Arquivo de junho, 2009
29/06/2009 - 17:43
A MORTE DE GOFFREDO DA SILVA TELLES JUNIOR
Quando entrei na Faculdade de Direito, imaginei que estava entrando no cenáculo, no templo máximo do conhecimento e da moralidade. Além das exigências próprias da idade, tinha uma formação rígida proposta pela Juventude Estudantil Católica, que eu ajudei a fundar no Colégio São Bento.
Professores nos decepcionaram pelo tom grandiloqüente de suas aulas, em sua grande maioria, mais atentos à própria vaidade do que aos 180 alunos de um auditório formal e distante. Aprendíamos um direito teórico, tão distante da realidade quanto da humanidade. Por isso mesmo devo minhas grandes leituras literárias a esse período da vida. Sentava na última fileira e me deliciava com Dostoievski, até que o professor Lino Leme me surpreendeu com uma pergunta insólita: – O ilustre estudante da última fileira poderia me informar sobre quantos metros tem uma milha?
Gelei, pelo flagra e pela surpresa. Fui convidado pelo ilustre professor a ir ler Dostoievski na biblioteca da faculdade. Desse dia, em diante, fui mais cauteloso com a minha cultura literária.
Já o professor de Introdução à Ciência do Direito nos encantava em cada aula. A gênese do direito já era uma questão empolgante. Suas origens, propostas pelo grande orador que era Goffredo da Silva Telles, nos conduzia à indagações dignas de adolescentes curiosos. Na aula em que ele encerrava o capítulo sobre a origem mais remota do direito ele afirmava com emoção e convicção: – O direito nasce no coração humano. Goffredo saia da sala aplaudido de pé.
Lembro-me que numa homenagem da UEE ao grande professor, Fernando Gasparian, presidente, me pediu que fizesse o discurso de saudação à Gofredo. Calouro, no primeiro ano de curso, falar na Sala dos Estudantes, na tribuna de honra, onde discursavam grandes oradores como os veteranos Almino Afonso e José Gregori, eu estava apavorado. Tremi nas pernas. Tremi tanto que ao subir na tribuna tropecei na escada. Já no púlpito, em pé, levantei a voz e afirmei, sem saudar mais ninguém: -Professor Gofredo! Vossa Excia não nos decepcionou.
Foi um aplauso enorme. Ressuscitei. Até hoje tenho a impressão de que Goffredo era capaz de reerguer qualquer neófito, levantar qualquer causa perdida, e recompor a dignidade no meio das trevas. Sua Carta aos Brasileiros nos tirou de 30 anos de escuridão.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/06/2009 - 19:30
A desconstrução do anjo
Hoje em dia não é fácil morrer aos cinqüenta anos. Por isso mesmo nos chocamos e acreditamos que Michael morreu muito jovem. Um menino quase. Aliás o menino que ele nunca deixou de ser.
Ao consagrar-se com seis anos de idade, o quinto dos Five, era uma criança alegre, super ativa, com uma capacidade de se movimentar e dar ritmo ao movimento, invejável. Eram cinco, mas o quinto não parecia deste mundo. Pulava, dançava, cantava como um saci de duas pernas simétricas, coordenadas, gêmeas vitelinas.
Os cinco irmãos saíram do terrível guarda chuva paterno para a glória numa corrida bem americana, badalada, desenfreada de limusines e aquinhoada de riquezas.
O jovem Michael, já com vinte anos, era um homem bonito e genial. Compunha, tocava, cantava e dançava, como quem? Desse jeito. Ninguém.
Descolou-se dos Five sem perder a ternura.
Foi um fazedor de discos e o maior produtor de clipes que o “entertainment” já conheceu. Toda a produção do Cirque de Soleil não vale um só rodopio do Michael Jackson. Elvis bateria continência. Fred Astaire diria: – Além do que eu fiz, só ele. E as musicas, e as letras, e o canto, e as coreografias, e as produções cuidadosamente feitas e pagas por ele?
Com toda essa bagagem me espanta essa mania de querer ser branco. Porque meu Deus, mudar a cara tão bonita que Vossa Excelência lhe concedeu?
Burlar a pigmentação, afinar o nariz, criar um arco acima da íris. Tudo tão milimétrico a busca de outra rima, de outra estética. Tudo tão feio, patético, a ponto de ter que embelezar a sombra com fantasmas que lhe renderam um thriller de 120 milhões de cópias. Vendeu ao todo 750 milhões de cópias, sem contar as piratas.
O rosto e os hábitos impróprios de um anjo branco descoloriram a face e a fortuna. Morreu duro como um negrinho mal sucedido da periferia, mas acendeu todas as manchetes do mundo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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24/06/2009 - 10:27
De como Laura Góes emigrou do Palmares para a Serra
Laura Góes tem raízes serranas, mas o destino emigrou-a para geografias diversas, principalmente São Paulo, onde, professora de matemática, criou dois colégios muito reconhecidos: o Palmares e o Gávea. Deve ter sido um grande mestre pois foram centenas os ex-alunos presentes ao lançamento de seu livro “A Cozinha da Alcobaça”.
Da mesma forma que emigrou, Laura, mãe da escritora Marta Góes, autora da inesquecível peça de teatro sobre Elizabeth Bishop, desemigrou e, há vinte anos, se instalou no chalé familiar em Petrópolis.
Com um senso altamente profissional comprou a parte familiar da propriedade e instalou a Pousada Alcobaça, com todos os requintes de uma pousada de charme e a simplicidade de uma boa propriedade pessoal.
Assim como é verdade que o frio civiliza, boa culinária proporciona alegria à civilização. Boa culinária é resultado de empenho e experiência. Laura pratica essas duas virtudes, como nos demonstra esse livro delicado que li num único gole, como se um bom trago de vodca.
Mas boa cozinha também exige um território civilizado. E isso é proporcionado pela região serrana de Petrópolis. Laura encontra por lá tudo o que precisa, não para uma cozinha caseira, mas para uma cozinha natural sofisticada. Bons legumes sem agrotóxico, frutas da região, incluindo morangos silvestres, galinhas caipiras, porcos, leitoas e bons tubérculos. Os temperos planta no próprio jardim da pousada e sabe usá-los. Tempero é como uma boa prosa, não aceita mais nem menos. É inteligência dosada.
Laura nos dá, além de todas essas delicadezas, alguns usos e receitas inesquecíveis. Melhor prová-las por certo, mas porque não tentar executá-las na intimidade de um fogão próprio?
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22/06/2009 - 16:50
O MÍNIMO QUE SE EXIGE PARA A PRESERVAÇÃO DA AMAZÔNIA É A TOLERÂNCIA ZERO. O RESTO É BABOSEIRA.
Desmatamento é como erosão. Começa como um filete que logo se transforma numa avalanche. Não faltam inventores do progresso para justificarem a devastação do meio ambiente. Não faltam bancadas ruralistas, nem bancas de roleta. Não faltam oligarcas armados. Não faltam representantes do povo. Não faltam exploradores travestidos em pregadores evangélicos. Não faltam GRILEIROS com armas jurídicas nas mãos sujas.
Só faltava uma MP recheada como uma empadinha. Ei-la aí, a desmoralizar ainda mais o Congresso Nacional. Abrindo portas e comportas para os grileiros, para os fazedores de deserto, para os madeireiros, para os criadores de gado em lugar errado. Isso já é demais. O Lula precisa vetar a MP desfigurada. Ainda pior do que o soneto, a emenda. Diria melhor, o remendo.
Triste o país que fica feliz com a notícia de que o desmatamento diminuiu um pouco no trimestre passado. Não existe meia honestidade, meia virgindade, meio desmatamento. Marina Silva tinha razão, o infortunado MINC também, até os ingênuos cavaleiros do Green Peace estão com a razão.
Aos criadores que de boa fé acorreram aos apelos da ditadura Militar para se instalarem no Pará, resta um acordo com a natureza e com a lei: reflorestar o percentual exigido, respeitar os recursos humanos e criar seu gado no pasto legal.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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21/06/2009 - 18:15
O mesmo lirismo em Goethe e em Yoshiro Takita
As altas demandas do espírito não estão longe como presumimos. São Paulo, no-las oferece em pencas, se não tivermos preguiça em alcançá-las.
Apenas ontem, em circunstâncias diversas, colhi duas obras primas do lirismo, como um eixo a unir matizes, tão distintas: A PARTIDA, filme japonês que venceu o OSCAR de melhor filme estrangeiro e ELEGIAS DE MARIENBAD, que Goethe escreveu com 74 anos sobre seu amor com uma jovem de 20.
O filme de Yojiro Takita trata com a precisão da lâmina de coisas sem as quais a vida não teria sentido: a solidão, o amor humano, o trabalho, o amor do pai ausente e a morte.
Na vida infortunada e sem oportunidades, Daigo, o tocador de Cello, foi trabalhar com a morte, profissão infamante que lhe trouxe, contudo, a vida de volta: a música, a mulher e o pai pródigo.
Goethe não teve o mesmo consolo, além da poesia e de todo saber que o iluminava. Na triste elegia do amor que tudo ilumina e se elimina, como o acaso e a sabedoria da jovem amante, ao abandoná-lo.
” Poesias Escolhidas” de Goethe foi editada pela Átomo, na coleção Raizes Clássicas e
” Fausto” completo, foi traduzido e editado pela Editora 34.
” A Partida” ainda está na Sala Vila Lobos, do Belas Artes.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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20/06/2009 - 08:33
O BINGO RIDES AGAIN
A aprovação do Bingo volta à pauta da Câmara Federal. Só falta o parecer da Comissão de Justiça para entrar em debate e votação. A alegação favorável é a de que o Bingo vai proporcionar 6 bilhões de arrecadação aos cofres públicos. Isso não é um absurdo. É uma aberração.
Uma economia saudável não se mede pela capacidade de arrecadação, mas pelo bom gasto dos recursos públicos. Uma das causas do fim do Império Romano foi o aumento indiscriminado de arrecadação, com a fixação de novas fontes de renda, tiradas principalmente da classe media romana. Outra causa, lembrada pelo historiador Gibbens, foi a diminuição de verbas públicas para a educação dos filhos dos legionários.
No Brasil, todos nós sabemos que não há retorno adequado ao que pagamos de impostos. Mas sabemos perfeitamente os estragos que a liberação do pingo deverá causar,como aliás todos os jogos de azar: vicio, sonegação, tráfico de drogas, prostituição… O custo benefício da nova arrecadação será anulado pelos malefícios já cantados em prosa e verso pelo próprio presidente da República, a quem incumbiria o veto, no caso da aprovação da proposta de ressurreição do Bingo. Vamos ver.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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18/06/2009 - 11:11
PORQUE NAO SE DISCUTE A ÉTICA DO ENSINO GRATUITO?
Da mesma forma que o inverno sempre começa em data prevista, as greves da USP, tem preferência pelo outono. Não que greve seja apenas um calendário como o Fashion Show; tem suas razões visíveis e invisíveis. Os salários baixos e médios no Brasil, são mesmo muito baixos, sobretudo o dos professores públicos. Na universidade ainda há a compensação de um trabalho relevante e gratificante, o que não acontece no ensino médio e básico. Os salários administrativos também são sempre insuficientes. Outros fatores também frustram: a independência mal compreendida da instituição; a administração precária e antiquada; a gestão pouco representativa do ponto de vista institucional e , principalmente a sustentabilidade.
Todos esses fatores alimentam a indústria ideológica da greve, em lugar de estimular o debate democrático das questões. Há um comando inercial minoritário de greve que empolga a referida temporada de reivindicações. Além disso há a imprudência histórica do poder público que ainda confia mais na polícia do que na estratégia. E mais que tudo há a indiferença de uma grande maioria que não quer comprometer a pele nem a cabeça com qualquer tipo de debate ou confronto.
Um dois debates é a questão do dinheiro, quero dizer, da sustentabilidade. Apesar das universidades públicas contarem com um percentual financeiro, constitucional e fixo do orçamento estadual, o dinheiro não dá, nem para o custeio e muito menos para a pesquisa. De dezenas de artigos publicados sobre a greve, ninguém toca nesse tabu. Ninguém toca porque envolve a questão da gratuidade.
Claro que universidade é uma instituição universal e deve contemplar o mais amplo acesso possível. Amplo acesso não se confunde com universidade pública gratuita para todos. Universidade gratuita, sim, para quem precisa.
Um menino pobre, que fez um péssimo curso na escola publica, não consegue entrar na universidade pública que é melhor do que as privadas. Esses meninos ou meninas pobres vão para as universidades privadas, que são caras e por isso mesmo tem enormes índices de inadimplência, apesar de constituírem um dos melhores negócios do Brasil, depois dos bancos e dos super mercados. Para as universidades públicas vão, em sua maioria, os estudantes das boas escolas privadas, que passam com mais facilidade no vestibular. Não há verba publica que consiga arcar com as despesas de ensino, pesquisa, custeio, manutenção, salários dignos para professores, dando aula de graça para quem pode e deve pagar. Justo é que se reserve o ensino gratuito para tantos quantos necessitem dele para o acesso e precisam cursar em pe de igualdade com os outros colegas.
Antes que me atirem pedras, gostaria de ver a questão debatida com isenção, sem piquetes nem polícia.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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17/06/2009 - 12:32
Entre a Atenas brasileira e o Senado romano
A democracia tem mais instrumentos para sanear suas instituições do que qualquer outro regime. Isso dito, esta claro que o Senado pode proceder a uma reforma saneadora em suas condutas administrativas. Já a conduta política exige muito mais. Exige uma reforma profunda, que qualifique as representações, em vez de privilegiar a manutenção histórica dos mandatos, hoje considerados como emprego.
Sarney tem história, idade e experiência. Pode salvar a própria imagem e a do Senado, o que é mais importante. Digo isto porque as instituições sempre necessitam de um agente detonador, para o bem ou para o mal. Normal que esse agente seja o presidente da instituição, com prestigio suficiente para peitar as medidas necessárias.
Mas Sarney precisa primeiro peitar a si mesmo. Deixar o conforto da composição para adotar o conflito armado (armado principalmente de princípios). Depois precisa peitar o Renan Calheiros, que voltou com tudo, depois de um breve susto e se pretende dono do Senado. Calheiros não é apenas uma raposa, é um manipulador competente. Conhece o pasto e os carneiros. Sabe adoçá-los. Sabe fazer com que as coisas fiquem eternamente como são, o que é do agrado geral neste Senado desfibrado.
O discurso pronunciado ontem por Sarney não terá a menor significação se ele não tomar providências urgentes.
Sarney já foi negligente com seu Estado, ao candidatar-se por outro estado e ter deixado sua geografia entregue às baratas. A Atenas brasileira transformou-se numa ruína de azulejos deteriorados. A educação dos atenienses de São Luiz, atingiu um nível ainda mais baixo do que suas águas em maré baixa.
A oligarquia dominante, pois domina todos os poderes da região, não foi capaz de ajustar o Maranhão. A última oportunidade do seu titular é ajustar o Senado, senão o “imortal” vai virar um memorial de triste memória.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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15/06/2009 - 17:31
COPA 14 – UMA OPORTUNIDADE EDUCATIVA.
Todo mundo quer sediar a Copa 14. Cada estado quer preparar seu tapete vermelho para receber as seleções e os torcedores de todo o mundo. Cada cidade quer oferecer um estádio mais moderno, mais cômodo e mais seguro para a torcida e um campo mais verde para as disputas.
Da mesma forma que as Olimpíadas transformaram Barcelona na mais moderna das cidades do Ocidente, cada uma das capitais escolhidas para os jogos do campeonato pretende atualizar as obras de infra-estrutura, vencer o problema da segurança, criar um clima de simpatia e cordialidade.
Contudo, o principal é o Brasil dar um exemplo de civilidade. Civilidade é preparar a copa com uma certa austeridade, austeridade de país pobre e sério. Não podemos dar a espetáculo do esbanjamento e muito menos a espetáculo da roubalheira, a pretexto da pressa e do volume de obras. São Paulo não quer disputar a honra da abertura da Copa se isso exigir gastos suntuários em estádios suficientes.
Essas grandes festas internacionais exigem um conjunto de providências, entre os quais a preparação de recursos humanos é fundamental. Receber bem as representações e os torcedores é tão importante quanto melhorar os banheiros dos estádios. Equacionar o trânsito é fundamental. Prever hospedagem condigna, idem. Garantir a integridade física de todos, também. São coisas obvias que custam menos do que obras caras, mas de curta duração.
Educar o poder público para o evento, se educar com a população e as torcidas, alertar os empreiteiros para a dignidade do evento, limpar, iluminar e enfeitar a cidade, não são projetos caros. São projetos civilizadores.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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14/06/2009 - 13:25
RECMENDAÇÕES DE NIETZSCHE
Desde que fiz este BLOG, sempre procurei produzir “recomendações para um jovem sair da ignorância”. Nunca fui farisaico a ponto de não me incluir e a muitos outros entre os que necessitavam de algumas recomendações.
A humanidade nem sempre esta suficientemente pronta, limpa e realizada como pretendem os oligarcas de direita, os caciques do centro e os jovens xiitas de esquerda. Não existe ninguém completamente realizado nestes termos, nem instituições. Frei Reginaldo Alves de Sá, meu guru dominicano, morto há muito tempo no Rio de janeiro, costumava dizer: “Realizado, mesmo, só uma vaca gorda, num pasto verde”.
Para os que pretendem construir esse mundo irreal, cheio das purezas produzidas por sua mente estreita, recomendo este texto notável de Nietzsche. Tenho me apropriado muito de Nietzsche, apesar de minha formação ser a antítese de tudo o que ele escreveu. Mas a idade nos permite nadar em todas as águas do conhecimento, sem qualquer risco de afogamento:
“O gênio da cultura procede como Cellini, quando ele produzia sua estátua de Perseu: a massa liquefeita ameaçava não bastar, mas tinha que; então ele jogou pratos e travessas ali dentro, e mais tudo que lhe caiu em mãos. De igual modo aquele gênio lança dentro erros, vícios, esperanças, ilusões e outras coisas, tanto de metal nobre quanto de metal vil, porque a estátua da humanidade, tem que ser produzida e completada; que importa se aqui e ali foi empregado material inferior?”
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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