Sardinha, é uma das cenas mais impressionantes da arte no SÉCULO XXI.

Zubin Meta regeu a Primeira Sinfonia de Mahler em versão integral, inclusive com um movimento que o próprio Mahler retirou da mesma. Meta acomodou-o com tal brilho que o conjunto ficou deslumbrante. Perdoem-me os que não gostam de Mahler.

A atmosfera reganhou a umidade da São Paulo da Garoa. Rinites, asmas, rouquidões, tosses, espirros e alergias voltaram para o armário. “Terra Seca”- só é bom em filme.

No Jockey, a Telefônica aprontou um festival chamado SONIDOS com músicos e músicas da America Latina. Estive lá na noite do Yamandu Costa. Estava acompanhado de um sanfoneiro, de um contra baixo e de um pianista convidado, não sei de onde nem seu nome. Foi um arraso musical. A sanfona era um bandonion encantado com os sonhos de Piazolla. O baixo tirava das poucas cordas acordes de Casals. O pianista parecia um Lizt da música popular. Yamandu segurava tudo isso nas cordas do violão. Provocava os companheiros até o delírio musical. Uma noite inesquecível.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/09/2010 - 11:32

APESAR DE TUDO

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Dentro de quatro dias teremos eleições gerais no Brasil. Vamos escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.

Por mais que a política não seja hoje a vocação mais respeitada pelos brasileiros, política é fundamental. Quando nos alheamos, a política prossegue da mesma forma produzindo suas conseqüências. Melhor entrar no samba, ainda que tenhamos que fechar nossas narinas.

Ainda há muitos ausentes, indecisos e mesmo gente que vai votar em branco. Há tempo para que todos reconsiderem. A pior atitude, quando há oportunidade democrática de votar, é ficar de fora, e, apenas, ver a banda passar.

O comportamento eleitoral não anda dos mais ortodoxos, a xingação é mais freqüente do que as propostas, há tiriricas e jaguatiricas por toda parte, a ficha limpa está no limbo do supremo, velhos bandidos chegam a liderar pesquisas, mas apesar de tudo, estamos num regime democrático. Temos a oportunidade de votar. Para quem passou boa parte de sua vida adulta sob o jugo da ditadura militar, isso é uma benção. Quem nasceu depois precisa se inteirar da tristeza, da tristeza profunda que é viver numa ditadura.

Não votar é um absurdo. Vamos às urnas neste domingo. Não somos apenas animais políticos. Somos cidadãos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/09/2010 - 23:07

VIEIRA: O PECADO ORIGINAL DO BRASIL É O ROUBO

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 Rubens Ricupero fez uma palestra inesquecível sobre o Pe.Vieira, o grande pregador do Século XVII, no Café Filosófico do São Bento.

Falou tantas coisas fundamentais, muitas delas de autoria do próprio, que vamos destilar aos poucos essa sabedoria esquecida de nossa história e de nossa consciência política e moral.

Mas deteve-se num aspecto da vida nacional, em pleno Século XVII, que era a roubalheira. Referindo-se aos enviados de Portugal para tomar conta da colônia dizia em seus sermões: – Não buscam o nosso bem, mas os nossos bens.

Referindo-se ao Paraíso afirma que seguimos os passos de Adão, que adotava o conceito: – É melhor guardar do que trabalhar.  E assim tomou o pomo.

Tomar ficou uma expressão muito utilizada no Brasil colônia. Ainda nos sermões afirmava: – O pecado original do Brasil é tomar do alheio. Todo mundo toma. Toma o ministro, toma o governador, toma o escrivão, toma o cunhado etc. 

Sim, tomas , como todos. E armava o trocadilho: Sintomas atrativos e consoladores do dinheiro.

Em 1600 praticava-se no Brasil o mercantilismo deslavado. O Brasil era uma máquina de commodities. Terra e recursos abundantes sem mão de obra disponível. A solução foi brilhante e pragmática: latifúndio e escravidão.

Instalou-se no país o que Camões chamava de o gosto da cobiça. 

Isso era o que Vieira constatava e contra o que lutava.

Se estivesse vivo, hoje, Vieira constataria as mesmas coisas e seus sermões seriam libelos acusatórios.

Provavelmente seria chamado de golpista e receberia manifestações de repudio na sede do sindicato de jornalistas.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/09/2010 - 18:17

ELEIÇÃO COM PÉSSIMAS INFORMAÇÕES

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Recentemente, na Espanha, entre empresários e economistas, fiz uma palestra sobre a importância informativa da imprensa, quando prioriza a compreensão dos acontecimentos ao espetáculo da notícia.

Creio que isto é fundamental no mundo contemporâneo. Há muita informação mas não há a compreensão de nada do que acontece.

No Brasil estamos às vésperas de uma eleição importantíssima. O ombudsman da Folha de São Paulo nota que saíram mais de 50% de noticias sobre os escândalos e quase nada sobre o programa dos candidatos. Tem toda a razão.

A eleição proporciona muito mais o espetáculo da corrupção do que a disputa democrática em torno das virtudes eleitorais.

Há uma grande ignorância sobre os candidatos. Mais de dez pessoas já me vieram pedir indicação para votar em candidato estadual. Ninguém sabe quem é candidato aos legislativos.

Quem é o Netinho? O que fez o Netinho para ser senador por São Paulo, além de ter esmurrado a mulher? Tem tantos votos quanto a candidata Marta que defendeu os direitos da mulher. Como se explica?

Fui a Itú neste fim de semana e o Periscópio de lá fez uma pesquisa, pela qual Tiririca terá 4 mil votos no berço da República. Nunca foi lá.  E ninguém sabe que elegendo Tiririca se estará elegendo deputados que não conhecem.

A imprensa não pode ser censurada, como alguns desejam, pelo contrario precisa ampliar e qualificar ainda mais a informação.

Sem ela, eleição seria uma roleta russa.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/09/2010 - 00:32

SEMANA DIFICIL

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Fora do Brasil, nosso orgulho de ser brasileiro é muito alto. Dentro do Brasil, isso cai uns 10 pontos.

Ainda que o período eleitoral seja propício a baixaria de toda a natureza: a dos que acham que tudo podem e a dos que acreditam que tudo perderam, creio que estamos jogando a sorte pelas frestas da democracia.

Não dá para consentir que a Casa Civil se transforme numa casa de mãejoana e que ninguém saiba de nada do que está acontecendo,

Não dá, do ponto de vista da estética do cinema, aceitar que Lula, o filho do Brasil, seja enviado à disputa do Oscar, pela escolha unânime de gente que, em princípio, entende de cinema. Há pelos menos uns cinco filmes muito melhores.

Não dá pro Supremo Tribunal Federal tratar a lei da Ficha Limpa, com uma tecnicidade jurídica que afronta o bom senso e cria dúvidas sobre quem é honesto, o que é ser honesto, como impedir que o delinqüente freqüente as urnas, quando esses atributos são claros para a opinião pública.

Não dá pro Mano Menezes, imbuído da autoridade que ninguém lhe conferiu, virar instrutora de colégio de freiras e deixar o Neymar no banco dos réus.

Não dá pra ser dúbio em questão de liberdade de imprensa. Ou se tem ou não se tem. Qualquer movimento contra a liberdade de imprensa é contra a liberdade, condição “sine qua non”, da democracia.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/09/2010 - 12:37

NEYMAR – IRREQUIETO

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Outro dia uma amiga me consultou sobre a ameaça do colégio onde o filho estuda, de desligá-lo no ano seguinte. O menino tem nove anos, é bom aluno, com ótimas notas, mas é muito irrequieto, quase hiper ativo. A diretora da escola advertiu a mãe: –Ou o menino sossega ou tem de sair da escola.

Queria saber se o poder público poderia ajudá-la a manter o filho matriculado.

Não soube responder. Mas pensei que o melhor seria mudar o menino de escola, porque mesmo se ficasse nela seria discriminado pela diretoria. Mas ainda não dei o conselho à mãe.

No dia seguinte vi que o Mano Menezes excluiu o Neymar da seleção , porque o garoto é um pouco mais do que irrequieto.

Nesse caso não se pode tirar o menino da seleção e mandá-lo para outra, porque a única que temos é a seleção brasileira.

E então. O que fazer com os talentos irrequietos de nosso país?

Os bem dotados em geral não são muito ortodoxos. Detestam as regras. Note o comportamento do prof. Hawkings, gênio da matemática, que vive dizendo desaforos até mesmo contra Deus.

E difícil domar um fenômeno biológico de 17 anos, mas merece uma oportunidade. Mano devia chamá-lo, adverti-lo de que seleção não é um play Center. Dar-lhe um suadouro de treinos que lhe tirasse o fôlego. E, na hora do jogo, deixar que o moleque marcasse quantos gols Deus e os talentos lhe inspirassem.

Quanto ao menino acho mesmo que deveria ir para uma escola mais compreensiva.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/09/2010 - 17:10

INFLAÇÃO PARA COZINHEIRAS

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Costumo comprar um remédio de uso diário chamado OMEPRAZOL, indispensável contra acidez e prevenção da úlcera do estômago, em termos leigos. Um pacote com sete drágeas  custa em farmácias de São Paulo 35 Reais.  Comprei o mesmo remédio em Madrid, com 28 drágeas, por 3 Euros, o que quer dizer uns 7 Reais. A diferença de preço é imoral.

Atualmente, com diabete e pressão alta, gasto em remédios por mês cerca de 1.200 reais, bem mais do que a minha aposentadoria. Na Espanha, país em crise econômica, gastaria 240 Reaiss, cinco vezes menos. 

Por quê? Claro que vão nos dizer que os impostos aqui são enormes e outras lengas-lengas.

Minha cozinheira reclama todos os dias que os produtos estão aumentando de preço diariamente. Faço como o velhinho da novela Passione: – “Calma, Maria, no Brasil a inflação é baixíssima. Você está sempre delirando, para atacar o governo”.

Então ela me traz notas para provar suas reclamações. Se eu verificar as notas a inflação já teria aumentado uns 20%.

Gostaria de saber, de algum internauta versado em economia, qual a base de cálculo para a inflação no Brasil?  Será que comida e remédios estão excluídos? Será que a carne está de fora?

Agradeço se alguém puder informar-me para eu poder acalmar a minha cozinheira.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/09/2010 - 06:27

MADRID – O ORGULHO DE SER BRASILEIRO

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No encontro promovido pela Secretaria Ibero Americana, em Madrid, comandada por Enrique Iglesias, a grande constatação é que o Brasil vai bem, melhor do que os outros países. As exposições feitas por nossos mineradores, banqueiros, produtores e vendedores de alimentos, exibiram números impressionantes. O vice presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento impressionou. Os Estados Unidos só pensam agora em fazer um banco semelhante.  O jovem representante do Itaú, Ricardo Marino, que fez uma magnífica apresentação, foi convidado a sentar-se na mesa do príncipe. Somos o maior produtor de minerais, somos o maior vendedor de frangos do mundo, nossos bancos são mais estáveis do que os de Wall Street. As preocupações da Europa e dos Estados Unidos, e os baixos números da Argentina e de outros países Ibero americanos, nos deixam orgulhosos e até mesmo apreensivos.

Quando sabem que somos brasileiros nossa vida é facilitada nos restaurantes, nos hotéis e até nos taxis.

Em toda parte Lula é decantado pelos acertos e perdoado pelos erros. E quando estamos fora do país não há nada que supere o amor próprio, o orgulho de ser brasileiro. Fomos desclassificados na África do Sul, mas isso não tem a menor importância, nosso gol agora é outro.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/09/2010 - 18:33

MADRID – COM O PRINCIPE DE ASTURIAS E URIBE

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Madrid – Uribe disse que tornou a Colômbia segura, com um imposto sobre a riqueza

O Príncipe de Astúrias e o Ex-Presidente Uribe, da Colômbia, foram os convidados de honra do almoço oferecido por Enrique Iglesias no encontro da Secretaria Ibero Americana, que reuniu em Madrid empresários, políticos, diplomatas e economistas da Espanha, de Portugal e da America Latina.

O príncipe herdeiro do trono da Espanha é um jovem preparado e formado para ocupar o posto em qualquer circunstância. Cumprimentou pessoalmente todas as pessoas presentes ao almoço e discutiu todos os problemas propostos na mesa em que sentou-se.

Uribe foi o orador do almoço. Muito aplaudido contou o que fez no governo para pacificar a Colômbia e promover o seu desenvolvimento.

Disse que baseou seu governo em três buscas complementares. Estabelecer a confiança, a partir da segurança democrática. Promover investimentos , mas com um espírito de solidariedade. Atingir uma política de coesão social.

Entende por segurança a segurança física, jurídica e política.

Entende por investimento, além de recursos, uma aproximação institucional a nível nacional e internacional.

Conseguiu a coesão social criando um imposto sobre a riqueza, que garantiu a segurança democrática.

Terminou dizendo que a Colômbia vai bem e está em boas mãos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/09/2010 - 13:37

MADRID – A CRISE VISTA PELAS GRANDES EMPRESAS GLOBAIS

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MADRID – A CRISE VISTA PELAS GRANDES EMPRESAS GLOBAIS

ENRIQUE Iglesias que dirige a Secretaria Geral Ibero Americano da UNESCO reúne em Madrid, políticos, banqueiros, economistas e diretores de televisão para discutir “As empresas globais e a crise econômica”.

Notei, em quase todas as exposições realizadas hoje,  um certo pessimismo com relação à recuperação da Europa e dos Estados Unidos, ao mesmo tempo, uma enorme confiança no desenvolvimento da América Latina. Afirma-se que a America Latina também sofreu as conseqüências da crise, mas conseguiu superá-la com rapidez e está se erguendo com eficiência. Aponta-se como causas de nossa situação positiva, a existência de um mercado local de bônus, um saldo positivo de ativos, a flexibilidade de câmbio, uma regulamentação financeira mais rígida que impediu uma crise bancaria.

Fala-se também dos riscos que nos ameaçam. Uma estagnação prolongada da Europa e dos Estados unidos. Um embate comercial muito forte entre Estados Unidos e china. Uma dependência nossa muito alta com relação à China e a tentação protecionista em todo mundo.

Especificamente com relação ao Brasil, o pensamento é de que temos que superar as carências de infraestrutura, a burocracia e   

o processo educacional ainda muito débil.

Amanhã falarão as grandes empresas de telecomunicação e de televisão e a TV Cultura, única televisão pública convidada para o encontro.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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