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Arquivo de setembro, 2009

17/09/2009 - 11:18

MATISSE NA PINACOTECA

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O RIGOR E A LIBERDADE DE MATISSE

Há dois pintores, cujas viagens ao sol, encheram as telas de cores: Gaughin e Matisse. Não foram cores apostas à natureza, mas a tudo: naturezas mortas, condessas, objetos domésticos, cortinas, toalhas e odaliscas.
Matisse acrescentou a essa obsessão pelas cores o culto à simplicidade da linha. Uma simples linha define o dorso sensual de uma mulher. Uma linha sempre delimita a figuração nos painéis abstratos e coloridos. Matisse, em oportuna exposição na Pinacoteca, em São Paulo, revela aos pobres mortais paulistanos uma dimensão aparentemente paradoxal de rigor e liberdade. A disciplina em Matisse é tão natural quanto a sede.
Milhares de pessoas que fazem fila para ver Matisse, recebem em cada quadro a compensação do esforço ou da curiosidade estética.
Ao lado de Matisse a exposição revela alguns pintores contemporâneos franceses, cuja pretensão seria “comentar” Matisse com suas obras, mais propriamente, suas instalações. O comentário é inútil e mal sucedido. Matisse não precisa de contraponto. Dispensa contraponto. Bem melhores do que os quadros paralelos foram os comentários da guia da Pinacoteca, a curadora Regina Ancona de Barros.
Contudo, uma instalação, logo a entrada da exposição, nos remete à Matisse, antecipando o prazer que iríamos sentir logo adiante. A instalação é constituída de três espelhos de água, bem azuis. Dntro dessas piscinas, tigelas de porcelana Limoges, de diversos tamanhos, navegam e se encontram produzindo sons estranhos e belos. Seu autor: Celeste Boursier Mougenot. Esse, não desapontaria Matisse.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/09/2009 - 10:55

NELSINHO PIQUET NO PIT STOP DA HONRA

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FÓRMULA l  PARECE O SENADO

Os pneus subiram à cabeça de  Nelson Piquet quando o competente corredor foi tri campeão da Fórmula 1. Rico, poderoso, ex-campeão e empresário bem sucedido, poderia ter sido generoso consigo mesmo e com os outros. Não foi o que aconteceu. Não segurou a inveja com relação a Ayrton Senna. O sucesso do jovem e carismático Ayrton transtornou a cabeça de Nelson (pai). Em todas as rodas menosprezava os feitos de Ayrton Senna, insinuando que o herói nacional era homosexual.
Por fim, teve o desejo, aparentemente razoável de transformar um de seus filhos em corredor da Fórmula 1. Estabeleceu uma disciplina férrea para fazer do escolhido um campeão, desde o kart até a equipe Renault.
Nelsinho conhecia os desejos e o autoritarismo do pai. Menino bonito, muito rico e com todas as oportunidades, realizou os passos na carreira de “delfim” do autobobilismo. Foi para uma equipe comandada por Flavio Briatore, do mesmo quilate moral de seu pai.
Não demonstrou possuir a precocidade de um Hamilton, nem o virtuosismo de um Schumaker e, muito menos, de um Senna. Aos poucos a escuderia da Renault e seu impetuoso Briatore o dispensou das oportunidades, pois já era, como diria mais tarde, um filhinho de papai.
Mas antes, a equipe precisava construir a vitória de Alonso. Para tanto, nada melhor de que pedir um serviço sujo para o jovem Nelsinho, cujo atendimento poderia mantê-lo na equipe. Bastava ajudar Alonso a ganhar a corrida, batendo o próprio carro num gard rail, como afirmou o próprio Nelsinho.
A ousadia e a imoralidade da proposta eram proporcionais à sua aceitação. Pois Nelsinho confessa que aceitou a proposta, realizou o feito, talvez autorizado pelo pai, e, nem por isso, manteve seu posto.
O ressentimento envenenou seu espírito. Confessou e denunciou a equipe, colocando Briatore numa situação muito difícil, como mandante do crime.
Nelsinho diminuiu a si mesmo, diminuiu o esporte e jogou sua carreira para o alto, não nas alturas de um podium, mas na derrapada de uma curva moral.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2009 - 20:26

ISABELLE HUPPERT NO ANO DA FRANÇA NO BRASIL

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VILLA AMALIA

O ano da França no Brasil está lotando todas as agendas dos que dispõem de tempo e de oportunidades.Danilo é um grande curador e sabe produzir eventos relevantes.
Segunda feira, no Cine Sesc, Isabelle Huppert estava ao vivo para inaugurar uma exposição com suas fotografias e lançar no Brasil o filme da Benoit Jacquot VILLA AMÁLIA.
O filme trata com dignidade o batido e difícil tema da solidão, talvez o tema mais redundante da condição humana.
Jacquot aposta e Isabelle demonstra que a solidão exige um enorme percurso de despojamento, seja o despojamento das coisas que perdemos, um marido que se rotiniza no beijo de uma amante, um irmão menor que morre e um pai que abandona a família. Sejam as coisas das quais nos separamos, uma mãe doente, um marido que se rotiniza, uma carreira promissora, roupas de luxo, apartamentos e pianos grifados. Ann era pianista e também uma boa compositora de música contemporânea. O filme nos mostra que a solidão não é apenas despojamento, mas também agrega coisas indispensáveis: paisagem, casa e pessoas do acaso. Sempre pensei que a mudança de geografia não resolve nada. Estava enganado.
O grande momento do filme é o encontro com o pai que havia abandonado a família e que retornara para o enterro da mãe.
Dialogam na praia deserta.
- Não é normal, pai, abandonar filhos pequenos.
- Em toda a vida, minha filha, nunca encontrei uma pessoa normal.
- Mas porque você foi embora?
- Eu era judeu, vocês eram católicos. Vocês tinham necessidade da felicidade e da alegria. Eu não suportava isso. Como você, eu sou um músico. E a música nos acompanha em qualquer lugar.

VILLA AMALIA

O ano da França no Brasil está lotando todas as agendas dos que dispõem de tempo e de oportunidades.Danilo é um grande curador e sabe produzir eventos relevantes.
Segunda feira, no Cine Sesc, Isabelle Huppert estava ao vivo para inaugurar uma exposição com suas fotografias e lançar no Brasil o filme da Benoit Jacquot VILLA AMÁLIA.
O filme trata com dignidade o batido e difícil tema da solidão, talvez o tema mais redundante da condição humana.
Jacquot aposta e Isabelle demonstra que a solidão exige um enorme percurso de despojamento, seja o despojamento das coisas que perdemos, um marido que se rotiniza no beijo de uma amante, um irmão menor que morre e um pai que abandona a família. Sejam as coisas das quais nos separamos, uma mãe doente, um marido que se rotiniza, uma carreira promissora, roupas de luxo, apartamentos e pianos grifados. Ann era pianista e também uma boa compositora de música contemporânea. O filme nos mostra que a solidão não é apenas despojamento, mas também agrega coisas indispensáveis: paisagem, casa e pessoas do acaso. Sempre pensei que a mudança de geografia não resolve nada. Estava enganado.
O grande momento do filme é o encontro com o pai que havia abandonado a família e que retornara para o enterro da mãe.
Dialogam na praia deserta.
- Não é normal, pai, abandonar filhos pequenos.
- Em toda a vida, minha filha, nunca encontrei uma pessoa normal.
- Mas porque você foi embora?
- Eu era judeu, vocês eram católicos. Vocês tinham necessidade da felicidade e da alegria. Eu não suportava isso. Como você, eu sou um músico. E a música nos acompanha em qualquer lugar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/09/2009 - 14:34

ISABELLE RUPPERT NO ANO DA FRANÇA

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VILLA AMALIA

O ano da França no Brasil está lotando todas as agendas dos que dispõem de tempo e de oportunidades.Danilo é um grande curador e sabe produzir eventos relevantes.
Segunda feira, no Cine Sesc, Isabelle Ruppert estava ao vivo para inaugurar uma exposição com suas fotografias e lançar no Brasil o filme da Benoit Jacquot VILLA AMÁLIA.
O filme trata com dignidade o batido e difícil tema da solidão, talvez o tema mais redundante da condição humana.
Jacquot aposta e Isabelle demonstra que a solidão exige um enorme percurso de despojamento, seja o despojamento das coisas que perdemos, um marido que se rotiniza no beijo de uma amante, um irmão menor que morre e um pai que abandona a família. Sejam as coisas das quais nos separamos, uma mãe doente, um marido que se rotiniza, uma carreira promissora, roupas de luxo, apartamentos e pianos grifados. Ann era pianista e também uma boa compositora de música contemporânea. O filme nos mostra que a solidão não é apenas despojamento, mas também agrega coisas indispensáveis: paisagem, casa e pessoas do acaso. Sempre pensei que a mudança de geografia não resolve nada. Estava enganado.
O grande momento do filme é o encontro com o pai que havia abandonado a família e que retornara para o enterro da mãe.
Dialogam na praia deserta.
- Não é normal, pai, abandonar filhos pequenos.
- Em toda a vida, minha filha, nunca encontrei uma pessoa normal.
- Mas porque você foi embora?
- Eu era judeu, vocês eram católicos. Vocês tinham necessidade da felicidade e da alegria. Eu não suportava isso. Como você, eu sou um músico. E a música nos acompanha em qualquer lugar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/09/2009 - 21:46

UMCENTRAL PARK EM SÃO PAULO

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SE OS MORTOS PERMITIREM

Houve, no fim do Século XIX, quando São Paulo já estava rico, a idéia de um plano urbanístico ousado: fazer uma espécie de Central Park, que se desenvolveria do rio Tietê até o rio Pinheiros, passando pelo Parque da Luz, no espaço paralelo à rua da Consolação, no local onde fica hoje o cemitério da Consolação, indo até o Cemitério do Araçá, descendo onde fica o atual cemitério São Paulo, cortando Pinheiros até as margens do Pinheiros. Na época, eram terras baratas, pertencentes ao poder público. Contudo, com o crescimento repentino da cidade, houve um rápido adensamento de vivos e mortos, e foram feitos quatro cemitérios nos terrenos onde deveria situar-se esse parque. Morreu assim essa idéia extraordinária, que teria dado mais beleza a cidade e organizaria seu sistema viário num eixo capital.
Alguns arquitetos e urbanistas pensam reabilitar o plano, com as dificuldades da ocupação desses mesmos logradouros. Tirar os mortos do cemitério não é problema pequeno. As mesmas pessoas que se mudam de casa com enorme facilidade têm um enorme preconceito de mudar seus mortos, ainda que para melhores endereços. A igreja, sob determinadas condições poderia permitir o traslado de túmulos e corpos para outro local, mas os arquitetos insistem. Poderíamos fazer, afirmam alguns, três enormes parques urbanos sobre os quais poderia colher um trilho estreito de um “monorail” que os ligaria, além de auxiliar as conexões do Metro.

Fica a idéia para ser debatida, porque sonhar é dever de todos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/09/2009 - 07:55

QUEM TEM MEDO DAS INSTITUIÇÕES?

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SÓ HÁ NAÇÃO FORTE COM INSTITUIÇÕES ESTÁVEIS

Uma nação se consolida a partir de instituições estáveis. A Argentina vive uma grande crise há anos porque suas instituições são ciclicamente desrespeitadas. Só na última semana, duas de suas maiores instituições, a Seleção e a Receita, foram manchadas.

Maradona é um grande ídolo nacional, mas não tem condições emocionais nem de saúde para conduzir e disciplinar uma das seleções mais importantes do futebol mundial. Maradona implica com uns, privilegia outros, fala demais antes dos jogos e, com isso, prejudica a Seleção Argentina. Instituições são pilares da coesão nacional, por isso mesmo podemos considerar uma seleção de futebol uma instituição tão importante quanto qualquer outra.

Já a Receita é uma instituição muito importante, pois ela drena os recursos e os sacrifícios de uma nação para que ela possa compor seu orçamento público. 

Assim, as instituições não podem ser objeto de uso nem de barganha política. Estão acima dos interesses e dos problemas políticos e eleitorais dos governantes. A batida que a receita argentina deu no jornal O Clarin não teve o menor cabimento. Os Kirchner não podem confundir as dificuldades administrativas do governo com a violação da liberdade de expressão dos jornais. O Clarin tem o direito de criticar sem que sua responsabilidade fiscal seja violentada por atitudes antijurídicas, da mesma forma a justição não pode protelar a decisão sobre o direito do Estadão de publicar a novela da família Sarney.

Há, na Argentina como no Brasil, instituições imexíveis. Os poderes da República, o calendário eleitoral, a Imprensa, o Banco Central, a Receita Federal, as Universidades, a Televisão Pública, o Ensino Público, o Sistema Publico de Saúde são algumas dessas instituições imexíveis em suas respectivas autonomias. E autonomia quer dizer, não intervenção, prevalência dos interesses dos cidadãos sobre os interesses dos governantes.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/09/2009 - 12:15

O MONÓLOGO DE PATRICE CHÉREAU

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O GRANDE INQUISIDOR

 

O livro que li mais vezes em minha vida é  “Os irmãos Karamazov”. A saga dos irmãos Aliocha, Ivan e Dimitri marcou a minha vida e, mais do que esse fato pessoal, marcou toda a psicologia do Século XX. Em nenhuma obra técnica de psicologia, os tipos psicológicos foram descritos com tanta propriedade, quanto os dos personagens desse livro. Certa ocasião, um monge de alta cultura e espiritualidade disse-me que a maior santa do século XIX era Grouchenka, a prostituta dos Irmãos Karamazov.

A parte mais complexa do livro é a grande dissertação sobre o Grande Inquisitor, na qual Ivan produz uma fábula para seu irmão, o místico Aliocha.

Jesus Cristo retorna à Terra, em Sevilha, no Século XVII, em plena Inquisição. O Inquisitor, cardeal católico, impactado com sua presença, tenta convencê-lo de que seu retorno à Terra era um absurdo, pois atrapalhava os planos de Igreja, de Deus, e que o seu perfil não servia mais para o mundo. Jesus não responde. O inquisidor acaba prendendo Jesus Cristo e o condena à morte. O inquisidor cobra desesperadamente uma palavra de Jesus. Jesus  dá um beijo na boca  do velho inquisidor de 90 anos, representante da igreja triunfante, em pleno expurgo dos hereges.

O diretor, cineasta e ator Patrice Chéreau elevou as comemorações do ano da França no Brasil, com a apresentação desse fragmento dos Irmãos Karamazov, no palco do SESC Villa Nova. Chéreau chegou perto da perfeição num monólogo com o tom exato da discrição. Nada a acrescentar. Nada a subtrair. Um artista cuja maturidade silenciou o grande público do teatro e conduziu-o a mais profunda estética da reflexão.

A aclamação que recebeu foi um ato de gratidão.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/09/2009 - 11:55

SÁO PAULO NAUFRAGOU

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E SÃO PEDRO NEM VIU

 

Há alguns culpados pelos exageros da natureza. Um é São Pedro, que só conheço do Novo Testamento e nunca soube que era meteorologista. Outro é o aquecimento da Terra que está produzindo delírios na esfera e na estratosfera. Por fim, é a falta de educação de gente que joga lixo na rua e joga Volkswagen no rio Tietê. Há ainda o desrespeito crônico à natureza, com a impermeabilização excessiva do espaço urbano, o que drena águas e sujeiras para os rios. Há, por fim, a roubalheira do lixo, pela qual quem recebe para recolher não recolhe e quem paga para que se recolha não cobra  pelo serviço pago.

Assim, não há cidade que agüente. É verdade que os trabalhos de desassoreamento do Tietê melhoraram muito a questão das enchentes nas marginais. Não sei por que a solução radical proposta por Figueiredo Ferraz até hoje não foi adotada: abrir definitivamente as barragens nas alturas de Osasco, e permitir assim a vazão mais rápida do rio.

Num só dia o prejuízo foi enorme. Primeiro o prejuízo moral dos que perderam tudo. Depois o prejuízo dos trabalhadores que não conseguiram chegar ao trabalho e dos produtores que não conseguiram produzir, vender e transportar. E ainda mais, o prejuízo público, que viu importantes obras públicas naufragarem nos escombros.

Creio que a soma dos prejuízos acarretados pela chuva justificaria uma política de investimento e planejamento capaz de avaliar os riscos e de dar soluções mais duradouras ao problema. Isso tudo é óbvio, mas quando sair o primeiro sol, a  obviedade vai rolar como os rios.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/09/2009 - 12:13

O DIREITO DE MORRER

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MÉDICOS E MÉDICOS

 

 

Quando éramos crianças os consultórios médicos viviam cheios e atrasavam um bocado para nos atender. Cada paciente ficava , no mínimo, meia hora sendo meticulosamente examinado pelo médico de confiança da família. Na maioria eram clínicos gerais, mas havia os especialistas que nos tratavam da mesma maneira. A gente achava que alguns médicos tinham os sexto sentido para fazerem seus diagnósticos. Erravam pouco, apenas os remédios e as tecnologias eram mais atrasados.

Hoje freqüentamos médicos anônimos, indicados pelos convênios. Eles nos atendem em cinco minutos. Não fazem nenhuma avaliação clínica pessoal. Solicitam uma série de exames e, só depois, vão nos dar qualquer diagnóstico sobre os nossos infortúnios clínicos. No fim, quem acaba sendo nosso médico é o Dr. Fleury, com clínicas e laboratórios espalhados por toda a cidade. É evidente que esse sistema fica caríssimo, pois realizamos “exames”, que necessitamos e que não necessitamos, dependendo da hierarquia de nossos planos de saúde.

Se os exames não são favoráveis ou indicam doença grave nos internam imediatamente e, então, caímos no anonimato institucional dos hospitais, até a alta ou a agonia tecnológica das UTI.

Ninguém tem o direito de morrer na hora certa e muito menos em casa, como a maioria da humanidade morria até a segunda metade do Século XX.

E assim mesmo, esse calvário de luxo a que estou me referindo, destina-se apenas aos privilegiados que possuem bons planos de saúde.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/09/2009 - 10:52

A FÉ DE KAKA

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A LIBERDADE DE CRENÇA

 

Apesar de o Brasil ser um país com 160 milhões de católicos; de Nossa Senhora da Aparecida ser padroeira do país, por lei nacional; de possuirmos milhares de Igrejas Evangélicas; de termos milhões de espíritas católicos e outro tanto de cultores do candomblé e outras religiões afro-brasileiras, vivemos numa república laica. Isto quer dizer que temos a liberdade de crença, de culto e de pregação de qualquer religião.

Assim, nosso herói futebolístico, o melhor jogador do mundo, tem a liberdade de professar o culto que seu espírito e seu coração escolha.

Se os pastores prevaricam, se os dízimos são mal utilizados, se fieis são ludibriados, os crentes de boa fé não tem, necessariamente, que abandonar suas crenças na Igreja que escolheram nem na fé que professam.

Tenho a certeza de que o ingênuo pagador de dízimos para a Igreja Universal, outra vertente religiosa, além da Renascença, pode ganhar um bom lugar no céu, apesar de sua oferenda ser desviada de qualquer utilização mais santa.

Sujeitos de condenação divina e mesmo civil são os responsáveis pelo desvio de finalidades das igrejas e não os fiéis.

Kaká tem sua fé pessoal como eu, cidadão, tenho minha fé na democracia, apesar de ser ludibriado cada dia pelo comportamento de meus representantes no legislativo e, apesar do Senado ser tão vergonhoso quanto inútil nos dias de hoje.  

Respeito Kaká em sua vida familiar, esportiva e religiosa. Se os bispos da Renascença não são os melhores guardiões de sua boa fé, cabe a ele avaliar a situação.

Felizmente, para o que crê, toda fé tem a vocação de se encontrar num único Deus. E Deus tem a boa sabedoria de distinguir os malandros.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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