PALESTRA ITALIA
OS SANTOS DO PALMEIRAS
Ainda na virada cultural fui almoçar no Carlino, restaurante italiano com 119 anos de existência. Apenas, mudou de enderêço, pois os respeitáveis clientes não se adaptaram aos novos comportamentos da Vieira de Carvalho. Fica hoje ao lado do antigo Hotel Hilton, no centro novo. O jovem proprietário não tem cem anos, deve ter uns trinta, mas o tio avô, estava lá, firme, em frente à televisão para assistir a vitória do Palmeiras. Ele estava de costas e eu notei que tinha nas mãos uma espécie de cartas de baralho abertas à devoção. Não eram cartas, eram santos de toda espécie, que ele abre piedosamente nos jogos do Palmeiras, com a ausência, é claro, do São Jorge. Nervoso, assistia à hipótese do ¨parmera¨ se tornar campeão depois de tantos anos. Eu estava comendo um cordeiro assado com batatas coradas quando o Palmeiras avança sobre o Ponte. Institntivamente levantei minha camera fotográfica. Gool!
O velhinho encosta seus santos na tela da televisão. Pedi licença para tirar uma foto. – Pode tirar, eu já tive dois ¨infarti¨ assistindo jogo do Palmeiras.
O tio avô tomou uns bons goles de cerveja. Estava novo e feliz como o jovem sobrinho, dono do Carlino. Torcer para o Palmeiras é diferente. Implica numa afirmação de identidade, ancestral e bem amada. Nós do São Paulo temos isso de graça, achamos que a identidade é só nossa. Mas nesse fim de almoço percebi que a cidade é mais ampla que o meu time, abriga o pluralismo de torcidas imortais, ainda que nem sempre muito civilizadas. Civilizado é o torcedor, que abre suas cartas de santos, para afirmar o seu amor às origens e ao vencedor do Parque Antártica.
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Estimado Jorge:
Lembro do tempo, aliás bons tempos aqueles. Ah Jorge faz muito tempo! que chamavam o Parque Antartica de Jardim Suspenso, uma alusão ao Jardim suspenso da Babilônia, que foi construído pelo seu mais brilhante Monarca Nabucodonosor, o qual era tido até pouco tempo como uma das maravilhas do Planeta.
Quantas saudades do palestra do Pacaembú, do Santos de Pelé do Palmeiras do Ademir,bons tempos aqueles, e São Jorge sempre foi bem vindo, dizem que foi muito amigo de San Genaro, da Nsa. Sra.da Queropita e do próprio São Pedro, só tinham diferenças no campo!
Brincadeiras a parte aquele tempo
o jogo era ganho no campo e na bola , que pena, que penahaaa..!
Abraços fraternos.
Manoel Ferreira.