Arquivo de outubro, 2009
30/10/2009 - 19:23
Todos os dias constato um novo preço a bsurdo
Muita gente me escreveu dizendo que a sua cidade era mais cara que são Paulo. Não duvido, mas o que comprovo é o custo de vida em São Paulo. Vejam.
Os preços no centro velho costumam ser mais baratos, embora não esteja me referindo à rua 25 de março. Continuo me surpreendendo. Ontem na Três de Dezembro, onde se encontra o melhor bandejão de São Paulo, a quilo, uma loja esportiva oferecia um jeans normal a 300 reais e um bonezinho a 170 reais, o que quer dizer 100 dólares, o que significa o preço de uma gravata do Hermes, a marca mais sofisticada do mundo. Estacionei na Boa Vista, na qual o térreo de edifícios maravilhosos de antigos bancos foi transformado em estacionamento. 15 reais na primeira hora e 6 reais as subseqüentes. Ninguém fica no centro menos de uma hora. De noite sai do centro e fui a um cinema. Era dia de promoção, o cinema custava apenas 4 reais; como velho paguei a metade, isto é, 2 reais. Estacionei o carro, os mesmos 15 reais da cidade. Comprei uma pipoca pequena e um guaraná diet, 12 reais. Enfim, para ir a um cinema de 2 reais, gastei mais de 30 reais. Estava sozinho. Se levasse a família precisaria pedir uma ajuda do BNDES. Curiosidade. Todo mundo me enche em casa que eu preciso comprar um “robe de chambre” e não andar de pijama pelo apartamento. Numa loja importadora do Iguatemi vi um robe de muito boa aparência por 385 reais. Achei caro. Minha filha falou: – Caro, pai, veja, o preço é 3.850 e não 385. Pensei que ela estava delirando. Um sanduíche de bom porte, queijo, presunto ou churrasquinho num fast food está custando 17 reais.
Tudo isso sem inflação, combate duramente oneroso para a população produtiva e consumidora, que paga juros altíssimos para segurar o mais terrível dos males.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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29/10/2009 - 19:46
“OS INQUILINOS”
O filme de Sergio Bianchi, um dos anjos malditos do cinema brasileiro, estreado ontem, mostra maturidade, beleza e muita sutileza. Bianchi, apoiado num roteiro cinematográfico de Bia Bracher, sobre obra de um estreante da periferia literária, deu o mais delicado tratamento à violência, registrado no recente cinema brasileiro. A dupla constitui uma boa conexão entre a aristocracia espiritual e a anarquia intelectual.
Apesar da impactante iconografia da favela que abre e fecha a belíssima fotografia do filme, a anedota básica do filme, situa-se no quadro patético da baixa classe média. Não há a identidade da pobreza e da violência absoluta que se constata nos quadros militantes da favela. O conto de Wagner Giovani Serrer tangencia a grande favela, mas situa-se num resto de bairro de família, na qual o pai construiu tijolo por tijolo sua modesta casa, onde um vizinho velho deveria ser respeitado e no qual o pesonagem queria ser feliz, alí e para sempre.
A coproprietária do vizinho, sua ex-mulher, empresta a metade que lhe cabe naquele latifundio infortunado, a um triângulo de bandidos da favela próxima. A barbárie sonora, a prostituição, o contrabalndo e o roubo, inflamam a convivência com os vizinhos honestos e com o velho meeiro que a mulher deixou entre os bandidos.
O inferno se precipita na imaginação e no dia a dia de Walter, o inquilino honesto, que pretende defender a honra da mulher e o destino de um filho e uma filha menores. Apenas protegido pelos latidos ferozes que emite pedagogicamente para estimular o cão de guarda.
O filme não se engrandece pelo desenrolar trágico da história, mas pela covardia endêmica de uma classe média amedrontada, pela simplicidade com que se lava o sangue do traste que impedia a posse plena da moradia. O filme se engrandece pela novela da novela que o fuxico produz nas confidências da vizinhaça.
A mulher, geralmente mal humorada, só abre um largo sorriso, quando ve o marido furtivo, fuçando a cena do crime, como um “voyeur” profissional.
O ator, Descartes Marat, em sua candura covarde, está magistral como pai de família. O colega, do cursinho noturno, Caio Blat, mostra sua dimensão dramática nas poucas cenas em que aparece, como um revoltado instintivo, mas trágico. Cassia Kiss ensina Carlos Drumond de Andrade, a nós e aos protagonistas da baixa classe média. Comove até as pedras perdidas no ar, com a leitura da poesia “Morte do Leiteiro”, do maior poeta deste país.
O verso do barítono, encravado no frágil coração do subúrbio, no fim do filme, só poderia ser de Rimbaud.
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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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27/10/2009 - 18:39
Pelas leis de comunicação da ditadura militar, a TV Cultura de São Paulo, só pode transmitir aulas e conferências e não pode receber nenhuma contribuição em doações ou patrocínios. Seguindo essa lei as televisões públicas desaparecem.
Quando assumi a presidência da TV Cultura em 1995, por causa das inúmeras autuações da Dentel, procurei o Ministro Sergio Motta e comuniquei que não poderia seguir aquelas regras. O Serjão me perguntou se eu achava isso correto. Respondi que, além de correto, era conbstitucional. -Então toca em frente que eu não autuo mais voces, respondeu.
Desde então praticamos uma ilegalidade cívica porque o Ministério continuou achando que a lei vigente era a da ditadura.
FHC criou uma exceção quando fez a O.S. da Roquette Pinto. Lula fez uma lei criando a EBC e definindo os princípios da televisão pública.Mas a Tv Cultura e as demais televisões educativas estaduais, do Brasil, continuaram no vácuo legislativo – sem poder fazer programação televisiva nem receber patrocínios.
O último Forum Nacional de Televisões Públicas pediu a revogação do art.13 da lei da ditadura e, ponto final.
Cansada de esperar, a Fundação Padre Anchieta, com a inspirada colaboração do advogado Gabriel Jorge Ferreira e demais membros do Comitê Jurídico, depois de contato com o então Advogado Geral da União, hoje ministro do STF, Dr. Tofolli, solicitou uma definição jurídica da Fundação Padre Anchieta em face daquelas restrições. A AGEU concedeu-nos o direito de fazer programação generalista, incluindo esporte, informação, entretenimento, cultura, sempre com finalidades educativas, além de nos permitir receber patrocínios, nos mesmos moldes que estabelece a lei que criou a EBC.
Lula assinou decreto consubstanciando essa diretriz da AGU e, por isonomia, todas as televisões públicas, educativas, do Brasil ganharam sua alforria. Agora sim, a televisão pública pode começar no Brasil, sem a tutela regressiva da ditadura militar.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/10/2009 - 17:42
DISCUTIR É PRECISO
O Brasil pode acrescentar à suas riquezas minerais e agrícolas o que pode ser uma das novas fontes de divisa: o urânio e a produção de urânio enriquecido. O embaixador Rubens Barbosa tratou dessa questão com propriedade em seu último artigo no Estadão.
Não posso fugir que minhas reflexões pessoais sobre o assunto.
Ninguém advoga que o Brasil produza bomba atômica, nem que o Irã ou a Coreia do Norte o façam. Mas todos estamos de acôrdo que o Brasil tenha suficiente desenvolvimento tecnológico e científico para fazer a coisa. Agregar valor ao minério de urânio, que dispomos, para produzir receitas e melhorar nossa balança comercial é de bom senso.
O uso pacífico da energia nuclear vai ser um elemento preponderante no mundo atual, tanto por razões ecológicas quanto pelo esgotamento dos demais recursos energéticos.
A questão nuclear, assim como a questão do meio ambiente, como a questão dos transgênicos, constituem um campo fértil ao desenvolvimento do farisaísmo.
A sociedade discute pouco essas questões enquanto os lobies radicais de cada um dos interesses, se encarregam da midia e dos poderes executivo, legislativo e judiciário.
Nada se resolve pela razão e pelos legítimos interesses da sociedade, mas apenas pelos interesses políticos que se conjugam com os interesses ideológicos e financeiros dos grupos que radicalizam a questão.
Vamos sim, falar de urânio, de transgênicos e da defesa do meio ambiente. O BLOG está aberto.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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23/10/2009 - 19:26
O que determina se um empreendimento imobiliário vai dar certo numa cidade americana é uma placa indicando que ali se está edificando um PUBLIX, uma das maiores redes de super mercado. A comida é o shopping básico do americano, apesar do amplo espectro do desejo de consumo dessa sociedade.
O salário mínimo nos EUA é determinado pelo valor da hora de serviço e não do pagamento mensal. No resultado é muito mais que o dobro do salário mínimo brasileiro.
O preço dos produtos no Publix, contudo, é muito menor do que o dos supermercados brasileiros. Refiro-me a produtos de alimentação de nível corrente e produtos sofisticados e mesmo importados.
A exceção de frutas fora da estação e da carne vermelha tudo é mais barato. Tem camarão de todo tamanho, com casca, sem casca, pré-cozido, da melhor qualidade , a cinco dólares o quilo. O pão custa a metade do preço, e quando o Publix aumenta cinco cents, o consumidor americano vai comprar noutro mercado. Minha filha avalia que o preço dos produtos indispensáveis, embora diversos dos indispensáveis brasileiros, é, no mínimo 40% mais barato. Se falarmos em produtos importados o preço é de cair o queixo. Uma cava, o champagne espanhol, custa 9 dólares. Uma Taitenger Brut Imperial, francesa custa 34 dólares, no Brasil custa 200 reais. Não quero consolar Maria Antonieta com o preço baixo das brioches, mas me indagar, como um mercado ainda pobre como o brasileiro, onde o salário mínimo é ridículo, pode pagar tão caro o produto básico e contemplar o governo com taxas tão absurdas de importação. Já rodei boa parte do mundo, como jornalista. Não tenho a menor dúvida: São Paulo é a cidade mais cara do mundo: Transporte, porque não há transporte público. Comida, apesar da inflação contida. Bebida, porque há monopólio de distribuição. Água mineral custa mais cara do que um litro de petróleo importado da Arábia Saudita. Importados, porque além da taxa se acrescenta 200% de lucro. Pão, porque não produzimos farinha. Carne, porque, paradoxalmente, somos o maior produtor do mundo. Hotéis, porque pagamos em Euros, como se fossemos todos do Mercado Comum Europeu. Restaurantes, helás, porque temos os melhores e mais caros restaurantes do mundo. Sapatos, porque sai mais barato comprar um sapato de fabricação brasileira em Nova York. A única coisa nos EUA cujo preço equivale ao brasileiro é a caipirinha.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags: SP cidade mais cara
22/10/2009 - 11:27
Os blogueiros do NYT às vezes nos reservam bons comentários. Thomas Friedman escreveu hoje sobre o que chama “Os novos intocáveis”.
Depois da grande recessão americana os escritórios de advocacia, como muitos outros, estão reduzindo seu número de funcionários. Nota-se que os advogados acomodados, que estão esperando o fim da crise, como quem espera o fim de um tornado, quase sempre são demitidos. Ao contrario, os que buscam novos clientes, que se adaptam às novas dificuldades com alguma criatividade, são mantidos.
O que se questiona é que a educação americana não forma seus estudantes para um mundo de dificuldades e pouco admitem a criatividade durante o curso. Todos são preparados, como robôs para uma sociedade estável e aparentemente imutável. Sair do modelo seria uma heresia. Além disso o governo reduziu drasticamente as verbas do ensino público, o tempo de permanência dos estudantes na escola e a quantidade de professores.Daqui a dez anos a crise ocasionada pela decadência da educação será bem maior do que a crise econômica dos “sub primes” imobiliários.
Quando os bancos estiverem completamente recuperados, toda uma geração de norte americanos jovens estará defasada das necessidades. Só os novos intocáveis sobreviverão, por virtudes pessoais.
No Brasil nós sentimos menos isso, porque empresários e trabalhadores, tem na imaginação o maior elemento de suas sobrevivências. Criatividade aqui não se aprende na escola, mas na vida. Contudo, numa economia mais sofisticada, um pouco mais racional, a formação será indispensável, até mesmo para a sobrevivência.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags: A CRISE DA EDUCAÇÃO
20/10/2009 - 13:25
O PARTIDO DE OBAMA ESTÁ COM O CAIXA BAIXO
Obama, com uma delicada colaboração, vem equilibrando a recuperação do sistema capitalista de negócios, inclusive os negócios financeiros. Como um ideólogo lúcido, compromissado com as promessas eleitorais, pede regulamentações mais severas, para evitar que o futuro repita o passado recente. Mas a gula do sistema financeiro é insaciável, tanto na perspectiva de lucros, como na distribuição de bônus aos diretores (com bom ou mau desempenho). Os grandes bancos americanos querem o passado de volta, como sempre foi, com riscos que a sociedade acaba pagando, se concretizados. Os Phantom, os Helicópteros e as Limusines dos gestores, são simples aparências de um ganho, que poderia ser razoável, no capitalismo, se fosse a paga da eficiência e não do simples status.
Talvez este detalhe singelo, esteja levando Wall Street a recusar contribuições financeiras ao Partido Democrático. Obama pode até ser considerado um bom emblema para recuperação da imagem dos Estados Unidos no mundo, mas suas idéias e do partido democrático a que pertence, definitivamente não correspondem ao ideário conservador e reacionário dos grandes financistas e do Partido Republicano que os apóia.
A Inglaterra é menos conservadora do que os Estados Unidos. Lá, eles aceitam mudanças profundas, desde que se mantenham as aparências. Nos EUA, tanto o fundo quanto as aparências, devem ser explicitamente capitalistas, neoliberais ou “mercadistas”, mesmo que algumas realidades demonstrem que o barco vai de novo pro brejo, se o comportamento continuar o mesmo.
Tudo que estiver fora desse comboio que leva a Wall Street é considerado um ideário comunista. E o comunismo, ainda que pareça incrível, ainda é o grande fantasma do pesadelo americano. A maldição do Senador Mc Carthy paira no céu azul de Washington, como a fumaça aterradora do World Trade Center. Salvar o Dólar ainda é mais importante do que preservar o Lincoln Memorial.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
Tags: democratas com c aixa baixa
19/10/2009 - 12:17
FLASH CONTEMPORÂNEO DA IMPRENSA (A)CIDENTAL
O casal Kirchner, na Argentina, fez uma lei para impedir o monopólio da imprensa, visando, principalmente o El Clarin, que absorve todos os campos da comunicação de massa e, em particular, agride o governo ou todos os governos aos quais praticam a oposição.
Berlusconi engole os jornais de oposição como se comesse um Espaguete a Alfredo. Contestado, mesmo quando comete crimes civis, afirma que um primeiro ministro não pode ser julgado, muito menos, condenado.
Obama, atacado todos os dias pelos veículos da FOX, o mais reacionário complexo de comunicação dos EUA, simplesmente afirmou que doravante vai tratar a FOX como um partido político de oposição. Respeita a liberdade, mas colocando o agressor no seu devido patamar social.
No Brasil, Lula reage à boca livre da imprensa com uma certa indiferença. Afirma que não é muito chegado à leitura diária dos jornais, que dão azia, e comenta os comentários, como se estivesse discutindo num balcão. Deixa rolar, como é de boa estratégia na democracia.
Como a maioria da mídia não tem memória e só se interessa pelo escândalo seguinte, a delinqüência pretérita se perde no tempo e na prescrição. Tais crimes só reaparecem na comemoração dos 50 anos da notícia. Assim, melhor para os governos é compor com a imprensa, como compõe com os legisladores: cuidar da notícia nossa de cada dia e, no caso do Congresso, compor as mesas das CPI.
Obama deu um exemplo de estadista. Os Kirchner, ainda que num contexto oportunista, deram uma solução institucional. No Brasil a imprensa é tratada como uma f unção do mercado, depurar-se a si mesma,segundo as regras do mercado.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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18/10/2009 - 12:37
O GENIO DE LEONARD BERNSTEIN
A primeira vez que estive em NY, no Hotel Roosevelt, um três estrelas grandão mas barato, um porteiro impecavelmente fardado, me aconselhou a ver um musical que estava fazendo o maior sucesso. Nunca tinha visto um musical. Sabia que era uma espécie de opera, com música popular, geralmente alegre.
Quando as grandes cortinas de veludo levantaram, os primeiros acordes de Leonard Bernstein e a coreografia de Jerome Robbins, reunindo as duas gangs de NY, os porto-riquenhos e os “yankies”, no conflitante WEST SIDE, entrei em um parafuso estético.
Sempre que pude, em qualquer lugar, inclusive no Brasil, fui ver musicais: My Fair Lady, South Pacific, Cats, O Fantasma da Opera, O Homem da Mancha, Chicago, Os miseráveis, The Sound of Sounds, Mama Mia, Billy Elliot e, de novo, West Side Story.
Hoje fui rever West Side Story, numa remontagem na Broadway.
O teatro não tinha nenhum jovem e estava super lotado dos mais animados representantes da terceira idade, em Manhattan.
Leonard Bernstein é perfeito, tanto nas orquestrações quanto nas canções, todas inesquecíveis. Elenco que chega à Broadway sabe dançar, sempre e bem. Cantam, com afinação, aquele timbre típico de musicais. Na presente temporada, o tenor Matt Cavenaugh, tem uma voz belíssima, adequada ao romantismo de um Romeu e Julieta urbano. Quem sobressai, contudo, é a contralto, Karen Olivo, que faz o papel de Anita, que lhe valeu uma ovação que se repete cada espetáculo.
West Side Story tem um roteiro inteligente, que conta a anedota clássica de Shakespeare, com toda a densidade dramática do bairro pobre de NY dos anos 50.
Da mesma forma que Billy Elliot, West Side Story é um entretenimento, mas entretenimento que passa pela inteligência antes de se fixar no alvo do coração.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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17/10/2009 - 19:29
BROADWAY: uma fábrica de entretenimento
A história do jovem bailarino, filho de mineradores ingleses, machistas e preconceituosos que, dotado de uma vocação irresistível para a dança, acabou triunfando no Royal English Ballet e nos palcos ingleses, já havia resultado num filme maravilhoso.
A Broadway adaptou-o para os palcos de um musical que conseguiu levantar dez “Tony Awards”, um dos principais prêmios musicais dos Estados Unidos.
O desempenho do menino bailarino, de pais cubanos, é realmente genial. O dia que optar entre Nureiev e Gene Kelly, poderá resultar num dos maiores dançarinos norte americanos.
A música de Elton John, pela notoriedade do autor, valeu todos aqueles prêmios, mas não dá conta do recado. Embora tentando reproduzir a atmosfera mineradora dos operários ingleses no infortunado período de Margareth Tatcher, Elton John não produz uma única canção que se consiga memorizar. Não produz a atmosfera poética que a história exige. Os cantores dançam muito bem e cantam muito mal.
A adaptação como musical produz entretenimento, não produz arte, como o caso do filme. Mas, como quase tudo o que se faz na Broadway, produz emoção. Vale o bilhete e a travessia noturna do Times Square, a geografia mais vibrante do mundo ocidental.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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