EDUCAÇÃO, DIREITOS E OPROTUNIDADES
DOS DIREITOS E DEVERES
Na reunião do comitê de Educação do Conselho da TV Cultura, o decano Moacyr Expedito, sugeriu que a educação moderna só fala em direitos e nunca fala em deveres e que isso tem deformado o homem moderno que guarda uma limitada noção do que é cidadania e do que é praticá-la.
Assim, sugere que a programação educativa da televisão se ocupe mais dessa questão, fazendo programas que revelem essa distorção.
Busquei procurar algumas da causas do que afirma o Expedito para ver o que se pode fazer em termos de televisão. Acabei por perceber que a questão vai mais fundo. Não são as escolas que devem ensinar melhor, é o homem moderno que deve se reeducar inteiramente.
Depois dos últimos cinqüenta anos, nos quais as grandes ditaduras européias foram substituídas pelas ditaduras latino americanas, fomentadas pela guerra fria, os homens passaram a reclamar, com justa razão, os direitos perdidos, sobretudo os direitos humanos, tão aviltados. As prisões e as torturas tropicais seguiram-se ao holocausto, monumento mais cabal da violação dos direitos humanos, que levou Hanna Arendt a consagrar o “direito a ter direitos”.
Já no campo econômico, o neoliberalismo delirante, levou-nos a prática de que devemos aproveitar todas as oportunidades para ganhar dinheiro, quaisquer que fossem os meios oferecidos pelo mercado e pela iniciativa pessoal. Assim, por essas duas razões vivemos a seguinte realidade: reclamos direitos e oportunidades. Faltam duas palavras nessa equação: deveres e ética.
Direitos sem os correspondentes deveres constituem uma operação truncada, da mesma forma que oportunidade sem respeito à ética só pode nos levar a outra crise como esta. Os aplicadores nos fundos do Madoff, os que acreditaram no boom imobiliário, os que esbanjaram nas bolsas de valores, os que acreditaram nos derivativos precisam pensar um pouco menos nos seus sagrados direitos e nas grandes oportunidades do mercado financeiro antes de entrarem na roda viva da especulação predatória.
