Arquivo de abril, 2009
30/04/2009 - 19:46
AS LISTAS PARTIDÁRIAS DE CANDIDATOS
Depois da aprovação, pelos líderes, das proibições aéreas, a Câmara Federal dá indícios de que poderá aceitar alguns itens da reforma política.
Estaria propensa a aceitar a eleição dos deputados através de listas oferecidas pelos partidos. Essas listas seriam compostas meio a meio pelas bases e pelos caciques dos partidos. Melhor seria que as listas dos candidatos fossem de indicação , por voto, das convenções partidárias. Assim, qualquer militante do partido, que desejasse ser candidato, lançaria sua própria candidatura ou seria indicado por outros militantes na convenção do partido. Os candidatos com maior votação constariam da lista por ordem de votos. Assim, haveria uma representação democrática dos partidos nas eleições a partir da escolha das bases. É uma coisa simples que acaba com o monopólio dos donos dos partidos, sem o apoio dos quais é quase impossível uma candidatura. Mas isso é só o começo. A sociedade exige mais para o completo restabelecimento do congresso DE SUA GRIPE SUINA.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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29/04/2009 - 13:08
AJUDE A SALVAR A DEMOCRACIA
A desconstrução do Congresso, iniciada nos últimos 10 anos, chegou ao intolerável, mas contem uma vacina paradoxal. Ninguém de bom senso quer fechar o Congresso para recuperá-lo. Assim, resta-nos, o que é bom, usar a democracia para salvar a democracia. Remendar tapa os buracos mas não resolve a questão.
Só uma reforma política, já e radical, pode salvar este congresso e com ele a democracia no Brasil.
Reforma política seria a coisa mais simples do mundo se os deputados e senadores não fossem contra. São contra porque o que está aí facilita suas reeleições e a vida deles também está muito boa. Não há mais que dez projetos de origem legislativa aprovados pelos deputados na última legislação. Ninguém ainda calculou o custo per capita de cada projeto.
Para não ir longe reforma política é :
- definir o financiamento das campanhas
- fixar a fidelidade partidária
- introduzir o voto distrital misto, tornar as listas partidárias de escolha das convenções e
- impedir que as legendas de aluguel se multipliquem.
Creio que basta isso.
Como não há lideranças para puxar a campanha, precisamos de duas coisas: ir para a rua e criar as redes de convocação na internet.
Este blog espera sugestões urgentes.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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28/04/2009 - 22:07
SANTO AGOSTINHO NO CENTRO DE SÃO PAULO
O Instituto Jacques Maritain, fundado por Montoro e por Alceu de Amoroso Lima, exerce suas atividades a partir do Mosteiro de São Bento no centro de São Paulo. Sua diretoria resolveu criar um Café Filosófico, no Café Girondino na esquina da São Bento com a praça, todas as últimas segundas feiras do mês.
A primeira palestra, feita pelo professor Antonio Marchionni, da PUC, foi sobre a filosofia de Santo Agostinho.
Pois nesta segunda feira, no fim de um dia, sempre cansativo, de São Paulo, a sala estava cheia, principalmente de jovens. Jovens estudantes de filosofia, em sua maioria da classe C. Até o palestrante ficou surpreso com a quantidade e o nível das perguntas feitas pelo auditório improvisado em torno das mesas do café.
Já tinha conhecimento de que 64% dos ouvintes do Café Filosófico da TV Cultura, também é constituído de jovens da classe C. Isso é compreensível porque provavelmente os jovens da classe A estão hoje muito mais preocupados com a Bolsa de Valores do que com filosofia.
Na próxima reunião, o teólogo Bernardo Catão, falará sobre os direitos humanos, do ponto de vista filosófico.
O Centro cada dia mais vai assumindo um novo papel cultural na cidade e a onda de cafés filosóficos tem se alastrado, também, nas grandes livrarias de bairros.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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27/04/2009 - 12:39
A NOVA PARTITURA DAS ELEIÇÕES
Já se costuma dizer hoje em dia que a única doença incurável é a longevidade.
Dilma revelou a Lula e ao público que tinha um linfoma, devidamente extirpado e que iria fazer quimioterapia.
Alguns médicos que encontrei por acaso no fim de semana me garantiram que a doença, quando o mal é eliminado na primeira fase, tem enormes chances de cura. Quando eu era criança,nem se dava nome ao câncer, chamava “aquela doença”, tal o horror que produzia nos interlocutores.
Do ponto de vista político, sobretudo numa conjuntura com poucos candidatos capazes de se alçarem aos patamares de prestigio do presidente e à visibilidade política do candidato de oposição, essa noticia, em cima do único candidato posto da situação, pois Ciro Gomes é o anticandidato de um estado emocional, produziu grande perplexidade.
Mas a verdade ainda é mais ampla do que a frase lapidar de Otto Lara Resende: “O mineiro só é solidário no câncer”. Pois todos os brasileiros são solidários no câncer. A revelação pública, feita em entrevista coletiva, pela candidata, por sugestão do Franklin Martins, causou um forte efeito. Coragem, serenidade e capacidade de conviver com a adversidade. Isso não reduz as conseqüências imediatas do fato, entre as quais a necessidade de se mudar o perfil do candidato a vice presidente. A remontagem da agenda, durante a “químio” também será necessária. Serra tinha pela frente uma candidata política de escolha pessoal do presidente. Agora tem uma candidatura com grande apelo emocional: uma mulher lutando contra o câncer.
Creio que isso muda o patamar de racionalidade das eleições. Dilma precisa balizar a luta contra a doença e Serra deve revelar um tom mais humano em seu comportamento.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/04/2009 - 12:16
OLHAR E FINGIR
Quando a pintura se transfigurava com a descoberta da luz, substituindo o realismo pelo impressionismo, a fotografia em pleno Século XIX se insinuou como um registro, não como arte. Contudo, aos poucos foi ganhando status e grande desenvolvimento tecnológico. Tornou-se uma obsessão para muitos amadores e mesmo pintores que substituíram uma arte pela outra.
Já percorremos mais de 150 anos de fotografia, cuja variedade, riqueza e quantidade e dispersão nos dificulta um juízo instantâneo desse universo. Confesso que estamos mais preparados para avaliar a pintura desse período do que a produção fotográfica.
A Exposição do MAM, nesse sentido, nos presta um grande favor. Revela-nos um universo selecionado da maior coleção particular de fotografias do mundo: o acervo de M+M AUER, Michel e Michelle. São 50 mil fotografias que esses abnegados colecionadores reuniram para revelar, num conjunto único, a história dessa dispersão criativa. Eder Chiodetto e Elise Jasmim, curadores da exposição que inicia as comemorações do ano da França no Brasil, no MAM de São Paulo, optaram por algumas representações relevantes da fotografia: transfigurações, beleza compulsiva, performance e fantasias formais.
A exposição fomentada pela presidenta Milu Villela é um sucesso. Melhor percorrer as trezentas fotos selecionadas, para compreender essa relevante parcela de um universo ainda desconhecido.
Felizmente a tecnologia nos permitirá um dia o acesso total à essa coleção, por meio dos palpáveis caminhos digitais.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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24/04/2009 - 12:26
CONGRESSO – FOI LONGE DEMAIS
A revelação de que os deputados se utilizam, por inocência presumível, de passagens aéreas para seus familiares, amigos, amantes, correligionários ou quantos tenham necessidade delas, não seria de espantar ninguém. Afinal, desde a fundação de Brasília, por motivos compreensíveis à época, os deputados voam a vontade. 50 anos não foram suficientes para depurar o hábito nem fazer ninguém se mancar.
O escândalo, inominável, está no desespero agressivo dos deputados diante da mínima possibilidade de moralização dos hábitos e costumes da casa legislativa. Quando o Senado anunciou a solução e o deputado Temer tentou segui-la, começou o grito. Mesmo a casa caindo aos pedaços, mesmo que todo mundo esteja se desmoralizando completamente, a turma não quer abrir mão de nada. Parece que ninguém foi eleito para legislar, mas para se reeleger sucessivamente, enquanto houver passagens grátis e verbas mensais monumentais, para assessores, correspondência, viagens e publicações.
O mundo está vivendo uma crise monumental, o Brasil ainda é o país com a pior redistribuição de rendas do mundo. O que afinal querem esses deputados? Culpar a imprensa pela sua autodestruição?
Não basta tapar o sol com a peneira. Estamos na ultima hora de fazer uma reforma política, que mude a relação com os partidos, dos partidos com o poder e dos deputados com os eleitores. E de tudo isso com o poder econômico. Senão, a democracia cai de podre. Reimplantar a democracia é sempre coisa difícil, sofrida e demorada. Será que a lição de 1964 não bastou?
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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23/04/2009 - 11:26
UMA MORAL PROVISÓRIA
“Ética, jornalismo e nova mídia” é um grande puzzle de todo o conhecimento que leva um profissional a duvidar de sua profissão. E essa é a primeira lição que nos dá o jornalista, agora escritor, Caio Túlio Costa.
Nascida sob a égide da verdade, da justiça e da ética, mas realizada desde as origens como um negócio, a comunicação é a mais ambígua das realizações humanas. Até então de uma ambigüidade a serviço do poder e do mercado, hoje, um poder solto no ar. Sejam os ares da opinião pública, seja o da criação individual.
Qual a ética desse caos produzido por uma comunicação multilateral?
Qual a compreensão dos acontecimentos possível nessa versão espetacular ou analítica dos fatos?
Caio Túlio nos enche o espírito de hipóteses refletidas. E o faz retrocedendo a história acadêmica do jornalismo de alguns séculos e recontando sua ética desde as tragédias artísticas de Sófocles à tragédia real de Sócrates.
Depois, sem humildade nem arrogância, percorre todos os patamares históricos e intelectuais da comunicação para nos elucidar sobre os degraus e os obstáculos éticos e morais desse percurso.
Nestes tempos de moral provisória e ética em moratória, a aula escrita de Caio Túlio torna-se relevante e indispensável.
Afinal, nos coloca entre Sócrates, Antígona, Hamlet e o Cidadão Kane.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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21/04/2009 - 16:15
CASSAR TAMBÉM OS REJEITADOS PELO ELEITORADO
Tem sido notável o trabalho do STE no esforço de educar o eleitor. Suas campanhas estimulam o uso do voto como um dever de cidadania. Ensinam a votar melhor. Ensinam a votar digitalmente (coisa que até hoje os Estados Unidos não aprenderam). Suas campanhas, produzidas em colaboração com a TV Cultura, são as maiores veiculadas no Brasil e as que obtiveram maior índice de memorização.
Além disso, as decisões mais recentes do STE, condenaram todas as irregularidades eleitorais, como nunca antes neste país. A questão das doações eleitorais tem sido tratada com energia, inclusive acarretando violentas investigações da polícia federal. O abuso do poder econômico acabou por indiciar importantes governadores com punições rigorosas, inclusive a cassação.
Há contudo, um aspecto incompreensível para a opinião pública nessas cassações.
Se houve abuso do poder econômico, isso quer dizer que as eleições foram inválidas. Não apenas para o delinqüente, para todo o processo eleitoral. Ninguém pode afirmar que os votos obtidos pelo poder econômico sejam menores do que os votos não obtidos pelo segundo colocado. Presentear o segundo colocado, repudiado pela vontade popular é uma aberração jurídica e democrática.
Com isso, algumas oligarquias recentemente derrotadas nas urnas, têm sido reconduzidas ao poder, sem o apoio da vontade popular, apenas por uma justiça de meia sola.
Creio que o TSE terá a grandeza de rever esses julgamentos ou mesmo corrigir os termos da lei, se esses forem contra o bom senso e a democracia.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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19/04/2009 - 15:55
O NOVO MURO DA TV CULTURA
Os PICHADORES pertencem a uma tribo de produtores de signos incompreensíveis que eles espalham pelas paredes deterioradas de prédios abandonados acrescentando ao caos uma feiúra sem remédio.
Possuem uma coragem predadora, pois desafiados a colocar os signos nas empenas mais difíceis dessas edificações. Não posso julgar esses ativistas pois desconheço suas matrizes culturais e psicológicas. Apenas deploro o resultado urbano de suas intervenções. Não sei se é um caso de policia ou apenas de um esguicho de areia para limpar o estrago.
Os GRAFITEIROS são artistas urbanos e contemporâneos que enriquecem os espaços murais com desenhos originais e coloridos de uma geração que vai substituir a linguagem quase esgotada das instalações pós-modernas. Para mim, esses grafiteiros já surgiram clássicos, pois tem uma fidelidade inata à arte do desenho. Como os surrealistas produzem tudo o que a imaginação libera dentro de uma figuração de fantasia e rigor. Por isso mesmo, os Manos podem conviver com os castelos ingleses e a “Tate Gallery” .
Markun, presidente da Cultura, teve uma ótima idéia, encomendar um projeto cenográfico aos colaboradores Mani Brisque e Gert Seewalo para os muros externos da Fundação PE. Anchieta. Convocaram Ciro Cozzano, Chivitz, Rui Amaral, Rapahel, Zezão, Onesto e o próprio Brisque para pintar todo aquele muro. O verde exuberante e duvidoso que faz o fundo dessa tela gigante de cimento já prenuncia com os primeiros desenhos a grande beleza do que será. Sem exagero, me parecem mais ou tão revolucionários quanto os muralistas mexicanos. Não têm os compromissos ideológicos que às vezes prejudicam a obra artística mas um compromisso com toda a dimensão de seu tempo, ideológica ou não, que reflete as belas cores escondidas numa cidade cinzenta.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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18/04/2009 - 12:00
A VIA CRUCIS DOS MOTOQUEIROS
A presença de motoqueiros em São Paulo é imensa e crescente. Logo se igualará a de automóveis.
O trabalho é muito duro. As exigências das empresas entregadoras são enormes. Um motoqueiro tem pouco tempo para entregar uma pizza, um envelope, uma mensagem ou um convite. Assim, precisa de velocidade, de atravessar sinais fechados, andar entre veículos para entregar os pacotes dentro do prazo. As ruas estão congestionadas e esburacadas.
Essa intromissão no universo dos automóveis e dos caminhões é considerada um insulto pelos motoristas protegidos por seus invólucros mecânicos.
O resultado é trágico e sempre sonegado pelas autoridades, mas é certo que dezenas de jovens morrem por dia no trânsito de São Paulo.
Leis federais e regulamentações municipais pretendem intervir na questão. A primeira idéia é a de que as motos andem atrás dos automóveis, em fila indiana, como se fossem veículos largos.
Vejamos. Essa atitude prudente tornaria o congestionamento um caos e inviabilizaria o trabalho dos motoqueiros. O que fazer então?
Por enquanto só vejo uma solução. Criar pistas para motos nas grandes vias, onde isso fosse tecnicamente possível. Proibir o tráfego de motos nas vias mais perigosas onde não haja faixa especial, como as grandes marginais. Estimular percursos em ruas alternativas, cujo deslocamento de motos seria mais fácil. Educar os motoristas a respeitarem os motoqueiros, desde o exame de trânsito e mesmo na renovação das licenças. Punir severamente os motoristas que agredissem ou atropelassem motoqueiros. Punir severamente os motoqueiros que pusessem a vida dos outros e a própria em risco. Regulamentar o serviço de entregas via motoqueiro, estabelecendo uma relação razoável da equação prazo/entrega. Estimular o uso de transporte público.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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