BARENBOIM – NA FRONTEIRA DO SUBLIME
Já é lugar comum dizer que a Oitava Sinfonia de Bruckner tem a estrutura de uma catedral, que deve ser vista na grandeza de sua forma externa e na riqueza dos detalhes estruturais e decorativos.
Estive no concerto de segunda feira na Sala S. Paulo, o segundo realizado pela orquestra de Berlim, sob a mesma regência de Barenboim.
Assustava-nos antecipadamente um programa em cuja segunda parte a sinfonia deveria durar uma hora e vinte minutos.
Mas, nessa segunda parte, depois do intervalo, com uma dose gestual impecável, Baremboim dá início ao silêncio. Tanta música só pode ser compreendida como um silêncio elaborado, da mesma forma que a aterrissagem de um avião não é nada mais do que uma queda controlada.
O primeiro movimento termina, como o próprio autor o considerava, como o momento da morte. Tinha a gravidade e a tristeza mesma da morte. Pena que um cidadão, no auditório, não controlou uma tosse inoportuna. Gentilmente, mas com um tom pedagógico, bem germânico, Barenboim tirou um lenço do bolso da casaca e passou levemente nos lábios.
O scherzo e o trio que se seguiram continham a construção milimétrica da composição e da orquestra. O longo percurso nos envolvia pela exuberância dos metais num contraste amoroso com as madeiras. Os músicos pareciam felizes. Trocavam sorrisos discretos, de puro prazer, entre eles e o próprio regente.
Depois veio o adágio. Qualquer coisa no limite absoluto entre o ser e o não ser. O passo se confundindo com a sombra a percorrer. Um gesto interminável, quase imóvel, mesmo quando os sons explodiam dando a impressão de um fim que era apenas o recomeço.
Por fim o fim. Quando nos imaginávamos no sétimo dia da criação, apenas estávamos no primeiro dia do apocalipse. A orquestra produziu todos os sons que a euforia e a agonia podem conjugar no mistério da vida.
Não sei nada de música, mas quando a explosão terminou, eu estava de pé, aclamando, junto com o teatro, em estado de graça.
Não é a toa que Barenboim anda fissurado com Bruckner. Ganhou com justiça o Prêmio Príncipe da Astúrias. Montou uma orquestra com músicos palestinos e judeus. Manteve um diálogo fraternal com Eduardo Said. Ele, o judeu que adotou a cidadania judaica e Said, o árabe apaixonado pela incerteza da fronteira.

Sabe aquela conversa sobre cidadania, fazer um Brasil melhor, que a gente acha muito bonita, mas, quase sempre, por falta de tempo, acabamos deixando de lado? Vamos mudar essa história.
O site Um Brasil de Cidadania, desenvolvido para a Ação Global do SESI, vem justamente criar um jeito prático para que cada um faça sua parte.
Uma foto, um vídeo, uma simples frase, coisas do dia-a-dia, cada coisa tem seu valor na construção de um Brasil com mais cidadania. Nossa missão é estimular as pessoas a mostrarem como têm colaborado. E isso pode ser mais fácil do que parece. Existem duas formas de contribuir. A primeira é adicionar tags específicas às fotos do Flickr , posts no Twitter e vídeos do YouTube ligados ao tema (conforme exemplo em anexo) e eles serão mostrados no site da ação. E a segunda é contribuir no próprio site, deixando seu depoimento. Para entender melhor como funciona, visite: http://www.umbrasildecidadania.com.br/?name=Blogs&V544
As tags para vídeos, posts e fotos são: cidadania, caridade, voluntariado, voluntário, beneficente, doação, donativos, SESI, ONG, “Ação Global”, “ação social”, “ajuda ao próximo”, “responsabilidade social”, “serviço comunitário”, “brasil de cidadania”.
Obrigada por contribuir por um Brasil com mais cidadania.