VIRADA À PAULISTA
Dizem que os baianos gostam de festas públicas e populares. É Verdade. Mas os paulistanos ainda gostam mais do que os baianos. Cada vez que convocados, na virada do ano, nas feiras de livro, nas paradas gay e na virada cultural, os paulistanos vão para as ruas, aos milhões. Isso tem dois motivos: o primeiro é porque gostam da cidade e nem sempre podem andar tranquilamente pelas ruas, o segundo é que os bons espetáculos culturais os atraem. E isso é o que não falta na virada cultural e demais festividades. Sempre afirmei que o gosto é uma questão de oferta e não de demanda. Quando há boa oferta o povo acorre com entusiasmo. Quatro milhões de pessoas transformou São Paulo neste fim de Semana no maior espetáculo de massas do mundo, e, fora das ruas, na maior afluência de internautas da história da internet. Tudo em São Paulo supera os recordes. A meio de tanta festa, um único incidente, de madrugada, numa briga de bar, infelizmente com uma vida, a vida de um jovem. Nas noites normais há mais acidentes deste tipo do que houve na virada. Entre o sábado e o domingo a cidade fica muito suja, até porque os carros de lixo não conseguem acesso, mas isso é uma questão técnica que poderá ser resolvida, e também uma questão cultural: a melhor maneira de se evitar o lixo é não produzir sujeira. E isso está na sabedoria do Mickey Mouse e dos dirigentes do Metro. Mas chegaremos lá. Parabéns portanto à população de São Paulo que mostrou que o grande espaço da cultura em São Paulo é o centro da cidade. Viva o Centro, portanto.
