MORRE O ÚLTIMO GÊNIO DA MODA
Yves Saint Laurent
O Brasil também teve seu grande estilista, naqueles tempos chamado costureiro. Era o Denner Pamplona, criatura conflitante, mas de uma lúcida ambivalência. Vivia vestido de veludos pretos e quando lhe imputavam a condição de viado aparecia com uma linda mulher, à qual dedicava carinhos e até prole. Sua fama veio do reconhecimento das clientes da alta sociedade, tão caipira quanto paulistana e da força que lhe davam os grandes cronistas sociais: Tavares de Miranda, Alik Kostakis e o Pacheco, dos Diários Associados. Quem não tivesse o aval dos três ficaria relegado à mais prosaica periferia. Lembro-me do Denner, sentado aos pés de Vivien Leigh, numa “bergère” da casa do Vitor Simonsen, após a apresentação triunfante da Dama das Camélias, no Teatro Municipal. Depois do Denner não tenho notícia de um grande costureiro brasileiro, a não ser pelo jovem Lourenço que desponta em plena adolescência. Pode ser que Glorinha Kalil indique outro.
Falo dessas coisas prosaicas, a partir da notícia da morte de Yves Saint Laurent. Imaginem vocês um imigrante argelino, de 17 anos, desembarcar em Paris e triunfar na mais famosa casa de costura do mundo, a Dior, e logo transformar-se no seu símbolo. Isso numa época em que a França e a Argélia não se bicavam, ao contrario, se metralhavam. Isso, ainda, num país que tinha pelo menos uma dezena de costureiros famosos: Chanel, Balenciaga, Jacques Fath, Givenchi, Paco Rabane e Schiaparelli, entre outros.
Antes de morrer, aos 71 anos, Yves Saint Laurent disse uma coisa interessante, sobretudo para um costureiro: O mais importante não é o que se coloca sobre o corpo de uma mulher.
