OS ASSASSINOS DA AMAZONIA
CHICO MENDES
Todo seringueiro tem um pouco de Robinson Crusoé. Vive numa imensa ilha deserta que é a Amazônia e deve descobrir por conta própria a sobrevivência. Sobreviver não é destruir. É descobrir na própria natureza todos os elementos para levar a vida adiante.
A Amazônia é esse grande desafio de sobrevivência. Na medida em que o homem sobrevive da Amazônia ele faz sobreviver a Amazônia.
A morte de Chico Mendes e o necrológio-elegia que lhe tece a companheira Marina Silva evocam na minha distância antropológica estes sentimentos de respeito.
Respeito, esta claro, sua luta e seu martírio. MAS, ALÉM DISSO, E SOBRETUDO, RESPEITO SUA LIÇÃO. Sua lição é simples: o desenvolvimento da Amazônia está em explorar a Amazônia como ela é. Aquilo não é pasto de vaca nem de pastores evangélicos. Aquilo não é serraria nem marcenaria. Aquilo não é uma imensa câmara de vereadores corruptos. Aquilo não é fazenda de uma nota só nem de um só dono.
A Amazônia é uma floresta, uma geografia exuberante que dá vida a índios, caboclos, seringueiros e cidadãos com algum sentido de honra.
A Amazônia é um grande museu de historia natural. Contem lendas e segredos científicos. Tem alimento abundante nas plantas existentes. Tem medicina ao portador de conhecimentos.
A lição de Chico Mendes é mais ou menos simples: deixem a Amazônia progredir na sua vocação.
Dispensa assassinos e moto serras.
