RECOMENDAÇÕES PARA UM VELHO SAIR DA IGNORÂNCIA
EGON SCHIELE – A ALMA EM ESTADO CRÍTICO
O começo o Século XX, em Viena, marca um dos momentos elevados da civilização. Mahler, Freud, Alma, Witgenstein, Klimt, Schiele, entre tantos outros notáveis, conviveram nesta cidade, para afirmar uma arte extremamente consciente do seu vigor e uma alma perplexa diante do inconsciente, revelado por Freud.
Uma passagem, ainda que rápida por Viena, desvenda por completo a nossa ignorância e nos induz a curiosidade à descobertas e reflexões que nos levam de volta ao ponto de partida.
Cada nova descoberta, no campo da arte, é uma iniciação. Já conhecia Egon Schiele de uma exposição no MASP em São Paulo e de dezenas de reproduções que sempre encantaram e me incomodaram. Schiele morreu moço, com 28 anos, na gripe espanhola que também produziu seus danos na Áustria, mas deixou uma das obras mais marcantes da pintura no começo do século XX.
Quase adolescente pintou a casa materna e algumas paisagens urbanas de sua infância. Foi bom ver, ao lado desses quadros, as fotografias dos edifícios pintados. Há nas fotografias uma geografia de exterioridades, impermeável à percepção dos interiores. O pintor, ao quadricular as paredes externas inicia seu processo de penetração. Coloca no exterior as cores fortes do avesso, para fazer a radiografia da alma submersa atrás das paredes. Joga o inconsciente pela janela a fora, como Freud. Tanto na casa materna como no conjunto de prédios que pintou usa o mesmo recurso.
Esse tratamento da pintura de exteriores urbanos se repete quando Egon começa a pintar pessoas. A mãe morta e o recém nascido ou qualquer pintura que fez de homens nus. Os pintores daquela época, em lugar de modelos femininos, como no período clássico, pintaram muitos homens, cuja tristeza do corpo é de uma estética implacável. Nenhuma concessão ao exterior. Cada pedaço do corpo é alma em estado crítico. Inconsciente se transforma na consciência crítica da realidade humana. São os quadros mais tristes que já vi em minha vida. Estão no Leopold Museum, em Viena.

Sr Jorge. O artigo escrito pelo senhor é muito interessante, é uma forma de somar a quem le mais..
cultura. Parabens.
regina munhoz
Excelente texto p/ refletirmos, tbm , qto à realidade dos jovens no Brasil. Pois, as atuais estratégias implementadas, de investir na educação escolar, devem levar em consideração a questão do inconsciente (Freud) q se “alimenta” e se manifesta tbm através da arte (em todos os sentidos). Ou seja, a educação escolar simplista e carente de um viés no plano da arte, dificulta a real evolução e certificação da cidadania do indivíduo.