Arquivo de outubro, 2008
31/10/2008 - 19:48
ROBERTO MINCZUK
Quando Roberto ganhou o Prêmio Eldorado de Música, com seu difícil instrumento, a trompa, eu era Secretário da Cultura do Governo Montoro. Assisti a interpretação do jovem de 19 anos maravilhado como os expectadores que o consagraram. No dia seguinte, seu pai, regente da Banda Sinfônica da PM, solicitou-me que ajudasse Roberto a ir para Nova York, pois precisava de uma Bolsa de Estudos na famosa escola de música, a Julliard. Conseguimos a Bolsa e creio mesmo que até o governador teve de autorizá-la.
Minczuk foi para a Julliard e o sucesso foi completo, não apenas como trompista (tocou na Orquestra Filarmônica de Nova York) mas, sobretudo, como estudante de regência. Recém formado, tornou-se assistente de grandes maestros. Mais tarde veio para São Paulo e participou ao lado de Neschling da reconstrução da OSESP, como assistente do mestre. Após algumas desavenças com Neschiling, Roberto, já então maestro consagrado no Brasil e reconhecido por outras grandes orquestras do mundo, foi convidado para o trabalho de reerguer a tradicional OSB, Orquestra Sinfônica Brasileira, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. E lá andou trabalhando com sucesso e ótimos resultados para a OSB.
Há alguns dias soube que os músicos fizeram um motim contra seu comandante e pediram sua cabeça. Confesso que fiquei chocado e muito triste. Roberto tem mais do que talento. É um gênio musical. Com a obstinação de crente, tem energia e doçura. Sua disciplina é feroz. Apesar de jovem, tem o dom da autoridade e a estética do gesto. É um maestro precocemente completo. Compõem em plena juventude, o que só na maturidade se consegue.
Não sei como a coisa ficou. Sei apenas que fui vê-lo reger a OSB na quinta feira, na Sala São Paulo, num concerto patrocinado pelo BBM, o banco descendente do velho Clemente Mariani. Ao terminar a execução do Guarani de Carlos Gomes, após um belo recital da soprano Rosana Lamossa, Roberto foi aclamado, juntamente com a OSB. Cumprimentou a orquestra com as duas mãos levantadas e cumprimentou os músicos pessoalmente.
Deu-nos a impressão que se tratava de um momento indissolúvel.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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30/10/2008 - 12:14
A BIENAL DO VAZIO E O VAZIO DA REDEMOCRATIZAÇÃO
Ivo Mesquita fez o que devia. Criou no vazio da Bienal um espaço para a reflexão. Reflexão sobre o vazio institucional da cultura brasileira. Triste que esse vazio de um projeto nacional de cultura se tenha ampliado com os governos da redemocratização, em plena submissão aos cânones do mercado comercial das artes.
Desde Collor, passando pelos governos do PMDB, do PSDB e do PT, a cultura voltou para trás. Nem o 1% prometido por Tancredo para o então recém criado Ministério da Cultura foi parar no orçamento até hoje. A partir de Collor as instituições culturais do estado foram fechadas ou atrofiadas, enquanto quadros de uma burguesia deslumbrada atacaram as instituições privadas, para ganhar cacife político e social.
Há uma efervescência e uma aparência cultural produzida pelos espetáculos de massa, pelo mercado supervalorizado de artes plásticas, pelo show business, pelos produtos consagrados, não pelos valores artísticos, que dão a São Paulo até mesmo o título de Capital Cultural da América Latina. Mas a verdade estatística é outra. 68% dos jovens nunca foram a um teatro. 70% lêem apenas um livro por ano. Nem três por cento freqüentam bibliotecas. Mesmo o cinema não é freqüentado. O consumo cultural reduz-se apenas a uma parcela pequena da sociedade, como a própria riqueza.
As leis de incentivo cobriram um pouco a produção artística, necessária e desnecessária, mas não estimulou o acesso cultural dos mais pobres.
Apesar disso a pobreza fez cultura própria nas periferias, produzindo a melhor poesia do período e uma música extremamente original.
A Bienal do Vazio é o símbolo disso tudo, além de propiciar um espaço de conscientização. Por isso mesmo já se tornou histórica.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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29/10/2008 - 08:34
MÚSICA CONTEMPORÂNEA EM SÃO PAULO
Cpfl Cultural saiu da toca artística de Campinas e se alastra pelo Brasil. Só em São Pauo, as quartas feiras no Play Jazz, temos o Café Filosófico e agora, durante todos o mes de novembro, no Maksoud Plaza teremos a apresentação de música erudita contemporânea. João Marcos Coelho é o curador e apresentador do projeto.
Nesta terça feira já tivemos uma especiaria. Antonio Meneses, acompanhado pela pianista Celina Szrvinsk, apresentou um programa com músicas de Villa Lobos, Carmargo de Guarnieri, Nadia Boulanger e Bohuslav Martinu. Com esse recital o público novo de São Paulo se introduz na música do Século XX, cujas apresentações são muito poucos, devido as dificuldades do gosto convencional com esse repertório. De agora em diante, todas as terças feiras teremos autores contemporâneos com grandes intérpretes. Com um século de atraso entramos no hábito de ouvir a música do nosso século em uma programação regular.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/10/2008 - 23:54
MELANCOLIA – 32º FESTIVAL DE CINEMA
Nunca tinha assistido a um filme filipino, nem sabia da existência de Lav Diaz, o diretor que gosta de filmes longos e profundos.
Hoje decidi assistir Melancolia, seu filme de oito horas, exibido de graça numa das salas do complexo Unibanco de Cinema.
Sala pequena. Pouca gente. Muita expectativa. Via-se que alguns se preparavam para as oito horas, pelos pacotes de pipoca, pela reserva de refrigerantes. Providências inúteis porque o filme teria intervalos de 10 minutos a cada duas horas de exibição.
A principio fiquei atônito com a lentidão das tomadas em plano fixo. A personagem descendo a rua em tempo real, ou sentada num terraço ou pedindo esmolas com hábito de freira.
Uma prostituta robusta com pernas sólidas acima das botas e abaixo da calcinha curta. A freirinha pedindo esmolas quase inutilmente em nome de um dever sagrado. Por fim Julien, oculto, por desaparecido, mas presente no projeto mental de ambas ou, talvez, projentando-as em seus sonhos. Nada disso se percebe antes de duas horas, quando o deslocamento angustiante de ambas, se interrompe em prantos para que cada um retorne ao papel real de suas existências.
De fato, para superar a melancolia da vida, cada um se investe de personagens diversos e percorrem o mundo sem o direito de se comunicarem.
Augusta já foi tudo, cabeleireira, doméstica, manicura, antes de ser puta. Exerce a profissão com denodo na sombra em preto e branco do filme. A freirinha está desesperada de representar o mesmo papel. No fim das oito horas haverá de desistir. Augusta haverá de prosseguir. Julien, condenado, morto e enterrado poderá um dia representar o retorno. Até quando? Porque? O filme não responde. Mas corresponde amplamente ao título: MELANCOLIA.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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25/10/2008 - 12:24
VEJAM SÓ, MEUS AMIGOS.
Há quatro anos, apenas, um amigo do ramo dizia a outro, quando a Bolsa de São Paulo estava com 17 mil pontos: “-Se a Bolsa chegar a 20 mil vou comprar uma Escuna (uma embarcação nordestina de porte médio)”. A Bolsa subiu, o cidadão comprou sua Escuna, e a equação patrimônio-lazer estava bastante sólida. O valor das ações correspondia ao valor das empresas. Então a Bolsa subiu a 70 mil pontos, com tendência de alta. Meu amigo ficou nominalmente mais rico, porque é hábito da família não mexer nas ações. É apenas um parâmetro para indicar a riqueza do clã.
Hoje as ações despencaram. O patrimônio real das empresas e o seu tamanho continuam o mesmo, apenas o mercado e o câmbio estão incertos, e os lucros devem despencar também ou diminuírem bastante.
Qual é o valor correto das ações da BOVESPA? Os 17 mil anteriores à Escuna? Os 70 mil dos últimos pregões pré-crise? Ou os 30 mil de hoje? Não sei responder e não consegui resposta.
Na verdade isso não tem importância. Importante foi o clima de euforia que permitiu aos gênios do mercado realizar lucros especulativos formidáveis, independentemente do valor real dos riscos para a economia. Foi essa ambição desmesurada que já causou todas as crises anteriores como bem o descreve John Galbraith em seu livro sobre a “Euforia dos Mercados”.
Ainda não sabemos qual a saída para a crise econômica, já que a do sistema financeiro está mais ou menos equacionada. Uma coisa é certa Brenton Woods e o Muro de Berlim estão enterrados.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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24/10/2008 - 14:59
TEREZA LARA
Não foram poucos os amigos que morreram este ano. Uns morreram melhor do que os outros, estavam em paz com a vida, de que a morte é uma seqüência natural.
A vida nós descobrimos sempre, a cada passo e a cada tropeço.
Tereza morreu em paz, e a beleza de seu rosto, antes de ser tragado pelas chamas, o atesta.
Tereza, em bela carta deixada aos parentes e amigos, aceita que se chore na cerimônia fúnebre, mas de emoção e não de tristeza, e pede ainda que em sua missa de sétimo dia, as pessoas se vistam de claro, porque ela afirma que morreu muito feliz.
Tereza cultivou com muita força os amigos e os familiares, por isso mesmo transmitiu-lhes o segredo dessa felicidade.
Foram três.
O apego às raízes. São as raízes que seguram no chão as árvores frondosas ou os arbustos mais frágeis. Parece que não há um encontro sólido com a vida quando não temos raízes.
O amor. Precoce ou tardio o amor é a essência da vida. Tereza encontrou-o já com mais de quarenta anos, e confessa que viveu vinte anos de uma relação impecável com Assef, seu marido.
O corpo. Foi na viuvez, com o pleno amadurecimento da solidão e da saudade, que Tereza descobriu o corpo. Então passou a conhecê-lo em toda a sua riqueza. Cuidou dele como alguma coisa intima de si mesma.
Assim, protegida pelas raízes, pelo amor e pelo cultivo ao próprio corpo, se ofereceu à morte com uma serenidade invejável. Não quis remédios, não quis hospitais, apenas partiu para o mistério da eternidade.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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22/10/2008 - 09:42
DEPOIS DA TEMPESTADE
Parece mesmo, depois da tempestade, a bonança. Sexta feira parecia o inferno urbano, sem limites de intolerância. A Polícia Civil guerreando com a PM, nas barbas do estado constitucional. Nossa SWAT devolvendo uma adolescente ao cativeiro de um seqüestrador insano. As Bolsas de Valor oferecendo o espetáculo secular da ganância institucionalizada.
Em contraponto, São Paulo se oferece, como uma festa. O 32º Festival Internacional de Cinema exibe 452 filmes de 72 paises em 16 salas de espetáculo. De Che ao Poderoso Chefão reabilitado, teremos de tudo. O Ibirapuera, no Domingo, ás 17hs apresenta no Auditório Externo, a Sinfônica de Moscou. A OCA tem duas exposições imperdíveis: Kracjberg e os 60 anos do MAM. A Pinacoteca, as gravuras de Maria Bonomi. A Estação Pinacoteca tem Beatriz Milhazes. O maior cachê internacional das artes plásticas. Os parques estão abertos com programações infantis gratuitas. O SESC sempre presente com todos os tipos de atividades, algumas gratuitas.
E isso não é porque estamos na semana do saco chios, ás vésperas das eleições. Isso, porque São Paulo está assim, alheio às tempestades políticas e financeiras.
Ressalvados o transporte público e a violência, São Paulo, apesar de cara, é uma das cidades mais interessantes para se viver.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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21/10/2008 - 00:02
A CRISE DA POLICIA EM SÃO PAULO
José Eduardo foi expelido da polícia carioca por sua sab edoria policial. Não por conhecer os arquivos do crime, mas por conhecer a metodologia do crime e, principalmente, a metodologia do combate ao crime. Tinha idéias práticas para diminuir substancialmente a criminalidade, mas isso envolveria uma reforma profunda dos hábitos policiais.
A polícia, em si, não é má nem viciada, pelo contrário, a polícia é uma instituição geneticamente voltada para o bem. Os policiais carregam um heroísmo potencial, pelo menos no começo de suas carreiras. Tirando casos patológicos, a maioria das pessoas vê na carreira policial um emprego edificante.
A polícia se deforma pela má condução da instituição e por uma conjuntura altamente corruptora.
Profissão de riscos, sacrifícios e tais responsabilidades, a missão dos policiais exige remunerações correspondentes, formação adequada e equipamentos de ponta, pelo menos iguais aos do adversário que devem combater.
A formação da polícia civil é precária. No fim de um curso, quando o investigador ganha um revólver calibre 45, ele deu pouquíssimos tiros reais, nos exercícios, por absoluta falta de munição. Entram na realidade de peito aberto, mas apenas, com um leve tratamento teórico. Enfrentam profissionais.
A inteligência, que é base de todo processo de prevenção policial, está dividida entre três corporações, para as quais a internet solidária ainda não existe. Torna-se um utensílio precário o que deveria ser fundamental e próprio da policia civil.
As corporações deveriam ser unificadas, todo mundo sabe disso, apesar das dificuldades, para que se racionalizem as tarefas e não haja sobreposições tão dispendiosas de atuações.
Mas, em primeiro lugar será preciso unificar o espírito das corporações e isso exige que cada uma tenha consciência dela própria dentro da organização do estado.
Nós já brincamos demais com o estado brasileiro. Agora, nesta crise internacional percebemos que o estado, além de ser indispensável, constitui a representação política da sociedade. A mais legítima do ponto de vista do mandato da vontade popular.
Essa crise salarial, com todas escaramuças forjadas, é menos relevante do que suas causas. Vamos, portanto às causas em vez de só pensarmos nas conseqüências.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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19/10/2008 - 13:28
LÜBER ALOFT
Sou dos que não toleram mais “instalações” ou performances, como manifestações de vanguarda das artes plásticas. Há quase um ano, tropecei numa, uma pequena muralha da china feita com paçoca de amendoim. Confesso que tive vontade de comê-la com banana nanica.
Pois, a meio de tantos filmes famosos, exibidos na 32ª proeza do Leon Cakof, fui ver o filme suíço de Anna Lydia Florin, inédita no Brasil. O filme trata do percurso do performático Heinrich Lüber, que produz com um boneco de si mesmo, em altos figurinos, intervenções urbanas, em locais solitários, mas visíveis.
Sempre se acrescenta aos manequins produzidos, criando uma expectativa angélica, que ele desmistifica, aliás, com a presença humana.
Coloca-se e ao mastro como um mastro inclinado nas janelas de edifícios em construção produzindo um mergulho estático no vazio, de grande emoção estética.
Coloca sua instalação no meio do lago e ali fica se equilibrando por longo tempo, em pé, sobre os ombros do manequim.
Coloca-se na areia deserta, na calçada do Metro, na Grande Avenida, no canteiro de obra, na quilha de um navio. Essas bandeiras que flutuam no estático são filmadas no silencio de uma música oportuna, colocando o laranja de seus figurinos em confronto com as cores neutras da natureza.
O filme termina com os dois bonecos (um verdadeiro) instalados no cimo de um edifício de Geneve em pleno anoitecer, como dois fantasmas de solidão.
No cinema, com poucos expectadores, um silêncio ainda maior. O filme longo não cansa, atiça a alma com esses abismos emblemáticos. Enfim, uma beleza para quem teve a sorte de vê-lo, por acaso.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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18/10/2008 - 14:00
A BELEZA DE UM MANIFESTO ARTÍSTICO
Pela primeira vez, em São Paulo, na OCA, uma grande exposição de Kracjberg. A dimensão de suas florestas sublimadas exige espaços amplos e muito altos. As obras são gigantescas, belas e emocionantes. Num primeiro olhar, impressiona o conjunto, o mesmo impacto que nos transmite a unidade da floresta. Já o segundo é a sintaxe particular de cada escultura, a nos dizer que uma floresta é como a humanidade, composta de pessoas.
A inauguração da exposição transformou-se num momento histórico. O poeta Thiago de Mello baixou com todos os santos o elogio poético da Amazônia e do escultor da Amazônia. Cristiane Torloni leu o Manifesto do Rio Negro que ainda hoje constitui um murro naturalista na cara pálida do realismo. Kracjberg emocionou todo mundo ao clamar pela saúde da Terra, perdida do coração dos homens. Contou-nos, com paixão, que quando invadiu a Polônia, com as tropas russas, viu homens serem jogados no rio, como lixo. Contou ainda, com os olhos cheios de lágrima, da foto que tirou no Amazonas, de seis índios pendurados numa árvore e sendo devorados por urubus. Revelou que sua foto nunca foi publicada, nem na ditadura, nem depois.
Em apelo emocionado conclamou-nos a lutar pela salvação da saúde da Terra.
Sua exposição, como sempre, parece um panfleto imenso em favor da vida. Lembra-nos em seu conjunto a inesquecível “Guérnica” de Picasso.
A expô do MAM tem a marca do ideológico inevitável. Constitui um editorial necessário a meio de uma alienação apenas concentrada na perplexidade dos mercados financeiros.
As crises da ambição desmedida sempre duraram pouco; a crise da natureza desconcerta o futuro.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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