A DEMISSÃO DO MAESTRO JOHN NESCHLING
O ESPETÁCULO DEVE CONTINUAR
Quando a OSESP ganhou um corpo novo de recursos, de músicos e a perspectiva de ter uma sede própria precisou, para se concretizar o sonho de São Paulo possuir uma grande orquestra sinfônica, contratar um grande maestro.
A gestão administrativa, incluindo o pagamento dos recursos humanos, ficou por conta da Fundação Padre Anchieta, a partir de convênio feito com a Secretaria da Cultura.
Preferíamos todos, um maestro nacional. A busca levou-nos a John Neschling, que estava na Suíça regendo a orquestra de um dos cantões. As negociações não foram fáceis. Os salários internacionais eram altos, as passagens aéreas de primeira, muito caras, e a independência de comando requerida pelo maestro era absoluta. O Advogado, Dr. Fortes conseguiu montar um contrato adequado aos interesses da orquestra e do maestro.
Logo, Neschling revelou ter carisma, comando, formação técnica e administrativa, além de ser um regente inspirado e muito exigente.
Enriqueceu todos os naipes com músicos nacionais e internacionais selecionados. Elaborou um repertório amplo e variado, mesclando musica clássico com música moderna, música internacional com autores brasileiros. Montou uma agenda, junto com seu assistente, o jovem maestro Roberto Minczuc, que preenchia semanas e meses de concertos na Sala São Paulo, criada por Covas para abrigar a orquestra.
Paralelamente ao talento do maestro, todos constataram que a nova sala de concertos era uma das melhores do mundo, em acústica e beleza.
Além dos concertos nacionais a orquestra, já consagrada, percorreu a Europa e os Estados Unidos, em excursão consagradora.
Mas, o temperamento do maestro é bastante salgado, suas atitudes e pronunciamentos bastante temperamentais, como a de quase todos os artistas que se consideram responsáveis por uma grande obra.
Os humores governamentais também não são muito dóceis e um conflito subliminar criou uma atmosfera e um desejo manifestado pela Secretaria da Cultura, de substituição do maestro. Fernando Henrique, presidente do conselho da OSESP, conseguiu contemporizar a crise e evitar a demissão de Neschling. O maestro previu e anunciou sua futura aposentadoria da orquestra.
Tudo corria nesse trilho áspero quando, ainda em dezembro Neschling
fez duras críticas ao comando da instituição, arvorando-se em único responsável pela existência e sucesso do empreendimento. As declarações foram excessivas e difíceis de serem toleradas, mesmo por um espírito conciliador como o de Fernando Henrique, que o demitiu por e-mail.
Os concertos programados, até que seja escolhido um novo regente, serão regidos por maestros diversos.
Melhor seria que os ânimos não prevalecessem sobre a anima e o destempero não desafinasse a regência.
Mas apesar disso podemos aplaudir o maestro de pé, com tristeza.
P.S. Em tempo: Tortelier foi convidado para reger por um tempo determinado, até 2011, a OSESP. É um grande maestro e bastante aceito peos músicos da OSESP.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Li um comentário do maestro, questão de uns 2 meses, que ele estava contemporizando pra sua demissão ser adiada – sua saída ele já sabia, mas não a data – por mais uns 2 anos quando daria por concluída a construção de tudo que se propôs e para a qual foi chamado. Ele QUERIA ficar. Acho que, se houve intolerância, deve-se mais ao lado político, com objetivos nem sempre transparentes. Uma pena.
Concordo com a “ana maria”, uma pena!
Abraços
aurasacrafames.blogspot.com
Indiscutível que o sucesso da OSESP se deve em grande parte ao Neschling, mas como a arrogância é amplamente condenada, posiciono-me a favor de FCH, que foi um grande estadista, de competência e humildade inquestionáveis. FCH, sim, contribuiu para um país melhor.
Olá Jorge. Lhe admiro muito. Sou primo da Nilzinha. Passe o meu abraço para o Nico também. Rodolfo Ferreira. Itajubá, MG.
Não tenhamos ilusões: a OSESP está acabada. É só uma questão de tempo. Verifiquem: neste ano começará a deterioração da programação. No ano que vem já se perceberá a decadência artística e em 2011 será o colapso. Rapidamente a orquestra retornará à indigência que caracterizou a maior parte de sua história. Agradecer ao Neschling pelo “bom trabalho” é surrealista. O que ele fez foi um MILAGRE, que nunca antes ocorreu com nenhuma orquestra sinfônica do Terceiro Mundo. Mas a mesquinharia venceu. Tortelier é excelente regente, mas será só um regente, claro. Precisamos nos lembrar dos salários dos músicos antes do Neschling? Quem terá disposição, qualificação e comprometimento para manter o castelo de pé agora? Certamente não um conselho de ex-políticos e banqueiros mofados que evidentemente não entendem nada do assunto e nem se importam. Talvez Neschling tivesse que sair um dia, sim, mas não desta maneira desastrada. Acham que é fácil? Pensam que os grandes regentes e diretores musicais estão se esbofeteando para assumir a OSESP? Pois vão ter uma bruta surpresa. Rasgaram a única carta. Foi bom enquanto durou.