A ESCUNA E A BOLSA
VEJAM SÓ, MEUS AMIGOS.
Há quatro anos, apenas, um amigo do ramo dizia a outro, quando a Bolsa de São Paulo estava com 17 mil pontos: “-Se a Bolsa chegar a 20 mil vou comprar uma Escuna (uma embarcação nordestina de porte médio)”. A Bolsa subiu, o cidadão comprou sua Escuna, e a equação patrimônio-lazer estava bastante sólida. O valor das ações correspondia ao valor das empresas. Então a Bolsa subiu a 70 mil pontos, com tendência de alta. Meu amigo ficou nominalmente mais rico, porque é hábito da família não mexer nas ações. É apenas um parâmetro para indicar a riqueza do clã.
Hoje as ações despencaram. O patrimônio real das empresas e o seu tamanho continuam o mesmo, apenas o mercado e o câmbio estão incertos, e os lucros devem despencar também ou diminuírem bastante.
Qual é o valor correto das ações da BOVESPA? Os 17 mil anteriores à Escuna? Os 70 mil dos últimos pregões pré-crise? Ou os 30 mil de hoje? Não sei responder e não consegui resposta.
Na verdade isso não tem importância. Importante foi o clima de euforia que permitiu aos gênios do mercado realizar lucros especulativos formidáveis, independentemente do valor real dos riscos para a economia. Foi essa ambição desmesurada que já causou todas as crises anteriores como bem o descreve John Galbraith em seu livro sobre a “Euforia dos Mercados”.
Ainda não sabemos qual a saída para a crise econômica, já que a do sistema financeiro está mais ou menos equacionada. Uma coisa é certa Brenton Woods e o Muro de Berlim estão enterrados.
