ELEIÇÒES EM TELEVISOES PUBLICAS
ELEIÇOES EM TELEVISÓES PUBLICAS
As televisões públicas brasileiras lutam há anos para conquistar ou manter suas autonomias. Autonomia administrativa, financeira e intelectual. Contudo, como são instituições dependentes do poder público tem uma convivência complicada com os governos no capítulo autonomia. O velho Frias sempre me dizia: -Jorginho, quem paga a conta manda. O governador Covas dizia: -Pô, eu pago a conta e não mando. Outros, acham tão natural mandar, que nem precisam utilizar frases emblemáticas para mandar.
Nós, dirigentes da televisão pública, defendemos historicamente a autonomia dessas instituições, eqüidistantes dos poderes, tanto político quanto mercadológico. Quem deve sustentar a televisão pública, educativa e cultural, é a sociedade: a sociedade civil, a sociedade econômica e o estado. Isso porque a televisão pública faz uma programação de interesse de toda a sociedade e não apenas do Ibope. Busca a formação crítica do telespectador para o exercício da cidadania. Assim, a televisão pública deve ser comandada por conselhos representativos da sociedade. Isso quer dizer, representantes de todos os espectros da sociedade, inclusive os governos, o que não é fácil. Mas, definida a representação, há que obedecê-la. Todas as vezes que há uma eleição na EBC (TV Brasil) ou na Padre Anchieta (TV Cultura) o problema explode no noticiários. Os candidatos aparecem,m como se impostos. Quem escolheu? Quem indicou? No caso da TV Cultura quem escolhe é sempre o conselho, mas que indica formalmente são os conselheiros. Os representantes do governo no conselho indicam, os de sua preferência. O problema é que às vezes os que indicam diretamente para as colunas de televisão ou para as colunistas sociais, como uma imposição ao conselho. As indicações deveriam ser feitas entre os membros do mesmo e, então, nos prazos regulamentares, submetidas à votação. Creio que com o tempo será assim. Há um grande consenso no campo público de televisão que deve ser assim. Há uma abertura nos governos para que seja assim. Para isso há necessidade de uma governança transparente e eficaz nas instituições financiadas ou não pelos governos e um protocolo ético de autonomia entre o governo e as mesmas, para que as regras sejam cumpridas e não haja pressão indevida ás vésperas das eleições. Na última semana, agradável surpresa, fui convidado pelo governador Goldman, para ir ao palácio. Lá me afirmou que a escolha do presidente do conselho deveria provir de uma exclusiva indicação dos conselheiros, um ou mais, como sugerido ao secretario Sayad. Depois de alguns anos de silêncio, a respeito, essa foi uma enorme vitória das instituições, sobretudo das televisões
públicas.
