EX-PRESS
Assisti. Um capote de Gogol já atrai muita gente. Um capote de Gogol feito na Inglaterra pelo costureiro teatral Amit Lahav atrai muito mais.
Pois o espetáculo da Companhia Gecko, estreado ontem no SESI da Paulista nos apresenta um Gogol inusitado. Imaginem um conto teatralizado no qual se falam tantas línguas que o texto se torna inútil. A música, a coreografia e os sussurros substituem as palavras. Ninguém precisa de tradução simultânea pois a arte é uma linguagem universal. Passa para o espectador toda a instância burocrática. Toda a solidão e toda a ambição humana. Não há amor humano quando o preço é usar um capote de lã com pele de vison.
A peça parece um um musical. Tudo gira entre a alegria de hoje e o dia seguinte. Não há glória sem ressaca.
Saiu. São Paulo abriga uma escolinha para crianças de até 3 anos. As crianças permanecem na escola durante 11 hs. A escola é bilíngüe: inglês e português. Pedagogia individualizada. Preço 5 mil cruzeiros por mês.
De um amigo. Meu celular Samsung, modelo simples, comprado em 2006, custou 1.540 reais.
Ontem comprei um celular Samsung, mesmo modelo, custou 75 reais.
Ambos foram comprados na vivo.
Saiu. Orlando Zapata, preso cubano, morreu depois de 2 meses de greve de fome. O interessante é que nunca ouvi falar de alguém que tivesse morrido por greve de fome. Geralmente conseguem seus objetivos antes da conseqüência fatal. O maior pacifista, que foi Gandhi, fez duas famosas greves de fome e conseguiu libertar a Índia do colonialismo britânico. Em Cuba morreu e o Raul, irmão de Fidel, afirmou que a culpa foi dos americanos.
Eu vi. Há no Vale do Anhangabaú uma enorme fonte desativada ao lado de um mictório gigante, que servia de dormitório aos moradores de rua. Oportuno, agora que fecharam os abrigos noturnos. O tal monumento é um monstro urbano. Impede o fluxo de pedestres da Avenida São João. Aquilo poderia ser uma rambla como a de Barcelona. Não sabendo o que fazer com aquele espaço a prefeitura cercou-o com um painel enorme, caindo aos pedaços. Dentro prolífera uma horta espontânea e muito mato. Ninguém sabe o que vai ser do espaço, nem os funcionários da prefeitura.
Assisti. Um capote de Gogol já atrai muita gente. Um capote de Gogol feito na Inglaterra pelo costureiro teatral Amit Lahav atrai muito mais.
Pois o espetáculo da Companhia Gecko, estreado ontem no SESI da Paulista nos apresenta um Gogol inusitado. Imaginem um conto teatralizado no qual se falam tantas línguas que o texto se torna inútil. A música, a coreografia e os sussurros substituem as palavras. Ninguém precisa de tradução simultânea pois a arte é uma linguagem universal. Passa para o espectador toda a instância burocrática. Toda a solidão e toda a ambição humana. Não há amor humano quando o preço é usar um capote de lã com pele de vison.
A peça é um musical. Tudo gira entre a alegria de hoje e o dia seguinte. Não há glória sem ressaca.