31/08/2008 - 10:16
Quando você passa pelos vinhedos da Bourgogne, e confere as marcas de vinhos, que estão sempre onde não estamos, certamente vai surpreender-se com o fato de que os melhores vinhos são produzidos em sítios muito pequenos. No Brasil estamos acostumados com essa unidade que é o alqueire, e qualquer produção de uma comoditie responsável é realizada em áreas de mil e mais alqueires. Assim, quando se vê que o melhor vinho do mundo o Romannée Conti é produzido nuns modestos hectares, quase não acreditamos. Os champagne também, na região de Reims, ocupa, cada marca, uma pequena encosta ensolarada.
Perguntei-me e a alguns produtores franceses o que vai acontecer quando os chineses começarem a tomar vinho francês, como hábito, e deixarem de consumir aquele horror que denominam vinho nacional e é servido em todos os banquetes.
Não se tem a resposta, mas já se constatou que a importação atual de champagne pela Rússia e pela China desequilibrou o planejamento da exportação do produto. Os franceses não querem desapontar seus consumidores tradicionais, principalmente os americanos e os ingleses.
Mas isso vai ser bom para os produtores de bons vinhos em outras regiões do mundo, pois somando-se a produção do Chile, da Argentina, da Nova Zelândia, da África do Sul, dos Estados Unidos e dos outros países da Europa, é possível que a produção globalizada
seja capaz de suprir as necessidades da China. Isso, se não introduzirem o bafômetro por lá, depois das olimpíadas.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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29/08/2008 - 12:18
VIENA- ENTRE A COMUNIDADE E O MERCADO
Voltei, para conferir a cidade e minha própria maturidade. Não vi mais os barões saírem das portas dos prédios, parece que foram substituídos por comerciantes e banqueiros, que logo se refugiam em Bentleys, Mercedes e até em desconfortáveis Ferrari. Os meninos não vão mais à Opera, preferem discotecas de duvidosa harmonia. Não há simpatia, nem valsas, nem alegria no ar. Todo mundo parece relativamente satisfeito com o well fare produzido pela social democracia. Não há mais guetos nem extermínios compulsórios, mas há os muito ricos e o resto, num conforto que acomoda. Viena não perdeu a alma, porque alma não é valor que se exporte, mas deixou de exibi-la. No verão de Viena até Mozart fica medíocre, em recitais de baixo nível para turistas. Não tive muito tempo para saber se me sentia confortável com a maturidade, depois de tantos anos. Até mesmo os grande monumentos imperiais ficaram mais pesados e ocos. Destacam-se deles a melancolia de Elizabeth, a Sissi, e a exuberância de Maria Tereza.
Constatei que há muito mais vida no Brasil do que nesses países bem sucedidos da comunidade européia. A Áustria não parece pertencer a uma comunidade, mas apenas pertencer a um mercado comum. E esse é o grande desafio da Europa: a prevalência de uma comunidade cultural, humana, política ou de um mercado globalizado no qual os interesses e o progresso dificultem o processo civilizatório. Não sai de Caravelle, nem deixei um amor perdido, fui diretamente para a estação e tomei um trem antiquado em direção a Praga, onde boas surpresas me esperavam.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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28/08/2008 - 12:32
QUANDO PERDI A INFâNCIA
Sai de Munique em 59 para ir a Viena. No Aeroporto de Munique tomei meu primeiro Caravelle e fiquei impressionado com a tecnologia ligada à estética de uma caneta Parker 51. No aeroporto, com um amor perdido na Therezien Strasse, deixei também a infância. A adolescência perderia mais tarde, pois no Brasil ela se alonga quase indefinidamente. De fato não estava maduro para o amor de uma mulher. Na amizade você permuta ideais, no amor com uma mulher você troca destino. A família, os filhos e o decorrente trabalho se impõem como a condição de adulto.
Conheci, então, uma Viena feliz e alegre com a reconquista de sua nacionalidade. Os cafés estavam repletos de uma gente que não tinha esquecido os prazeres da vida, apesar dos sofrimentos da guerra. As vitrines resplandeciam com os doces mais elaborados da gastronomia ocidental. Os jovens freqüentavam a Opera como, mais tarde haveriam de freqüentar as discotecas.
A cidade era tão elegante e imperial que nos dava a impressão que a qualquer momento um barão sairia por uma porta para flanar nas calçadas dos palácios.
Falavam alemão, por certo, mas mais parecia uma Alemanha tropical.
Subi na Roda Gigante para viver o clima do TERCEIRO HOMEM, de Graham Greene, filmado por Orson Welles.
Lembro-me que almocei no Palácio do Café, um restaurante de grandes comerciantes, instalado numa espécie de instituto austríaco do café. Desde então a Alemanha e a Áustria não produziam um grão de café, mas já eram seus principais exportadores.
Fiquei impressionado com o Hofburg e o palácio de verão, o famoso Schombrum. Nem percebi o mau gosto exuberante da Gloriette, um barroquismo que deixaria os romanos aterrados. Niemayer só não teria um colapso porque é chegado ao monumentalismo de Estado.
Eu estava em plena adolescência com 27 anos, mas sabia que deveria logo sair dela. Por isso mesmo Viena produziu uma certa euforia na minha tristeza.
Voltei agora, no epílogo dessa interminável adolescência.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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27/08/2008 - 12:15
EGON SCHIELE – A ALMA EM ESTADO CRÍTICO
O começo o Século XX, em Viena, marca um dos momentos elevados da civilização. Mahler, Freud, Alma, Witgenstein, Klimt, Schiele, entre tantos outros notáveis, conviveram nesta cidade, para afirmar uma arte extremamente consciente do seu vigor e uma alma perplexa diante do inconsciente, revelado por Freud.
Uma passagem, ainda que rápida por Viena, desvenda por completo a nossa ignorância e nos induz a curiosidade à descobertas e reflexões que nos levam de volta ao ponto de partida.
Cada nova descoberta, no campo da arte, é uma iniciação. Já conhecia Egon Schiele de uma exposição no MASP em São Paulo e de dezenas de reproduções que sempre encantaram e me incomodaram. Schiele morreu moço, com 28 anos, na gripe espanhola que também produziu seus danos na Áustria, mas deixou uma das obras mais marcantes da pintura no começo do século XX.
Quase adolescente pintou a casa materna e algumas paisagens urbanas de sua infância. Foi bom ver, ao lado desses quadros, as fotografias dos edifícios pintados. Há nas fotografias uma geografia de exterioridades, impermeável à percepção dos interiores. O pintor, ao quadricular as paredes externas inicia seu processo de penetração. Coloca no exterior as cores fortes do avesso, para fazer a radiografia da alma submersa atrás das paredes. Joga o inconsciente pela janela a fora, como Freud. Tanto na casa materna como no conjunto de prédios que pintou usa o mesmo recurso.
Esse tratamento da pintura de exteriores urbanos se repete quando Egon começa a pintar pessoas. A mãe morta e o recém nascido ou qualquer pintura que fez de homens nus. Os pintores daquela época, em lugar de modelos femininos, como no período clássico, pintaram muitos homens, cuja tristeza do corpo é de uma estética implacável. Nenhuma concessão ao exterior. Cada pedaço do corpo é alma em estado crítico. Inconsciente se transforma na consciência crítica da realidade humana. São os quadros mais tristes que já vi em minha vida. Estão no Leopold Museum, em Viena.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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25/08/2008 - 08:43
SAUDADES DO CULTURA ARTÍSTICA
Ainda recentemente o Cultura Artística recebeu a doação de um magnífico STEINWAY, em cujo lado, em lugar da marca do piano, colocaram o nome dos doadores. Mas isso me incomodou , mas não importava, de vaidade em vaidade também se produziram as Variações Goldberg e mesmo a Nona Sinfonia de Beethoven.
Sei que vi e ouvi de tudo na Cultura Artística, embaralhados na memória da terceira idade, mas cujo resíduo é suficiente para embalar meus sábados a noite.
Duas coisas, porém, ficaram nos arquivos do inesquecível, uma a uma, perfilados na mesma eternidade. Cortot e Edith Piaf.
O pianista estava bem pra lá dos oitenta anos. Suas juntas escondiam pedais enferrujados. Na casaca preta, com os ombros dobrados, parecia que ia se depositar sobre o piano, definitivamente. Pois bem. Tocou os prelúdios de Chopin, os estudos, as valsas e as mazurcas. Parece até que lhe escapavam notas. Mas não lhe escapou o sublime. Corrigiu as almas presentes e substituiu a crítica formal pelo gosto universal. Sua alma está por ali, apagando o incêndio.
Baixinha, de preto, com uma rendinha branca no pescoço, mais parecia uma costureira da periferia, ou alguém que estivesse ali para limpar o piano, tal a simplicidade do semblante. Era, em pessoa, Edith Piaf, no Cultura Artística. O resto foi um corpo modesto se transfigurando numa alma exuberante.Voz e linguagem compunham uma mesma estrutura de arte, nunca vistos naquele segmento de espetáculo. Se a tivessem soltado no deserto ela teria cantado daquele mesmo jeito. Pois não foi assim quando a soltaram no inferno…Sua alma também deve estar por ali, atiçando o incêndio.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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25/08/2008 - 08:43
SAUDADES DO CULTURA ARTÍSTICA
Ainda recentemente o Cultura Artística recebeu a doação de um magnífico STEINWAY, em cujo lado, em lugar da marca do piano, colocaram o nome dos doadores. Mas isso me incomodou , mas não importava, de vaidade em vaidade também se produziram as Variações Goldberg e mesmo a Nona Sinfonia de Beethoven.
Sei que vi e ouvi de tudo na Cultura Artística, embaralhados na memória da terceira idade, mas cujo resíduo é suficiente para embalar meus sábados a noite.
Duas coisas, porém, ficaram nos arquivos do inesquecível, uma a uma, perfilados na mesma eternidade. Cortot e Edith Piaf.
O pianista estava bem pra lá dos oitenta anos. Suas juntas escondiam pedais enferrujados. Na casaca preta, com os ombros dobrados, parecia que ia se depositar sobre o piano, definitivamente. Pois bem. Tocou os prelúdios de Chopin, os estudos, as valsas e as mazurcas. Parece até que lhe escapavam notas. Mas não lhe escapou o sublime. Corrigiu as almas presentes e substituiu a crítica formal pelo gosto universal. Sua alma está por ali, apagando o incêndio.
Baixinha, de preto, com uma rendinha branca no pescoço, mais parecia uma costureira da periferia, ou alguém que estivesse ali para limpar o piano, tal a simplicidade do semblante. Era, em pessoa, Edith Piaf, no Cultura Artística. O resto foi um corpo modesto se transfigurando numa alma exuberante.Voz e linguagem compunham uma mesma estrutura de arte, nunca vistos naquele segmento de espetáculo. Se a tivessem soltado no deserto ela teria cantado daquele mesmo jeito. Pois não foi assim quando a soltaram no inferno…Sua alma também deve estar por ali, atiçando o incêndio.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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24/08/2008 - 08:40
MARGUERITE D`AUTRICHE
Durante séculos os monarcas se habituaram a edificar templos e monastérios, para salvar a alma ou homenagear pessoas, dotando as ordens religiosas de grandes abadias e igrejas.E mesmo durante a vida imaginavam poder se purificar com o convívio religioso, tanto que nas edificações sempre se reservavam aposentos, próximos dos claustros e dos templos. Por fim eram enterrados nos mesmos, perpetuando-se em jazigos de pedra ou mármore. É provável que algumas legiões de anjos freqüentassem essas tombas para escutar o fino canto gregoriano dos monges
Margarida era filha do Imperador Maximiliano Io de Habsbourg e de Marie de Bourgogne. Como a maioria das princesas austríacas fazia parte daquela corte de comodities, que as exportava para consolidar o poder político do império. Tinham sólida formação cultural e política, como pudemos constatar com Leopoldina, a primeira esposa de D. Pedro I.
Margarida tinha garra. Casou-se três vezes com reis de saúde fraca. Com a morte de seu irmão, Felipe o Belo, responsabilizou-se pela educação de 11 filhos e sobrinhos, todos eles destinados à grandes reinos. Por amor a Philibert, Duque da Savoie, seu último marido e para perpetuá-lo, construiu um dos mosteiros mais belos do século XVI, em BROU, na região de Bourg en Bresse, onde se criam desde Napoleão, os melhores frangos do mundo.
Morta em 1530, Margarida ocupada com Regente dos Países Baixos, depois da morte do irmão, não conheceu o monumento que construiu. Mas ali está até hoje com o bem amado e a sogra, num jazigo de rara beleza, esculpido em despudoradas pedras rococó.
Fez uma Igreja, cujo oratório e seu pórtico, constituem um dos mais belos trabalhos em pedra feitos depois da Idade Média. Edificou ainda três claustros e acomodações individuais para apenas 12 monges agostinianos, coisa difícil de entender numa época em que os monastérios abrigavam centenas ou milhares de monges.
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23/08/2008 - 08:40
BOURGOGNE – NA FRANÇA PROFUNDA
Difícil dizer o que é profundo num país. Da França lembro-me de uma famosa fotografia tirada no após guerra. Retrata um jovem casal dando um beijo inesquecível. Naquela foto tínhamos a impressão de que a França se libertara de todas as agruras da guerra. Aquela França sofrida mas recuperada para o amor também era a França profunda.
No centro da França, onde estou, numa casa emprestada numa região da Bourgogne, não a região dos grandes vinhos, mas dos pequenos vinhedos e da criação de gado.
Pequenas capelas e as grandes igrejas medievais nos dão a dimensão de um catolicismo arraigado na pedra e no povo, e mesmo na Abadia de Cluny, destruída pela Revolução Francesa, que vendeu suas pedras para a construção de casas, ainda transparece a hegemonia monástica sobre outros tipos de espiritualidade.A região é pobre e os camponeses trabalham para a sobrevivência. Os chateaux remanescentes contrastam com as pequenas áreas nas quais se criam cabras. Os subprodutos das uvas e desse leite constituem riquezas incomparáveis, o vinho do Bourgogne e o leite de cabra.
As casas, que reuniam residência e tulha num mesmo volume austero, com telhados altos, são de pedra, mas os tempos relativamente modernos induziram os cidadãos a cobri-las com camadas de cimento, porque era mais chic. Hoje, os decepcionados da metrópole, hippies, psicólogos, ecologistas, liberais desiludidos, voltam para a velha Bourgogne, mais especificamente OUGI, e a primeira coisa que fazem nas velhas casas, é raspar o cimento, para que as pedras ressurjam da mais remota antiguidade. E tudo volta a se assemelhar às capelas, às imagens e mesmo ao rosto das pessoas.
A França profunda transparece num silencio transparente e triste.Nem parece que outro mundo possa existir, bem perto dali, no palácio do presidente Sarkosy.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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15/08/2008 - 06:26
SIC TRANSIT GLORIA MUNDI
Não há nada mais duro do que pular fora do “Podium”, sobretudo para um atleta que tornou-se o maior ídolo de seu país, consagrou-se como um dos maiores tenistas de todos os tempos: Roger Federer.
Ao perder para o norte americano James Blake por 4:6 e 6:7, Federer retira-se das Olimpíadas bem antes da final.
Os jornais de Lausanne lamentam que, nesse jogo, Roger não era nem a sombra do campeão mundial, que deu tantas alegrias ao torcedor suíço,.
Não podemos dizer que seja o declínio final de Federer, mas podemos garantir que sua invencibilidade foi profundamente abalada, desde o crescimento de Nadal nas quadras de toda espécie.
Essa rotatividade dos heróis esportivos é da natureza mesma do esporte, em qualquer de suas categorias, mas nunca nos dispensa nem dispensa seus protagonistas de uma certa amargura. No Brasil, quanto já sofremos com os problemas anatômicos de Guga, nossa Ferrari de Roland Garros, de quem esperávamos um tempo bem mais longo de atividade. Outro herói, saído diretamente da favela para a glória, tem um joelho e uma cabeça bem atrapalhados, o que o faz transitar com grande velocidade entre o melhor jogador do mundo e as mais desagradáveis manchetes locais. Mas Ronaldo será sempre um fenômeno, sem nunca perder a tristeza.
Ontem, porém, a tristeza foi apenas dos suíços.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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12/08/2008 - 15:41
É claro que todos desejamos que as olimpíadas de 2016 se realizem no Brasil. Sabemos o quanto uma olimpíada contribui para a transformação urbana das metrópoles ou cidades que as abrigam. Barcelona mudou radicalmente. Mais recentemente, Atenas sofreu grandes transformações urbanas para abrigar os jogos. A China não será a mesma depois destas olimpíadas. Assim, não tenho nenhuma dúvida de que o Rio de Janeiro acrescentará à bela natureza todas as obras de infra-estrutura necessárias à sua realização. Até mesmo porque os empreiteiros do Brasil não brincam em serviço.
O problema é outro. Olimpíada se faz com atletas. O que dá sentido à olimpíada é a capacidade de competir das delegações. Competir com lealdade, preparação física, atlética e mental. Assim sendo, mais do que preparar a infra-estrutura do evento, é preciso preparar os atletas. Desde Sidney a China sabia que haveria de hospedar os atletas olímpicos em 2008. Desde então, obstinadamente, prepararam seus atletas. O resultado está aí. A China disputando medalhas em quase todas as categorias.
Isso requer empenho. Um projeto nacional da sociedade, tanto do governo como da iniciativa privada. O Brasil até agora não vai bem nas olimpíadas porque ser atleta no Brasil é uma virtude heróica. A mãe de nossa judoca, medalha de bronze, primeira mulher brasileira a ganhar uma medalha individual, narrou emocionada, na televisão, os sacrifícios de uma cabeleireira para que a filha pudesse comprar quimonos e freqüentar academias. E assim é com todos os nossos atletas, a exceção dos jogadores de futebol, volei e basquete. Os maratonistas trabalham o dia inteiro e treinam a noite, a partir de uma precária alimentação e atendimentos de fisioterapia. Não preciso insistir, apenas lembrar que um Thiago, depende dos recursos da família, hoje amenizados pelas campanhas publicitárias, pois tem uma bela aparência além do talento.
O Brasil não merece sediar as olimpíadas de 2016 se não adotar uma atitude capaz de mudar sua política esportiva e se não for capaz de produzir atletas representativos de nossas virtualidades. Não são as olimpíadas que produzem atletas, mas os atletas que dão sentido às olimpíadas.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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