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Arquivo de agosto, 2009

13/08/2009 - 08:51

A CANDIDATURA DE MARINA SILVA

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A CANDIDATA MARINA SILVA

 

Não se iludam os políticos, nem os institutos de pesquisa, nem os analistas eleitorais. Não se iluda ninguém. “-Marina, você é bonita com o que Deus lhe deu”, dizia Dorival Caymmi. Não precisa de adereços, de repertórios globalizantes e nem menos, o que nunca existiu, um status burguês.

Porque um simples convite, do Partido Verde, deixa todo o mundo tão agitado? Até agora os agitados entendem que Marina é apenas um fator desestabilizador do quadro eleitoral proposto. No momento vivemos uma eleição plebiscitária, na qual basta um processo de estabilização de Dilma e uma fixação definitiva do Serra (puro sangue ou transfusão).  Já uma candidatura de Marina desestabilizaria Dilma, estimularia Ciro Gomes a candidatar-se, daria a Serra a impressão de que o jogo estaria definido e levaria quem fosse, do primeiro para o segundo turno.

Isso, que está nos cálculos mais primários, já não seria pouco.

Contudo, há uma frustração psíquica e regressiva, que atinge todo o eleitorado. Há uma inconformidade latente com os abusos praticados contra a natureza. Há uma revolta real contra os abusos praticados contra a natureza humana. Há um ódio subliminar aos corruptos. Há uma percepção visível da distância entre ricos e pobres. Há uma decepção generalizada com o sistema político e mesmo com a democracia. Há uma nostalgia difusa da República, regime em que o poder dos pobres e dos ricos se equivale. Há ainda, o desprezo por duas linhas horizontais e abrangentes na política: cultura e meio ambiente.

Infeliz e geralmente, essas constatações, na América Latina, são sempre preenchidas politicamente, pelo populismo semi democrático ou pelo autoritarismo populista. Outras vezes são preenchidas pelo bolivarismo demagógico. Outras ainda, pelos caçadores de Marajás. Os anjos, nunca tiveram muito papel na vida política do terceiro mundo.

Gandhi não era um anjo. Mandela não era um anjo. Evo Morales não é um anjo. Obama não foi um anjo e Lula nunca foi um anjo. Mas todos eles foram ou são figuras emblemáticas do imaginário popular. Foram pinçados em momentos peculiares da vida política para o exercício do poder, em nome do povo.

O próprio Fernando Henrique, que era intelectual e nem mesmo acreditava em Deus, nunca foi um modelo habitual de presidente para o Brasil, muito menos modelo de candidato viável.

O que faz de Marina uma candidata muito forte e que deveria atemorizar os outros candidatos, é exatamente o que Marina não é, o que Marina não tem, o que Marina não praticou, o que Marina não conquistou, o que Marina perdeu aos olhos de todos.

Marina é igualzinha a você: um vazio cheio de esperança. 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
12/08/2009 - 15:47

“HOMO QUALUNQUE”

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O HOMEM COMUM

 

O homem qualquer ou o homem comum, não freqüenta a mídia policial nem a mídia social, vive a estética modesta das necessidades. Quando comete um delito é preso e fica na cadeia esquecido, até mesmo quando sua sentença já se esgotou. Dá duro para adquirir formação e, mais ainda, para conseguir um bom emprego. Para ele, o décimo terceiro salário é uma loteria de cada ano, para pagar as dívidas. O homem comum acredita no crediário, sem perceber a cilada dos juros que o acompanha. O homem comum não distingue os intervalos das matérias, na televisão. O Homem comum só tem importância mesmo quando se aproximam as eleições. É procurado, bajulado, lembrado pela mídia, como o alicerce da nação.

O Homem comum só é perigoso porque ás vezes tem grande intuição eleitoral, mesmo quando erra.

Na velha Roma o Homem comum era representado e defendido pelo Tribuno da Plebe, que falava em seu nome junto às instituições. Como as instituições, leia-se Senado Romano, estavam fisicamente dentro da cidade, muito próximas do homem comum, seus reclamos ecoavam mesmo quando as portas do Senado estivessem fechadas.

No Brasil o homem comum decide as eleições, mas não leva. Seus representantes traem cronicamente a ilusão desses eleitores. Mudam de partido, mudam de discurso, mudam de comportamento, se é que já tiveram um, mudam até de caráter, dependendo dos afagos políticos ou financeiros. Assim, o homem comum não tem nenhuma importância política, não tem padrinhos, sogros, parentes. São os primos pobres de si mesmos.

SEGUNDO LULA, JOSÉ SARNEY NÃO É UM HOMEM COMUM.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/08/2009 - 00:57

ZUBIN MEHTA

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A FILARMÖNICA DE ISRAEL

 

Uma benção ter assistido a Sexta Sinfonia de Beethoven com a Filarmônica de Israel, regida pelo maestro Zubin Mehta. Benção é aquilo que nos purifica dos males, dos desconfortos, das impurezas e do sofrimento.

O Brasil de hoje contem um mal estar solto no ar, um desconforto permanente diante da política, uma banalização da sacanagem, que chamá-la de impureza seria um elogio. Disso tudo resulta um sofrimento subliminar que atinge a população sem que se saiba por que.

A música sempre foi um ritual abençoado, entre primitivos e eruditos, entre ricos e pobres, em cada lado da fronteira.

Por isso mesmo, a saída para o Brasil decididamente não está no Senado. É mais provável que esteja em Heliópolis.

Zubin Mehta visitou a orquestra de jovens da famosa favela paulistana. De lá, há dois anos, já levou um contrabaixista para a Filarmônica de Israel. O menino tocou na orquestra nesta segunda feira. Hoje toca na filarmônica, fala hebraico, vive com harmonia e decência, mas afirma que o seu lugar é Heliópolis para onde pretende voltar.

A orquestra de Heliópolis faz parte de um processo espontâneo que faz proliferar orquestras de meninos pobres em todo o país. Ricardo e minha amiga Ana Helena estão ajudando uma em Salvador, que já fez sucesso em Campos do Jordão. Tudo está sendo feito no modelo Venezuelano, onde 300 mil estudantes pobres aprendem e tocam música da melhor qualidade.

Isso também é uma benção, semelhante ao concerto de segunda feira. Nunca ouvi a Sexta Sinfonia com tanto prazer. Zubin conteve o gênio no limite absoluto da perfeição, transformando a Pastoral num oratório sem palavras. Os acordes da natureza, em Beethoven, não são colagens figurativas, como em Mahler, mas invenções de outra natureza.

Tudo me pareceu a mesma coisa: Zubin Mehta, Beethoven, Heliópolis e a Natureza. Uma benção.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/08/2009 - 13:02

INFORME SOBRE A GREVE DA CULTURA

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GREVE NA TV CULTURA II

 

 

A Direção da Fundação Padre Anchieta informa que o governo do Estado autorizou elevar para 6,05% o reajuste salarial dos radialistas de São Paulo, a partir de maio. Um índice, portanto, superior aos 5,83% previsto na Convenção Coletiva da categoria.  

 

O abono pleiteado contraria os parâmetros da  CPS (Comissão de Política Salarial), da Casa Civil, sendo portanto sua concessão negada pelo Codec, órgão da Secretaria da Fazenda.

 

O próximo pagamento dos radialistas, referente ao mês de agosto, poderá incorporar o reajuste. As diferenças salariais referentes aos meses de maio, junho e julho poderão ser concedidas em 4 parcelas.

 

A Direção informa ainda que às 19h30 da noite desta segunda-feira, o Diretor-Presidente convidou o Sr. Sérgio Ipoldo Guimarães, funcionário representante do  Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado de São Paulo, para mantê-lo informado das negociações com o governo estadual, mas o convite não foi aceito.

 

            A Direção

Neste momento um grupo de trinta funcionários da Fundação Pare Anchieta se dirigiram à Assembléia Legislativa para pedir a intemediação dos deputados junto ao Governo Estadual, com o fim de obterem o abono, além do aumento já autorizado. 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/08/2009 - 19:32

DROGA E BASES MILITARES

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O QUE É MELHOR PARA A COLÔMBIA

 

Um Império vive de informações e bases militares. Foi e é assim desde o começo do mundo. Os serviços de “inteligência” se realizam pelas formas mais torpes, pena que se utilize esse nome para designá-los. As bases militares nunca são concedidas, são sempre impostas.

Com a sucessiva diluição dos impérios, no império mais eficiente do mercado globalizado, as nações poderosas optam por duas estratégias: ou promovem guerras para fixar suas tropas nas geografias convenientes ou mantêm forças e tecnologias de ataque fulminante, em seu próprio território, para resolver questões pontuais no país dos outros. 

A concessão feita por Uribe parta que os americanos instalem bases militares em seu território, pode ter duas conotações: ajudar no combate à produção e tráfico da droga e criar pólos de defesa e ataque no caso de Chaves engrossar a conversa.

Lula conceituou bem a questão e o posicionamento do Brasil. Não se mete nas decisões internas da Colômbia, ao ceder seu território para bases, mas não aceita que essas sejam utilizadas além das fronteiras da Colômbia.

Não poderia ir além disso, por mais que seja totalmente inoportuna essa permissão de Uribe de abrir seu território a um precedente tão perigoso.

Os Estados Unidos, maior consumidor da droga colombiana, poderia abrir bases mais eficientes em Nova York, Miami, São Francisco e Dallas para evitar a entrada de droga. Isso diminuiria bastante os conflitos internos da Colômbia.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/08/2009 - 13:19

A GREVE NA TV CULTURA

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Sindicato é recebido pelo Conselho Curador

 

A Fundação Padre Anchieta é considerada pelo governo uma instituição dependente do estado, pelo fato que o governo lhe consigna verbas anuais para custeio e manutenção. Assim, embora seja uma Fundação de Direito Privado, deve submeter seus aumentos, inclusive os dissídios das diversas categorias, ao Codec e toda política salarial do governo estadual.

Por essa razão, o dissídio de 63 dos radialistas, espera julgamento do Supremo Tribunal Federal, para que deva ser concedido ou não pelo Estado.

Já o dissídio deste ano, aprovou o índice de aumento de 5.83% e um abono e foi devidamente informado ao governo pela Diretoria Executiva, que tem acompanhado passo a passo o andamento do processo, para que os orgãos do governo possam dar o parecer sobre sua exiquibilidade. O governo, em algumas das instâncias burocráticas decidiu que, de qualquer forma, o aumento deve ser pago com verbas próprias da Fundação e que a Fundação poderia pagar o índice aprovado para os aumentos em geral, da ordem de 6.3%, sem a concessão do abono e em quatro parcelas, pois o dissídio vigora desde o mês de maio.

 

Os representantes dos funcionários e o representante do sindicato, que já haviam decretado a greve, foram recebidos pelo Conselho, atitude inédita, e foram informados da decisão proposta pelo governo. As 16hs30 haverá uma nova Assembléia de funcionários para decidirem sobre a continuação da greve. Deverão discutir basicamente se o índice um pouco maior, de 6.3%, poderá ser aceito em lugar do índice de 5.83% com abono.

 

Até esta hora a situação da greve é esta que foi exposta.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/08/2009 - 19:19

O PAI DA NATUREZA

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FRANZ KRACJBERG

 

Ele esta com o rosto marcado como os troncos que transforma em escultura. Uns e outros já são imortais. A arte é imortal e a memória do grande homem é imortal. Conheço Franz Kracjberg desde que ele navegava com Bandereck nos confins da Amazônia. Desde que, num gesto de coragem, maior do que o bolso, comprei um papel branco dobrado e desdobrado em texturas numa gaiola de vidro que pendurei na parede.

Hoje pela manhã, o humanista e escultor Franz Kracjberg estava no Parque do Carmo para a pedra fundamental do pavilhão que abrigará entre as cerejeiras e os paus-brasil, algumas de suas obras. Estará em casa, porque a casa de Kracjberg é a natureza. Tinha a mesma simplicidade do jovem autor que morou por alguns anos com Marc Chagall, amigo querido, com o qual desfrutara as belezas dos quadros e o terror das perseguições.

Ao lado de Emanuel Araujo, Milu Villela, Calil, Gilberto Kassab, secretários, vereadores e freqüentadores do parque, com seu chapéu de pano a proteger-lhe o rosto, Franz parecia um ícone, com a singeleza soberana de um mestre. Sim, era o mestre que defende a natureza para que os humanos sejam mais humanos. Dedicou toda a sua obra à denúncia e à beleza. Tenho a certeza que vai ajudar a salvar a Amazônia, que vai ajudar a salvar a Mata Atlântica, que vai melhorar o ar do mundo, todos esses mitos sem os quais não haverá realidade.

Acho justo escolhê-lo como o PAI no fim deste dia de tantas comemorações sinceras e tantas vezes equivocadas. Não importa, ele estará aqui no meu blog, modestamente, como o símbolo da responsabilidade responsável.

Ainda vou tentar colocar a fotografia que tirei no Parque do Carmo esta manhã, mas minha tecnologia digital ainda é fraca.Nasci analógico.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/08/2009 - 18:05

FUMAR OU NÃO FUMAR, EIS O PRAZER.

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OS PARADOXOS DA SEMANA

O que é mais nobre, salvar o pulmão das insalubres baforadas ou morrer de satisfação no mundo de Malboro? Levantar armas contra um mar de atribulações ou deixar-se levar pelo câncer a dentro, como advertem as insidiosas caixinhas de Pandora?

Desde que me conheço por gente, isto é, desde que comecei a ir ao cinema sozinho, assisti ao mais constante elogio do fumo, nos lábios sensuais de Lauren Bacall, então namorada do mais fumante dos artistas de Hollywood, Humfrey Bogart, de Casablanca. Até o mitológico James Dean, em suas melhores fotografias, debruçava um cigarro no lábio inferior, a mostrar que longe de uma cigarrilha ninguém é rebelde. Herói que não fuma, também não entrava em Hollywood, nem como figurante.   

Tenho a convicção de que fumar é um prazer, senão não teria tanto idiota arriscando a vida, se não fosse mesmo um prazer saborear um cigarro depois do café, curtir uma boa notícia, se consolar de uma ruptura, dar um final feliz à sobremesa ou a uma boa noite de sexo.

Tenho a experiência de que não fumar é um prazer. Quando era criança roubei um charuto do meu pai, devorei suas brasas até o meio, para sensação da vizinhança. Vomitei durante horas seguidas e outras alternadas, quando me lembrava do feito. Depois disso, todo cigarro que não fumo parece uma virtude, um prazer.

Agora o governo proclama o prazer compulsório de não fumar em lugares fechados, abolindo o prazer incomparável de fumar em lugares fechados. Fumar ao relento, sem partilha, não dá prazer nenhum. Cigarro exige audiência, aplauso silencioso, simulação do crime perfeito, porque ninguém acusa o assassino de si mesmo. Fumar é se matar ao vivo.

O prazer agora é do bando de escoteiros bem comportados que não fumam em público, porque estão sempre alertas contra o câncer. Estão definitivamente livres da nicotina subliminar que mina os pulmões saudáveis, como afirma o grande Drauzio Varella.

Mas lei é lei e lei com multa, pega.

Mas vai ser preciso ser muito macho para dar uma cantada numa desconhecida, sem um cigarro entre os dedos.  

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/08/2009 - 19:01

BATE BOCA NO SOLAR DAS TREVAS

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NO SENADO O SHOW PRECISA CONTINUAR

 

Precisei alguns dias para engolir e avaliar o bate boca que teve lugar no Senado. Seus protagonistas, como se estivéssemos em Roma, foram os Catãos da República e os arrastões políticos da República. Collor de Mello deveria ter aproveitado a oportunidade eleitoral que Alagoas lhe concedeu para revestir-se da austeridade que sempre lhe faltou e então prestar algum serviço, que deve à Nação. Renan sempre está onde o poder lhe ofereça espaço para o exercício profissional da tirania. Arthur Virgílio é o plantonista dedicado das oposições. Pedro Simon é um orador intenso, apaixonado, sempre esteve ao lado das boas causas. Percebeu o olhar de Collor, conhece o desvario adolescente, pois sempre viveu próximo da família e dos jovens. Hoje, Renan voltou a carga contra o Tasso Jereissati. As cadeiras próximas ouviram-no, com muito decoro, dizer que o ex-governador era um “Coronel de merda”.

A gafieira da novela das oito parece um convento de freiras perto do senado federal. A alegria, NA GAFIEIRA, é por amor e os pequenos “bafafá” são por ciúme, dois sentimentos da condição humana.

O Senado, cada dia mais inútil, perdeu as estribeiras. Deveria funcionar com as luzes e o som apagado, tanto para economizar luz, quanto para nos privar de constrangimentos.

Como no país, segundo um “brazilianist”, não há opinião pública, mas opinião publicada, nem tudo que brilha é luz: são trevas.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/08/2009 - 19:00

COM UM OLHAR DE PEDRA

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OLIGARQUIAS, COMPOSIÇÃO E ELEIÇÃO 2010

 

 

Houve um momento, recente, na história do Brasil, no qual as grandes oligarquias pareciam eliminadas do cenário nacional, embora ainda sobrevivessem em seus feudos hereditários. Barbalho, Antonio Carlos e Renan caíram do poleiro nacional para cantarem mais rouco na província. Sarney teve de eleger-se senador por outro estado e sua filha Roseane, mais tarde, não foi eleita governadora.

Desde o inicio de seu governo, Lula acreditou que a governabilidade exigia uma composição ampla e irrestrita no Congresso Nacional, capitaneada pelo PMDB. Nem mesmo a candura da oposição, incapaz até de se aproveitar da crise do mensalão, o dispensou de consolidar essas alianças. Nem mesmo os índices de popularidade, só obtidos por Getulio Vargas, o convenceram de que poderia governar sem esses aliados gulosos. Foi pena.

Na composição e nas bases eleitorais, ressuscitaram os oligarcas. Jader voltou mais calmo. Renan voltou a toda. Collor elegeu-se senador. Com seu olhar de pedra assustou o senador de púrpura. Roseane voltou para o poder no tapetão da Justiça. Sarney elegeu-se presidente do Senado. Com eles, uma plêiade de suplentes, para escárnio de qualquer representação legislativa. Do Oiapoc ao Chuí, em praças menores, acenderam-se as luzes homeopáticas das oligarquias, para vacinar o poder contra a ingovernabilidade.

Essa desconstrução da república é muito pior do que o mensalão, os decretos secretos, a nomeação dos parentes, mas abriga essas e outras mazelas.

A oposição abobalhada acredita que uma renúncia de Sarney reconduziria a nação a seus grandes destinos. Tolice. Fechar o Senado e devolver à Câmara a representação política do povo no estado brasileiro, não bastaria sem uma reforma política profunda. Quem tem coragem de fazer isso?

 

E a nação?

 

OS JOVENS ACREDITAM QUE A NOVA VOZ POLÍTICA ESTÁ NAS COMUNIDADES DIGITAIS E NÃO NOS PARTIDOS POLÍTICOS.

 

OS VERDES ACREDITAM QUE MARINA SILVA PODE EMPOLGAR O ELEITORADO DESCRENTE.

 

O PLANALTO ACREDITA QUE OS MARQUETÓLOGOS QUE ELEGERAM OBAMA PODEM REPETIR A FAÇANHA COM DILMA.

 

SERRA ESTÁ ANCORADO NA SÓLIDA PESQUISA DE INTENÇAO DE VOTOS. NÃO PRECISA SAIR CANDIDATO JÁ, MAS PRECISA FAZER UM “DISCURSO” NO PÚLPITO DESSAS CONTRADIÇÕES.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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