OS ÔNIBUS FRETADOS
O QUE É MELHOR PARA A CIDADE?
O ônibus fretado é um conforto. O cidadão acorda ás cinco horas da manhã para ir ao trabalho. Ainda está com sono, pois ficou na televisão até altas horas. Entra no fretado e vai dormindo até chegar no trabalho. Agora, o infortunado tem de pegar o fretado até o ponto indicado, depois toma uma ou duas conduções para chegar ao local de trabalho. É de fato um transtorno.
Aliás, já foi um transtorno impedir que caminhões entregassem coca cola em fila dupla nas vias mais movimentadas de são Paulo. Já foi um transtorno impedir que belos cartazes publicitários sujassem o visual da cidade, como pichações legalizadas.
Mas essas medidas da prefeitura acolheram, apesar dos incômodos, princípios democráticos e republicanos. Democráticos porque privilegiaram o interesse das maiorias; republicanos porque equilibraram, numa boa proporção, o interesse dos ricos e dos pobres.
Claro que a proibição dos fretados favorece o trânsito, isto é, o transporte coletivo geral. Diminui a poluição. Iguala os cidadãos e impõe ao poder público o dever de promover e viabilizar o transporte público.
A proibição de grandes caminhões de entrega no miolo da cidade e em todos os seus pólos comerciais, é de óbvia e geral utilidade. Em poucos dias a cidade ficou disciplinada com pequenas viaturas fazendo as entregas urbanas sem congestionar as ruas.
Já os cartazes proibidos entram no capítulo do interesse estético. Considerando que a única estética do pobre, nesta cidade devastadora, é o espaço público, vãos embelezar o espaço público. Ninguém nega que a cidade ficou mais bonita.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Acho desmedido sua comparação com caminhoes grandes, embora nao sei se varios caminhoes e vans pequenos atrapalahm menos que um caminhao grande. Voltemos aos fretados:
1)ele é um transporte publico, que todos apontam como solução para o transito preterindo o individual e privado. Seria tipo 30 carros em troca de um onibus,
2) Supondo que 30 infelizes do fretado vão pro publico. Vc com certeza não usa – nenhum demo/tucano paulista usa. O metro, onibus e trens não suportam nem mais nem uma form iga. Veja o que aconteceu com estações onibus, metro e trem no 1o. dia. Principlamente o metro que na epoca do quercia avançava 8 km ao ano contra 4 dos tucanos e 1 km do serra no 1o. ano (tá certo que houve a derrubada da estação de areia e isopor e o assassinato de 7 trabalhadores).
3) É duro ouvir o incompetente secretario tentando enganar seus eleitores ao vomitar a redução de 70% no engarrafamento em relação a 2008. Esqueceu que nessa epoca em 2008 já tinham retornado às aulas e esse ano ainda não. Vai ser o caos 2 apos dia 17.
Só vc, esse secretário e o proprio kassab (que eu acho que foi enganado com essa proposta) acreditam na redução da poluição, favorece o transito (só se for dos helicopteros – kassab usa da pm/pc) e o transporte coletivo em geral (ué fretado tb é coletivo). Até a Globo exigiu a lieração da berrini prá seus funcionários. Acho que até o Serra já desembarcou dessa tese dado a visibilidade do caos no metro e trens metropolitano justamente num ano pre-eleitoral. Ah e por ultimo os pobres usuarios dos fretados – punidos por optar por um transporte publico, deixando seu carro em casa e ajudando a propria prefeitura. Vão gastar mais tempo e dinheiro prá ir trabalhar. Pobres eleitores enganados…
Se você estava em busca da ignorância perdida, é só se olhar no espelho, pois a ignorância está em você, seu idiota.
As maiores e melhores cidades do mundo priorizam o transporte coletivo, publico ou privado, Você está querendo trocar o transporte coletivo por individual? è muito burro mesmo.
Aliás, caminhão transporta carga, fretados trasportam trabalhadores.
E eu tenho certeza que você só sabe Mamar dinheiro público e puxar o saco do prefeito e seus comparsas, como a besta do secretário de transportes, que não é nada mais do que um advogado querendo arrumar o trânsito.
E antes que eu me esqueça, é muita viadagem pensar em deixar a cidade bonita, antes de deixa´la funcional.
Na literatura define-se Manifesto como um texto de natureza dissertativa e persuasiva, uma declaração pública de princípios e intenções. O manifesto destina-se a declarar um ponto de vista, denunciar um problema ou conclamar uma comunidade para uma determinada ação. Mais não. O meu manifesto não tem nenhuma pretensão além daquela a que me propus, que é escrever e desabafar minhas preocupações.
O serviço de fretamento para transporte de passageiros surgiu no final da década de 50, no ABC paulista, fomentado pela forte industrialização da região. Com mais conforto e menos estresse, o transporte de passageiros por ônibus fretado fomenta a economia brasileira, movimentando R$ 3 bilhões por ano. Cada unidade tira 20 automóveis particulares das ruas, proporciona melhor qualidade de vida ao usuário, economiza tempo, diminui (isto mesmo) a poluição ambiental e ainda contribui com a elevação dos níveis de produtividade e assiduidade nas empresas e escolas.
São Paulo possui um sistema de frota particular que opera em linhas de transportes públicos aonde se observa um déficit muito grande de eficiência e eficácia no transporte. Isto sinaliza um possível crescimento dos negócios, geração de renda, empregos e mais impostos.
Para contextualizar o conflito político entre o serviço de fretados e o Município de São Paulo, e refletir sobre as possíveis conseqüências que podem emergir a partir daí, venho abordar o apartheid sócio-territorial que parece se caracterizar na ação de proibição.
A exclusão geográfica funciona como uma metáfora irrefutável de um sem-número de outros tipos de marginalização às quais as pessoas estão submetidas no Brasil – nas áreas de moradia, emprego, saúde, educação e representação política. A segregação territorial reflete uma disputa desigual em torno da apropriação das melhores combinações oferecidas pelas características físicas do território e pelas infra-estruturas urbanas que condicionam os fluxos de deslocamento para o trabalho, comércio e lazer.
Situações de acentuada segregação territorial estão comumente relacionadas às dificuldades de acesso a equipamentos e serviços urbanos e infraestrutura precária ou inexistente na maioria das periferias brasileiras. Além das questões inerentes a características do território, a segregação territorial também mantém estruturas de oportunidades diferenciadas para cada grupo socioeconômico, o que tende a intensificar e reproduzir a exclusão social.
A redução das oportunidades de emprego e de qualificação profissional, está diretamente relacionada a combinação entre exclusão e segregação, dificultando uma mobilidade social ascendente.
Em suma, a segregação não é somente um reflexo da desigualdade socioeconômica do país, como também um mecanismo de agravamento e reprodução da mesma.
Na dicotomia “Centro-Periferia” as características principais são: áreas habitadas distantes uma das outras, as classes médias e altas nos bairros do centro e as de menor rendimento em periferias, padrão espacial disperso ao invés de concentrado, e, o principal, um sistema de transporte baseado no uso de trem/ônibus para as classes trabalhadoras, que precisam enfrentar horas de viagem no percurso residência-trabalho, e automóveis para as classes média e alta.
Com a dificuldade de acesso aos grandes centros, aonde o mercado de trabalho é mais ativo, estamos caminhando para um agravamento da situação de segregação e, embora o Município de São Paulo possa desempenhar um papel ativo na mitigação da segregação territorial, estabelecendo políticas públicas que o minimizem, com a proibição de circulação de ônibus fretado está caminhando na direção oposta no que diz respeito a oferecer um transporte urbano de qualidade. Ele está promovendo sua intensificação, por atuação direta através da proibição, via legislação.
Aproveito também para alertar a todos os políticos, das cidades vizinhas ao Município de São Paulo e aos políticos que possuem sua base eleitoral nas periferias da cidade, que intensifiquem seus esforços no sentido de fomentar a criação de pólos industriais e comerciais, em suas regiões, e que assim possam oferecer uma grande quantidade de novas vagas e postos de trabalhos aos seus munícipes e eleitores que, certamente, serão afetados.
É consenso comum, que, a partir de 27/07/2009, todos os empregadores da Cidade de São Paulo vão utilizar o item “local de residência” como um fator sine qua non para novas contratações, seja pela distância do local de residência, seja pelo valor que a empresa deverá desembolsar de vale transporte.
Economicamente falando fica inviável a contratação de funcionários que possam demorar de 2 a 3 horas para chegar ao local de trabalho, ou de funcionários que terão que utilizar vários ônibus (intermunicipal e municipal) perfazendo um total de R$ 387,20 por mês (tomei como exemplo um cidadão que mora no Ipiranga e trabalha em Barueri – o gasto por dia é de R$ 17,60 sendo R$ 2,55 metro + R$ 6,25 ônibus intermunicipal – 2X ida e volta).
Não se trata de estabelecer condenação prévia, pois o nosso regime democrático pressupõe a garantia do mais absoluto e pleno direito de defesa, válido a qualquer cidadão, porém a reação dos responsáveis da administração dos transportes da Cidade de São Paulo com os usuários do fretado é: a culpa é dos revoltados.
Esta situação toda não é normal e me indigno com este estado de coisas. Não posso achar que “viver em grandes cidades é assim mesmo”, pois muitas cidades do mundo já têm soluções que privilegiam a qualidade de vida para todos. Estou certa de que existe outras maneiras de regulamentar e adequar o transporte no município propiciando uma coexistência pacífica entre os envolvidos.
E para que isto ocorra, e como não acredito que interromper o trânsito na Ponte do Sumaré surta efeito, uso todas as ferramentas possíveis para tentar reverter uma ação que considero arbitrária.
Se esta “pasmaceira” continuar daremos confirmação ao texto de Bertold Brecht
“NÃO IMPORTA…
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários.
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis.
Mas não me importei com isso.
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.”
–
Sucesso
Vânia Pessoa
Brasileira, paulistana, eleitora, formadora de opinião e usuária de ônibus fretado e de ônibus urbano.