OS IRMÃOS KARAMABLOCH
A INCRÍVEL HISTÓRIA DOS DONOS DA MANCHETE
Arnaldo Bloch é um escritor talentoso que emerge das ruínas do Império dos Bloch com uma bagagem própria de repórter, romancista e historiador.
A saga que escreveu sobre os Bloch, sua família, desde a aldeia na Ucrânia até os píncaros do Russel, sede da Manchete, contem a história, o pitoresco e a loucura de que toda família é depositária. Mais, realça a história de Adolpho, o caçula que liderou a dinastia depois da morte de seu fundador, o gráfico Joseph Bloch. Adolpho não era apenas louco, era um louco genial.
Ambicioso, afetivo, jogador, putanheiro, líder, empresário, tirano, irracional, trabalhador, perdulário, puxa saco, generoso, bom filho, bom tio, bom irmão das irmãs, péssimo irmão dos irmãos, Adolpho Bloch consolidou um império, com a revista Manchete e destruiu o império com a TV Manchete. Os Bloch eram grandes gráficos e se gráficos permanecessem nenhuma crise haveria de prevalecer sobre a empresa, mas os tempos levaram-nos à cobiça da comunicação, e na mais cruel delas, a televisão, empenharam mais papagaios do que a tolerância poderia conceber. Sabemos o quanto a televisão já destruiu alguns potentados e os governos salvaram outros. Mas o sabor desta história fascinante não está em sua ruína, mas em seu desdobramento. Três irmãos que se odiavam e se amavam, que se trapaceavam por princípio. Irmãos que se atracavam durante e depois dos funerais. Tinham em comum o amor pela família, pela casa materna ou paterna, um cenário indescritível de loucuras, tinham o hábito do jogo, com o qual quase perderam a fortuna antes mesmo da televisão, eram solidários na putaria, fieis ao bordel das polonesas judias, e à gráfica, símbolo da própria identidade.
Vale a pena ler Os Irmãos Karamabloch, da Companhia das Letras, título que o grande Otto Lara Rezende já havia conferido aos três membros ilustres da família: Boris, Leonardo e Adolpho.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags: