HAMLET – PARA SEMPRE
WAGNER MOURA – A QUALIDADE DA EMOÇÃO
Acabo de sair do Teatro FAAP, onde assisti o Hamlet de Aderbal Freira – Filho, melhor dizendo, o Hamlet de Wagner Moura. Em minha vida já vi inúmeros Hamlet. Um privilégio do tempo. Vi Jean Louis Barrault no Teatro Santana, derrubado pela fúria imobiliária. Jean Louis era dicção. Seu monólogo chegava ao poleiro onde me encontrava com alguns colegas da Faculdade de Direito. Depois, vi o Sergio Cardoso. Como lembrou-me Silney Siqueira, o ator andava pelos fundos do palco, nunca chegava ao centro. Era uma sombra de si mesmo vagando pelo palco, numa bela interpretação. Laurence Olivier, também o vi, pontuava com a tradição inglesa, conceitos e melancolia, deixando vazar pelas frestas de um lábio fino, tanto o autor, Shakespeare quanto seu personagem preferido.
Wagner Moura tira o seu personagem da farsa, da própria representação dentro da representação. O personagem que ele produz nasce do próprio teatro. Do amor ao teatro que o personagem cultua e Wagner transforma em vida. Poucas vezes fiquei tão emocionado num teatro. Desde as primeiras falas, aos monólogos, à histeria, tudo é convincente e mesmo emocionante no desempenho de Wagner Moura.
A montagem de Aderbal Freire é tão competente que haver interpretações de menor porte não tem a menor importância. Tudo tem harmonia em torno da luz de Hamlet. Sem contar que o tônus de Polônio é muito interessante. Não se curva ao maneirismo bajulador mas ao humor profundo do serviçal. Ofélia é menos inglesa, é uma Ofélia brasileira, jogada às piranhas.
E, o que é muito, muito bom. Shakespeare aparece, transparece e tatua com impiedade a nossa pobre alma. Cada monólogo é uma lição de modernidade. Serve para a vida e para a conjuntura. Não é imortal enquanto dura, é imortal porque perdura. Bênçãos a uma dramaturgia que produz um Wagner Moura.

Seu comentário nos remete ‘a história do teatro, e também é belo e emocionante
Concordo em gênero, número e grau com Jorge da Cuma Lima, Wagner Moura & Shakespeare, carne e unha, dia e noite… um compelta o outro, é realmente emocionante! Vi muito homem chorando na platéia…
Que privilégio ter uma Wagner Moura em nossos teatro…
Loise.
Seu comentário realmente me deixou ainda mais ansiosa para assistir à peça, espero que eles venham para BSB, desde vi uma entrevista dele no Jô falando sobre isso, ficou “doida” para ver, pois Wagner Moura é tudo que há de melhor em matéria de ator!
Efetivamente o Wagner Moura está sendo o melhor, mais completo e mais perfeito artista do Brasil. É o dos ultimos vinte anos e continuará a sê-lo por algum tempo.
É multifacetado, essencialmente criativo e inovador , sem se afastar um único milimetro do contexto, e muito bem sabe sensibilizar e provocar emoções. Sabe também, com tranqüila segurança, atrair e amarrar toda e qualquer tipo de atenção de quem o assiste. É exíminio em roubar cenas, possuindo o dom de conquistar, com competente humildade, preciso respeito e comedida simpatia, admirações e respeitos crescentes sobre todo e qualquer trabalho artístico que faça.
Louvações e aplausos para Wagner, para as artes brasileiras e para os que as amam e delas sabem cuidar.
E, depois de brilhar como ator, com certeza absoluta, brilhará como AUTOR de teatro e literato, porque a arte, em Wagner, é irmã congênita de sua sensível alma humana, que também é fabulosa fonte de emoções.