2008 julho | Jorge da Cunha Lima
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Arquivo de julho, 2008

31/07/2008 - 20:21

TELEVISÕES PÚBLICAS QUEREM UM NOVO FORUM

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O ENCONTRO DA ABEPEC EM BELÉM

Vinte e uma televisões públicas reunidas em Belém, no XXVII encontro da Associação Brasileira de Televisões Educativas proclamaram a necessidade da realização de um novo Fórum de Televisões do campo público. Embora reconhecendo que a Lei que criou a TV Brasil definiu e regulamentou o que é TV Pública no âmbito Federal, as televisões abertas estaduais continuam sem um marco regulatório que as coloque definitivamente no contexto das públicas. Isso quer dizer, mais independência, agilidade administrativa e melhores condições produtivas. Tanto os representantes da televisão federal, quanto os
das televisões estaduais decidiram que a maior luta do segmento é a conquista de um marco regulatório a ser definido no próximo Fórum. Para o Ministério das Comunicações as públicas ainda são regidas pelo decreto da ditadura, de 1967, como se não existisse a Constituição de 88 e outras decisões, como as leis de incentivo, que mudaram completamente a leitura do que é televisão e portanto, do que é televisão pública. Mas, para evitar formalismos jurídicos, a ABEPEC reivindica uma lei clara, sobretudo tendo em vista a mudança completa de paradigmas no setor da comunicação no Brasil e em todo o mundo. Paulo Markun, Teresa Cruvinel e Regina Lima, a anfitriã, participaram do Fórum e subscreveram a proposta de imediata realização de um novo Fórum.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
31/07/2008 - 00:06

O MINISTRO GIL: CARISMA E COMPETÊNCIA

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UMA BOA PASSAGEM NO MINC

Quando Gilberto Gil foi escolhido Ministro da Cultura do governo Lula eu fui dos poucos jornalistas que elogiaram a escolha. O Ministério precisava de criatividade, de uma fala nova, para sacudir a burocracia e administrar os tostões. Além disso, Gil tinha alguma experiência na área e era um administrador formado. Nunca lhe deram o dinheiro que o ministério necessitava, mas assim mesmo, Gil foi um excelente ministro. Tinha o carisma que o sucesso ajudava a espalhar. Teve equipes com diversas faces, mas foi capaz de harmonizá-las. No que acompanhei de perto, a área da comunicação, Gil foi impecável. Antenou rapidamente com as televisões públicas. Anunciou, patrocinou e liderou sua melhor iniciativa: o ” Foro Nacional das Televisões Públicas”, cujo resultado propiciou que a TV Brasil, criada por Lula, se constituísse no primeiro marco regulatório da Televisão Pública nacional. Além do mais, o Foro criou todos os parâmetros para
a renovação da televisão pública no Brasil. Gil conceituou em seus discursos escritos sua concepção sobre as várias atividades do Ministério, mas dava liberdade a seus dirigentes para que tocassem e aperfeiçoassem os projetos. Seu prestigio era nacional. Deixou um ministério ajustado e teve até a competência de produzir um sucessor, o Juca.
Felizmente, durante o seu mandato, não engessou o artista. Na medida do possível realizou shows e espetáculos indispensáveis à manutenção de seu ethos criativo.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/07/2008 - 22:40

O ARQUITETO

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A MORTE DE JOAQUM GUEDES

Joaquim Guedes morreu atropelado em frente à sua casa, na Av. Nove de Julho, por um carro negro e fantasma, cujo motorista, covarde, evadiu-se pela noite, sem qualquer gesto de socorro. Não é difícil morrer assim nesta cidade egoísta, que Guedes pensou a vida inteira, e a seu modo, amou.
O Guedes era assim: ele amava com a inteligência. Sem um pensamento que desse razão à emoção, o Guedes não se sentiria a vontade. Por isso mesmo discutia tanto, brigava tanto. Não eram brigas de rancor, mas estágios de reflexão. Guedes me lembrava sempre um compasso.
Conheci-o em pleno exercício da cidadania, projetando o mundo. Tinha um plano para Brasília, outro para a mineradora, outro para São Paulo. Era então um pequeno gênio precoce. Quando projetou a casa do meu irmão parecia um botânico, de tal forma a fôrma era de árvore. Quando projetou a minha para a Segunda Madrugada, em Campos do Jordão, esquadrinhava cores, qual um Mondrian de araucárias.
As coisas mais bonitas que fez, foram casas de tijolos, aparentes como o barro. E o barro é a única previsão religiosa do homem.
Além disso, o Guedes desenhou muitas palavras. Foi um exímio escritor. O prefácio do Eupalinos, de Paul Valéry, é de tirar o fôlego e os andaimes. Nos deixa soltos no ar, mas bem conscientes da gravidade.
Seu mergulho em Gaudi, ao contrário, deduz um por um os arabescos da sobriedade.
Daqui a pouco, o arquiteto, professor, presidente do IAB, candidato a vereador, em plena maturidade humana e profissional, será enterrado em São Paulo, no Araçá. Não projetou todas as obras que desejava nem morreu em paz, mas deixou em seu rasto um linha de grandeza. A linha do arquiteto.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/07/2008 - 22:36

FESTIVAL NONA SINFONIA DE BEETHOVEN

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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/07/2008 - 18:11

FESTIVAL

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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/07/2008 - 18:01

O FESTIVAL DE CAMPOS DO JORDÃO

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Kurt Masur tem uma altura e uma elegância natural, mas sua imponência vem do sucesso, do reconhecimento universal, como um dos grandes maestros do nosso tempo. Foi-lhe dado o desafio e a tarefa de reger a Nona Sinfonia de Beethoven, com os jovens estudantes reunidos durante três semanas em Campos do Jordão. Acompanhou-os o Coro da Osesp, da incrível Naomi Munakata, e quatro cantores internacionais. Masur domou-os em alguns dias de regência com rédea curta. O entusiasmo contagiou o público do auditório hibernal. O spalla dos celos arremeteu o arco num toque de entusiasmo, que lhe foi prontamente devolvido pela platéia. Se não foi o melhor dos Beethoven, foi o melhor dos espetáculos,
E mais, o governo prometeu que até 2010 entregará os novos alojamentos para os estudantes, que permitirá a realizaçáo do festival no mes de julho e de festivais menores durante todo o ano. A Fiesp e o Bradesco respectivamente anunciaram a doação de 23 pianos para ensaios e dois Steinway para reciteis. Isso tudo se coroou com a premiação de quatro bolsistas do festival que ganharam Bolsas para a Europa e prêmios Eleasar de Carvalho para estudos no Brasil.
Tinha razão Beethoven ao escolher uma Ode de Schiller denominada ODE À ALEGRIA.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/07/2008 - 11:49

ALIANÇA PELO CENTRO HISTÓRICO DE SÃO PAULO

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UMA ALIANÇA SAUDÁVEL

A Aliança pelo Centro Histórico, planejada pela Associação viva o Centro, endossada por diversas instituições da sociedade civil e econômica, pelo governo municipal, visa apenas, dar condições de excelência à manutenção do centro de São Paulo. Nada mais simples: se unem os esforços públicos e privados, para monitorar os responsáveis pelo melhor tratamento a ser dado à iluminação, à limpeza, à beleza, à segurança, ao trânsito e ao tráfego, às calçadas e aos jardins. É incrível que algumas pessoas e mesmo instituições desavisadas vejam no projeto uma insidiosa estratégia de “higienização” do centro, expulsando dele suas chagas sociais. Não é nada disso. O que se deseja é criar uma coesão de fiscalização e cuidados para preparar o centro como um espaço privilegiado para o comercio, a habitação, o trabalho e a fruição dos usuários cidadãos. Não é digno que se perpetuem espaços públicos como albergues a céu aberto, pela incapacidade de dar solução humana e política aos problemas sociais. A aliança visa isso e muito mais.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/07/2008 - 15:51

HABITAÇÃO NO CENTRO: UMA IDÉIA PARA OS CANDIDATOS

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ADENSAR O CENTRO

Há mais de cinqüenta anos limitaram a altura dos prédios no centro de São Paulo e isso impediu que se construíssem novos prédios, modernos, juntando terrenos, como se fez em Manhattan. Apesar do dinheiro gasto na implantação do melhor equipamento em infra-estrutura de toda a cidade, as construções antigas se deterioraram e os pequenos terrenos tornaram-se inaproveitáveis. O melhor exemplo disso está na esquina do Vale do Anhangabaú com a Av. São João, o local mais importante da cidade. Restaram uns predinhos acanhados, que tornaram o cartão postal de São Paulo, uma paisagem horrível. O que fazer? Uma vez perguntei isso ao então prefeito José Serra, durante a visita que fez à Associação Viva o Centro, e ele concordou que aquela esquina parecia um dente cariado na paisagem urbana. O arquiteto Fabio Penteado fez um projeto ambicioso para a esquina que ocupava o Vale, a Av. São João e se infiltrava pelo terreno da prefeitura até o Cine Marrocos. Isso dependia de algumas modificações nos acessos inexistentes do Vale e uma grande mobilização financeira, com a garantia de que o centro seria recuperado naquele em torno. Não emplacou, mas fica aberta a questão da necessidade de um adensamento do centro, dando ênfase à instalação de moradias em prédios reformados e construindo-se novos. Essa re-ocupação urbana por moradores será fundamental para a consolidação da recuperação do centro, dando-lhe vida e vitalidade. Além disso, se aproveitará a imensa infra-estrutura disponível. Mas deve ser um assentamento baseado em todas as classes sociais. O centro não pode virar um quarteirão da Cohab nem um Condomínio Fechado, deve abrigar a diversidade e a pluralidade. Há espaço para tudo isso. Basta que os candidatos a prefeito se comprometam com essa idéia, pois é o melhor partido para consolidar o centro e ajudar a resolver a questão habitacional.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/07/2008 - 19:55

PAUL KRUGMAN: SOU OBAMA E NÃO ABRO

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UM ENCONTRO COM PAUL KRUGMAN

O economista da Princeton University é um grande liberal. Já antes da gravação do Roda Viva afirmou que fôra Hillary e agora: Sou Obama e não abro. De manhã, antes da gravação do Roda Viva, foi o orador principal do Seminário da CPFL, do BNDES e do VALOR, Denominado CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL E CRESCIMENTO DA ECONOMIA BRASILEIRA
Na primeira parte falou o presidente do BNDES, com grande otimismo, mostrando como o Brasil criou um “colchão de reservas” para enfrentar as crises internacionais e permitir um desenvolvimento adequado.
Na segunda parte falou Krugman, retomando as advertências proféticas que vêem fazendo desde muito antes da crise, agora confirmada com a crise dos financiamentos imobiliários e a decorrente crise bancária. A coisa mais importante que Krugman disse foi que ” a crise não vai ser muito profunda, mas vai ser muito longa” , porque os remédios são lentos. Os comentaristas de Krugman, com apenas 8 minutos, foram Belluzzo e Luiz Mendonça de Barros. Belluzzo afirmou que o grande protecionismo americano e Inglês do fim do século XIX não pode se repetir porque o capital e a comida hoje são complementares nas relações com a China e a transferência da indústria americana para a China não tem retorno possível. Mendonça de Barros acredita que a visão de Krugman, com a qual ele concorda, ainda é demasiadamente americana. A China tem uma importância nem sempre percebida, afirmou,” 1% do total anunciado do PIB americano hoje se deve à exportações feitas para a China” . A China poderá ajudar assim a crise americana.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/07/2008 - 14:39

JURISTA E POETA NO TSE

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VISITA DE UM JUIZ HUMANIZADO

O jurista Carlos Ayres Britto esteve na TV Cultura para gravar um pronunciamento eleitoral. Fui recebê-lo com a formalidade adequada à recepção de um presidente de tribunal, sobretudo, tratando-se do mais democrático dos tribunais: o Tribunal Superior Eleitoral.
Logo me surpreendi com a sensibilidade do juiz, que escreveu mais livros de poesia do que de direito, e sabe que isso lhe dá a humanidade necessária ao exercício da magistratura. Logo estávamos a falar da língua e no quanto o direito brasileiro produziu uma língua enrolada. Mas o ministro nos consolou com a observação de que a linguagem jurídica está se simplificando bastante no Brasil. Colocada informalmente a questão da impugnação de candidatos com passado duvidoso, relatou-nos que seu voto foi derrotado pela exigência, manifestada pelos outros ministros, de que só seria impugnado o candidato com sentença transitada em julgado, mas que isso não impede o direito da população de conhecer o passado dos candidatos. Quando lhe perguntei se havia qualquer possibilidade de se extinguir a legislação atual sobre a suplência no Senado, respondeu-me que a única garantia é a de que nas próximas eleições já vai aparecer a fotografia do vice no painel eletrônico da votação e em futuro próximo também a fotografia dos suplentes de senador.
Depois da gravação conversamos sobre a falta de espontaneidade das pessoas que alcançam altos cargos públicos, até mesmo em função do tom coloquial que imprimiu ao seu pronunciamento. Então o ministro me disse um frase lapidar que guardei e passo adiante: O exercício do poder não é viagem do ego, é viagem da alma.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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