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Arquivo de novembro, 2009

30/11/2009 - 16:57

HELENA RANALDI E LEONARDO MEDEIROS

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UM ENCONTRO DESESPERADO

Um reencontro desesperado, sem qualquer possibilidade de aproximação, mais perto da morte do que da vida, só acontece quando os personagens já viveram tempos de indescritível paixão. Margueríte Duras, a grande romancista francesa, já falecida, escreve, em A MÙSICA – SEGUNDA, a marcação teatral desse casal que se reencontra num hotel de pequena cidade do interior, onde viveram antes da separação, para uma última tentativa de compaixão.
O diálogo é tão duro, que José Possi, o diretor, criou o espelho de seus personagens, no qual a mímica de um bale mostra, em gestos, um passado de amor e beleza, desmentido pela crueldade das palavras, com os artistas no primeiro plano.
A exceção de um bolerão que substitui o intervalo introduzido por José Possi, a música foi indicada pela própria Marguerite, com Duke Ellington e Chet Baker.
Trata-se de um dos textos mais densos sobre a impossibilidade do encontro amoroso estável, em toda a literatura francesa.
Helena Ranaldi sai da novela para o teatro com uma densidade dramática visível. A inflexão lúcida e ao mesmo tempo aparvalhada, uma lucidez que sai de si e uma perplexidade que o ex marido continua a lhe proporcionar, fazem dela uma atriz teatral de primeira grandeza.
Leonardo Medeiros ainda está na novela, como o próprio personagem que é incapaz de superar as desconfianças, de permitir que a mulher tenha pelo menos uma solidão própria, de consumar o ato restaurador do sexo. Passa a melo dramaturgia do sofrimento com dor.
No teatro contemporäneo os desencontros nascem quase sempre a conjuntura desfavorável, em Marguerite Duras, afloram por dentro do ser humano, única fonte responsá vel do amor e do ódio.
Lulu Librandi é uma produtora que luta. Batalha pelas coisas nas quais acredita. Esta última batalha, com Marguerite Duras deu certo. O resto vem por ai, com a mesma autora.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/11/2009 - 12:36

LINGUAGEM DIGITAL ABRE PORTAS

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W3c WEB.BR 2009

Estive na 1ª Conferência da WEB BC Brasil na qual a Fundação Padre Anchieta anunciou um prêmio para a Lan House com melhor desempenho social.
Assisti a diversas palestras e confesso-me um animal analógico. A linguagem é de difícil compreensão para um leigo de outra geração, como eu.
Algumas observações, contudo, marcaram profundamente minha visão do novo mundo em que estamos vivendo. Os apresentadores eram muito jovens e muito competentes, geralmente criadores ou gerentes de projetos específicos, que conheciam a fundo e expunham com tecnicidade, ainda que sem muita desenvoltura verbal.
Uma estatística nos mostrará que se trata de pessoas de origem muito modesta, que atingiram patamares importantes no mundo digital. Percebi claramente que a linguagem digital constitui o novo acesso de classes no Brasil. O acesso à linguagem escrita erudita nunca foi muito fácil para as camadas pobres. Na linguagem digital as portas estão abertas e estão sendo utilizadas.
O mesmo acontece com o aprendizado. Uma boa alfabetização leva quatro anos de escolaridade e com resultados precários. A produtora Zita Carvalhosa me contou que em poucas semanas de laboratórios de filmagens, mixagem e edição, as crianças de classe C e D, em poucas semanas estavam aptas até a fazer edições. Usavam as câmeras com mais desenvoltura do que utilizavam o lápis.
Esse fenômeno, contudo, exige uma complementação na formação dessas novas elites profissionais, que devem completar sua formação digital com uma formação humanística, necessária ao aprofundamento dos conteúdos produzidos.
Depois do WEB. Brasil percebi que o Brasil é outro. Bem melhor.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/11/2009 - 10:31

CEBRAPE – A VIDA COMEÇA AOS 40?

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CEBRAPE

O CEBRAPE, fundado há 40 anos por um grupo de intelectuais perseguidos pela ditadura, não foi apenas um pólo importante da redemocratização. Foi, o que é raro no Brasil, um dínamo propulsor de inteligência.
Enquanto o debate da resistência contra o regime militar radicalizava suas posições pró e contra a luta armada, no CEBRAPE, a estratégia era como pensar uma estratégia de pensamento e ação, capazes de minar o regime militar e sensibilizar todas as potencialidades em favor de uma resistência institucional ao regime.
Contribuiu para isso o espírito moderador de FHC, um dos seus fundadores, e a enorme abertura para a diversidade de pensamentos.
Contribuiu para isso, o CEBRAPE ser um centro de estudos, de pesquisas, de debates internos incessantes, capazes de produzir diagnósticos e estratégias sem qualquer dogmatismo autoritário.
A grande equipe de homens maduros e intelectuais de todas as gerações, contribuiu bastante para que o CEBRAPE pudesse sobreviver com trabalhos profissionais de caráter científico e produzir plataformas adequadas à transposição e substituição do regime autoritário.
Os maiores polemistas do grupo, Chico de Oliveira e Fernando Henrique, deram depoimentos eloqüentes sobre o papel do CEBRAPE, sobretudo durante o regime militar, quando se tornaram o foco mais inteligente da resistência brasileira, no encontro comemorativo do SESC – Vila Mariana. O Governador Serra deu um depoimento emocionado sobre sua participação no segundo período da instituição. Henry Gervaiseau fez um documentário sensível e correto sobre a instituição.
Outro grande mérito do CEBRAPE foi municiar o partido de oposição, o MDB, que era uma oposição, mas de centro conservador, com alguns conteúdos de caráter social democrático, capazes de preparar esse e outros partidos para o período da transição democrática.
O CEBRAPE conduziu o melhor pensamento de esquerda do Brasil para uma ação realista, mas corajosa, com a grande ajuda de Franco Montoro e do Cardeal D. Evaristo Arns. Ulisses Guimarães fez a transfusão desse sangue novo para a oposição formal que se esboçava no Brasil.
Por essas e outras razões, FHC e Chico de Oliveira concordaram: VALEU A PENA.
CEBRAPE – A VIDA CONTINUA AOS QUARENTA?

O CEBRAPE, fundado há 40 anos por um grupo de intelectuais perseguidos pela ditadura, não foi apenas um pólo importante da redemocratização. Foi, o que é raro no Brasil, um dínamo propulsor de inteligência.
Enquanto o debate da resistência contra o regime militar radicalizava suas posições pró e contra a luta armada, no CEBRAPE, a estratégia era como pensar uma estratégia de pensamento e ação, capazes de minar o regime militar e sensibilizar todas as potencialidades em favor de uma resistência institucional ao regime.
Contribuiu para isso o espírito moderador de FHC, um dos seus fundadores, e a enorme abertura para a diversidade de pensamentos.
Contribuiu para isso, o CEBRAPE ser um centro de estudos, de pesquisas, de debates internos incessantes, capazes de produzir diagnósticos e estratégias sem qualquer dogmatismo autoritário.
A grande equipe de homens maduros e intelectuais de todas as gerações, contribuiu bastante para que o CEBRAPE pudesse sobreviver com trabalhos profissionais de caráter científico e produzir plataformas adequadas à transposição e substituição do regime autoritário.
Os maiores polemistas do grupo, Chico de Oliveira e Fernando Henrique, deram depoimentos eloqüentes sobre o papel do CEBRAPE, sobretudo durante o regime militar, quando se tornaram o foco mais inteligente da resistência brasileira, no encontro comemorativo do SESC – Vila Mariana. O Governador Serra deu um depoimento emocionado sobre sua participação no segundo período da instituição. Henry Gervaiseau fez um documentário sensível e correto sobre a instituição.
Outro grande mérito do CEBRAPE foi municiar o partido de oposição, o MDB, que era uma oposição, mas de centro conservador, com alguns conteúdos de caráter social democrático, capazes de preparar esse e outros partidos para o período da transição democrática.
O CEBRAPE conduziu o melhor pensamento de esquerda do Brasil para uma ação realista, mas corajosa, com a grande ajuda de Franco Montoro e do Cardeal D. Evaristo Arns. Ulisses Guimarães fez a transfusão desse sangue novo para a oposição formal que se esboçava no Brasil.
Por essas e outras razões, FHC e Chico de Oliveira concordaram: VALEU A PENA.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/11/2009 - 23:36

LULA – O FILHO DO BRASIL

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DONA LINDU – A FILHA DO BRASIL

Duas biografias retratadas no cinema me impressionaram muito: o Napoleão de Abel Gance e Joana d´Arc (Jeanne au Bucher) de Dreyer. São heróis cercados de mitologia, perdidos na distância do tempo. Sobre Joana d´Arc há uns 10 filmes. Napoleão é o personagem mais biografado do mundo, com cerca de 500 biografias publicadas. Os dois filmes a que me referi nos remetem ao imaginário que todos desejamos conferir.
Lula é um personagem vivo. Todos somos testemunhas de Lula. Sua grandeza, suas falhas, seus “lugares incomuns”, sua história, não fazem parte do nosso imaginário. Somos testemunhas de Lula, ao vivo.
Dessa forma, um filme contemporâneo ao personagem, sempre será um ato falho. Por melhor que tenha sido a filmagem e a produção de Lula – o filho do Brasil, o filme não pode convencer e, paradoxalmente, nem mesmo emocionar. O menino inteligente, o adolescente responsável, o adulto lutador e carismático, o amante terno e sofrido e o herói consagrado no filme, são bem menores do que o herói consagrado pela vida real.
Lula ainda não precisa do cinema para se imortalizar.
Um filme baseado na história de D. Lindu, essa sim uma filha do Brasil, que carrega a sina da rejeição, conduz os filhos a destinos civilizados, educa segunda as leis do bom senso, seria um grande filme para ser arbitrado em Cannes, se ela não fosse a mãe do Lula. A tradição da cruz nos ombros do povo sofrido sempre gera roteiros inesquecíveis. Lindu carregaria essa cruz até os tapetes triunfais do Festival. Isso sim, seria a transposição do imaginário para a linguagem artística.
O filme de Lula não vai tão longe.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/11/2009 - 08:35

PITA – UM TRISTE EPITÁFIO

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SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

Creio que Pita foi o primeiro negro a conquistar a prefeitura de São Paulo. No embalo das obras malufeanas e no mito artificial do Fura Filas, o secretario das finanças de Maluf tornou-se prefeito de São Paulo. Sua administração foi coroada de suspeitas, seus subprefeitos ganharam autonomia em troca de apoio na Câmara, sua mulher, ressentida pela exclusão, fez denuncias de arrepiar o lar e o cenário político.
Tentou as imunidades legais que as eleições conferem aos eleitos, mas não foi eleito deputado federal. Conheceu em vida o ostracismo que o acompanharia até a morte. Nem mesmo o câncer tornou-o um objeto do perdão, como soe acontecer. Tornou-se apenas um objeto do esquecimento.
No seu enterro uma senhora de cabelos brancos, com a maior dignidade, revelava algum sofrimento, era sua mãe. O resto eram ausências. Os filhos não compareceram. Maluf mandou um telegrama. Os poderosos nunca estiveram tão distantes de um caixão.
O noticiário do Jornal Nacional parecia o laudo acusatório de um promotor jovem,
O féretro levou o primeiro prefeito negro para os confins da terra, encharcada, como um vale de lágrimas.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/11/2009 - 19:50

DA MENINA ESQUECIDA E MORTA DENTRO DO CARRO

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DEVE A MÃE SER CONDENADA?

Homicídio culpado é uma figura do código penal que se caracteriza quando alguém, ainda que involuntariamente, é causador da morte de uma pessoa.
A mãe que deixou a filha de meses num automóvel fechado , no dia mais quente, que tivemos em São Paulo, não queria matar sua filha e não duvido de sua sinceridade quando gritou aos prantos: – Eu matei minha filha.
Não sou promotor de acusação, nem advogado de defesa dessa infortunada mãe. Pergunto-me: ela deve ser condenada ou absolvida?
Vejamos.
Trata-se de uma mãe que trabalha todos os dias e leva seus dois filhos, um para a creche e outro para a escola. Costuma, todos os dias, levar a filha de meses para a creche, em primeiro lugar e, posteriormente deixa o filho na escola e, então, segue para o trabalho. Por mais que se trate de entregas, (as mais especiais do mundo), faz isso rotineiramente. A gente então cria hábitos que mecanizam nosso cérebro. Afinal, todas as agendas, no mundo moderno, estão carregadas de habitualidades.
Por um lapso, produzido pela fatalidade, e por alguma circunstância, a mãe deixou em primeiro lugar o filho na escola e não se deu conta que o bebê não fora leva para a creche e ainda estava no banco trazeiro do carro.
Para mim essa mãe não deve ser condenada ainda que se enquadre no artigo do código penal. Não desejo, como bacharel de direito, me insurgir contra a lei penal, mas lembrar que a justiça se pratica no coração das leis, não apenas em sua forma, como nos ensinava Gofredo da Silva Telles.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/11/2009 - 12:00

aviver a vida

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a bofetada emblemática

A senhora burguesa, mal amada, ressentida, na conjuntura de um sofrimento particular, explodiu uma bofetada numa jovem negra, bem amada, em plena ascenção profissional.
O pedido de perdão, da senzala ajoelhada, foi acolhido por um bofetão de uma senhora altiva, de olhos claros.
O emblema da humilhação repercutiu em ibopes e mais ibopes. A cena foi repetida mil vezes nas chamadas da Rede Globo. Nem as chamadas do filme do Lula foram mais intensas. O dramalhão escravocrata se instalou no roteiro triunfante da novela.
Quem ganha com isso, no momento em que se comemora com feriado nacional, o dia da raça negra? Num tempo em que a profissionalização do trabalho feminino começa a ser respeitado. Numa época que exige mais compaixão do que vingança.
Não terá a dramaturgia capacidade de produzir piedade? E ter Ibope. De produzir gestos humanitários? E ter Ibope. De agir na lógica do coração? E ter Ibope.
Ando com saudades de Frank Capra que nunca teve o pudor de cortejar a felicidade.
Não basta o final feliz com casamentos multiraciais e entre classes sociais antagônicas. Não basta o bem frugal vencer o mal e a crueldade no último capítulo, enquanto durante um ano de novela, se patrocina o escárnio e a injustiça.
Contudo não há um BASTA no fim do tunel, porque sempre quem excita a demanda é a oferta. Quando a oferta é perversa o gosto se esfacela.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/11/2009 - 20:19

DESAPROPRIAÇÕES NA CONDESSA DE SÃO JOAQUIM

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SECRETARIO DA HABITAÇÃO ANUNCIA TRANSFORMAÇÃO DA RUA CONDESSA DE SÃO JOAQUIM

Em debate na Associação Viva o Centro sobre “ O papel da moradia na recuperação do centro”, Lair Soares Krähenbuhl, secretário estadual da habitação, anunciou, em primeira mão, a desapropriação de áreas na rua Condessa de São Joaquim, para a construção de três edifícios de moradia para funcionários e novos moradores que trabalham no centro de São Paulo. Anunciou ainda, para a mesma área, a recuperação de cortiços e a construção de uma moradia para idosos, que serão posseiros proprietários até a morte.
No mesmo encontro, Luiz Paulo Pompéia, diretor da empresa Brasileira de Estudos de patrimônio, informou que os índices de adensamento na cidade de São Paulo, ainda são pequenos, ao contrário do que tem afirmado alguns técnicos que recomendam o engessamento das alturas dos edifícios.
O empresário José Roberto Teixeira Pinto falou sobre dois empreendimentos no centro: apartamentos com infra estrutura de lazer e trabalho na Duque de Caxias e na Major Sertorio. Os duzentos apartamentos do Arouche já foram vendidos e o lançamento da República foi vendido antes da instalação do stand de vendas.
Foi ainda proposto pelos presentes ao encontro do Viva o Centro que a Prefeitura criasse um guichê inteligente e unificado para facilitar as solicitações de reformas e construções na área central.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/11/2009 - 14:08

AS MENINAS DE LIGIA FAGUNDES TELLES

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As meninas no palco

Para entender completamente as meninas dos anos 70, num pensionato de freira, você precisa ser a Ligia Fagundes Telles. Mas o milagre da literatura de Ligia é passar isso até para as cabeças mais empedernidas dos homens. Por isso, seu livro já percorreu o mundo e emocionou todos que chegam perto de suas páginas.
Agora foi a vez da emoção pular para o palco do Teatro Eva Hertz, na Livraria Cultura. Maria Adelaide Amaral fez a versão, dificil proeza da arquitetura dramática. Yara de Novaes colocou aquelas almas endiabradas a nos revelarem suas feminilidades exuberantes, num tempo esdrúxulo de tolerância zero na política, e tolerância amena no comportamento.
Um olhar de filosofia caseira sobre a condição humana, particularmente da mulher, numa data marcada de nossa história, fez da narrativa uma obra literária e dessa escrita precisa uma obra prima.
Tudo isso passa rapidamente, no Teatro Eva Hertz, como uma bolha de sabão que se explica, antes de explodir, em nossos sentimentos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/11/2009 - 18:03

O MAIOR VIOLONCELISTA DO MUNDO NA IGREJA DE S. FRANCISCO

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Uma semana de Bach até as Bachianas

Quem não quiser se aborrecer com passaporte, tarifas de avião e reservas de hotel, pode fazer turismo cultural de alto nível aqui mesmo em São Paulo. Fico impressionado com a quantidade de bons programas artísticos, muitos dos quais gratuitos.
Domingo, 13:30hs na Igreja de São Francisco, ao lado da vetusta Faculdade de Direito. Cenário de três altares barrocos preservados dos cupins e do tempo. Igreja altiva desde sua fundação no Século XVII. O circuito “BNDES MUSICA Brasilis” apresenta, nada mais do que o maior violoncelista do mundo, Antonio Menezes, acompanhado da cravista Rosana Lanzelotte. No programa uma sonata de Antonio Vivaldi que serviu para adoçar a grande capela do centro barulhento, numa sala de concertos. O preâmbulo de Almeida Prado, um solo de violoncelo, é de uma grandeza e de tal maturidade musical que nos elevou a toda a altitude que o compositor homenageado pela série, João Sebastião Bach, merece e exige. A Suíte No.3 para Violoncelo desacompanhado transcendeu a tudo o que o público devotado daquele domingo, poderia esperar. Já ouvi as gravações de Pablo Casals, de Rastropovitch e Antonio Menezes está nas mesmas alturas. O calor daquela manhã de domingo fez o cello suar, como se a madeira tivesse poros para nos contagiar com as células musicais de Bach. O público também se elevou numa aclamação reverente. Em resposta, Menezes e Rosana retribuíram com a Sonata no 2 de Bach. Seria vulgar dizer que foi um arraso, mas creio que a própria missa, celebrada antes, se curvou diante da espiritualidade daquela apresentação.
Dia 17 e 18 e 25 as 16hs haverá novos concertos: dia 17, as Bachianas; dia 18, o Duo Bem temperado; dia 25, flauta e cravo. No próximo domingo, dia 29 as 13.30hs Vox Brsiliensis, com flauta, tenor e violas. Tudo de graça no Largo de São Francisco.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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