MINDLIN -UNANIMIDADE DISCRETA
José Mindlin foi uma unanimidade discreta. Todos o admiravam, tanto no mundo empresarial quanto no mundo artístico e intelectual. Construiu, sem ambigüidades, uma dupla carreira, a de empresário e de bibliofo. Foi um empresário inovador, moderno e sério. Só resolveu vender a Metal Leve quando uma das crises econômicas cíclicas destruiu ou ameaçou todas as indústrias de autopeças. No campo das artes foi até o fim,com alguns percalços. O maior deles foi perder a direção do MASP para um grupo ambicioso e amador da alta burguesia. Perda para o Museu, que até hoje repercute negativamente.
Como colecionador de livros foi imbatível. Não só comprou 41 mil exemplares do maior valor intelectual, histórico, artístico e mesmo artesanal como tinha o sentido público de que fazia.
Mais do isso, tinha coragem. Secretário da Cultura de Paulo Egidio, demonstrou grande coragem no episódio no qual a ditadura assassinou o jornalista Wladimir Herzog. Seus depOimentos, suas atitudes, honram sua memória tanto quanto sua biblioteca, doada para a USP.
Será imortal como membro da Academia Brasileira de Letras. Ficará imortal na lembrança de seus bate papo. Será imortal todas as vezes que alguém abrir alguns de seus livros doados ä USP. Ficará imortal pela sua postura política. Construiu uma imortalidade ainda mais sutil, a do encanto pessoal, numa época em que as pessoas insistem em ser tão rudes.

Como um sem número de empresários brasileiros, José Mindlin foi vítima da abertura voluntariosa do mercado brasileiro às importações. Êle travou o bom combate, reestruturando a Metal Leve e enfrentando a alemã Mahle, que venceu a disputa no mercado de autopeças quando passou a vender para o Brasil por preços abaixo dos s eus custos.
O legado doado para a Usp – fruto da sua paixão pelos livros – é algo cada vez mais difícil de ser cultivado por quem mora em apartamentos de 3 quartos, com 100 metros quadrados.
Oxalá – nós, sobreviventes – saibamos usar e cuidar do seu legado e, quem sabe, multiplicar o seu exemplo de cidadania e civilidade.
Mew, gosto de livro velho… imagino quanta coisa incrível deve ter na biblioteca desse cara…
Jose Mindlin deixou um legado de integridade, correcao, decencia. Um exemplo que engrandece a especie humana e nos da um fio de esperanca: Homens Corretos,embora poucos, existem e sao reconhecidos.
Além de colecionador, advogado e empresário, José Mindlin foi um grande humanista. Deixa um legado para futuras gerações. Sua participação na cultura brasileira vai além da figura do empreendedor e bibliófilo, chegando a ser Secretário de Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo numa época de possível abertura política durante o governo militar. E mais: ajudou a preservar vários museus e entidades culturais, dos quais fazia parte dos conselhos. Enfim, uma pessoa generosa que se preocupava com o desenvolvimento do país. Recomendo também os livros de sua filha Betty Mindlin sobre cultura indígena. Vale a pena.
É assustador tudo isto que coisa em.