O BANDEIRA DA FLIP
A FLIP COMEÇA BEM EM PARATY
O principal poeta moderno de minha geração foi Manuel Bandeira. Hoje, as gerações o cultivam bem menos, mas os críticos universitários ainda veneram o mais longevo dos tuberculosos.
David Arriguci inaugurou as mesas da FLIP, com maestria, falando de Manuel Bandeira. Eu pensava que o professor Arriguci era especialista em Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa. Ontem percebi que o David é um grande bandeirista. Destrinchou-o do quarto à rua com apenas dois poemas: Momento no Café (Quando o enterro passou…) e Só, para Jayme Ovalle (Quando hje acordei…).
Começou por anunciar Bandeira como um profeta: Bandeira é o São João Batista do modernismo.
Serviu-nos ainda uma compreensão do poeta em três movimentos: 1. Como Bandeira concebeu a poesia. 2. Como Bandeira praticou a poesia. 3. Com que sentido Bandeira praticou a poesia.
Duas coisas importantes ficaram em minha mente sobre sua poesia. Em primeiro lugar a idéia de alumbramento, uma instância entre a luz e o êxtase, que Bandeira conheceu precocemente ao ver uma mulher nua no chuveiro. Erotismo que o acompanhou pela vida a dentro e lhe deu resistência para enfrentar a tuberculose do jovem. Com o erotismo, Bandeira superou o gosto cabotino do romantismo. Depois, Arriguci nos convenceu que Bandeira fazia poesia de alto a baixo e simultaneamente. Dos mais elevados símbolos produzidos pelo espírito, às mais corriqueiras ocorrências produzidas pela calçada, Bandeira nos ensinou essa ambivalência transcendente.
Centenas de aficionados aplaudiram, ovacionaram mesmo, o orador discreto e sábio. A FLIP começou muito bem.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:

adorei suas obras sim