Na revista INTERESSE NACIONAL que será lançada hoje, sob a direção do embaixador Rubens Barbosa,o professor Eugenio Bucci, um dos maiores teóricos de comunicação do Brasil,escreveu um importante artigo ¨A RAZÃO DE SER DAS EMISSORAS PÚBLICAS NA DEMOCRACIA¨. Destaco do artigo o seguinte trecho, a mostrar que não é apenas minha a opinião sobre a independência da tv Cultura de São Paulo:
¨A comunicação pública exige, portanto, que a gestão seja efetivamente pública, quer dizer, que esteja a cargo de um conselho formado por integrantes capazes de representar a sociedade, investidos de poder de fato e de mandato definido. As principais instituições de comunicação pública do mundo, entre elas, de modo destacado a BBC do Reino Unido, mais famosa e a mais influente de todas, seguem essa receita. No Brasil, entre todas as sócias da ABEPEC, apenas uma atende ao requisito da forma de gestão não-governamental: a Fundação Padre Anhieta (tv Cultura de São Paulo), cujo conselho curador de 47 integrantes (com membros natos, como reitores de universidades estaduais, e 23 membros eletivos, escolhidos autonomamente pelo próprio conselho, todos com mandato de três anos) tem o poder real de eleger o presidente executivo da fundação, que também tem mandato. Não que aí não existam margens para pressões políticas diretas do governo do Estado. Existem, sim. Mas, do ponto de vista formal, a decisão está efetivamente nas mãos dos conselheiros – estes, individualmente, podem ser assediados e sensibilizar-se com os pleitos do governo, mas a independência formal está assegurada. Há outros casos de um bom distanciamento em relação ao governo, como as emissoras de universidades públicas, mas o melhor exemplo é mesmo o da tv Cultura de São Paulo, o que se deve, acima de tudo ao (relativo) grau de independência que ela construiu ao longo do tempo¨.