UM GRANDE FILME FILIPINO
MELANCOLIA – 32º FESTIVAL DE CINEMA
Nunca tinha assistido a um filme filipino, nem sabia da existência de Lav Diaz, o diretor que gosta de filmes longos e profundos.
Hoje decidi assistir Melancolia, seu filme de oito horas, exibido de graça numa das salas do complexo Unibanco de Cinema.
Sala pequena. Pouca gente. Muita expectativa. Via-se que alguns se preparavam para as oito horas, pelos pacotes de pipoca, pela reserva de refrigerantes. Providências inúteis porque o filme teria intervalos de 10 minutos a cada duas horas de exibição.
A principio fiquei atônito com a lentidão das tomadas em plano fixo. A personagem descendo a rua em tempo real, ou sentada num terraço ou pedindo esmolas com hábito de freira.
Uma prostituta robusta com pernas sólidas acima das botas e abaixo da calcinha curta. A freirinha pedindo esmolas quase inutilmente em nome de um dever sagrado. Por fim Julien, oculto, por desaparecido, mas presente no projeto mental de ambas ou, talvez, projentando-as em seus sonhos. Nada disso se percebe antes de duas horas, quando o deslocamento angustiante de ambas, se interrompe em prantos para que cada um retorne ao papel real de suas existências.
De fato, para superar a melancolia da vida, cada um se investe de personagens diversos e percorrem o mundo sem o direito de se comunicarem.
Augusta já foi tudo, cabeleireira, doméstica, manicura, antes de ser puta. Exerce a profissão com denodo na sombra em preto e branco do filme. A freirinha está desesperada de representar o mesmo papel. No fim das oito horas haverá de desistir. Augusta haverá de prosseguir. Julien, condenado, morto e enterrado poderá um dia representar o retorno. Até quando? Porque? O filme não responde. Mas corresponde amplamente ao título: MELANCOLIA.
