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Arquivo de abril, 2008

22/04/2008 - 18:47

PAVANA PARA UMA DEFUNTA INFANTA

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UM SONETO PARA EXPURGAR OS DEMÔNIOS

O mais belo soneto do poeta alagoano, Jorge de Lima, foi escrito para uma menina morta. No momento em que se explora com tanta crueldade a memória de outra menina morta, quero reproduzir neste BLOG, este soneto tão significativo. Pretendo, em todos os dias em que a midia violentar a ética e a beleza, publicar um grande poema, a título de dízimo.

Essa pavana é para uma defunta
Infanta, bem amada, ungida e santa,
E que foi encerrada num profundo
Sepulcro recoberto pelos ramos

De salgueiros silvestres para nunca
Ser retirada desse leito estranho
Em que repousa ouvindo essa pavana
Recomeçada sempre sem descanço,

Sem consôlo, através dos desenganos,
Dos reveses e obstáculos da vida,
Das ventanias que se insurgem contra

A chama inapagada, a eterna chama
Que anima esta defunta infanta ungida
E bem amada e para sempre santa.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/04/2008 - 18:28

CHEGA DE CONSUMIR ISABELLA

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MIDIA VERGONHOSA PARA TIRANOS ENRUSTIDOS

Quando um idiota em frente à casa onde estavam o pai e a madrasta de Isabella, acendeu a velinha de um bolo para comemorar o aniversário da menina morta, percebi com dor que as coisas passaram do limite.
Finalmente a televisão comercial, capitaneada pela GLOBO, conseguiu a interatividade que a televisão persegue faz tanto tempo. Nem as novelas, nem o BBB foram tão longe. Foi necessário que uma menina de classe média, joguete emocional entre a mãe, o ex-marido e a madrasta fosse jogada semi-viva da janela de um apartamento de classe média, para que as televisões farejassem, como corvos, a audiência que se vende a preço de ouro. Delegados e promotores que deveriam silenciar em respeito à liturgia jurídica, foram prazeirosamente expostos como personagens de novela. Familiares e amigos que deveriam respeitar o luto e os sentimentos de toda uma sociedade, exibiram-se diante das câmeras, sem qualquer pudor. O casal sobre o qual ainda não há veredito de juiz nem de juri, foi condenado a priori, pelas delgacias, pelo público sedento de vingança, sob o alto patrocínio da midia, que solta seus balões mas não confere as consequências, como o infortunado sacerdote que se investiu de Peter Pan num balão de bexigas coloridas.
Triste espetáculo de tiranos enrustidos posando para as televisões como juizes vingadores. Não parecem, esses aglutinados de porta de cadeia, ter o mesmo impeto justiceiro quando morrem dezenas de menores pobres em cada fim da semana na periferia, sem cobertura de televisão.
Justiça para eles é o minuto de triunfo em que aparecem nos telejornais, sem perceber que são figurantes gratuitos de um espetáculo que só traz benefícios para os seus produtores.
Chega.
Tudo o que aparece nos telejornais sobre o triste e trágico assassinato de uma menina que sorria como todas as crianças, é uma afronta póstuma à sua dignidade humana. E é ainda um desrespeito permanente aos principios propostos pela Constituição para o funcionamento de uma televisão.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/04/2008 - 12:00

CARTA ABERTA A BLOGUEIRA LUCIA HELENA SAMPAIO

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Da inutilidade do vômito

Confesso-me preocupado com o fato de minha alegada hipocrisia inspirar-lhe tanto nojo e ânsia de vômito. Pensei que o espaço livre de opinião que lhe abri haveria de inspirar-lhe idéias e sugestões para melhorar a televisão pública brasileira e o próprio Brasil.
Você parece fazer parte de uma orquestra na qual a sua partitura pessoal só indicasse ódio político. Acho um desperdicio de oportunidade.
Em geral, a nausea e o vômito foram sempre um prenúncio da mais nobre das condições femininas, a gravidês. Em você é sintoma de um desatino interior, embora produzido por exterioridades ideológicas arcaicas.
Repito. Abri um espaço democrático e você, como cidadã, militante, que parece ser e intelectual, posto que redige, nunca foi capaz de produzir nada, uma idéia que fosse, além de insultar o editor deste BLOG. Mas isso é inútil. Reputações são percursos solitários na essência e públicos na decorrência.
Cada um é cada um em toda a sua precária inteireza: eu, o Lula, o FHC e mesmo você. Pedras jogadas não constróem catedrais.
No caso deste BLOG, ambos, eu e ele, seremos julgados. Eu, pelo que escrevo. Ele, pelo que repercute.
Confesso que nesse sentido, tenho dormido tranquilo, enquanto você vomita em vão.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/04/2008 - 12:52

PARA QUE UMA TV PÚBLICA?

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O DEBATE NA FOLHA DE SÃO PAULO

O oportuno debate realizado na FSP confirma que a questão da Tv Pública entrou definitivamente na pauta da midia.
Tema: Para que uma tv pública?
Protagonistas: Carlos Eduardo Lins e Silva (ombudsman da FSP), Tereza Cruvinel (presidente da EBC – TV Brasil), Paulo Markun (Presidente da Fundação Padre Anchieta – Tv Cultura)e Eugênio Bucci, ex da Radiobrás e professor de comunicação da USP.
Carlos Eduardo, mediador, exaltou a PBS (sistema publico de televisão dos Estados Unidos) sugerindo que se adotasse no Brasil o sistema de arrecadação financeira diretamente do telespectador contribuinte.
Tereza acredita que no Brasil essa arrecadação seria muito difícil e que o estado deve financiar a tv pública. Acredita na necessidade dela e em sua natureza peculiar. Acredita que a estrutura jurídica da EBC ainda vai se aperfeiçoar e que a Tv Brasil não é e não deverá ser um instrumento partidário do governo. Não vê inconveniente na sua subordinação à SECOM, mas preferia que não fosse subordinada a nenhum ministério.
Eugenio Bucci acredita que uma tv pública pode ou não ser necessária. Para ser util deve ter uma administração eficiente (o que não acontece em muitas tv brasileiras) e deve ser independente frente aos governos. Deve produzir soluções superiores com participação efetiva da população. Critica a subordinação da EBC à SECOM, que dita a política pubicitária do governo. Acha que o conselho curador da TV Brasil deveria poder escolher o presidente da televisão e não apenas poder demití-lo.
Paulo Markun ressalta a condição indispensável de independência , crê que a sociedade deve financiar a televisão pública, com verbas estáveis do governo, além da venda de serviços, produtos e obtenção de patrocínios e independência. Ressaltou as duas condições básicas para ser pública: produzir um conteúdo de qualidade, fiel à missão. Admitiu que a produção nacional é ruim, com exceções, muito abaixo da produção russa, romena e canadense, entre outras.Para Markun, a tv púlblica deve ter um modelo de produção diferenciado, absorvendo a produção independente e dando prioridade à educação do público infantil.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/04/2008 - 23:45

BERLUSCONI – O BUFÃO

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UMA ITALIA MAIS TRISTE SAIU DAS ELEIÇÕES

O novo primeiro ministro da Itália carrega nos ombros uma dezena de processos de corrupção e um complexo de comunicações capaz de absolvê-lo de todas as acusações.
Se o ministro Berlusconi possui alguma memória histõrica, não deve ter muito carater, quando afirma que os estrangeiros que acorrem à Itália em busca de trabalho constituem um ¨Exército do Mal¨.
Vejamos. No fim do século XIX e mesmo um pouco antes, a população pobre a da Itália vivia uma situação miserável, sem emprego e quase sem ter o que comer. A única solução política foi fazer emigrar para as Américas e para o norte da África milhões de italianos.
Para o Brasil vieram os venetos e os napolitanos, principalmente. Os primeiros, para plantar e para colher café em substituição aos escravos. Os italianos do sul, para trabalhar nas indústrias, nas carpintarias, nas marcenarias e no comércio. Alguns, menos escrupulosos eram chamados de carcamano, mas a maioria foi bem tratada. Foram assimilados pelos brasileiros e fixaram suas vidas aqui. Na verdade mudaram as raizes do Brasil, acrescentando a elas costumes jurídicos, como a meação agrícola, hábitos de alimentação e uma lingua forte. Em 1920, na capital de São Paulo, 60% dos habitantes eram italianos natos e falavam sua lingua. Casaram-se com brasileiros e nós todos, hoje, temos um pé na cozinha ou na pizzaria.
É, pois, uma vergonha o ministro de um país que enviou milhões de conterrâneos para ¨fazer a América¨ no Brasil, nos Estados Unidos, na Argentina e mesmo no norte da Africa, querer fechar as portas do Lácio aos infortunados cidadãos, hoje chamados de Exército do Mal. Felizmente a Itália é bem mais generosa do que esse lamentável lider da direita retrógrada.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/04/2008 - 12:09

O PETROLEO CHEGOU NA HORA CERTA

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A MAIOR DESCOBERTA DO MUNDO

A maioria dos países subdesenvolvidos da África, da América do Sul e mesmo do Oriente Médio que dispõem de grandes reservas de petróleo permanecem paises social, ecponômica e culturalmente atrasados. O comércio favorável da venda de petróleo, nesses países, apenas ajuda a manutenção das oligarquias, da prepotência política ou de uma ostentação que não beneficia suas sociedades. Não há o desenvolvimento industrial, que a riqueza poderia promover e nem mesmo a adoção de rendas mínimas que poderiam diminuir a miséria e a fome.
O Brasil acaba de descobrir reservas incalculáveis de petróleo na bacia de Santos. Estima-se que o total de reservas do país estará brevemente em 70 bilhões de barrís, o que nos tornará nação petrolífera importante.
Felizmente essas descobertas são relativamente recentes. O Brasil e a Petrobrás estão preparados para o melhor aproveitamento dessas jazidas, desde que acelere a sua produção, enquanto o preço do produto está excepcional.
Vejamos. O Brasil tem um sistema financeiro maduro capaz de estruturar o movimento do dinheiro e do crédito. Quando os juros forem razoáveis os investimentos devem ¨bombar¨. Temos um parque industrial em fase de crescimento e aperfeiçoamento tecnológico. Temos água em abundância. Temos áreas imensas para a produção agrícola. Temos experiência na produção de bio combustíveis. Nossos canaviais exigem que 20% de suas áreas sejam áreas cíclicas de cultivo, por razões técnicas de melhoria da terra. Temos 180 milhões de habitantes que, com pequeno impulso podem nos transformar num dos maiores mercados consumidores do mundo. A simples implantação da bolsa família já mudou o perfil de consumo do país. Temos uma razoável compreensão da questão de saúde e mesmo da educação.
O dinheirão do petróleo pode ajudar muito alguns setores atrasados. Um deles é a questão urbana, sobretudo nas grandes metrópoles. O royalty em alguns casos e os dividendos do produto deverão ajudar muito a evolução urbana das metrópoles. Outro setor que ainda está deficitário, no Brasil, o de infraestrutura, poderá ser completamente resolvido com o dinheiro futuro do petróleo.
A educação e a saúde, problemas crônicos de todos os países que desejam se transformar em nações ricas e independentes, deverá se beneficiar amplamente com essas perpspectivas de desenvolvimento.
Não há recuo para o Brasil: é crescer ou crescer. E mesmo os impasses políticos e a mediocridade dos políticos não impedirão esse destino inexorável de nosso país. Isso não quer dizer ainda que estejamos construindo uma civilização, ms, com ajuda do petróleo, poderemos cnsolidar o progresso, em benefício de todos.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/04/2008 - 15:43

ELES NÃO USAVAM MESMO BLACK TIE

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Lembro-me quando convidei o Guarnieri para publicar crônicas na Ultima Hora de São Paulo, da qual eu era diretor. A UH do Samuel Wainer, nos anos sessenta, era o primeiro jornal multi-estadual, pois além do Rio de Janeiro, circulava em São Paulo, Minas, Paraná e Pernambuico. Tinha em São Paulo, como inventou o Samuel, um jornal e uma revista, todos os dias. No jornal a hierarquia da pauta era Política, Polícia, Esporte e Cidade. Na revista, uma espécie de segundo caderno livre, importante era rechear suas páginas com o melhor de uma cultura progressista, envolvendo fazedores de opinião de todas as classes sociais. De Ignacio Loyola, dos primeiros livros ao desembargador Odilon da Costa Manso, uma leva de jovens poetas e pensadores políticos passaram por aquele caderno dois.
Mas precisávamos de alguém com sensibilidade para fazer a crônica do povo, dos que não usavam black tie. Guarnieri era artista, tinha conteúdo político e já demonstrara no teatro que entendia de povo, embora nenhum de nós viesse das camadas ditas populares.
Gianfrancesco topou e aos poucos foi desenrolando as mais belas crônicas publicadas na Ultima Hora. Tinha uma sensibilidade narrativa encantadora.
Hoje, no espaço cinema do Unibanco, será lançado o livro com essas crônicas.
Nesta mesma noite poderemos viver o que o livro nos faz recordar.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/04/2008 - 12:00

UM RIO SEM DENGUE

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Poucas horas que sejam, são suficientes para a gente se encantar com o Rio de Janeiro e aprender muitas coisas com os cariocas. Numa hora entre acordar e ir a um seminário da UERJ, do professor André Parente, grande especialista em comunicação e arte-tecnologia, descobri um teleférico que nos leva da calçada do Russel à Igreja da Glória. A vista é belíssima, como tudo no Rio, e a Igreja, restaurada está em ordem, como no dia da inauguração, há três séculos. Interessante foi que dentro da Igreja, um guia muito simples dissertava sobre o prédio, esclarecendo: ¨-Esta Igreja não é barroca. Nada no Rio colonial é barroco. É uma Igreja de estilo Rococó. So os azulejos são barrocos. Mesmo a Igreja de São Bento é metade barroca, metade rococó.¨ Não sei se ele estava certo, mas falava com tal elegância que parecia um expert.
Já no taxi, a caminho da Universidade que fica num antigo palácio, transformado em hospício no começo da república o motorista dissertava:¨ O Cesar Maia não dá não. É muito encrenqueiro. Imagina, o senhor, um inquilino novo chegar no apartamento dando butinada no porteiro e na porta do elevador. Em cinco minutos toda a galera do prédio vai ficar sabendo. Sabe. Esses caras foram do PSD, da ARENA e acabaram com vergonha de ficar no PFL, tudo do mesmo saco do Antonio Carlos e da ditadura.¨ Depois, mesmo sem que eu o estimulasse, foi falando: ¨O Sergio Cabral é outra coisa. Chegou mansinho. Observou. Viu o que o Rio precisava e foi no Lula, que soltou uma nota preta prá ele. Mosquito tem asa, vai prá onde quer, mas que o povo agora está sendo atendido, está. Tudo porque o exército se juntou com os médicos, os médicos com os enfermeiros, governador com presidente. E o Maia só sabe dizer que dengue não existe¨. Na volta, um elegante motorista, com cara de estrangeiro me afirmou: ¨Se eu votar contra o Cabral minha mãe vai dar uma bruta bronca. Meu avô era contra o Franco. Foi expulso da Espanha. A terceira idade na minha família só dá comunista¨.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/04/2008 - 13:08

TSE ABRE AS PORTAS PARA A CULTURA

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O presidente do Superior Tribunal Eleitoral (TSE), Ministro Marco Aurelio de Mello, afirmou na inuaguração do Centro Cutural TSE, no Rio de Janeiro,que em 2007, 70% dos brasileiros não participaram de nenhum evento artístico,nem adotaram qualquer atitude cultural. Assim, não foram ao cinema, ao teatro, a nenhuma exposição de arte, não leram nenhum livro, não frequentaram nenhum museu. E isso, não apenas nas classes menos favorecidas, também na burguesia.
Assim sendo, qualquer atitude para estimular um mínimo de freqüencia à atitudes culturais será muito bem vinda. Porisso o lema deste blog é “recomendações para tirar um jovem da ignorância¨.
Marco Aurelio tirou a fuligem da fachada do edifício histórico e abandonado do TSE, na rua 1o de março no Rio. Surgiram os mármores de carrara e a belíssima fachada. Ninguém perguntava na primeira república se a fachada tinha sido paga com orçamento ou cartões corporativos. Oa paulistões que governavam não eram gênios, mas eram honestos. A obra pública tinha a obrigação de ser majestosa e bela, pois era o símbolo da instituiçao.
A Fundaçao Anchieta, como a denominou, de forma laica, o presidente, ficará encarregada de suprir o conteúdo da instituição. e dentro de um mês deverá ser apresentado um projeto.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/04/2008 - 12:00

A TV CULTURA E O INTERESSE NACIONAL

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Na revista INTERESSE NACIONAL que será lançada hoje, sob a direção do embaixador Rubens Barbosa,o professor Eugenio Bucci, um dos maiores teóricos de comunicação do Brasil,escreveu um importante artigo ¨A RAZÃO DE SER DAS EMISSORAS PÚBLICAS NA DEMOCRACIA¨. Destaco do artigo o seguinte trecho, a mostrar que não é apenas minha a opinião sobre a independência da tv Cultura de São Paulo:

¨A comunicação pública exige, portanto, que a gestão seja efetivamente pública, quer dizer, que esteja a cargo de um conselho formado por integrantes capazes de representar a sociedade, investidos de poder de fato e de mandato definido. As principais instituições de comunicação pública do mundo, entre elas, de modo destacado a BBC do Reino Unido, mais famosa e a mais influente de todas, seguem essa receita. No Brasil, entre todas as sócias da ABEPEC, apenas uma atende ao requisito da forma de gestão não-governamental: a Fundação Padre Anhieta (tv Cultura de São Paulo), cujo conselho curador de 47 integrantes (com membros natos, como reitores de universidades estaduais, e 23 membros eletivos, escolhidos autonomamente pelo próprio conselho, todos com mandato de três anos) tem o poder real de eleger o presidente executivo da fundação, que também tem mandato. Não que aí não existam margens para pressões políticas diretas do governo do Estado. Existem, sim. Mas, do ponto de vista formal, a decisão está efetivamente nas mãos dos conselheiros – estes, individualmente, podem ser assediados e sensibilizar-se com os pleitos do governo, mas a independência formal está assegurada. Há outros casos de um bom distanciamento em relação ao governo, como as emissoras de universidades públicas, mas o melhor exemplo é mesmo o da tv Cultura de São Paulo, o que se deve, acima de tudo ao (relativo) grau de independência que ela construiu ao longo do tempo¨.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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