iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

Arquivo de maio, 2009

31/05/2009 - 19:33

RECOMENDAÇÕES A UM JOVEM ESCRITOR (NIETZCHE)

 

 

Em “Humano, Demasiado Humano” o velho filósofo pontifica. Reproduzo com humildade seu texto magnífico:

A seriedade no oficio – Só não falem de dons e talentos inatos! Podemos nomear grandes homens de toda a espécie que foram pouco dotados. Mas adquiriram grandeza, tornaram-se “gênios” como se diz, por qualidades de cuja ausência ninguém que nela esteja cônscio gosta de falar: todos tiveram a diligente seriedade do artesão, que primeiro aprende a construir  perfeitamente as partes, antes de ousar fazer um grande todo; permitiram-se tempo para isso, porque tinham mais prazer em fazer bem o pequeno e secundário do que no efeito de um todo deslumbrante. É fácil dar a receita, por exemplo, de como se tornar um bom novelista, mas a realização pressupõe qualidades que geralmente se ignora ao dizer: – eu não tenho talento bastante.

 

Que alguém faça dezenas de esboços de novelas, nenhum com mais de duas páginas, mas de tal clareza que todas as palavras sejam necessárias; que registre diariamente anedotas, até aprender a lhes dar a forma mais precisa e eficaz; que seja infatigável em retratar tipos e caracteres humanos; que sobretudo conte histórias com a maior freqüência possível e escute histórias, com olhos e ouvidos atentos ao efeito provocado nos demais ouvintes; que viaje como um paisagista ou um pintor de costumes; que extraia de cada ciência tudo aquilo que , sendo bem exposto, produz efeitos artísticos; que reflita, afinal, sobre os motivos das ações humanas, sem desdenhar nenhuma indicação que instrua nesse campo, e reunindo tais coisas dia e noite. 

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/05/2009 - 18:22

AS CASAS DE MARIA IGNEZ E TUCA

CASAS PAULISTAS

 

Maria Ignez Barbosa, além de seu notável desempenho como embaixatriz, sempre foi uma grande jornalista. Fez reportagens e entrevistas da melhor qualidade. Seu livro, escrito sobre fotografias das grandes casas de São Paulo, da coleção de Tuca Reinés, fotógrafo da Vogue, reúne a repórter com o seu lado de antropóloga. No fundo, Maria Ignez quis mostrar o gosto de morar dos paulistanos ricos, que traduzem suas vidas na escolha das alfaias, dos móveis ou dos decoradores que contratam para completar seus projetos de morar.

Há no livro cinco casas de exuberante decoração que chegam a marcar uma tendência da alta burguesia paulista de viver no décor dos aristocratas de nova York, que por sua vez, querem viver na mesma decoração do apartamento do Barão de Rotschild.  Há belas casas modernas que revertem essa tendência do Jardim Europa de transformar todos os seus belos palacetes ecléticos em Chateaux do Loire. Há uns poucos apartamentos com a cara e a graça de seus proprietários. Campos do Jordão nos reserva duas obras primas: uma com o gosto da natureza, a outra com o gosto da solidão. 

A série de fazendas paulistas de paulistanos mostra uma simplicidade comum às fazendas de São Paulo, que mantêm a sua dignidade, apesar da tentação controlada dos decoradores.

O texto de Maria Ignez é muito sutil na percepção do paulistano em sua relação com os objetos do desejo, dos quais a casa é a expressão mais eloqüente. As fotografias, de um grande fotógrafo que é Reinés, lembram demais as edições especiais de Casa Vogue. São demasiado documentais. Poderiam ter buscado a transcendência, elemento indispensável num livro de arte.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/05/2009 - 23:41

II FORUM DE TELEVISÕES PÚBLICAS

AS PRIMEIRAS DECISÕES DO FORUM 

 

As associações do campo público de televisão estão realizando em Brasília um importante Fórum para dar andamento a algumas decisões geradas no primeiro Fórum mas que precisam de andamento. Além disso este Forum deve preparar recomendações para a Conferência Nacional de Comunicações que será realizada em dezembro deste ano. No primeiro dia de intenso trabalho as resoluções foram as seguintes:

 

Legislação.

Elaboração de um decreto legislativo, de uma medida provisória ou de um projeto de lei extinguindo de vez o Dec. 236 e, principalmente seu artigo 14, editado em 1967 pela ditadura militar.

Financiamento.

Criação de um Fundo Nacional para financiar o campo público de televisão

em complementação aos demais meios de subsistência.

Permissão de  patrocínio institucional nos termos da lei que instituiu a EBC.

Audiência e conteúdo.

Criação de um Instituto Público de Comunicação Televisão e Pesquisa. Esse instituto deverá coordenar todo o pensamento de comunicação produzido no Brasil pelas emissoras, instituições e universidades e divulgá-los. Deverá ainda produzir pesquisas de opinião mais amplas e aprofundados do que as realizadas pelo IBOPE, sobre audiência, conteúdos e significado da televisão pública.

TV Aberta.

O governo deve autorizar a migração das televisões universitárias e comunitárias para o sistema e televisão aberta digital.

 

  

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/05/2009 - 20:49

EDUCAÇÃO, DIREITOS E OPORTUNIDADES

DOS DIREITOS E DOS DEVERES

Na reunião do comitê de Educação do Conselho da TV Cultura, o decano Moacyr Expedito, sugeriu que a educação moderna só fala em direitos e nunca fala em deveres e que isso tem deformado o homem moderno que guarda uma limitada noção do que é cidadania e do que é praticá-la.

Assim, sugere que a programação educativa da televisão se ocupe mais dessa questão, fazendo programas que revelem essa distorção.

Busquei procurar algumas da causas do que afirma o Expedito para ver o que se pode fazer em termos de televisão. Acabei por perceber que a questão vai mais fundo. Não são as escolas que devem ensinar melhor, é o homem moderno que deve se reeducar inteiramente.

Depois dos últimos cinqüenta anos, nos quais as grandes ditaduras européias foram substituídas pelas ditaduras latino americanas, fomentadas pela guerra fria, os homens passaram a reclamar, com justa razão, os direitos perdidos, sobretudo os direitos humanos, tão aviltados. As prisões e as torturas tropicais seguiram-se ao holocausto, monumento mais cabal da violação dos direitos humanos, que levou Hanna Arendt a consagrar o “direito a ter direitos”.

Já no campo econômico, o neoliberalismo delirante, levou-nos a prática de que devemos aproveitar todas as oportunidades para ganhar dinheiro, quaisquer que fossem os meios oferecidos pelo mercado e pela iniciativa pessoal. Assim, por essas duas razões vivemos a seguinte realidade: reclamos direitos e oportunidades. Faltam duas palavras nessa equação: deveres e ética.

Direitos sem os correspondentes deveres constituem uma operação truncada, da mesma forma que oportunidade sem respeito à ética só pode nos levar a outra crise como esta. Os aplicadores nos fundos do Madoff, os que acreditaram no boom imobiliário, os que esbanjaram nas bolsas de valores, os que acreditaram nos derivativos precisam pensar um pouco menos nos seus sagrados direitos e nas grandes oportunidades do mercado financeiro antes de entrarem na roda viva da especulação predatória.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/05/2009 - 20:46

EDUCAÇÃO, DIREITOS E OPROTUNIDADES

DOS DIREITOS E DEVERES

Na reunião do comitê de Educação do Conselho da TV Cultura, o decano Moacyr Expedito, sugeriu que a educação moderna só fala em direitos e nunca fala em deveres e que isso tem deformado o homem moderno que guarda uma limitada noção do que é cidadania e do que é praticá-la.

Assim, sugere que a programação educativa da televisão se ocupe mais dessa questão, fazendo programas que revelem essa distorção.

Busquei procurar algumas da causas do que afirma o Expedito para ver o que se pode fazer em termos de televisão. Acabei por perceber que a questão vai mais fundo. Não são as escolas que devem ensinar melhor, é o homem moderno que deve se reeducar inteiramente.

Depois dos últimos cinqüenta anos, nos quais as grandes ditaduras européias foram substituídas pelas ditaduras latino americanas, fomentadas pela guerra fria, os homens passaram a reclamar, com justa razão, os direitos perdidos, sobretudo os direitos humanos, tão aviltados. As prisões e as torturas tropicais seguiram-se ao holocausto, monumento mais cabal da violação dos direitos humanos, que levou Hanna Arendt a consagrar o “direito a ter direitos”.

Já no campo econômico, o neoliberalismo delirante, levou-nos a prática de que devemos aproveitar todas as oportunidades para ganhar dinheiro, quaisquer que fossem os meios oferecidos pelo mercado e pela iniciativa pessoal. Assim, por essas duas razões vivemos a seguinte realidade: reclamos direitos e oportunidades. Faltam duas palavras nessa equação: deveres e ética.

Direitos sem os correspondentes deveres constituem uma operação truncada, da mesma forma que oportunidade sem respeito à ética só pode nos levar a outra crise como esta. Os aplicadores nos fundos do Madoff, os que acreditaram no boom imobiliário, os que esbanjaram nas bolsas de valores, os que acreditaram nos derivativos precisam pensar um pouco menos nos seus sagrados direitos e nas grandes oportunidades do mercado financeiro antes de entrarem na roda viva da especulação predatória.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/05/2009 - 11:39

ENTRE FERNANDA MONTENEGRO E SIMONE DE BEAUVOIR

UM MONÓLOGO NECESSÁRIO

 

Conheci a escritora francesa quando ela veio ao Brasil com Sartre, a convite do Teatro Oficina. Ao lado de Sartre, em Araraquara, sozinha na FAAP, onde fez uma palestra. Já estava na maturidade, mantinha a lucidez, mas perdera um pouco da beleza, apesar dos olhos claros e abertos. Sua fala era precisa e irretocável, mas não transmitia simpatia, ao contrario de Sartre que encantou a todos, mesmo quando postulou algumas heresias em Araraquara, para os ouvidos ortodoxos dos marxistas da USP.

O monólogo de Fernanda Montenegro nos trouxe de volta a revolucionária encantadora que nos arrebatou com sua coerência, sua coragem, seu feminismo e sua paradoxal fidelidade a Sartre, o segundo autor de sua própria vida.

A seqüência de cartas tão bem escolhidas, permitiu a Fernanda que nos contasse uma historia curta e densa, precisa e emocionante, escandalosa como toda revolução humana, verdadeira nas entranhas e na periferia do ser histórico.

O silêncio do auditório mostrou amadurecimento, uma grande capacidade de sentir e compreender a mensagem de Fernanda Montenegro. Nem seria preciso o som das “Feuilles Mortes” porque já estávamos todos transportados para a França existencialista de Jean Paul Sartre.

Como este é um BLOG de recomendações, sobretudo para os que desejam se desquitar da ignorância, o blogueiro recomenda enfaticamente uma ida ao SESC da Vila Nova.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/05/2009 - 00:00

COMER BEM EM VILA MADALENA

LOLA SEM RESTRIÇÕES

 

 

Talvez um BLOG esteja para um TWITTER como uma frase está para o parágrafo. Ambos resultam de inspirações, sintéticas ou analíticas. Em ambos cabe tudo: um flagrante, um delírio, uma observação crítica, um comentário superficial, uma porrada, uma defesa, uma poesia, uma recomendação, um flash, uma foto, um desenho, que também são linguagem nesse mundo da opinião.

Não podemos criticar nem achar que o blogueiro é um sabichão quando ele se põe a falar de tudo. O tudo do blogueiro é o tudo de todo o mundo, são as coisas que qualquer um aprecia ou desaprecia nesse mundo, que nesses quesitos é de todos.

Assim posso falar do LOLA, restaurante da filha do paizão, um pai modelo, que já não é, mas deixou frutos.

Quando a cera é boa a vela se extingue inteiramente. Um prato também. Quando a comida é boa o prato se extingue inteiramente.

No LOLA é assim. Uma pequena gorda codorna recheada tem codorna, recheio misterioso, batata ao forno pincelada de óleo e alho e um morrinho de castanha. Um ragú de cordeiro tem de tudo dentro da cumbuca de cobre, que a gente nem pergunta o que tem dentro, come tudo. O “patê de campagne” não vem da França como sugere o nome, vem da sabedoria de transformar um fígado em paladar. Um simples spaghetini tem molhos de avós ancestrais perdidos numa horta da Toscana.

Daniela plantou um belo espaço no ladeirão da Purpurina, em Vila Madalena. Além disso é o restaurante com a melhor lista de vinhos servidos em taças. Daniela está colhendo os frutos com seu enorme chapéu de “chef”.    

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/05/2009 - 22:23

DO “LEITE DERRAMADO” SOBROU TUDO

porque chico é uma unanimidade…

 

Tem gente que acha que o Chico, um dois maiores cancioneiros de nossa música, devia se restringir a fazer canções. Que o Caetano também não deveria tirar o pé do terreiro da música genial que produz.

Acho isso uma tolice. Caetano, além de tudo o que é, é um ensaísta nato e refinado.

Todos os temas sobre os quais pincela, ganham um colorido crítico inédito e profundo. Caetano pensa, logo é um pouco mais do que nós, pobres mortais.

Do Chico se diz que é um gênio e ganhou a unanimidade, como o céu azul do mediterrâneo. É mesmo um gênio, isto é, tem engenho e arte. Sua unanimidade só não consegue esconder uma esfuziante tristeza. Que vem de nada, para confundir um pouco.

Felizmente, desde a mais precoce maturidade escreve. Me bastei com Estorvo, seu primeiro livro. Um bom livro não é o que realiza um escritor, é o que realiza o leitor. Estorvo ficou inteirinho na minha leitura, sem tirar nem por. Budapeste é o roteiro da própria linguagem, por isso mesmo que cidades se constroem na imaginação, como as cidades invisíveis de Calvino. Como a elas, tão diversamente, percorri Budapeste, e como no Estorvo, percorri inteiramente. Os livros do Chico não deixam frestas. Agora, a saga do Leite Derramado, enxuto como se não tivesse nada a limpar no chão do hospital. A memória é um bem inteiramente pessoal.

Difícil um livro mais bem escrito do que este. Mas o que é um livro bem escrito? Talvez um livro do qual não se tenha que tirar nada nem acrescentar nada. Um livro que nos traz de volta a nossa própria memória. Um livro que nos faz pensar no livro que nunca escreveremos. Um livro que lembra o nosso avô, sempre perdido numa fortuna que perdemos. Os grandes romances e contos, ás vezes nos reservam frases inesquecíveis, como aliás, as poesias também, têm versos que iluminam todo o poema. Em Leite Derramado há um momento em que o autor

Alcança os píncaros machadeanos quando, referindo-se à desfiguração da filha, escreve: “Era como se, na calada da noite, Matilde passasse para buscar suas coisas no rosto da filha, em vez de vestidos no armário

ou dos brincos na gaveta”.

Chico não é mais uma unanimidade, é um a mais na maturidade. 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/05/2009 - 12:08

ANJOS E DEMÔNIOS

O desencontro entre a ciência e as instituições

 

Às favas os críticos e as estrelinhas. Anjos e Demônios é uma trilha cinematográfica intensa, com enorme ritmo e suspense da primeira à última tomada. Akiva Goldsman, o roteirista enxugou o livro de Dan Brown e o diretor, Don Howard fez cinema, cinema americano, como o diabo gosta.

A Igreja católica não gostou do filme, quase chegou a proibir os fiéis de irem ao cinema, mas sem razão. O livro não é ofensivo à Igreja, embora no delírio ficcional, desmoralize alguns clérigos e procedimentos vaticânicos. No fundo respeita a sábia trajetória da Igreja tradicional e lhe recomenda maior atenção ao desenvolvimento da ciência. Aliás, roteiro e diálogo têm um alto nível, quando revelam a enorme discrepância entre o pensamento e a ação das instituições em face da evolução científica. A melhor filosofia do século XX nos ensina que a ciência, a verdade, a arte, a política, a fé, enfim as coisas palpáveis se equivalem. Resta à inteligência política estabelecer um bom relacionamento entre elas, porque a priori nenhuma delas é menos apreciável. Assim a ciência não pode andar divorciada das instituições, principalmente das religiões, sob pena dessas sofrerem um grande arrependimento tardio.

Isso dito, o roteiro do simbologista Robert Langdon através da Roma Católica e de seus prepostos religiosos ou militares é fascinante. Imagens, altares e assassinatos sangrentos contrastam com a púrpura imaculada do conclave no qual se elege um novo papa sobre o cadáver do bom papa assassinado. O mal é secular e os conspiradores, assassinos profissionais. Não espanta que embora em hábitos religiosos saibam pilotar helicópteros e apontar armas como os bandidos dos bang-bang.

No fim vence a ciência e vence a religião tradicional, cada um no seu devido lugar, como aconselharia Wittgenstein.

Cinema se faz com utensílios específicos. Don Howard não desperdiçou nenhum deles, embora tenha exagerado em alguns. Mas isso não desrespeita anjos nem demônios.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/05/2009 - 14:23

ANJOS E DEMÔNIOS

A distância entre a ciência e as instituições 

Às favas os críticos e as estrelinhas. Anjos e Demônios é uma trilha cinematográfica intensa, com enorme ritmo e suspense da primeira à última tomada. Akiva Goldsman, o roteirista enxugou o livro de Dan Brown e o diretor, Don Howard fez cinema, cinema americano, como o diabo gosta.

A Igreja católica não gostou do filme, quase chegou a proibir os fiéis de irem ao cinema, mas sem razão. O livro não é ofensivo à Igreja, embora no delírio ficcional, desmoralize alguns clérigos e procedimentos vaticânicos. No fundo respeita a sábia trajetória da Igreja tradicional e lhe recomenda maior atenção ao desenvolvimento da ciência. Aliás, roteiro e diálogo têm um alto nível, quando revelam a enorme discrepância entre o pensamento e a ação das instituições em face da evolução científica. A melhor filosofia do século XX nos ensina que a ciência, a verdade, a arte, a política, a fé, enfim as coisas palpáveis se equivalem. Resta à inteligência política estabelecer um bom relacionamento entre elas, porque a priori nenhuma delas é menos apreciável. Assim a ciência não pode andar divorciada das instituições, principalmente das religiões, sob pena dessas sofrerem um grande arrependimento tardio.

Isso dito, o roteiro do simbologista Robert Langdon através da Roma Católica e de seus prepostos religiosos ou militares é fascinante. Imagens, altares e assassinatos sangrentos contrastam com a púrpura imaculada do conclave no qual se elege um novo papa sobre o cadáver do bom papa assassinado. O mal é secular e os conspiradores, assassinos profissionais. Não espanta que embora em hábitos religiosos saibam pilotar helicópteros e apontar armas com os bandidos dos bang-bang.

No fim vence a ciência e vence a religião tradicional, cada um no seu devido lugar, como aconselharia Wittgenstein.

Cinema se faz com utensílios específicos. Don Howard não desperdiçou nenhum deles, embora tenha exagerado em alguns. Mas isso não desrespeita anjos nem demônios.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo