Arquivo de abril, 2008
30/04/2008 - 17:56
A HORA E A VEZ DOS JOVENS NA CULTURA
A programação da Cultura tem um grande mérito. Ninguém quis reinventar a televisão, nem fazer uma programação à imagem e semelhança dos seus administradores atuais. O que se apresentou no café da manhã oferecido à imprensa, aos meios publicitários e aos próprios protagonistas da TV Cultura, foi um aperfeiçoamento das programas existentes, melhorando o processo produtivo, os apresentadores e o roteiro dos conteúdos. E, além disso, propor uma programação nova, que custará 11 milhões de reais, especialmente dirigida ao público jovem, grande lacuna da televisão brasileira, seja pública ou comercial. Considerando que a adolescência no Brasil vai dos quinze aos trinta anos tofda essa área deverá ser atingida, pois a área infantil e a área adulta já são bem tratadas pela programação. A nova série de programas põe o pé na rua, o pé na periferia, o pé entre os índios, o pé na nova literatura, o pé no teatro alternativo e um grande pé na música popular brasileira em todos os seus matizes. É verdade que temos grandes nomes, vindos do recente estrelato da periferia e grandes nomes vindos da TV Comercial, como Lílian Witte Fibe, Marcos Palmeira, Sócrates etc. Mas o importante é que todos estão aí para fazer TV pública, no compromisso e na intenção. Marcos Palmeira foi claro em dizer que o mundo do índio confunde-se com a sua trajetória pessoal. Happin Hood deverá sentir-se mais a vontade na Cultura do que em qualquer outra televisão.
O Brasil está evoluindo. Sua economiz pode afirmar o Brasil como uma das maiores nações do mundo próximo. A televisão pública deve se afirmar como um elemento indispensável nesse contexto de evolução, o que as televisões comerciais não parecem perceber, quando confundemm compreensão dos acontecimentos com espetáculo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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29/04/2008 - 12:00
É evidente que tudo o que os carros engolem por dia daria para amenizar a fome mundial em todos os continentes. Mas, alegar, tão enfaticamente, que a fome será o resultado dos projetos de produção de bio combustíveis é um exagero, como declarou o dirigente da FAO, organismo da ONU para a agricultura. O professor José Goldenberg esclareceu amplamente a questão. O plantio de cana no Brasil não vai diminuir em nada a produção de alimentos. Mesmo na Europa, onde o bio combustível é obtido, com pobre rendimento, da beterraba, não será motivo maior para o aumento dos preços de alimentos do que os subsídios que os governos dão aos agricultores. E até mesmo nos Estados Unidos, que produzem o combustível a partir do milho, solução burra, os volumes dessa produção não justificam o aumento do produto. E isso, num produto, que o presidente Lula afirma com propriedade que é o grande alimento das galinhas e dos porquinhos, que nos alimentam na seqüência da cadeia deglutiva.
Os preços atuais e futuros do arroz, do feijão, do milho e da soja estão em alta porque alguns países que não comiam estão comendo. Estão em alta porque os especuladores estão sempre de plantão para consumir o lucro ocioso. Estão em alta porque se aplica pouco na produção e na tecnologia e no financiamento agrícola. Estão em alta porque a África, como sempre, continua abandonada, apesar do imenso espaço que, ali, se pode destinar à agricultura.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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28/04/2008 - 13:08
OS SANTOS DO PALMEIRAS
Ainda na virada cultural fui almoçar no Carlino, restaurante italiano com 119 anos de existência. Apenas, mudou de enderêço, pois os respeitáveis clientes não se adaptaram aos novos comportamentos da Vieira de Carvalho. Fica hoje ao lado do antigo Hotel Hilton, no centro novo. O jovem proprietário não tem cem anos, deve ter uns trinta, mas o tio avô, estava lá, firme, em frente à televisão para assistir a vitória do Palmeiras. Ele estava de costas e eu notei que tinha nas mãos uma espécie de cartas de baralho abertas à devoção. Não eram cartas, eram santos de toda espécie, que ele abre piedosamente nos jogos do Palmeiras, com a ausência, é claro, do São Jorge. Nervoso, assistia à hipótese do ¨parmera¨ se tornar campeão depois de tantos anos. Eu estava comendo um cordeiro assado com batatas coradas quando o Palmeiras avança sobre o Ponte. Institntivamente levantei minha camera fotográfica. Gool!
O velhinho encosta seus santos na tela da televisão. Pedi licença para tirar uma foto. – Pode tirar, eu já tive dois ¨infarti¨ assistindo jogo do Palmeiras.
O tio avô tomou uns bons goles de cerveja. Estava novo e feliz como o jovem sobrinho, dono do Carlino. Torcer para o Palmeiras é diferente. Implica numa afirmação de identidade, ancestral e bem amada. Nós do São Paulo temos isso de graça, achamos que a identidade é só nossa. Mas nesse fim de almoço percebi que a cidade é mais ampla que o meu time, abriga o pluralismo de torcidas imortais, ainda que nem sempre muito civilizadas. Civilizado é o torcedor, que abre suas cartas de santos, para afirmar o seu amor às origens e ao vencedor do Parque Antártica.
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Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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27/04/2008 - 11:23


Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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27/04/2008 - 11:13
FOTOS NOTURNAS – SÁBADO


Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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27/04/2008 - 00:27
CULTURA RECONSTRÓI O USO DO ESPAÇO PÚBLICO
São Paulo, hoje, retribuiu ao paulistano que saiu às ruas na Virada Cultural, aos milhares, sem medo de ser feliz. Fui ao Centro com filho, nora e neta de quatro anos. Encontrei amigos que se juntaram. Começamos no palco das Meninas, na Avenida Ipiranga. Tatiana cantava em português e castelhano. Faz parte da centena de revelações femininas, que são ótimas cantoras. Depois, fomos no Bar de D. Onça, recém-inaugurado no térreo do Copan, a bandeira da pátria esculpida em concreto, por Niemayer. Tem cerveja gelada como toda cerveja inesquecível. Tem canapes tão bons ou ainda melhores que os do Bar do Leo. Depois passamos pelo rock pesado em frente ao Caetano de Campos. Milhares de tribus urbanas e darks. Seguimos para o show de Gal Costa, na Av. São João. A Gal é uma consagração em si mesma, mas a distância do palco era enorme, tantas eram as pessoas aplaudindo. Passamos pelo Arouche, com sua fauna adestrada e alegre. No Viaduto do Chá, alguns performistas, quase imõveis divertiam o público. Em frente, o espetáculo do abismo. No Vale, boa dança, menos concorrida.
Mas o grande espetáculo foram as milhões de pessoas na rua, apropriando-se do espaço público que é seu. Como é bom ver o cidadão reconciliado com a cidade, depois desse mês agourento em que às desgraças da vida somaram-se a exploração da mídia, que transformou a vida de todo mundo num ¨horror show¨ insuportável. Então fomos para a Pça Dom Gaspar, atrás da Biblioteca. Entramos num café elegante, tambem recém-inaugurado, com a grife dos Suplicy. Em frente, sob as árvores centenárias, pessoas de todas as condições sociais aguardavam o concêrto de piano, Na mesma praça, anos atrás, Sartre, Simone e Juliette Greco tomaram gin fizz no terraço do bar famoso, o Paribar. Amilson Godoy, com algum atraso, esperando o circo passar pela São Luiz, tocou para um público tocado e respeitoso. Quase meia noite. Voltei para casa, com a neta no colo, sentindo-me um cidadão, feliz de ser paulistano. Ah! Se a cidade pudesse ser assim todos os dias, substituindo a barbárie pela cultura.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/04/2008 - 16:37
TODOS MUITO PIEDOSOS
O novo cardeal de São Paulo, D. Odilo Scherer, foi homenageado pelos monges do Mosteiro de São Bento e por uma seleta parcela da comunidade católica de São Paulo e até por religiosos de outras crenças. Na primeira fila do culto religioso estavam o governador José Serra, a prefeita Marta Suplicy, representando o Lula, Gilberto Kassab, o prefeito candidato e o presidente da Câmara dos Deputados, o ex Fernando Henrique Cardoso, além de chefes dos outros poderes, secretários e presidentes de instituições importantes de São Paulo.
Atravessei com saudades o longo corredor do Colégio São Bento onde estudei.Chegamos ao refeitório, no qual uma cuidadosa recepção, com drinks e jantar, estava muito bem preparada. As autoridades levantaram um brinde ao homenageado aniversariante e começaram os discursos. Kassab falou dos compromissos recíprocos da cidade e da Igreja e o quanto esta tem participado do trabalho social na diocese cidade. Parecia um membro fervoroso da comunidade católica. José Serra, num tom histórico e piedoso, lembrou das missas da JUC que ele assistia aos domingos naquele mesmo mosteiro, apesar de não ter sido membro da instituição. Marta evocou as nossas senhoras, padroeiras de todos os rincões do país, a cujas procissões ela tem comparecido, como ministra do turismo e devota. Já na Igreja, um piedoso Fernando Henrique, acompanhava cantarolando as notas do canto gregoriano. Enfim, todos em ordem unida, em torno da Igreja Católica e seu pastor. No plano político a ordem não está tão unida assim.
RODIZIO CULTURAL
Pela quarta vez a cidade acorda para a virada cultural. Em toda a dimensão da comarca pululam eventos artísticos. Principalmente no Centro. Os políticos perceberam que, hoje, só a convocação cultural sensibiliza a população. Assim foram erguidos 26 palcos só na região central. A Paulista abre a Casa das Rosas. O Ibirapuera, abre o Planetário com um DJ francês descobrindo as estrêlas atlânticas. O MAM faz marcha noturna, com luminárias artísticas. No Municipal, Melodia retorna à maternidade do
Samba. Na São João com Aurora, as grandes divas: Gal Costa e Cesária Évora. Nos palcos, bailes e danças. Na Rua da Quitanda, música eletrônica. Roda de Samba no Largo Santa Efigiênia. No Vale do Anhangabaú mais de 70 músicos. Na República, o rock pauleira, do Terrêno Baldio ao Ultraje a Rigor. A Praça Roosevelt já tem donos que estarão na rua para oferecer teatro: os Satyros, os Parlapatões, o Estudio 184. Tom Zé anima a Paulista e a dupla José Miguel e Arthur dará aulas de música no Centro Vergueiro. Os restaurantes, a pinacoteca, os institutos culturais, os botecos, as cervejarias etc. etc estarão abertos para o distinto público diurno e noturno. Inicio 18hs de hoje até as 18hs de domingo. E viva a virada cultural.
A MALDIÇÃO DO CARRO
Os carros, em São Paulo, comem muito mais do que os pobres. E não adianta estrilar. A cidade foi concebida para eles, desde os anos 50. Não faltou a advertência do padre Lebret, urbanista, quando afirmou que não adiantava fazer ruas, metrôs, ónibus se não se aproximassem o trabalho da moradia. Hoje, quase 80% dos trabalhadores moram a mais de 2 hs dos locais de trabalho e isso mesmo com pistas de ónibus, metrôs em alguns percursos etc. O centro está pouco adensado, apesar de dispor da melhor infra da cidade e as moradias vão pros fins das periferias. Perguntei ao pedreiro de uma obra em minha casa. Ele me disse que saia as 6hs da manhã para chegar ao trabalho as nove. E gastava um pouco menos para voltar. Tive a vergonha de testemunhar que em sua marmita só havia arroz e farinha. O empreiteiro me disse que ele ganha cerca de 60 reais por dia. Nos projetos dos candidatos à prefeito, dos últimos vinte anos, nunca se pensou numa solução urbana e humana para o problema. As soluções são apenas de transporte e, assim mesmo, mais para o transporte individual do que para o transporte coletivo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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26/04/2008 - 12:00
BOAS ESCOLHAS NA SP ARTE
Pela quarta vez a SP Arte abre as suas portas no pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. Trata-se de uma feira de galerias, com objetivo de mostrar, num único recinto, o que se oferece no mercado de artes plásticas. Não se trata de uma pequena mostra, mas de uma seleção do que há de melhor. Neste ano são 67 galerias de São Paulo e do Rio, principalmente, que expõem, no térreo e no primeiro mezanino da Bienal,
Há algumas observações que podem ser feitas. Em primeiro lugar a quantidade de quadros de Guignard da melhor qualidade que estão oferecidos. Há que destacar ainda as ofertas mais ousadas, quase todas derivadas do concretismo, oferecidas pela Galeria Steiner, outras ousadas no contemporâneo, como os quadros oferecidos por Luiza Strina e a Razuk. Na subida da rampa há um quadro de Siron Franco, dos melhores dias, que apresenta um perfil impressionante de beleza e detalhes. Na Pinacotheke vemos um pequeno quadro de Lasar Segall, contemplando o traseiro palustre e belo de umas vacas, que é uma obra prima. O auto retrato que Portinari pintou para seu filho João Cândido em 1933 é de se ver, e , se possível, comprar, mas custa 400 mil reais. Oiticica está presente, com o que exibiu na Tate, no mesmo patamar de preço. Há um mundo de presenças e de galerias. Sei que é injusto não citá-las todas, mas o que vale é a sugestão. Ir ao Ibirapuera até o final de semana e constata que o mercado também pode prestar seu tributo à criação artística.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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25/04/2008 - 23:48
BOAS ESCOLHAS NA SP ARTE
Pela quarta vez a SP Arte abre as suas portas no pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. Trata-se de uma feira de galerias, com objetivo de mostrar, num único recinto, o que se oferece no mercado de artes plásticas. Não se trata de uma pequena mostra, mas de uma seleção do que há de melhor. Neste ano são 67 galerias de São Paulo e do Rio, principalmente, que expõem, no térreo e no primeiro mezanino da Bienal,
Há algumas observações que podem ser feitas. Em primeiro lugar a quantidade de quadros de Guignard da melhor qualidade que estão oferecidos. Há que destacar ainda as ofertas mais ousadas, quase todas derivadas do concretismo, oferecidas pela Galeria Steiner, outras ousadas no contemporâneo, como os quadros oferecidos por Luiza Strina e a Razuk. Na subida da rampa há um quadro de Siron Franco, dos melhores dias, que apresenta um perfil impressionante de beleza e detalhes. Na Pinacotheke vemos um pequeno quadro de Lasar Segall, contemplando o traseiro palustre e belo de umas vacas, que é uma obra prima. O auto retrato que Portinari pintou para seu filho João Cândido em 1933 é de se ver, e , se possível, comprar, mas custa 400 mil reais. Oiticica está presente, com o que exibiu na Tate, no mesmo patamar de preço. Há um mundo de presenças e de galerias. Sei que é injusto não citá-las todas, mas o que vale é a sugestão. Ir ao Ibirapuera até o final de semana e constata que o mercado também pode prestar seu tributo à criação artística.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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23/04/2008 - 10:25
LUGO – MAIS UMA BARREIRA AO LIBERALISMO
Desde que o Brasil enfiou o mastro da vitória nos intestinos de um Paraguai humilhado, inviabilizando mais uma vez o destino daquele país, nos transformamos num vizinho poderoso, nunca num aliado. Nem as mesuras de nossos sucessivos presidentes às ditaduras coloradas melhoraram esse estado de espírito justo do povo paraguaio. O Paraguai, no centro da América do Sul, fiel à herança indígena, cercado de águas e oportunidades agropecuárias, com um povo trabalhador, já perdeu duas batalhas desenvolvimentistas. Uma, quando as missiones foram arrasadas pelos portugueses em sua experiência de criar progresso junto com os indígenas. Outra com Solano Lopes que transformou o Paraguai numa nação e foi dizimado pela tríplice aliança fomentada pelos ingleses.
Itaipú não surgiu de nenhuma boa vontade, mas da necessidade de se produzir energia naquela geografia privilegiada. Como o Paraguai não consome a sua parcela da energia produzida, o Brasil lhe paga preço modesto pelo que ele próprio consome. Assim, continuamos em dívida com o Paraguai.
Essa dívida nunca foi paga porque era mais fácil arreglar, por prêços módicos, com os colorados no poder.
Lugo é a esperança de inverter esse quadro. Bispo da teologia da libertação, pode se transformar no político da democracia da libertação. De fato, não será pouco libertar a política paraguaia de seus hábitos e costumes. Lugo entra na grande frente histórica sul americana que deverá sugerir um novo rumo para a economia mundial, longe do FMI, longe no neoliberalismo, longe do protecionismo do primeiro mundo.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria
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