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Arquivo de junho, 2008

30/06/2008 - 17:12

SARAMAGO E A CRUELDADE HUMANA

AINDA O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

A cada página que avancei na leitura de “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Saramago, fui-me convencendo de que o mundo sem organização conduz o mais nobre dos animais, o homem, a mais torpe degradação.
Sempre tive uma enorme antipatia pela palavra ordem, apesar de ter enviado meus primeiros poemas para a revista católica A ORDEM, editada no Rio pelo Centro D. Vital. Ordem sempre me deu a idéia de autoritarismo, uma tentativa de substituir os outros valores da sociedade, por esse valor de controle da liberdade, que a ordem pressupõe.
Não é afinal a ordem que justifica todas as organizações policiais e militares? Não é a ordem que pretende unificar e mesmo padronizar todos os comportamentos, deixando o homem engessado num único perfil, nem sempre o melhor?
Pois, á medida que o universo da ficção de Saramago vai ganhando concretude com a progressão da cegueira no romance, percebemos que os cegos desorganizados e desordenados, em sua luta pela busca do leito, da comida, da privada, do prazer sexual, tornam-se repelentes animais, destruindo-se uns aos outros.
A mínima satisfação das necessidades primárias de cegos aprisionados pelo sistema político num manicômio, para evitar o contagio (causa presumível da expansão da cegueira), se transforma num tumulto incontrolável e, o que é pior, numa inimaginável exploração do cego pelo cego, o que nos parece romanticamente impossível.
Saramago nos mostra que é. Numa certa altura da leitura temos vontade de jogar o livro pela janela. Vontade de fechar os olhos para não ver aquela metáfora de um mundo impiedoso. Mas prosseguimos até o fim e terminamos a leitura, exaustos de nós mesmos, exaustos da condição humana.
Não vi ainda o filme do Meirelles. Mas ele devia estar louco quando decidiu filmar o romance. Soube que na primeira exibição dezenas de pessoas se retiraram da sala. Meirelles teve de simplificar o roteiro e retirar algumas cenas insuportáveis.
Pois é, torna-se necessário que uma sociedade fique cega para enxergarmos a sua crueldade.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/06/2008 - 17:35

UM BRASIL RICO NÃO BASTA

UM BRASIL RICO NÃO BASTA

Apesar da crise internacional que se avizinha, com a queda das bolsas, o preço do petróleo, a estagnação econômica prevista para algumas grandes potencias, a inflação que se insinua universal, a crise energética e ambiental, o Brasil se projeta para ser uma grande nação nos próximos vinte anos.
Temos, como se sabe, um espaço privilegiado para a produção de commodities agrícolas, possuímos reservas imensas de petróleo, temos água para produzir energia limpa, conhecemos a melhor perspectiva para a produção de etanol, sem prejuízo para a agricultura, construímos um parque industrial bastante maduro, um sistema financeiro sólido, tanto do ponto de vista tecnológico quanto de serviços. Isso tudo, aliado a uma população etnicamente generosa e politicamente aberta, possibilita o advento de uma grande nação com características adequadas a este novo período da história universal.
Contudo, a relativa ignorância cultural de nossa burguesia, o atraso educacional quase endêmico e o distanciamento das classes sociais, pode desfigurar todas essas perspectivas e oportunidades. Podemos dizer inicialmente que a principal questão e que antecede à precariedade educacional é o problema da cultura.
O poder político e as elites econômicas não dão a menor bola para o desenvolvimento cultural e a criação artística. Consideram essas questões dois acidentes, ora para perturbar a cabeça dos jovens, ora para enfeitar o supérfluo da estética burguesa. Quando não caem na grosseria de achar que cultura é coisa de comunista e de veado. Sobra-lhes no máximo a fruição social dos eventos do mercado comercial da arte e o uso inadequado dos incentivos fiscais para suas empresas.
Claro que essa avaliação pessimista tem suas exceções, como tudo o que se quer demonstrar.
Mas isso precisa mudar para que o Brasil seja uma grande potência e a América Latina uma oportunidade. A União Européia não começou com a unificação da moeda. Terminou. Começou com um profundo ajuste cultural entre nações tão diversas quanto inimigas. Ajuste no interior e na fronteira das nações.
Como nosso povo é senhor de uma imensa criatividade e nossas instituições tem virtudes para assumir o melhor, falta apenas uma política cultural que não atrapalhe a vocação natural do homem e da sociedade brasileira para produzir arte e conhecimento.
A crise da TV Brasil e a incompreensão política com relação à TV Cultura são provas disso.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/06/2008 - 12:05

HAMLET NUM PAÍS TROPICAL

Não há nada mais atual do que Hamlet.
A peça contempla a questão da traição, do poder, do erotismo e da violação do sentimento humano. Claro que há em Shakespeare um universo ainda mais amplo do que essas circunstâncias óbvias. Mas é com obvio que se constrói a realidade política e social.
Em Shakespeare há sempre dois amores: o amor erótico e o amor sublime. Ambos conduzem à tragédia, como se o amor não fosse uma dádiva da construção mas um elemento da própria destruição. O universo de Shakespeare parece concentrar-se nas cortes, espaço simbólico da realização e condução dos destinos.
Hoje, o espaço do poder republicano tem cenários múltiplos, cada um dos poderes com suas próprias vestes elizabetanas. Só as ditaduras latino americanas concentram a tragédia ou a comédia nos palácios do governo. Os mais shakespereanos dos políticos no Hemisfério Sul, Getulio Vargas e Salvador Allende consumiram-se in loco. Os mais ridículos saíram por ai, com a faixa no peito e o dinheiro na Inglaterra.
Nos governos modernos, o erotismo está na escrivaninha da sala presidencial, não na cama. Quase ninguém precisa seduzir a cunhada. Não há o que um celular ou um prestimoso Polônio não possa trazer aos prazeres do potentado. O falo contemporâneo é a caneta. Nomeia. Demite. Assina. Assassina. Envia Medidas Provisórias e permanentes ao Congresso. O maior dos afrodisíacos é o poder, já dizia Kissinger. E tinha razão. As cunhadas de Nelson Rodrigues, as estagiarias de Clinton e as calcinhas frouxas que Janio divisava do palanque. Dinheiro e sexo são drenados para os dutos com a mesma facilidade. O homem latino americano, confrontado com o poder, é mais fissurado no dinheiro do que no sexo, apesar de sua fama de machão. Aqui, o infortunado Hamlet não precisaria montar nenhuma representação trágica para produzir consciência e arrependimento. A comédia está representada no próprio ato de governar. O Estado não se inspira no Ágora, mas no quesito comédia do Teatro Grego. O Congresso Nacional deixaria Shakespeare atônito com esses personagens surgidos da periferia mas com a majestade dos bufões. O Judiciário é erudito, lento, solene e quase inútil – seus personagens são os mais próximos do padrão clássico, mas não chegam à tragédia. Podemos dizer, sobretudo incluindo o Executivo, que o poder no Brasil não produz tragédias individuais. É cômico. E na comédia, a tragédia são as conseqüências. O protagonista das conseqüências não é o tirano, mas o povo. Apesar da peça ser muito atual, não há a possibilidade de produzir-se um Hamlet na periferia do mundo. O último foi Che Guevara, mas sua mãe era uma mulher honesta.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/06/2008 - 10:26

AINDA O HAMLET DE WAGNER MOURA

SER OU NÃO SER EIS A QUESTÃO

Ser ou não ser não é o único grande monólogo de Hamlet, mas é o mais impactante. A prisão metafísica do pensamento ocidental coloca esta indagação no centro mesmo da compreensão da humanidade e de seus protagonistas.
Voltando ao meu próprio testemunho, lembro-me que Jean Louis Barrault, súdito da razão e do velho Descartes, é só metafísica. O distinto público perdia a respiração, não pelo desempenho do ator, mas pela ameaça. Não ser. Que desgraça.
Em Sergio Cardoso, o monólogo era uma indagação da própria sombra. O ser ou não ser queria dizer vingança. Matar ou não matar o tio. Mesmo na sombra o ser seria uma decorrência da inação.
Não sei o que dizer de Laurence Olivier, apenas que a língua é tanto dele quanto de Shakespeare, e um pobre latino americano, cuja segunda língua é o francês, não tem competência para avaliar as sutilezas de um dos maiores atores do mundo.
Na montagem de Aderbal Freire, que tem um realismo quase brejeiro, que nos conduz às maiores profundidades pelas portas mais abertas, o monólogo de Wagner Moura ainda não se descolou totalmente da metafísica, apesar da tradução renovadora “esta é a questão”. Poderia.
O problema é se considerar o “ser ou não ser eis a questão” uma única frase. São três. “Ser” é uma coisa. Dirigida à humanidade, ao público inteiro da platéia, porque pertence a todos. Ninguém escapa de ser. ” Não ser” é uma opção pessoal. Pertence à pessoa. Pertence ao ator. Ele se permite não ser. Revela no gesto o não ser. ” Eis a questão” é uma indagação óbvia, não faz parte da gravidade da essência. É uma conclusão singela, solta no ar.
Imagino que a cena, representada pelo mímico Marcel Marceau, teria três tempos, lentos e diversos. No ser, ele apontaria levemente a mão para o público aterrado. No não ser, após uma pausa de tempo, porque o não ser não está colado ao ser, ele traria as duas mãos até o peito e abaixaria a cabeça, porque o não ser vai da cabeça aos pés. Eis a questão teria os dois braços abertos a uma conclusão que dispensa qualquer solenidade. Poderia ser anunciada num botequim. O resto , ainda não é silêncio, mas requer entonações segundo a opção do diretor.
O desdobrar-se do monólogo vai bem na montagem e na representação de Wagner Moura. A primeira frase pede mais tempo e uma pequena desconstrução. O calvário tinha três cruzes. O parágrafo de Shakespeare também.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/06/2008 - 01:22

HAMLET – PARA SEMPRE

WAGNER MOURA – A QUALIDADE DA EMOÇÃO

Acabo de sair do Teatro FAAP, onde assisti o Hamlet de Aderbal Freira – Filho, melhor dizendo, o Hamlet de Wagner Moura. Em minha vida já vi inúmeros Hamlet. Um privilégio do tempo. Vi Jean Louis Barrault no Teatro Santana, derrubado pela fúria imobiliária. Jean Louis era dicção. Seu monólogo chegava ao poleiro onde me encontrava com alguns colegas da Faculdade de Direito. Depois, vi o Sergio Cardoso. Como lembrou-me Silney Siqueira, o ator andava pelos fundos do palco, nunca chegava ao centro. Era uma sombra de si mesmo vagando pelo palco, numa bela interpretação. Laurence Olivier, também o vi, pontuava com a tradição inglesa, conceitos e melancolia, deixando vazar pelas frestas de um lábio fino, tanto o autor, Shakespeare quanto seu personagem preferido.
Wagner Moura tira o seu personagem da farsa, da própria representação dentro da representação. O personagem que ele produz nasce do próprio teatro. Do amor ao teatro que o personagem cultua e Wagner transforma em vida. Poucas vezes fiquei tão emocionado num teatro. Desde as primeiras falas, aos monólogos, à histeria, tudo é convincente e mesmo emocionante no desempenho de Wagner Moura.
A montagem de Aderbal Freire é tão competente que haver interpretações de menor porte não tem a menor importância. Tudo tem harmonia em torno da luz de Hamlet. Sem contar que o tônus de Polônio é muito interessante. Não se curva ao maneirismo bajulador mas ao humor profundo do serviçal. Ofélia é menos inglesa, é uma Ofélia brasileira, jogada às piranhas.
E, o que é muito, muito bom. Shakespeare aparece, transparece e tatua com impiedade a nossa pobre alma. Cada monólogo é uma lição de modernidade. Serve para a vida e para a conjuntura. Não é imortal enquanto dura, é imortal porque perdura. Bênçãos a uma dramaturgia que produz um Wagner Moura.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/06/2008 - 17:31

O SUBLIME, A COVARDIA E A CEGUEIRA

CANTANDO NA CHUVA

Creio que assisti umas seis vezes o filme de Gene Kelly e Cyd Charisse ” Cantando na Chuva”. O filme tinha uma graça e uma alegria contagiante. Nunca pensei que aquela mulher, dançarina clássica e grande atriz, tivesse idade. Morreu aos 86 anos. Tinha vida e idade.Era um ser humano como nós. Mas ao lado de Gene Kelly, na chuva, dançando na calçada, não eram deste mundo. Pertenciam àquela dimensão da transcendência comum aos anjos e aos poetas. Há algumas cenas em toda a história do cinema que se igualam àquela dança na calçada, poucas mais inesquecível.

COVARDIA INSTITUCIONAL

Bandido de caráter mata. Não entrega as vítimas para serem mortas pela facção oposta. Foi o que fizeram alguns soldados do exército no Morro da Providência, onde moravam três jovens. Doce nome o desse morro. Triste sina a desses moços. General Mauro Cesar pede perdão. O exército deve ficar por lá. Uma corporação não é responsável por todos os seus membros. Quando a gangorra do crime pende para o pior, começamos a ter medo da própria sombra. O que há de pior numa civilização é a degradação dos anjos da guarda.
O ministro da Defesa Nelson Jobim teve um gesto nobre: subiu ao morro para pedir desculpas.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Comecei a ler o livro de Saramago e já me arrisco a senti-lo. Compreendo que Meirelles o tenha querido filmar. Só a partir das alegorias poderemos compreender o mundo em que vivemos. O mundo está obvio demais para que o possamos compreender em plena luz do dia, talvez seja preciso uma abstinência da luz para que possamos entender a profundidade perdida desse privilégio, que é ver o outro. Perdida essa virtude, no mundo em que nos cruzamos com tanta indiferença, talvez seja necessário esse estágio probatório da cegueira e da proximidade compulsória para compreendermos o outro e respeitarmos essa virtude de ver. Não sei. Estou no começo, deslumbrado da leitura e ainda não vi o filme do nosso amigo Fernando Meirelles, mas já percebo que Saramago atingiu um dos grandes momentos da literatura universal.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/06/2008 - 17:08

RELAÇÃO ENTRE UNIVERSITÁRIOS E A MÍDIA

PERFIL CULTURAL DO UNIVERSITÁRIO

A FIESP realizou uma segunda pesquisa sobre hábitos culturais dos universitários, com assessoria da tradicional empresa Toledo & Associados. Esses hábitos revelam a profunda relação dos estudantes com a televisão comercial e com a televisão pública, no quesito ” Hábitos de Mídia “.
João Guilherme Ometto, diretor da FIESP, comunicou-me, com algum espanto, a privilegiada posição da TV Cultura, no conceito dos universitários. Entre os que assistem TV Aberta, a GLOBO é a líder de audiência com 71%, seguida pela grande surpresa deste tipo de mídia, a TV CULTURA (=24%) praticamente empatada com o SBT e com a RECORD, ambas com 23%, mas abaixo da CULTURA.
A força da TV CULTURA está principalmente entre os universitários das escolas públicas. Entre estes a audiência da TV Pública paulista atinge 36% contra 64% da GLOBO , 19% da RECORD, 17% do SBT e 16% da MTV.
Na TV paga a liderança é da HBO.
Outro dado interessante refere-se à mídia escrita: 28% não lêem jornal nenhum e 25% não lêem nenhuma revista. O vilão desse baixo resultado é a Internet. Entre os jovens universitários de São Paulo, praticamente todos (=97%) costumam acessar esse veículo.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/06/2008 - 11:51

AS AGRURAS DE UM LOBO QUE NÃO É BOBO

ELEIÇÃO EM SÃO PAULO

Nas fábulas é sempre interessante estar na pele de um lobo. O lobo é forte, esperto e sempre leva a melhor. Na vida real não gostaria de estar na pele de José Henrique Lobo, presidente do diretório Municipal do PSDB. Ele é apenas o árbitro e o condutor da crise que envolve dois candidatos legítimos que pleiteiam com obstinação suas próprias candidaturas. O problema é que pertencem a partidos diversos, o PSDB e o DEM.
Como se sabe, Kassab, do DEM, foi vice e é sucessor de José Serra na prefeitura. Está conduzindo bem o seu mandato e foi de grande fidelidade à Serra e tem membros de diversas facções do PSDB em sua administração, o que as vezes é difícil mesmo em administrações do próprio PSDB.
Alckmin é um dos caciques do PSDB, foi bom governador, candidato com 40 milhões de votos a Presidência da República e quer ser candidato. Sabe muito bem que cavalo arreado deve ser montado. Seria candidato natural à sucessão de Serra, mas em política, meses valem anos e circunstâncias são circunstâncias. Alckmin sabe ainda que mais vale um pássaro na mão que uma revoada de incertezas. É candidato e pronto.
Lobo tem amigos e correligionários no PSDB. Tem amigos e acordados no DEM. Serviu com muita competência os três senhoresÇ Geraldo, Serra e Kassab. É presidente do PSDB e deve presidir a convenção que escolherá Alckmin.
Agora Lobo vai tentar que os dois candidatos não queimem as caravelas do segundo turno, no primeiro. Apesar da gana exterminadora eles devem manter pontes políticas para derrotar Marta Suplicy, candidata do PT, na segunda hora. Marta não é uma candidata para ser desconsiderada. Tem o apoio de um Lula ainda no auge da popularidade, da máquina controlada por Dilma, de um partido que precisa ganhar essa eleição para manter um espaço de poder pós Lula. Mas, para vencer, Marta terá que abocanhar algum ressentimento do eventual perdedor e seus eleitores.
A moral da fábula é que em política, candidato viável é sempre candidato.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/06/2008 - 17:22

O TELETEATRO TEM ALGUMA CHANCE?

DIREÇÕES E A DRAMATURGIA NA TELEVISÃO

O SESC iniciou ontem um grande seminário sobre a dramaturgia na televisão, a partir da revisão da experiência da TV Cultura com o programa Direções, assessorado por Antunes Filho.
Na platéia do SESC Vila Nova, muitos e muito jovens. No palco pessoas mais experimentadas na vida. Por isso afirmei logo de início em minha fala: velho não é quem fura com legitimidade a fila dos cinemas, mas quem já qualificou suas dúvidas. Vida Alves toma a brecha e diz que a velhice liberta a fala e o comportamento. Antunes afirmou que há uma diferença profunda entre as novidades e o novo. Tenho a impressão de que para o Danilo, diretor do SESC, novo é realizar todos os dias.
O depoimento de Vida Alves foi belíssimo. -Velhice, para mim, é pedir a ajuda de um jovem bem bonito para atravessar a rua com ele, de braços dados.
-Novo é retornar às raízes, pondera Antunes.
Álvaro Moya é a memória viva da televisão. Lembra-se dos mais íntimos detalhes. Falou-nos do papel da TV Excelsior, como pioneira da profissionalização da televisão e do Teatro de Vanguarda.
Lauro César Muniz falou do processo de elaboração de uma novela e de toda a sua trajetória no campo da dramaturgia.
Ficou unânime a idéia de que a televisão vive uma transição e precisa reencontrar-se com a qualidade e inovar na linguagem televisiva. Gabriel Prioli resumiu esses desafios, sobretudo o da dramaturgia na televisão.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/06/2008 - 12:19

AVILA MADALENA DOS MEXICANOS

A ZONA ROSA

A cidade de São Paulo é mais multirracial do que a Cidade do México. No México, a presença visível é de brancos e descendentes de índios. O que sobrou da revolução socialista pertence a esses descendentes: reserva de lugares nos teatros nacionais e instituições culturais, nacionalismo exuberante e a lembrança, que lhes pertence, dos heróis da pátria, de Zapata à Benito Juarez.. Os artistas representativos também são índios.
A riqueza, a erudição ocidental e o poder, ficam para os brancos. O apartheid é subjetivo. Há mulheres da sociedade que não se depilam nem raspam as axilas para não parecerem índias, que nascem sem pelos..
Polanco, o bairro chic, é branco com sua Avenida Masarik, uma Daslú com 1 km de extensão.
Democrática é a Zona Rosa, onde fica o Hotel de Gênève. Trata-se de um quadrilátero boêmio, com ruas arborizadas, canteiros, com nomes de cidades européias. Mistura tudo, índios, brancos, empresários, modelos, engraxates, mas sobretudo prostitutas e gays. Suas lojas, sem preconceito, vão do artesanato às grifes mais famosas, A Zara, por exemplo, é colonial por fora e moderníssima por dentro.
Na mesma rua Londres, onde fica o hotel, estão as feiras artesanais e a Praça de Antiguidades, com produtos que variam de dois mil a um milhão de dólares.
A polícia está por toda a parte, na mesma proporção dos marginais. A área é tensa, muita paquera bandida. Jovens índios, provavelmente gays, andam de mãos dadas ou abraçados, com a maior tranqüilidade. Não vi nenhum branco de mãos dadas, ainda que com ares afetados. Na Zona Rosa , mulheres concorrem com as árvores, em graça e em quantidade, mas não são bonitas para nosso olhar ocidental e preconceituoso.
Já a beleza e a prostituição de tipo ocidental, se encontra em Polanco, o bairro da “elite branca e cruel”, como a adjetivou o Governador Claudio Lembo.
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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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