MARCELO PORTUGAL GOUVEIA – DO SÃO PAULO
UM HOMEM INTEIRO
“Tudo o que voce for, seja inteiro,sem divisão e sem dúvida” Ibsen
Os jovens ficam muito chocados quando morre um colega de sua geração. Posso afirmar que nós velhos também ficamos, apesar de ser mais natural que isso aconteça. Contudo, raramente a morte nos convence da sua oportunidade.
Este ano o ceifeiro tem sido implacável. Desde a morte inesperada da Ruth Cardoso, a morte trágica de Joaquim Guedes, a morte serena de Silvio Pereira, a morte de Tereza Lara e ainda outros, vimos sofrendo essas baixas em uma geração tão cheia de ideais e mesmo de princípios.
Hoje, quando estávamos, alguns muitos, entusiasmados com o jogo do São Paulo, recebi a triste notícia da morte do Marcelo Portugal Gouveia, do São Paulo Futebol Clube até o fundo do coração. Foi presidente do clube. Sofreu e se alegrou sentado no banquinho em milhares de jogos. Sempre dizia que, quando morresse, queria ser velado no clube bem amado. Pois foi enterrado neste domingo, poucas horas antes do jogo. Seu féretro não pode sair do Morumbi, só o espírito. Mas estavam lá todos os amigos do clube e da vida, porque além de torcedor exemplar, foi sempre um bom amigo. Juvenal, Marco Aurélio, Abílio, os jogadores que choraram no vestiário, e milhares de gentes.
Não ganhamos o jogo. As alegrias não podem se confundir com a morte. A vitória foi adiada.
Mas quero dizer uma única coisa. Marcelo foi sempre um homem inteiro. O profissional, o pai, o torcedor e o amigo. Tem no DNA, do velho Portugal e da Zenaide, essa virtude rara de ser o mesmo, aliás, como suas irmãs, Gilda e Silvinha.
