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Arquivo de junho, 2008

11/06/2008 - 15:04

MORRE O ÚLTIMO GÊNIO DA MODA

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Yves Saint Laurent

O Brasil também teve seu grande estilista, naqueles tempos chamado costureiro. Era o Denner Pamplona, criatura conflitante, mas de uma lúcida ambivalência. Vivia vestido de veludos pretos e quando lhe imputavam a condição de viado aparecia com uma linda mulher, à qual dedicava carinhos e até prole. Sua fama veio do reconhecimento das clientes da alta sociedade, tão caipira quanto paulistana e da força que lhe davam os grandes cronistas sociais: Tavares de Miranda, Alik Kostakis e o Pacheco, dos Diários Associados. Quem não tivesse o aval dos três ficaria relegado à mais prosaica periferia. Lembro-me do Denner, sentado aos pés de Vivien Leigh, numa “bergère” da casa do Vitor Simonsen, após a apresentação triunfante da Dama das Camélias, no Teatro Municipal. Depois do Denner não tenho notícia de um grande costureiro brasileiro, a não ser pelo jovem Lourenço que desponta em plena adolescência. Pode ser que Glorinha Kalil indique outro.
Falo dessas coisas prosaicas, a partir da notícia da morte de Yves Saint Laurent. Imaginem vocês um imigrante argelino, de 17 anos, desembarcar em Paris e triunfar na mais famosa casa de costura do mundo, a Dior, e logo transformar-se no seu símbolo. Isso numa época em que a França e a Argélia não se bicavam, ao contrario, se metralhavam. Isso, ainda, num país que tinha pelo menos uma dezena de costureiros famosos: Chanel, Balenciaga, Jacques Fath, Givenchi, Paco Rabane e Schiaparelli, entre outros.
Antes de morrer, aos 71 anos, Yves Saint Laurent disse uma coisa interessante, sobretudo para um costureiro: O mais importante não é o que se coloca sobre o corpo de uma mulher.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/06/2008 - 15:04

O DISSENSO DE WASHINGTON

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OBAMA ANUNCIA A SUA PRIORIDADE: ECONOMIA

Só o fato de um negro ser indicado candidato à presidência dos Estados Unidos já representa uma capacidade incrível de renovação da democracia norte americana. Uma mulher, quase ser indicada, confirma essa capacidade renovadora.
Obama é filho de um muçulmano com uma branca americana, não descende de escravos, mas de um africano imigrante, não nasceu no continente,enfim, não é um WASP.
Tudo indica que a campanha de Obama dará início ao desmanche da política macro econômica adotada pelos Estados Unidos e imposta ao mundo inteiro após o Consenso de Washington. Primeiro Obama já escolheu como tema principal da campanha a economia americana. Isso não deriva apenas de sua vontade, mas ao mal estar criado pela crise econômica desencadeada no e pelo governo Bush e que está afetando diretamente a vida do eleitor e do cidadão norte americano. Quatro dólares por galão de petróleo, num país em que o automóvel é a terceira mão de um homem, não é valor tolerável.
Uma vez, anos atrás, Henrique Meirelles já me havia dito que nenhuma nação agüenta despesas ilimitadas de guerra associadas à baixa de impostos das camadas mais favorecidas. Deu no que deu. Obama vai ter que mudar o foco do debate e produzir projetos convincentes. Enquanto isso MacCain anuncia que seu tema será o mesmo de Bush: a segurança.
MacCain não aprendeu com o grande historiador inglês Edward Gibbon, autor da Queda do Império Romano, que a decadência não vem de fora para dentro, mas se processa dentro das próprias instituições. As armas nucleares nunca constatadas do Iraque são menos relevantes como causa da crise atual do que a própria guerra e os empréstimos irresponsáveis feitos pelos bancos americanos a devedores temerários.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/06/2008 - 09:30

O DISSENSO DE WASHINGTON

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OBAMA E A NOVA ECONOMIA

Só o fato de um negro ser indicado candidato à presidência dos Estados Unidos já representa uma capacidade incrível de renovação da democracia norte americana. Uma mulher quase ser indicada confirma essa capacidade renovadora.

Obama é filho de um muçulmano com uma branca americana, não descende de escravos, mas de um africano imigrante, não nasceu nos Estados Unidos, mas no Haway, enfim, não é um WASP.

Tudo indica que a campanha de Obama dará início ao desmanche da política macro econômica adotada pelos Estados Unidos e imposta ao mundo inteiro após o Consenso de Washington. Primeiro Obama já escolheu como tema principal da campanha a economia americana. Isso não deriva apenas de sua vontade, mas ao mal estar criado pela crise econômica desencadeada no e pelo governo Bush e que está afetando diretamente a vida do eleitor e do cidadão norte americano. Nove dólares por galão de petróleo, num país em que o automóvel é a terceira mão de um homem, não é valor tolerável.

Uma vez, anos atrás, Henrique Meirelles já me havia dito que nenhuma nação agüenta despesas ilimitadas de guerra associadas à baixa de impostos das camadas mais favorecidas. Deu no que deu. Obama vai ter que mudar o foco do debate e produzir projetos convincentes. Enquanto isso Mac Cain anuncia que seu tema será o mesmo de Bush: a segurança.

Mac Cain não aprendeu com o grande historiador inglês Edward Gibbon, autor da Queda do Império Romano, que a decadência não vem de fora para dentro, mas se processa dentro das próprias instituições. As armas nucleares nunca constatadas do Iraque são menos relevantes como causa da crise atual do que a própria guerra e os empréstimos irresponsáveis feitos pelos bancos americanos a devedores temerários.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/06/2008 - 08:04

TV CULTURA: ASVIRTUDES DE UM CONSELHO

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ELEIÇÕES PARA RENOVAÇÃO DE MEMBROS

A qualidade reconhecida da programação da TV Cultura, deve-se muito à existência de um Conselho Curador, altamente representativo da sociedade, e que nomeia o presidente executivo e zela pelo cumprimento de sua missão. O conselho tem o equilíbrio de uma composição ponderada: representantes natos de instituições da sociedade civil e representantes eletivos. Os primeiros vêm das universidades, das Associações culturais, de Instituições liberais e de secretarias de estado e município de educação e cultura. Os membros eletivos são personalidades culturais, artísticas, empresariais e mesmo políticas.Os membros natos são sempre os presidentes de instituições, os reitores e os secretários de estado. Os eletivos são eleitos pela maioria absoluta do conselho, mas escolhidos por oito indicações de membros eletivos do conselho.
Esse modelo de conselho, representativo da sociedade, tem sido sugerido às televisões estaduais e federais do Brasil, posto que a independência administrativa, intelectual e editorial de uma televisão é indispensável para sua qualificação como televisão pública.Só essa condição permite que a programação se distancie igualmente dos parâmetros do mercado e dos interesses dos governos.
Hoje, em reunião extraordinária, o Conselho fará a renovação dos membros do Conselho Curador, com a eleição de quatro novos candidatos, e reeleição de dois. Com a saída compulsória de Ioshiaki Nakano, José Carlos Dias, Irene Ravache e José Roberto Melhem (falecido), foram indicados para substituí-los Gabriel Jorge Ferreira, Sabine Lovatelli, Paulo Roberto Mendonça e Paulo Mendes da Rocha, representantes do mundo financeiro, artístico, cinematográfico e da arquitetura nacional. Paulo Mendes conquistou o Prêmio Príncipe de Astúrias, um dos maiores prêmios de arquitetura do mundo. Têm indicação compulsória para a reeleição o jurista Belisário dos Santos Jr e o publicitário Fernando Furquim.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/06/2008 - 13:51

MEXICO- UM HOTEL LEGENDARIO

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Hotel de Genève

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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/06/2008 - 10:00

UM HOTEL LEGENDARIO NO MEXICO

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VALE A PENA VER

Em 1868 foram construídos uns apartamentos, num local da Cidade do México, hoje denominado Zona Rosa. Em 2007 inauguraram o mais antigo hotel da cidade, o famoso Hotel de Genève, com suntuosa decoração, fontes de água de ferro fundido, pinturas clássicas nas paredes e pisos de mármore. Na rua, quase deserta, já circulava o bonde elétrico.
Hoje, em suas vitrines, vemos recordações de Churchill, em torno à sua fotografia, com dois charutos cubanos, um corta charuto de madrepérola, uma caneta de prata com pena de ouro e um binóculo.
Há ainda uma vitrine dedicada ao ditador Porfírio Diaz, outra com uma foto de galã do Zapata, ainda bem moço. Noutra vitrine vemos utensílios de viagem de atrizes famosas que freqüentavam o hotel.
Hoje, reformado, o hotel pertence a Carlos Slim. Aliás, tudo pertence a Carlos Slim, porque afinal lhe pertence todo o sistema de telecomunicações do país.
Mas Slim, o filho de comerciantes libaneses, começou a vida pobre, bem mais pobre do que seus primos, que tinham os melhores iates do Golfo do México e as melhores casas da Capital,. Obstinado, Slim começou com um café e logo transformou-o em uma rede de alimentação, hoje a maior cadeia de comidas do México: a SANBORNS.
O hotel é fantástico, com suas salas e quartos magníficos, mas o imenso restaurante Sanborns, num imenso salão estilo ” kitsch-azteca” , é péssimo. Pior que a demora, só a comida. Vale a visita se você for à Cidade do México.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/06/2008 - 12:34

O INGENUO CARPENTIER

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CARUSO INAUGURA O TEATRO NACIONAL DE CUBA

Ernesto Sanchez, escritor mexicano e diretor do Canal 22, gosta de contar histórias como todos o ex-alunos da Escola de Cinema de Cuba, sobretudo histórias do escritor Alejo Carpentier.
Contou-nos que no começo do século passado, Havana inaugurou o Teatro Nacional de Cuba e convidou Caruso, a maior celebridade viva para a inauguração.
Afim de abrilhantar a festa, os cubanos depositaram num aquário com formol, uma pequena baleia que havia encalhado na costa, e colocaram-na no átrio do grande teatro.
Do lado de fora do tetro, de cAda lado, havia uma feira livre e um parque de diversões.
Caruso chegou ao suntuoso teatro e se espantou ao ver os elegantes mexicanos de fraque, naquele calor terrível de Havana.. Quando o espetáculo começou o calor aumentou e a administração mandou abrir as janelas e as portas, da grande sala onde Caruso cantava.
O formol foi inútil e um cheiro horrível adentrou o espetáculo. Pelas janelas, à esquerda do palco ouvia-se uma oferta cantada em altos brados, por um vendedor de purgantes. No outro lado o ruído infantil de um Parque de diversões.
Caruso interrompeu o canto, saiu do teatro, e tão cedo quanto pode, embarcou no mesmo navio em que viera e que ainda estava atracado no porto.
Alguns anos depois o grande escritor Alejo Carpentier encontrou o cantor em Paris e, com a maior ingenuidade que lhe era peculiar, perguntou:
- Enrico. Porque você nunca mais voltou a se apresentar em Cuba?

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
04/06/2008 - 11:45

UM EXEMPLO PARA OIBIRAPUERA

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O PARQUE DA REFORMA E OS MUSEUS

Passar pela grande avenida da Reforma e contemplar os dois lados um parque urbano de grandes dimensões já é um prazer. Saber que nesses dois lados podemos visitar museus da categoria do Museu Tamayo, do Museu de Arte Moderna e do mais belo museu do mundo, projetado pelo arquiteto mexicano Pedro Ramirez Vasquez, o Museu de Antropologia, nos enche de orgulho da capacidade dos mexicanos de criarem instituições públicas.
Isso me remete ao anúncio da instalação do MAC, no Edifício do DETRAN, com um projeto de adaptação feito pelo próprio Niemayer. Não se trata apenas da melhor coleção de arte moderna do país, porque o MAC tem arte moderna, enquanto o MAM tem arte contemporânea, paradoxalmente, mas pela destinação definitiva que vai se dando ao parque do Ibirapuera. Um espaço de natureza e um espaço-museu de todas as artes. Só falta a sensibilidade do prefeito entender que a melhor destinação da OCA é instalar ali o acervo guardado do MAM.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/06/2008 - 18:36

O CANAL 22 DO MÉXICO FAZ 20 ANOS

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UMA TV MUITO PARECIDA COM A TV CULTURA

O canal 22 do México é muito parecido com a TV Cultura de São Paulo. Hoje faz 20 anos e Jorge Volpi, atual presidente,está comemorando com a realização de um Seminário Internacional, do qual tenho a honra de participar. Os temas escolhidos por Volpi provocam os participantes a falar sobre a TV Pública no Mundo, os novos formatos televisivos, a produção da televisão cultural e a questão crucial dos meios massivos de comunicação e a democracia. Participam grandes nomes da televisão anglo saxônica: José Sanchez (BBC), Tom Koch (EUA – WGBH), Alistair Pegg (Chanel 4 – UK). Do mundo latino participam: Perez Gay, (ex 22), Alberto Garcia Ferrer (TV Educativa- Esp.),De Margerie (ARTE – França), Enrique Strauss (Mex), e Tristan Bauer (Canal Encuentro – Arg.).
Da mesma forma que aconteceu no Brasil, o debate sobre a televisão pública no mundo ibero americano é dominante. As televisões se cansaram de criticar o vazio da televisão comercial e estão a procura de uma nova linguagem televisiva, na qual a qualidade desejada se diferencie da televisão de mercado, mas buscando uma audiência compensadora.
A unanimidade está na avaliação da baixa qualidade da televisão neste Século XXI e o completo alheamento da juventude com relação a esse meio de comunicação. Há ainda uma perplexidade sobre os novos caminhos da convergência. Não se sabe ainda se a tela da Internet será a tela da TV ou vice-versa, nos próximos anos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
02/06/2008 - 16:52

DUAS OU MAIS CARAS

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Agnaldo Silva é o mais moralista de todos os autores de novela. Assim como Nelson Rodrigues trata da “Vida Como Ela É”, ele sempre conduz os fatos e os personagens para a natureza mesma das coisas, o que é extraordinariamente moral.
Em Duas Caras, a novela das oito, tudo se encaminha para as virtudes, apesar de ter sido a mais permissiva de todas as novelas.
Nunca se viu, na história deste país, um beijo mais prolongado e sensual. Ainda que tratando-se de um beijo sonegado por Maria Paula ao renegado Marcondes Ferraço, durante dezenas de capítulos. Mas Ferraço regenerou-se pelo encontro da identidade, um dos mais modernos parâmetros éticos.
Juvenal Antena, o inescrupuloso líder da favela, fica indignado quando a namorada se expõe na sexualidade de um mastro fálico e totêmico, no cabaré. As branquinhas da Vieira Souto adaptam-se à Favela Portelinha e aos parceiros negros, com mais facilidade do que suas incursões na DASLU. O casamento multirracial coletivo contempla a afirmação.
Já o triangulo amoroso, constituído pela mãe solteira e dois pais fajutos é uma tentativa obstinada de se constituir uma família estável para legitimar o bastardo. Mais avançado que o próprio ¨Jules et Jim¨, famoso filme francês que canoniza o ” ménage á trois” , finda por acrescentar um quarto parceiro que se casa legalmente com um dos meninos, inteiramente seduzido por aquela estabilidade gay.
As atrizes da novela são tão extraordinárias (Marília Pêra, Renata Sorrah, Suzana Moraes e Betty Faria) que avalizam tanto o desatino quanto a flexibilidade moral dos dependentes. São peruas bem mais generosas que as da vida real. Por isso mesmo, duas delas, depois de se estapearem, acabam a gargalhadas diante do benemérito, amante e marido, atirado ao chão.
O deputado e o candidato a vereador são figuras impolutas, talvez personagens emergentes das fontes luminosas do petróleo da Baia de Santos.
Agnaldo Silva é uma das modernidades que sobraram na Globo, juntamente com Guel Arraes e Jaime Monjardim.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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