VIENA 2
VIENA- ENTRE A COMUNIDADE E O MERCADO
Voltei, para conferir a cidade e minha própria maturidade. Não vi mais os barões saírem das portas dos prédios, parece que foram substituídos por comerciantes e banqueiros, que logo se refugiam em Bentleys, Mercedes e até em desconfortáveis Ferrari. Os meninos não vão mais à Opera, preferem discotecas de duvidosa harmonia. Não há simpatia, nem valsas, nem alegria no ar. Todo mundo parece relativamente satisfeito com o well fare produzido pela social democracia. Não há mais guetos nem extermínios compulsórios, mas há os muito ricos e o resto, num conforto que acomoda. Viena não perdeu a alma, porque alma não é valor que se exporte, mas deixou de exibi-la. No verão de Viena até Mozart fica medíocre, em recitais de baixo nível para turistas. Não tive muito tempo para saber se me sentia confortável com a maturidade, depois de tantos anos. Até mesmo os grande monumentos imperiais ficaram mais pesados e ocos. Destacam-se deles a melancolia de Elizabeth, a Sissi, e a exuberância de Maria Tereza.
Constatei que há muito mais vida no Brasil do que nesses países bem sucedidos da comunidade européia. A Áustria não parece pertencer a uma comunidade, mas apenas pertencer a um mercado comum. E esse é o grande desafio da Europa: a prevalência de uma comunidade cultural, humana, política ou de um mercado globalizado no qual os interesses e o progresso dificultem o processo civilizatório. Não sai de Caravelle, nem deixei um amor perdido, fui diretamente para a estação e tomei um trem antiquado em direção a Praga, onde boas surpresas me esperavam.
