MEXICO ACOLHEDOR
AGUAS CALIENTES
Não há nada mais amável do que um hidrocaliente ou um aguascalientense, isto é, o habitante de Aguas Calientes.
O cara do check-in, geralmente um autista mal humorado, te orienta sobre como se virar num aeroporto americano, carrega a mala para colocar na balança, pergunta que lugar você prefere no avião. Enfim, coisa rara.
Nas ruas ou nas lojas todo mundo está sorrindo, feliz de viver naquele lugar. Ajudam a comprar, não te empurram nada.
No bairro da Feira, quando se chega já tem uma mesinha com tequila, de graça, verdade que numa tacinha minúscula, uma banda que te acompanha pelas ruas até o restaurante que você escolha.
Os garçons parecem lordes ingleses com sotaque mexicano. Você nem pede e já chegam as tequilas e as aguitas. Depois todos os tipos de chile, pimentas enormes recheadas com carne moída, pimenta e nozes. Os músicos tocam de Agustín Lara a músicas regionais. No fim, como aplaudi muito, o cantor me ofereceu um disco do grupo.
Os jantares foram nos museus, no teatro da orquestra sinfônica, nos pátios da cidade, enfim, no meio de uma arquitetura simples, mas de requintada estética.
Todas as casas dão para a rua, como na Espanha. A vida é coisa íntima, se passa dentro, até os jardins são reclusos. Mas enquanto o cidadão está na rua ele é só extroversão.
Não encontrei uma pessoa que não tivesse me sugerido ou convidado para voltar em abril, quando começa a feira internacional, com exposições, gastronomia, touradas durante um mês.
Não consegui guardar o nome de tantas pessoas de quem você gostaria de ser amigo.
