O NOVO FILME DO JABOR
JABOR REMEMORA O RIO GLORIOSO DOS ANOS 60
Tive a felicidade, num exílio nacional ameno, de viver no Rio no começo dos anos 60. Eu e minha mulher, estávamos recém casados e fugindo da PM e da turma do Mackenzie, que nos considerava perigosos comunistas, para o Rio de Janeiro, que era lindo. Exilados de esquerda, com alguns recursos, para disfarçar fomos morar no Copacabana Palace, até mudarmos para Ipanema. Tínhamos amigos paulistas, emigrados por outras razões, o Hugo Celidônio, pioneiro dos restauradores de vanguarda e o Ricardo Amaral, perseguido pela CCC. No Rio tinha meus mais ilustres amigos, o Candido Mendes, o Cícero Sandroni, hoje presidente da Academia Brasileira de Letras, o Jabor, com o qual montei a Filmindústria e produzimos o OPINIAO PÙBLICA, o Cacá Diegues, o Antonio Calmon, o Serginho Bernardes, o Miguelzinho Faria e a grande pintora Tereza Simões Correa, casada com o Jabor. Incrível, conviver com um grupo desses. Todos egressos do CPC e de irradiante inteligência. Conseguiam, em pacto com o Rio de Janeiro, produzir a cidade mais alegre do mundo, apesar da ditadura. O aterro redesenhava a paisagem urbana, enquanto Lota se imolava em amores e sacrifícios políticos. Lacerda, em que pesem as divergência políticas, foi o maior governador que passou por ali, desde a vinda da família real. Ipanema regorgitava de canções e de esquinas onde passavam garotas de Ipanema e leõezinhos á Caetano Velloso. Ia-se a pé aos teatros e aos espetáculos de protesto.Carcará, Opinião, a editora de Fernando Gasparian, tudo se confundia com as curvas do violão de Nara Leão, para desenhar o novo coração de Copacabana. O Rio não era só Jobim e Vinicius, mas o que eles simbolizavam. ” Bicicletai meninas do Leblon” conclamava o poeta, siderado em coxas e mulheres gostosas.
Pois bem , 17 anos depois de seu ultimo filme, Jabor vai fazer um filme disso aí., desse Rio inesquecível. Já tem orçamento, caro, mas indispensável, cerca de 9 milhões. Já escolheu atores que vai convidar, um deles o melhor da nova geração, o Wagner Moura. Já tem idéia, roteiro e, como tudo que faz, prepara obra, prima entre os pares de outrora. Começa a filmar em novembro e eu já estou ansioso , pois só a memória sublimada em arte tem a devida consistência.
