A TROCA – UM FILME TERRÍVEL
A TROCA
Não há, desde o começo do século passado, instituição mais desmoralizada do que a polícia de Los Angeles. Cidade do cinema, das vaidades e dos vícios convencionais, Los Angeles, apesar do nome evangélico, abriga todos os meios indispensáveis à propagação dos vícios. A polícia é burocraticamente omissa ou militantemente corrompida.
Uma jovem supervisora das operações telefônicas, sempre bela com seu chapeuzinho dos anos vinte, além de ser representada por Angelina Jolie, vive com a eficiência de uma mulher solitária, cujo único sentido de viver e se alegrar fora criar um filho de uns cinco anos.
O menino desaparece, raptado, como era habitual acontecer, segundo a polícia incompetente. Pior não foi o desespero da perda, mas a imposição da polícia, que tendo descoberto outro menino da mesma idade e aparência, quis impô-lo à mãe, como o legitimo, para limpar a barra política dos irresponsáveis. Submetem a mãe a torturas impensáveis, com a cumplicidade do garoto, que desejava ser artista de Hollywood. Acabam por interná-la num manicômio judicial, para o qual eram levados todos aqueles que contrariavam as vontades da polícia.
Todos os meninos, inclusive o dela, foram assassinados por um serial killer infantil, numa fazenda perto de Los Angeles. Mesmo assim não aceitaram a realidade até que um pastor, a partir de emissões de rádio, levantasse a opinião pública. Naquela época o radio era a mídia. Para transmitir a luta de Box ou para arregimentar a população. A jovem mãe vira símbolo. É retirada do hospício. Mudam as leis sobre internamento. Os policiais são punidos (no filme), parece que em verdade não o foram. Mas a mãe teve que conviver com uma dúvida: Ou o filho morreu porque a polícia não o salvou a tempo ou o filho continua vivo na sua esperança desesperada.
Clint Estwood, o diretor, também nos leva ao desespero na sala de cinema.

Acabei de ver o filme no Art-UFF. Um dos filmes mais pesados que já assisti. Parece com o livro do Kafka. O indivíduo lutando sozinho (inclusive com a sanidade mental questionada) contra o estado. Filmaço!
[...] achei o filme terrível, mas não sei se o veria novamente. O fato é que a história é verídica e, como mãe e mulher [...]