RECORTES PAULISTANOS PARA QUEM ANDA DORMINDO DEMAIS
Hoje li uma notícia infame. Menores bolivianos, que estudam em colégios públicos de São Paulo, estão sendo ameaçados por seus colegas brasileiros. Ou pagam sanduíches e refrigerantes ou serão molestados e humilhados.
Ontem assisti um filme maravilhoso. Os Sertões, em sua versão O Homem. A cenografia de ZÉ Celso invadiu o cinema com uma exuberância teatral, mas com linguagem de cinema. O espetáculo durou cinco horas, mas posso garantir que a cena da chegada, encontro e deglutição do Bispo Sardinha, é uma das cenas mais impressionantes da arte no SÉCULO XXI.
Zubin Meta regeu a Primeira Sinfonia de Mahler em versão integral, inclusive com um movimento que o próprio Mahler retirou da mesma. Meta acomodou-o com tal brilho que o conjunto ficou deslumbrante. Perdoem-me os que não gostam de Mahler.
A atmosfera reganhou a umidade da São Paulo da Garoa. Rinites, asmas, rouquidões, tosses, espirros e alergias voltaram para o armário. “Terra Seca”- só é bom em filme.
No Jockey, a Telefônica aprontou um festival chamado SONIDOS com músicos e músicas da America Latina. Estive lá na noite do Yamandu Costa. Estava acompanhado de um sanfoneiro, de um contra baixo e de um pianista convidado, não sei de onde nem seu nome. Foi um arraso musical. A sanfona era um bandonion encantado com os sonhos de Piazolla. O baixo tirava das poucas cordas acordes de Casals. O pianista parecia um Lizt da música popular. Yamandu segurava tudo isso nas cordas do violão. Provocava os companheiros até o delírio musical. Uma noite inesquecível.
