INDIANA JONES – HERÓI DA GERAÇÃO ANALÓGICA
DE NOVO COM INDIANA JONES
Eis que o trio volta à cena: Spielberg, Lucas e Harrison. Devem parecer antediluvianos para os rappers e para as últimas famílias formadas pela webb, sempre há uma última, que carrega o grito da contemporaneidade. Mas, afinal, somos todos filhos de Deus, os analógicos e os digitais.
E assim, nós, analógicos como a arqueologia, vamos aplaudir, em Cannes ou depois, o novo Indiana Jones. A aventura deve ser a mesma, embora o herói mais lento. Seu charme e sua sexualidade não dispensarão uma boa dose de viagra para enfrentar as tigresas fora da jaula. As corridas sensacionais devem ser substituidas pela precisão do chicote, mais fácil de manejar. Quantos às rugas, uma boa maquiagem eletrônica produz melhores efeitos do que os botox da Marta.
As dádivas arqueológicas certamente serão menos impressionantes do que a arca perdida, mas continuam o pretexto para a ação proposta nos roteiros. Essa ação, à Spielberg, vai compensar tudo. E mais, vai nos identificar com um herói da melhor idade, na atualíssima geografia amazônica. Suas chicotadas e sua performance sexual (ainda que com auxilio químico), vão nos deixar orgulhosos de estarmos vivos, diante de tantas oportunidades.
O herói solto no mundo somos sempre nós. Mesmo quando implantados numa cadeira de rodas, nossa imaginação produz heróis como em qualquer adolescente fogoso.
E esse é o mistério pelo qual o cinema não sofreu qualquer revés substancial depois da televisão, da internet e dos i-tudo. Nenhuma arte tem o poder de sedução do cinema, porque nada é mais sedutor do que a fantasia.
