MEXICO – A DISTÂNCIA ENTRE A CULTURA E A POLÍTICA
O SERVIÇO E AS DISTÂNCIAS NO MÉXICO
Todas as impressões que temos de um país são instantâneas. Isso nos leva a grandes erros de interpretação. Generalizamos demais e cometemos, não raro, injustiças de interpretação.
Cada vez mais acho que a prestação de serviços, no México, tem desempenho modesto. Mesmo em hotéis de quatro ou cinco estrelas os empregados nos tratam com uma distância monumental. Quase não olham para os clientes, respondem em voz baixa, com alguma má vontade e sorriem muito pouco, a exceção das arrumadeiras. Em primeiro lugar pensei que falta um bom SENAC para a formação desse tipo de pessoal. Aos poucos fui percebendo que não. Trata-se de uma distância enorme, e acentuada a cada dia, de nós, da burguesia branca. Não é uma questão de preconceito declarado, mas uma cultura enraizada no DNA, que carrega uma revolta secular contra o que o nosso Cláudio Lembo denominava: “elite branca e cruel”.
Nos países em que a população indígena manteve uma razoável preservação da raça e cujo passado histórico induz a um orgulho justificável, como o México, o Peru, a Bolívia, a Guatemala e tantos outros de colonização espanhola, a exceção da Argentina, os índios assimilaram em boa escala a cultura européia. Mesclaram essa cultura com os próprios conhecimentos e formaram um amálgama que produziu uma coisa muito positiva, no plano cultural.
Contudo, essa simbiose que marca a cultura da América Espanhola, como afirmava Carlos Fuentes, não produziu o mesmo efeito na escala política e econômica. Aí a distância continuou profunda e impermeável. Se nas telas de pinturas, temos o mesmo valor, assim como na música, na dança e até na poesia popular, o mesmo não acontece no emprego, no comercio e na produção industrial. Essa distância desqualifica a ambos os segmentos. Todo mundo sai perdendo na geografia, na política e na economia das discriminações. A aproximação cultural pode ser um bom caminho para uma nova revolução mexicana.
