Arquivo de maio, 2008
31/05/2008 - 17:30
Cada um de nós tem sua memória pessoal dos grandes acontecimentos que se cristalizaram em 1968 do inesquecível Século XX.
Para mim 68 foi a tomada das ruas pela poesia.
Todos os parâmetros ideológicos estavam esgotados, ainda que sobrevivessem seus adeptos. O discurso econômico do leste se afundava no Gulag. A prática econômica do Império Americano se alastrava no campo indomável do mercado.
Os partidos políticos estavam esgotados apesar da guerra fria mantê-los escancarados na vitrine de formol. A caretice imperava na Rússia e nos Estados Unidos.
Nós, latino americanos, vivíamos embalsamados na gaze importada da repressão. Em cada país ela era mais ou menos cruel.
Mas um vento do norte balançava as mini saias saudando a beleza das pernas. Um grupo de Liverpool casou poesia, melodia, gesto, sorriso, ritmo, harmonia, beleza e nostalgia e reinventou, para a eternidade, o rock. Benditos sejais vós, Beetles, entre os jovens.
Em Paris, talvez só pudesse ser Paris, a juventude fez barricada em torno da Sorbonne, para proclamar o fim do proibido. A mesma universidade, que nas trevas plenas da Idade Média, já proclamava o espaço da razão contra a tirania da superstição politizada.
As paredes negras da Sorbonne serviram de lousa ao circulo de giz da poesia mural. Do proibido proibir à tudo o que rimasse com o consentimento.
Jovens burgueses e jovens operários, que não se falavam entre si nem entre eles, se apaixonaram pelas passeatas e se apaixonaram por eles mesmos no camping onírico.
Nunca se fotografou tanto a felicidade. As barricadas pareciam instalações de prazer e paixão. Não havia o discurso oficial mas a poesia libertária.
O susto pregado na burguesia quase se transformou em vitoria revolucionária, mas De Gaulle estava atento. Pediu emprestado os dizeres de um país que ele não considerava sério: ORDEM E PROGRESSO. Da fronteira onde arregimentou o passado, invadiu a França de novo. Pôs ordem no circo sem soleil. Abriu a Bastilha dos preconceitos. E mandou os jovens, rabo entre as pernas, de volta para a burrice doméstica.
De Gaulle está bem enterrado como um herói de guerra, APENAS.
1968 e todos os seus sonhadores mudaram o mundo. Tudo é novo nesse reino sem Dinamarca: a roupa, o paladar, o gosto, o prazer, o sexo, o julgamento, o perdão. Tudo está quieto, acumulando juros. Por causa de 68 o Século XXI não será a pasmaceira programada pelo Consenso de Washington.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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30/05/2008 - 19:26
PRIMEIRA PAGINA
A primeira página do Estadão de 30 de maio estava acalentadora. Nem parecia o Brasil, parecia um sonho. Vejamos.
Supremo Tribunal Federal aprova pesquisas com células tronco. Eis uma vitória científica, contra o preconceito equivocado. Ninguém está matando criancinhas, porque as células em questão nunca mais seriam geradoras de seres vivos autônomos.
Polícia Federal pega o Garotinho com a boca na botija, endossando uma outra quadrilha, de cunho estadual. Um deputado, membro da burguesia branca e cruel, de que falava Cláudio Lembo, já está devidamente preso.
O Minc, não o Ministério da Cultura, mas o Ministro do Meio Ambiente, retira empréstimo de propriedades rurais que prejudicam o meio ambiente.
O Brasil recebe o aval (up grade) para investimentos, de mais uma dessas agências, quer custam a reconhecer o potencial dos paises do terceiro mundo e dão notas ótimas aos financiadores temerários do mercado imobiliário dos Estados Unidos.
Localizado e escancarado o esquema da empresa francesa, Alston, que pagava propinas no Brasil a gregos e troianos.
Petrobrás descobre mais petróleo em Santos, nas praias rasas, de fácil extração e com a melhor qualidade de refino e mercado.
Lei aprovada vai diminuir o tempo dos processos judiciais pela metade.
Um grupo de índios, sem qualquer contacto com a civilização foi fotografado nos confins do Acre, perto da fronteira. A boa notícia é que ninguém sabe localizar os mesmos, nem a FUNAI, nem os ecólogos, nem os evangélicos. Por nada nesse mundo o fotógrafo vai dar a localização.
A única notícia estúpida, na primeira página, refere-se ao novo shopping da cidade, em Cidade Jardim. O estabelecimento nem abriu ainda e já há filas de reserva de bolsas italianas e francesas, jamais vendidas no terceiro mundo. As peruas estão ensandecidas para pagar uns trinta mil por cada uma delas.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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29/05/2008 - 18:46
Eu era pequeno e meu vizinho Alberto Salgado, filho de um rico comerciante português, ganhou do pai um presente maravilhoso: um radio Zenith, de cabeceira, que pegava tudo, desde Nho-Totico, no Brasil, até a BBC da Inglaterra, nas ondas curtas. Ouvíamos, em êxtase, os acordes da Traviata que anunciavam a radio novela Renúncia.
Logo depois, meu pai comprou uma radio vitrola, instalada num móvel provençal, que tornou-se a peça mais importante da sala de visitas.
Depois, chegou em casa a primeira televisão em preto e branco, que atraiu primos e vizinhos para os programas da TV Tupy. Naquele tempo eu estava apaixonado pela minha Lettera Olivetti, que eu carregava por toda a cidade, para datilografar minhas crônicas sobre a Paulicéia Desvairada. Depois, a TV colorida. Por fim, a TV a cabo.
Tomei conhecimento da Internet, quando ela se chamava Bitnet, por intermédio de David Zylberztjan, que me ajudava no projeto brasileiro da Feira de Sevilha. Ele mostrou-me uma informação acadêmica, transmitida pela Bitnet por uma amiga, sobre a participação de D. Pedro II na Feira Internacional de Chicago.
Mais tarde tentei entender o DOS. Pobre professor. Quase enlouqueceu. Felizmente São Bil Gates, da Microsoft salvou o pedaço quando inventou o Windows.
Fui direto para um Laptop, Toshiba, com o qual, animal analógico, comecei minha iniciação digital.
Minha trajetória tecnológica não chega a ser um calvário, mas é um lento percorrer com a ajuda do Prof.. Alexandre Terra. Por esse caminho cheguei a este BLOG, que assino na IG.
Minhas netas navegam com a desenvoltura de Cristovão Colombo. São digitais de nascença. Uma é campeão do Good Reads, para o qual já enviou 279 comentários de livros lidos. As menores manejam o equipamento como se estivessem brincando com a boneca. Já o neto está na comunidade de grandes competidores de corrida de automóvel na internet.
Mas minha surpresa foi a neta de 4 anos, que não tendo computador como as irmãs maiores, construiu um PC de papelão, com teclado, mouse e tela descartável para mudar os temas. Enfeitou o computador com plumas e anda por toda a parte com seu eletrodoméstico.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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28/05/2008 - 12:00
Já é lugar comum dizer que a Oitava Sinfonia de Bruckner tem a estrutura de uma catedral, que deve ser vista na grandeza de sua forma externa e na riqueza dos detalhes estruturais e decorativos.
Estive no concerto de segunda feira na Sala S. Paulo, o segundo realizado pela orquestra de Berlim, sob a mesma regência de Barenboim.
Assustava-nos antecipadamente um programa em cuja segunda parte a sinfonia deveria durar uma hora e vinte minutos.
Mas, nessa segunda parte, depois do intervalo, com uma dose gestual impecável, Baremboim dá início ao silêncio. Tanta música só pode ser compreendida como um silêncio elaborado, da mesma forma que a aterrissagem de um avião não é nada mais do que uma queda controlada.
O primeiro movimento termina, como o próprio autor o considerava, como o momento da morte. Tinha a gravidade e a tristeza mesma da morte. Pena que um cidadão, no auditório, não controlou uma tosse inoportuna. Gentilmente, mas com um tom pedagógico, bem germânico, Barenboim tirou um lenço do bolso da casaca e passou levemente nos lábios.
O scherzo e o trio que se seguiram continham a construção milimétrica da composição e da orquestra. O longo percurso nos envolvia pela exuberância dos metais num contraste amoroso com as madeiras. Os músicos pareciam felizes. Trocavam sorrisos discretos, de puro prazer, entre eles e o próprio regente.
Depois veio o adágio. Qualquer coisa no limite absoluto entre o ser e o não ser. O passo se confundindo com a sombra a percorrer. Um gesto interminável, quase imóvel, mesmo quando os sons explodiam dando a impressão de um fim que era apenas o recomeço.
Por fim o fim. Quando nos imaginávamos no sétimo dia da criação, apenas estávamos no primeiro dia do apocalipse. A orquestra produziu todos os sons que a euforia e a agonia podem conjugar no mistério da vida.
Não sei nada de música, mas quando a explosão terminou, eu estava de pé, aclamando, junto com o teatro, em estado de graça.
Não é a toa que Barenboim anda fissurado com Bruckner. Ganhou com justiça o Prêmio Príncipe da Astúrias. Montou uma orquestra com músicos palestinos e judeus. Manteve um diálogo fraternal com Eduardo Said. Ele, o judeu que adotou a cidadania judaica e Said, o árabe apaixonado pela incerteza da fronteira.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/05/2008 - 19:15
São Paulo está nos habituando às grandes festas populares. São festas de representação que com o tempo vão se transformando em espetáculos de multidão. O carnaval do Rio, de São Paulo e mesmo da Bahia, já foram festas populares, nas quais as pessoas e os blocos tinham participação individual e muito criativa. Hoje oferecem grandes espetáculos produzidos.
A Virada Cultural, devido ao tratamento temático, isto é, multiplicando as manifestações culturais e artísticas, com cenários diversos em cada local do centro e da periferia, consegue, apesar da multidão, manter essas manifestações criativas em cada uma das manifestações e palcos espalhados pela cidade.
A última Parada Gay, que reuniu milhões de pessoas, a partir da Avenida Paulista, está se transformando num espetáculo de multidões. Diminuíram as fantasias e as manifestações particulares, que revelavam uma inovação nos comportamentos, no vestuário, na maquiagem, nos blocos, nos cartazes e mesmo na música. Mas a festa é impressionante. Muda a corrente sanguínea da cidade, como muda e congestiona a corrente de tráfego. A cidade cinza e poluída se transforma na cidade colorida do outono.
Evidentemente ainda há os militantes, que marcam posição política contra o preconceito. Há os que simplesmente vão à rua para ocupar o espaço que ao menos nesse dia lhes pertence. Há os que vão se divertir com mais essa oportunidade de manifestação.
E há uma multidão de curiosos. Uns vão ali para ver como é. Outros vão porque gostariam de estar e ser como o que vêem. Outros até vão para tirar sarro e mesmo superar o preconceito.
A maioria, contudo, vai, porque o povo gosta de festa e a Parada Gay é uma grande festa.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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25/05/2008 - 19:49
DAS VOTÓRIAS INDIVIDUAIS ÀS DERROTAS INSTITUCIONAIS
Queremos a Palma de Ouro. Queremos a taça em Monte Carlo. Queremos a vitória de Guga em Roland Garros. Queremos Massa no Podium. Queríamos que Jefferson Péres não tivesse morrido. Queremos o São Paulo, o Santos, o Corinthians e o Palmeiras, mas isso é outra coisa. Estava falando de unanimidades.
Em Cannes fomos com uma bela seleção: Walter Salles, Fernando Meirelles, Nachtergaele, para falar dos diretores candidatos. Em Monte Carlos levamos Massa, com grande chance de ganhar, mais o Rubinho e o Nelsinho Piquet, com chances de não fazer feio. Em Roland Garros, onde foi despedir-se das quadras, Guga enfrentou o Mathieu e fez o possível para honrar a quadra que o consagrou. Não é mania de ganhar, mas uma certa necessidade de sermos os melhores do mundo, quando tantas indicações de piores do mundo nos assolam a consciência, como a violência, a ignorância, a desigualdade e todas as outras ” …ências e …âncias” .
Surpreso, Walter e Daniela levaram para o Brasil o prêmio de melhor atriz para a brasileira, Sandra Corveloni, que nem pode ir à Cannes pois estava doente com a perda do filho. Fernando Meirelles teve o reconhecimento honroso de Saramago que se emocionou a seu lado no fim da apresentação de Ensaio sobre a Cegueira, em Lisboa. Masssa chegaria em primeiro se a equipe da Ferrari não se atrapalhasse com a chuva e os pneus. Guga, de onde saia, sai pela porta da frente. Podemos nos orgulhar das individualidades que nos representam.
Elas constituem um pequeno símbolo do que seriam as instituições, se conseguissem nos representar. Embora não se deva generalizar podemos dizer que nunca o Congresso teve duas legislaturas tão seguidamente lamentáveis. Nunca um governo distanciou tanto a verdade dos fatos da enganação das falas. Nunca os movimentos sociais e sindicais estiveram tão apegados ao seus piores interesses corporativos. A corrupção tornou-se o inexorável instrumento dos desejos propostos pelo consumismo. A distância das instituições, a distância da esperança que nelas poderíamos ter, nos torna dependentes emocionais desses heróis particulares. Felizmente eles existem.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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24/05/2008 - 12:30
Um jovem de 21 anos, com emprego familiar, atividades esportivas regulares, saudável, tem todas as oportunidades da vida pela frente. Ao sair do trabalho para sua escolinha de futebol, só tinha como destino o próximo passo. Aliás, vivemos todos, em todos os momentos, essa realidade do próximo passo. Só não sabemos qual será o destino.
Nenhum de nós, a não ser que se trate de um matador profissional, imagina que o próximo passo exigirá de nós tudo o que não supomos, tudo o que não desejamos e tudo o que contraria nossa própria natureza.
Pois isso aconteceu com aquele jovem de 21 anos. Foi seqüestrado por parentes. Enjaulado num quarto de periferia, entre um machado e um revolver. Ameaçado inúmeras vezes de morte, antes ou após o resgate.
Produziu-se, com o medo e a solidão, o sintoma do desespero. E desespero é desespero. Num cochilo do seqüestrador, pegou o machado e desferiu-lhe três golpes. Após, apropriou-se da arma e prendeu seus carcereiros que estavam noutro quarto e uma menina de sociedade, bastante desavisada, que estava por ali à procura de drogas. Conduziu-os no carro da menina à delegacia mais próxima. No caminho foram interditados por uma viatura que prendeu a todos e encaminhou-os a mesma delegacia, onde a vítima, os hospedeiros e a desavisada foram respectivamente identificados.
O menino de 21 anos foi liberado e, evidentemente, não foi indiciado pela morte do seqüestrador. Mas levou para casa e para a vida uma dor imensa pelo que teve de fazer e um medo razoável por tudo o que o destino pode nos proporcionar no passo seguinte do cotidiano.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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22/05/2008 - 12:00
7 HOMENS E UM DESTINO
O México é uma paisagem que não poderia deixar de encantar os dois maiores cineastas, respectivamente da Rússia e dos Estados Unidos: Eisenstein e John Ford.
Após o sucesso de Os Sete Samurais, Kurosawa sempre fazia referência à grande influência de John Ford na sua obra. Ford tinha um fascínio pela paisagem mexicana. O fotógrafo de tantos de seus filmes, Figueroa, conseguiu revelar num preto e branco patético essa paisagem de cactos e desertos.
Tudo na história é tão confuso e coincidente, que o infortunado Trotski foi assassinado sob o mesmo sol inclemente daquelas paragens.
Não é por acaso que John Sturges filmou a versão americana de Os Sete Samurais, um belo filme de caubói, em território mexicano. Tornou-se um clássico.
Um vilarejo agrícola, cuja sobrevivência penosa se devia apenas à colheita de milho na terra árida, era obrigada a pagar dízimos a Calvera, um bandoleiro assassino, que exigia parte substancial da colheita e deixava para os colonos, as sobras e a humilhação. Revoltados, selecionaram um pistoleiro para se defenderem do bandido. Ofereceram 20 dólares por seis semanas e a muita honra de ajudá-los.
Sturgess escolheu a dedo, os sete samurais, que Yul Brinner selecionaria pelo brio e pela coragem. Desde o início surge a grande pergunta: Porque aqueles pistoleiros temidos, acostumados a assaltar bancos e trens pagadores, haveriam de proteger colonos mexicanos, do outro lado do mundo, por 20 dólares?
Um a um se engajam. Seis feras do cinema e um novato revelado por Visconti.
Yul Brinner, Steve McQueen, James Coburn, Charles Bronson, Brad Dexter, Horst Bucholz e Eli Walach, no desempenho magistral do bandido Calvera.
Vale a pena ver, para a gente sair da alienação da violência. Há no ser humano, em qualquer circunstância, um substrato de honra que justifica as decisões mais incompreensíveis. Sete Homens e Um Destino é isso, que só o filme de faroeste sabe passar. Disponível para vender e alugar nas locadoras.
Yul Brinner,
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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21/05/2008 - 12:00
AJUDANDO O CENTRO DE SÃO PAULO
Com a fusão da BM&F / BOVESPA, o centro vai sediar uma das maiores bolsas do mundo. E isso vai ajudar a total recuperação do centro histórico de São Paulo.
As duas bolsas já são hoje o maior colaborador da Associação Viva o Centro, depois do Banco Itaú. Elas financiam, com outras 10 empresas, a edição da URBS, talvez a melhor revista institucionalizada, de caráter especializado, publicada em São Paulo. Participam ainda do Projeto Aliança Para O Centro Histórico, que reunirá a VOC, a PMSP, para imprimir qualidade absoluta àquela área restrita da metrópole, a fim de criar um exemplo de excelência na administração urbana. Forte iluminação pública, limpeza total, eliminação dos camelôs, segurança com tolerância zero, ajardinamento completo e controle do tráfego de veículos motorizados.
Além disso, a nova bolsa constituirá um fator decisivo na transformação de São Paulo em Cidade Global, isto é, uma das cidades do mundo com alto nível de desenvolvimento sustentado, no plano humano, social, tecnológico e especialmente de comunicação, capaz de retratar as necessidades e as soluções para as cidades digitais do novo mundo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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20/05/2008 - 12:00
SEM VACINA PROTETORA
No último capítulo da novela os impostores serão punidos e os bandidos desmascarados. Contudo, durante meses, os bandidos são premiados, os “mau caráter” muito bem sucedidos. Os amigos serão traídos, e toda sorte de mutreta será ensinada pedagogicamente ao telespectador: derrubar helicópteros, colocar produtos falsificados na prateleira dos inimigos e dos concorrentes, ludibriar a boa fé dos ingênuos. Etc.etc. Até fabricar chaves falsas andam ensinando nas novelas.
Os virtuosos são quase todos uns idiotas, a partir do cinquentão, cujo QI não permite perceber nada. Verdade que os engenheiros são pessoas crédulas em tudo o que não diga respeito à tecnologia e à razão. O personagem de Edson Celulari, no entanto, não consegue perceber que um helicóptero, testado e re- testado, não pode cair por erro de projeto, no colo do inimigo.Tudo é ridículo, mas isso não importa. O que importa é a lição de bandidagem vitoriosa, de Carolina Ferraz, oferecida durante meses, em troca de uns dias finais, nos quais as virtudes burguesas poderão prevalecer.
Os efeitos produzidos por uma novela são o contrario dos efeitos desejados por Stanislavski ao montar uma peça de teatro. O diretor queria que a vida real do personagem produzisse uma catarse capaz de fazê-lo transcender, no papel. A novela, ao contrario, faz com que a irrealidade de cada apresentação se transforme em vida real para os telespectadores, para que ele desça inexoravelmente ao andar térreo. Hábitos, costumes, linguagem, comportamento, juízo moral, e todos os demais componentes do caráter coletivo e individual, são introduzidos como um vírus no tecido social. Ainda não há vacina conhecida contra a burrice maquiada.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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