MATISSE NA PINACOTECA
O RIGOR E A LIBERDADE DE MATISSE
Há dois pintores, cujas viagens ao sol, encheram as telas de cores: Gaughin e Matisse. Não foram cores apostas à natureza, mas a tudo: naturezas mortas, condessas, objetos domésticos, cortinas, toalhas e odaliscas.
Matisse acrescentou a essa obsessão pelas cores o culto à simplicidade da linha. Uma simples linha define o dorso sensual de uma mulher. Uma linha sempre delimita a figuração nos painéis abstratos e coloridos. Matisse, em oportuna exposição na Pinacoteca, em São Paulo, revela aos pobres mortais paulistanos uma dimensão aparentemente paradoxal de rigor e liberdade. A disciplina em Matisse é tão natural quanto a sede.
Milhares de pessoas que fazem fila para ver Matisse, recebem em cada quadro a compensação do esforço ou da curiosidade estética.
Ao lado de Matisse a exposição revela alguns pintores contemporâneos franceses, cuja pretensão seria “comentar” Matisse com suas obras, mais propriamente, suas instalações. O comentário é inútil e mal sucedido. Matisse não precisa de contraponto. Dispensa contraponto. Bem melhores do que os quadros paralelos foram os comentários da guia da Pinacoteca, a curadora Regina Ancona de Barros.
Contudo, uma instalação, logo a entrada da exposição, nos remete à Matisse, antecipando o prazer que iríamos sentir logo adiante. A instalação é constituída de três espelhos de água, bem azuis. Dntro dessas piscinas, tigelas de porcelana Limoges, de diversos tamanhos, navegam e se encontram produzindo sons estranhos e belos. Seu autor: Celeste Boursier Mougenot. Esse, não desapontaria Matisse.
